Índice de Capítulo


    Tradutor: MrRody Revisor: SMCarvalho 』


    — Poderemos voltar amanhã? O que você quer dizer com isso?

    Amelia evitou meus olhos com essa pergunta. — Não é uma certeza, mas há algo que eu tenho em mente desde o começo.

    — Desde o começo…? — Minha mente ficou em branco por um momento.

    “É por isso que ela sempre parecia desconfortável toda vez que falávamos sobre como voltar?”

    Percebi que a sensação de estranheza que senti em conversas anteriores não era apenas minha imaginação, mas ainda havia algo que eu não entendia.

    — Se você tinha uma ideia desde o começo, por que não me contou antes? — Quando a encarei, Amelia desviou o olhar novamente. No final, não tive escolha a não ser ser direto. — É… porque você não quer voltar?

    — É que… — Amelia hesitou antes de balançar a cabeça. — Esse definitivamente não é o caso. Eu só pensei que não seria ruim ficar aqui um pouco mais…

    — O quê? Mas por quê? — Inclinei a cabeça involuntariamente, mas quando pensei calmamente do ponto de vista da Amelia, fazia sentido.

    — I-Isso é…

    — Ah, entendi. Certo.

    — Certo…?

    — Você se sente mal por deixar sua irmã.

    Quando partíssemos, Laura teria que viver sozinha pelos próximos vinte anos. Era natural que Amelia quisesse fazer o que pudesse para ajudá-la a viver uma vida melhor e, pelo menos, ver que tipo de vida seria antes de partir.

    — Você poderia ter sido honesta comigo. Mas acho que talvez eu não fosse confiável o suficiente para você.

    — Ah…

    — Somos companheiros. Apenas me diga essas coisas.

    — …Eu direi. Vou te contar tudo a partir de agora.

    — Certo. — Resolvi rapidamente o mal-entendido entre nós e passei para o próximo item da agenda, que talvez fosse a parte mais importante dessa conversa. — Então, qual é a sua intuição de que podemos voltar tão rapidamente?

    — Ah, isso. — Amelia foi trazida de volta à realidade por essa pergunta e explicou o que estava pensando. Eu ouvi atentamente, fazendo algumas perguntas no meio, e assenti.

    “Hmm, definitivamente…”

    Era plausível. Não, para ser honesto, assim que ouvi, tive uma sensação de que era isso, nossa última tarefa pendente.


    Na manhã seguinte, depois de fazermos o check-out da pousada de manhã cedo, nos dirigimos a um restaurante próximo. Havia um lugar que Amelia queria ir. Quanto a mim, eu só queria terminar nosso trabalho e voltar rapidamente.

    — Este restaurante fecha em vinte anos… Ah, claro, se você achar que será inconveniente, não me importo de voltar imediatamente.

    “Como eu poderia não ir se ela está pedindo assim? Sim, não teremos tempo para fazer uma pausa quando voltarmos. E ela tem trabalhado duro todos os dias.”

    Amelia até parecia envergonhada com seu próprio pedido. Parecia que ela estava consciente de expressar um desejo tão mundano, mas, em minha mente, era uma mudança positiva digna de celebração. Significava que nosso vínculo havia se fortalecido o suficiente para que ela se sentisse à vontade para pedir algo assim.

    — Me avise se houver mais alguma coisa que você queira fazer.

    — Então… podemos parar na Galeria de Arte Arandeje no Distrito Nove?

    — …Galeria de arte?

    — Há uma obra de arte que quero ver. Um… Eu queria vê-la, mas não consegui no futuro. Parece que foi vendida para um nobre rico.

    De qualquer forma, por essa razão, nos dirigimos ao museu após a refeição. Amelia ficou em frente à obra de arte que queria ver e a observou por mais de trinta minutos.

    — …Você se importa se eu olhar outra coisa?

    — Claro que não.

    Então caminhamos pela galeria e admiramos outras pinturas e esculturas. Para ser honesto, isso foi um pouco inesperado.

    “Nunca suspeitei que ela tivesse um hobby assim.”

    Pelo olhar em seus olhos, pude ver que ela estava genuinamente se divertindo. Bem, isso era, no entanto, uma questão à parte.

    — Amelia, isso é legal e tudo mais, mas estou começando a ficar com fome…

    Olhando ao redor, percebemos que já era meio-dia, então fizemos uma refeição em um restaurante próximo.

    — Yandel, podemos parar em um último lugar?

    A pedido de Amelia, pegamos uma carruagem novamente. O lugar onde chegamos foi o orfanato da Igreja de Reatlas, onde Dwalkie ficou quando criança.

    “Este lugar e eu temos uma conexão estranhamente profunda.”

    Em vez de entrar no prédio, sentamos em um banco em frente e observamos Laura através da janela. Recuperando-se de seu período no hospital, ela estava sentada em uma mesa fazendo papelada. Aparentemente, ela conseguiu um emprego no orfanato por meio do sacerdote.

    — Achei que ela estava apenas ajudando nas tarefas, mas vendo que está fazendo papelada, parece que já está lendo — eu disse, antes de me perguntar em voz alta se havia uma chance de ela não ter perdido todas as suas memórias.

    Amelia apenas sorriu melancolicamente e balançou a cabeça. — Esse não poderia ser o caso.

    — Como você tem tanta certeza?

    — Laura… não sabia ler.

    — …O quê?

    “Então, depois de apenas algumas semanas de aprendizado com o sacerdote, ela já pode fazer trabalho administrativo?”

    Isso foi uma surpresa, mas não algo que eu não pudesse entender. Pessoas como ela existiam.

    — …Ela é um gênio.

    — Eu também não sabia que minha irmã era tão inteligente. Eu sabia que ela tinha uma memória extraordinária, mas…

    — E o sacerdote? O sacerdote que a ensinou não achou isso estranho?

    — Aquela mulher simplesmente considerou isso como um sinal de que suas memórias estão voltando. Minha irmã também pensou assim.

    Talvez o verdadeiro talento dessas irmãs não estivesse em algo como matar pessoas. Era apenas o ambiente delas que as fez desse jeito. Fiquei imaginando no que Amelia teria se tornado se tivesse nascido em uma família comum. Parecia que ela gostava de arte, então talvez ela tivesse se tornado famosa por isso.

    — O que é esse olhar?

    Ah, eu estava encarando demais? — …Não é nada. De qualquer forma, por quanto tempo você vai assistir? Parece que sua irmã está terminando o trabalho agora.

    — Devemos… ir agora.

    Quando Laura terminou a papelada e colocou o casaco, nos levantamos.

    Creak.

    Então abrimos o bueiro do sistema de esgoto e descemos. Este era o único caminho para Noark.

    — Não pensei que voltaria a descer aqui. Nada de ruim vai acontecer, certo?

    — Deve estar tudo bem. Há outra maneira de entrar furtivamente além do cemitério.

    No passado, seguimos a rota oficial e entramos na cidade através de um corretor porque precisávamos de identidades legais em Noark, mas não havia necessidade disso agora, então entramos ilegalmente por um caminho que Amelia conhecia. Aparentemente, esse caminho estava conectado ao castelo.

    — Mas o que vai acontecer com Noark agora?

    Enquanto caminhávamos, falamos sobre Noark. Após o grande incidente envolvendo o palácio, a Orcules, o lorde do castelo , e até mesmo a quarta facção (nós), eu estava curioso para saber como as coisas se desenrolariam.

    — O novo lorde do castelo estará ocupado acalmando as coisas agora.

    — Acalmando as coisas? Claro, eu sabia que tudo acabaria sendo varrido para debaixo do tapete de alguma forma, mas estava curioso sobre o como. — Foram eles que se uniram ao palácio e perderam, como podem acalmar isso?

    — Porque a Orcules também precisa dessa cidade.

    Eu questionei por que a Orcules não poderia simplesmente tomar a cidade para si, mas parecia haver lógica por trás de sua decisão de não fazê-lo.

    — Para que o portal que conecta Noark e o labirinto se abra, é necessário o sangue da linhagem do lorde do castelo.

    Foi por isso que o novo lorde do castelo matou todos em sua família assim que soube da morte de seu pai. Parecia que ele estava preocupado que o grupo tomasse a cidade transformando seus irmãos mais fracos em marionetes.

    “Ele realmente é um cara e tanto. Pensar que ele poderia tomar essa decisão em um momento como aquele.”

    Depois disso, o novo lorde do castelo cedeu uma parte de Noark para a Orcules para trazer uma trégua e gradualmente estabilizou a cidade. Isso de acordo com o relato completo que existiria em vinte anos.

    — Chegamos.

    Depois de viajar pelo sistema de esgoto por um tempo, chegamos ao castelo e escapamos dos olhos dos guardas para deixar suas muralhas. Passando por ruas da cidade que ainda cheiravam a fumaça, chegamos em frente a uma pequena mansão.

    — Yandel, pode esperar aqui um momento? Eu vou sozinha.

    — Claro.

    Era a casa de Amelia.


    Não havia motivo para bater. Naquela época, ela nunca vivia com a porta trancada. Ela tinha desistido, queria deixar que o que quer que fosse acontecer, acontecesse.

    Creak.

    Amelia abriu a porta e olhou ao redor da casa. Embora tivesse apenas móveis básicos e simples, isso a fazia se sentir mais em casa. A casa que o avô alquimista lhe providenciou permaneceu nessa condição até o dia em que ela a deixou como adulta.

    Sentindo uma presença, a garota encolhida contra a parede levantou a cabeça e olhou para ela. — Senhorita Emily…? — Suas pupilas opacas começaram a brilhar. Amelia não tinha habilidades de leitura de mentes, mas como essa era sua versão mais jovem, ela podia ver claramente o que a garota estava pensando, podia ver a esperança crescente de que talvez sua irmã estivesse viva. — L-La…

    — Sua irmã está morta.

    — Ah… — Quando Amelia falou severamente, a cabeça da garota caiu. A luz que apareceu em seus olhos desapareceu.

    Amelia forçou a garota a manter-se firme. — Em breve, você entrará no labirinto. E continuará vivendo uma vida nas sombras, encontrará muitas pessoas e as matará.

    — …E daí? — Parecia que as palavras provocativas tiveram o efeito desejado, pois a garota que parecia uma boneca vazia levantou a cabeça em desafio.

    Amelia estendeu a mão para ela. — Prometa-me que você não matará nenhum bárbaro.

    — …Por que eu deveria fazer isso?

    A resposta de Amelia não deixou espaço para dúvidas. — Mais tarde, chegará um dia em que você pensará consigo mesma que escolher manter essa promessa foi a maior sorte da sua vida.

    Com essas palavras, a garota franziu os lábios. Embora não tivesse nenhuma expressão exterior, Amelia sabia o que sua versão mais jovem pensava ao ouvir aquilo.

    ‘Não sei por que essa mulher está me dizendo isso, mas… não acho que ela esteja mentindo. Não, acho que ela está realmente me dando um conselho sincero. Como minha irmã, que não está mais aqui…’

    Grrrp.

    Amelia pegou a mão da garota e a apertou. Então ela apertou e soltou três vezes. Era algo que as irmãs costumavam fazer ao fazer promessas.

    — Isso… como você…

    Amelia não respondeu à pergunta da garota. Ela apenas soltou a mão, virou-se e caminhou até a porta.

    Tap, tap.

    Quando Amelia ficou em frente à porta novamente, a garota falou com uma voz cansada. — Se… E se minha vida acabar em perigo porque eu não matei o tal bárbaro? Eu ainda tenho que manter minha promessa?

    Era uma pergunta típica de sua versão mais jovem. Pensando em sua irmã mais velha, que sempre dizia o quanto as promessas eram importantes, ela não faria uma promessa que não poderia cumprir.

    Mas Amelia disse com confiança: — Então você pode fazer o que quiser.

    “Porque isso não vai acontecer de qualquer maneira.”

    Então Amelia abriu a porta e saiu. — Ah, uma última coisa. Mantenha a porta trancada. — Com isso, ela fechou a porta silenciosamente e se virou.

    Ela podia ver um bárbaro esperando em um beco a uma pequena distância. — Terminou de conversar?

    — Sim.

    A promessa seria mantida. Embora sua versão mais jovem não soubesse por que eles trabalharam tanto para manter sua irmã viva, o fato de que ela havia recebido a ajuda deles ainda permanecia. E sua irmã a ensinou a sempre retribuir alguém por sua ajuda.

    — Amelia, aquele garoto loiro está me olhando desde antes… Devemos lidar com ele?

    Amelia seguiu o olhar do bárbaro e viu um garoto com um rosto familiar. — Ah, não é de se admirar que ele parecia familiar. Esse é Guardweaver Drous?

    — Sim, é ele. Mas seu nome verdadeiro é outro.

    Mesmo enquanto falava, Amelia se sentia estranha. Aquele garoto mais tarde lhe contaria sobre a existência de um tesouro chamado Fragmento da Pedra dos Registros. Depois de roubá-la, ele a trairia e fugiria sozinho, tornando-se um inimigo. Foi nessa época que a cicatriz em sua orelha foi feita, e também foi o motivo pelo qual ela foi forçada a fazer um juramento de não cometer assassinato dentro de Noark ao lorde do castelo. Bem, esse acordo tinha um prazo específico, então não se aplicava a esta era. De qualquer forma, isso não era importante.

    “Eu não sinto nada, quase a ponto de ser bizarro.”

    Mesmo enquanto olhava para aquele rosto, não sentia raiva. Era como se a antiga fúria e ódio em seu coração tivessem desaparecido.

    — Não deveríamos fazer algo?

    Vendo sua preocupação, Amelia percebeu qual era a fonte de sua serenidade. — Não, não importa. Deixe-o.

    — Deixá-lo?

    Olhando para trás, até mesmo a dor que ela passou depois de se envolver com aquele garoto fazia parte de uma única jornada contínua para encontrar este homem no futuro.

    — …O que foi, por que você está rindo de repente?

    — Eu não ri.

    — Você riu.

    Amelia ignorou as perguntas persistentes do bárbaro e seguiu em frente.

    O bárbaro rapidamente a alcançou. — Ei, mas por que não está ativando?

    — Eu não sei. Tenho certeza de que vai acontecer em breve.

    — Mas e se ainda não funcionar?

    — Então não teremos escolha a não ser viver aqui juntos. Eu não me importo com isso.

    — Uh… isso é meio… Não que eu não goste de você, mas… — O bárbaro hesitou como se ela o tivesse encurralado.

    Amelia se pegou rindo novamente, não a risada forçada e desajeitada que praticava em frente ao espelho, mas uma verdadeira.

    Whip.

    Quando Amelia parou de andar e se virou, colidiu com o bárbaro que a seguia de perto. Naquele momento, o mundo foi tingido com uma luz branca.

    Flash!


    “Máscara de Ferro…?”

    Foi uma coincidência completa que o garoto loiro os encontrou. Vagando pelas ruas em busca de um bêbado que pudesse roubar, essas pessoas entraram em sua linha de visão. Embora ele não estivesse usando um capacete de ferro como diziam as histórias, não havia outra pessoa nesta cidade com tamanho porte. Não, provavelmente havia apenas alguns no mundo inteiro, a menos que fossem bárbaros.

    “Mais importante, a mulher ruiva ao lado dele…”

    Era definitivamente o famoso Máscara de Ferro e Emily. O garoto viu a mulher entrar em uma casa e se escondeu nas proximidades para observá-los. Pouco depois, a mulher saiu da casa e se juntou ao Máscara de Ferro. Mas será que eles sentiram seu olhar?

    O garoto sentiu que seus olhos se encontraram e se escondeu fora de vista. Foi nesse momento que uma luz brilhante explodiu e iluminou essa cidade subterrânea.

    Flash!

    O flash durou um momento fugaz. Quando a luz diminuiu, o caos tomou conta das ruas desertas. Bêbados se levantaram, e pessoas dentro dos edifícios próximos abriram suas janelas apressadamente.

    — O-O que foi isso?! Aquela luz!

    — Magia?

    — Não fez algo estranho com meu corpo, fez?

    Todos olhavam ao redor, perplexos, tentando entender o que havia acontecido, mas o garoto loiro que se escondeu no beco era diferente.

    “O Máscara de Ferro desapareceu…”

    Eles desapareceram, mas o garoto não questionou por quê. O garoto, que teve que sobreviver em Noark desde o momento em que nasceu, correu para frente, confiando puramente em seu instinto.

    “…Esta pedra! A luz veio desta pedra.”

    O garoto pegou a pedra que havia caído em cima de suas roupas e rapidamente se escondeu no beco.

    — Ali! A luz veio de lá!

    — Eu vi da janela ali. Houve uma luz e as pessoas desapareceram!

    O guarda que veio ver o que era a comoção no meio da noite começou a ouvir as declarações das testemunhas. Com elas, ele foi capaz de descobrir as identidades do homem e da mulher no centro da luz.

    — Um homem que parecia um bárbaro e uma mulher de cabelo vermelho?

    — Máscara de Ferro! Era o Máscara de Ferro! O homem que o lorde do castelo está caçando! Revistem seus pertences!

    — Etiqueta de identidade! Há uma etiqueta de identidade entre as roupas!

    — Aventureiro de sexto nível, Nivelles Enze… Esse é o verdadeiro nome do Máscara de Ferro? E a identidade da mulher?

    — Infelizmente, não foi encontrada!

    — Capitão, dizem que um garoto roubou algo que foi deixado para trás.

    — O quê? Para onde disseram que ele foi?!

    Os guardas correram para o beco onde o garoto havia desaparecido, mas não conseguiram encontrá-lo.

    Um pequeno gesto, um grande impacto!

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