Capítulo 360: Interrogatório (2/4)
『 Tradutor: MrRody 』 『 Revisores: SMCarvalho – Demisidi – Elteriel 』
Raven subiu as escadas para o convés e correu até a sala de armas do navio. Quando chegou, o assistente do vice-comandante e os líderes de pelotão do corpo estavam todos reunidos.
— Vice-comandante Raven! Você voltou! Que alívio! Estávamos formando uma unidade para te resgatar, já que você estava demorando tanto para voltar…
— Preciso fazer um relatório. Por favor, saiam, todos.
— …Desculpe? Ah, sim, senhora! — Os líderes reunidos seguiram o comando urgente de Raven. A sala esvaziou-se em questão de segundos.
Raven colocou a mão na pedra de mensagem de uso militar localizada dentro da cabine com uma expressão preocupada. — Nia Rafdonia. Aqui é Arua Raven, Vice-comandante do Terceiro Batalhão Mágico. Fui atrasada ao assegurar uma rota de retirada para as tropas e acabei de retornar. Por favor, atualize-me sobre a situação atual.
— Nia Rafdonia. Aqui é Eltora Tercerion1, Chefe do Estado-Maior do Terceiro Batalhão. Fiquei preocupado quando ouvi que você foi parar o Cavaleiro de Sangue, mas estou feliz que tenha retornado em segurança.
— …Por favor, me desculpe, mas como é que o chefe do estado-maior está no outro extremo desta transmissão em vez do comandante?
— Porque em tempos de guerra, eu sou o segundo no comando e assumo na ausência da autoridade de comando mais alta.
— Ausência… Senhor?
— Conde Ramleonde foi morto em batalha. Depois de dar a ordem para reunir todas as unidades, ele foi emboscado por um grupo de criminosos liderados pelo Traidor, Ricardo Lüchenprague, enquanto estava em movimento.
— Isso não pode ser…
— A emboscada terminou quando todas as tropas se retiraram para o lago, mas como não podemos ter certeza do que pode acontecer a seguir, quero que você comande sua unidade para permanecer na área e ficar de guarda até novas instruções serem dadas.
Depois disso, eles compartilharam de forma clara e concisa as informações sobre as baixas e danos que conheciam e os inimigos que haviam realizado esse ataque.
— Acho que transmiti tudo o que você precisa saber. Agora é a sua vez. Era realmente o Cavaleiro de Sangue?
Em resposta à pergunta de seu superior, Raven resumiu tudo o que havia acontecido em forma de relatório: como ela havia ficado para parar o Cavaleiro de Sangue, como os reforços do inimigo se juntaram à luta, como o Guardião do Farol foi morto em batalha e que ela usou Multi Teletransporte para recuar. Os eventos foram relatados de forma concisa em algumas frases, omitindo todo o resto. Não era simplesmente para economizar tempo, porém. Se fosse, ela não teria terminado seu relatório de forma tão estranha.
— O Guardião do Farol foi morto, hein? Isso é uma boa notícia. Muito bem. Certifique-se de informar a Espírito de Sangue sobre a recompensa que ela receberá por suas conquistas em batalha.
Seus superiores acreditavam que essa conquista era graças às contribuições da Espírito de Sangue, mas a realidade era completamente diferente. A razão pela qual ninguém havia sido ferido pelo notório Cavaleiro de Sangue era graças àquele homem, Riehen Schuitz, e ele também foi quem matou o Guardião do Farol no final.
— Então vou encerrar a transmissão aqui.
Raven se viu incapaz de transmitir isso, mesmo com a conversa chegando ao fim. Não, isso não era tudo.
“Amelia Rainwales.”
Ela também não mencionou a mulher que teve um papel tão ativo quanto a Espírito de Sangue na batalha, embora fosse óbvio para ela que era a mesma mulher de Noark que conheceu na Ilha Farune. Raven intencionalmente omitiu informações. Ela pode não ter mentido, mas era inegável que ela havia negligenciado seus deveres como soldado.
Agh…
Como alguém que sempre cumpria seu papel com diligência, Raven sentia um profundo remorso. Mas o que ela podia fazer? Ela precisava de tempo para organizar seus pensamentos primeiro.
“Riehen Schuitz…”
Até agora, ela assumira que o homem que se apresentava com esse nome era alguém que Erwen estava apenas arrastando por causa de sua semelhança com um certo alguém. Quando viu a 【Gigantificação】, ela teve esperança. Se ele não fosse apenas parecido—se essa fosse a razão pela qual Erwen o chamava de Senhor, isso significava que aquele certo alguém estava realmente vivo.
— …Eu não sei.
Ela estava sobrecarregada. Era difícil ter certeza de qualquer coisa. Embora realmente parecesse ele, ela ainda se perguntava se ele era apenas alguém com uma forte semelhança. Havia muitas diferenças claras também, como sua altura e rosto.
— Suas… c-c-costas…!
Quando ela tocou sua ferida reflexivamente, o sangue dele era apenas quente e pegajoso ao toque. Se fosse aquele homem, seu sangue teria ardido. Além disso, havia outra diferença.
“…Ele é muito forte.”
Ele tinha um corpo que podia bloquear a aura do Cavaleiro de Sangue, uma habilidade única que refletia magia e, além disso, a capacidade de puxar inimigos usando o vento. O Yandel que ela conhecia não poderia ter exibido tal poder contra oponentes tão fortes.
“Mas o tempo passou.”
Era possível que ele tivesse ficado mais forte ao absorver novas essências. Mesmo Erwen, que era membro dos Sete Poderosos, havia mudado muito nos últimos dois anos.
“Nesse caso…”
Quanto mais ela organizava as inúmeras peças de informação com as quais havia sido bombardeada em um período de tempo tão curto, mais Raven se encontrava inclinada a pensar que Bjorn Yandel estava vivo. O fator decisivo era a presença de Amelia. Embora ela não tivesse conseguido descobrir nada no final, era verdade que havia incerteza em torno de sua morte. Se a pessoa que desapareceu com ele estava viva e bem, isso praticamente implicava que ele também poderia estar vivo.
Se for realmente o Sr. Yandel, o que eu faço?
Bjorn Yandel era um espírito maligno. O palácio já havia anunciado isso oficialmente, e ela sabia disso mesmo antes do anúncio. Isso porque ela viu a expressão da Missha naquele dia.
— Você disse que vão surgir rumores de que o Sr. Yandel é um espírito maligno… mas não vai ser apenas um rumor, vai?
Missha, que tinha a relação mais longa e profunda com Yandel, não respondeu, mas seus olhos vacilantes continham a verdade.
Tlac, tlac.
Raven roeu as unhas pela primeira vez em muito tempo. Era um hábito que só aparecia quando ela se sentia encurralada. Em nítido contraste com seu eu habitual, ela não conseguia olhar para essa situação objetivamente de forma alguma. Enquanto ela esperava que o homem fosse Yandel, ela também se via esperando que ele não fosse.
— Bem, o que posso fazer? Tenho que verificar.
Logo, Raven tomou uma decisão. Ela sabia que, por mais assustada que estivesse, não podia adiar e fugir de algo que precisava fazer.
No. 399: Jaula do Silêncio era um item numerado tipo armadilha que se ativava quando uma habilidade de tipo transporte era usada dentro de um certo raio dele.
— Aquela mulher… ela não vai nos deixar aqui para sempre, vai?
— Ela vai vir. E provavelmente em breve.
— Como você pode ter tanta certeza?
— Porque essa jaula não vai durar para sempre.
Para ser mais preciso, seus efeitos duravam duas horas após a ativação, e o tempo de recarga era extremamente longo.
“Além disso, ela não pode nos bater enquanto estamos trancados.”
Essa era a maior fraqueza da Jaula do Silêncio. Era um item exclusivamente para contenção. Uma vez que este item era ativado, todos os ataques de fora eram obstruídos. Portanto, a maioria das pessoas geralmente o usava em conjunto com uma formação de cerco, atacando o alvo uma vez que a jaula desaparecesse.
Tap.
No momento em que os passos ecoaram pelo corredor, o soldado encarregado de nos vigiar saudou naquela direção. — Nia Rafdonia!
“Então, você está aqui.”
— Obrigada por vigiá-los. Tenho algo para discutir com eles. Poderia nos dar um momento a sós? Ah, e por favor, mantenha tudo o que aconteceu aqui em segredo.
— Sim, senhora!
Raven voltou depois de cerca de uma hora, sozinha. Ela até dispensou o soldado e se livrou de qualquer possível bisbilhoteiro. Isso era um bom sinal, mas ainda era cedo demais para relaxar. Raven ficou na frente das barras de aço e nos observou em silêncio por um tempo. Eu fui o primeiro a quebrar o silêncio.
— …O que você vai fazer conosco?
— Você ainda vai usar esse tom comigo?
“Começando agressivamente, hein? Seria melhor revelar minha identidade e pedir a ajuda dela?”
Enquanto eu debatia isso, Raven continuou. — Seu capacete. Tire-o.
Eu já tinha mostrado meu rosto para ela uma vez antes, então obedientemente tirei o capacete manchado com o sangue do Guardião do Farol.
Surpreendentemente, não houve mudança na expressão de Raven. — E a armadura que você também está usando.
“Quem você acha que eu sou? Dizem que meninos e meninas não devem nem se sentar juntos depois dos sete anos.”
— Eu não posso ceder a demandas sexuais inadequadas. Se eu fosse uma mulher, você jamais pediria algo assim…
— Do que você está falando? — Tentei explicar logicamente por que não podia tirar minha armadura, mas Raven apenas me encarou, completamente impassível. Ela era meio assustadora assim. — Eu não incluí nada sobre você nos meus relatórios. Nem sobre a Srta. Rainwales ao seu lado. Mas se você não fizer o que eu digo, isso vai mudar.
— Eu vou tirar.
— Seu tom… está mais afiado agora.
Não havia como escapar disso agora. Em vez de desperdiçar meu fôlego respondendo, tirei minha armadura, que estava destruída nas costas.
Então, pela primeira vez, houve uma mudança na expressão da Raven. Algo mexeu por trás de seus olhos enquanto ela focava nas tatuagens escondidas sob minha armadura.
“Ufa, é realmente um alívio que tenha acabado assim.”
— Faz um tempo, Raven. O que, você já não suspeitava disso?
Raven mordeu o lábio e me olhou com raiva. — Ainda assim… eu esperava estar errada.
— Porque eu sou um espírito maligno?
— Sim. Teria sido melhor não arruinar sua memória… — Raven se interrompeu amargamente. Meu coração apertou.
“Então você não pode aceitar que eu sou um espírito maligno.”
— Espere! Raven, isso é um mal-entendido. — Lancei rapidamente uma tentativa de convencê-la.
— Mal-entendido?
— Sim, eu não sou um espírito maligno.
— Então por que você está nesse estado? — Me olhando com raiva, Raven fechou os punhos. — Parece que você diminuiu sua altura com uma essência como o Cavaleiro de Ossos da Srta. Ainar… Se você não é um espírito maligno, por que teria que esconder sua identidade?
“Claro, eu sabia que você iria perguntar isso.”
— Quando voltei, o palácio já havia feito aquele anúncio. Quando examinei a situação com mais atenção, parecia suspeito. É por isso que estou escondendo minha identidade por enquanto.
— …Admito que houve muitas coisas suspeitas sobre aquele anúncio. Mas ‘por enquanto’? E ‘voltou’? O que isso significa?
“Ok, acho que consegui despertar a curiosidade dela.”
— É uma longa história. Existe algo chamado Fragmento da Pedra dos Registros…
— Espere! — Quando estava prestes a explicar o que aconteceu comigo, Raven me interrompeu. — Não precisa explicar em detalhes. Isso será suficiente. — Com isso, um objeto familiar apareceu na mão de Raven. Era o No. 7234: Confiança Equivocada, um item que proibia todas as mentiras dentro de um raio de dez metros quando ativado. — Você deve saber o que é isso, Sr. Yandel. É um item que recebi do Sr. Parteian na Floresta do Doppelganger há muito tempo. Há algum tempo, o exército tinha um orçamento sobrando, então eu me certifiquei de recarregá-lo com alguns usos.
“Oh meu, quão preparada.”
Whooom!
Ela clicou no botão de ativação e o disco do tamanho de uma bússola começou a se mover. Então, Raven me encarou ferozmente enquanto perguntava — Ok, diga-me agora. É realmente um mal-entendido?
“…Deveria funcionar, certo?”
Mesmo pensando isso comigo, estava bastante nervoso. Eu não tinha realmente verificado se o presente de Auril Gavis estava funcionando corretamente ou não. Meu plano era comprar Confiança Equivocada ou um item similar para confirmar isso antes de me defender no palácio.
— Raven, é realmente um mal-entendido. Eu não sou um espírito maligno.
“Bem, já que eu posso falar, acho que o presente está realmente funcionando…”
Click.
Nesse momento, o ponteiro do relógio que estava circulando suavemente sobre o disco parou.
“…O que você acabou de fazer?”
— Uh… — Quando eu me calei, o ponteiro começou a se mover novamente. Foi um mau funcionamento momentâneo? — Eu não sei… — Dupliquei rapidamente a abordagem do ‘eu não sei’, e o ponteiro no Confiança Equivocada parou novamente com um clique.
Tick, tick.
Um momento depois, ele retomou.
— …Por que o Confiança Equivocada está parando toda vez que você fala, Sr. Yandel?
Engoli seco com isso.
“Ele disse que eu não seria afetado por essas coisas no futuro… Aquele velho desgraçado. Você deveria ter me dito que seria assim!”
- Tercerion… Esta não é a primeira vez que encontramos tal sobrenome. É o sobrenome do Marquês que detém a posição de Primeiro Ministro.[↩]

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