Capítulo 436: Rival (2/4)
『 Tradutor: MrRody 』 『 Revisores: Demisidi – Elteriel – Note 』
Baekho Lee, 23 anos, era um soldado recém-saído do exército, com a cabeça raspada e as feições de um jovem caipira. Esse cara me chamou de amigo.
— Eu? Faz… dez anos.
Desde que ele disse isso há quatro anos1, ele era um jogador que havia sobrevivido nesta cidade por pelo menos catorze anos. No início, eu achava que ele era um pouco estranho.
— Você já pertence a este mundo.
Lembrei-me do que Hans A disse quando o encontrei na Caixa da Punição2. De repente, com eles em mente, finalmente entendi o que significavam o veneno e a tenacidade que ouvi na voz de Baekho antes.
— Não dizemos essas coisas! Eu vou voltar, então deveríamos estar contando com nossas idades reais!
Baekho não era um esquisito. Ele estava apenas mais desesperado do que qualquer outra pessoa, e por isso era bastante fácil ver através dele.
— Cancele o ban, agora. Se não o fizer, você vai morrer aqui.
Seu tom de fala era leviano.
— Ei, Dentadura. Quem disse que você podia acender uma fogueira sem permissão?
Ele acreditava que tinha poder onipotente e agia como um valentão por isso.
— Uau, então você realmente era um jogador?
Mas, embora possa parecer que ele agia apenas em busca de seus próprios desejos egoístas, no final das contas, havia apenas uma coisa que ele queria.
— Eu não faço amigos neste mundo.
Ele queria escapar desse maldito mundo e voltar para o nosso mundo original. Não havia ninguém mais fácil de lidar do que alguém com motivações claras. Eu estava receoso de revelar minha identidade para Baekho durante todo esse tempo, mas…
“Não há mais necessidade disso agora.”
Esse cara pode não ter sabido que Bjorn Yandel era Hansu Lee, mas ele já sabia que Bjorn era um espírito maligno.
— Puta merda…
Mais importante ainda, agora que o tempo havia passado, eu tinha a confiança de que poderia me proteger do pior cenário possível, mesmo contra um monstro como ele.
— Então… você realmente era Bjorn Yandel o tempo todo. E como Riehen Schuitz é Bjorn Yandel, você é quem eu encontrei em Atlante naquela época. — Depois que revelei minha identidade, Baekho soltou várias exclamações de surpresa antes de exalar, aparentemente aliviado. — Estou realmente feliz por, pelo menos, saber agora.
Isso me incomodou um pouco. — Feliz…? Por quê?
— Ah… acho melhor eu não te contar.
— Acho que isso é algo para eu ouvir e decidir.
Quando fui ríspido com ele, as sobrancelhas de Baekho se franziram levemente. — Mas, amigo, por que você está sendo tão agressivo comigo? — Em vez de zangado, ele parecia genuinamente confuso. Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele mesmo entendeu. — Ah… pelo jeito que agi…
Parecia que ele se lembrava de tudo o que havia acontecido entre ele e Bjorn Yandel.
— Sinto muito, Hansu. Eu não sabia que era você naquela época. Você entende, certo? — Antes mesmo que eu pudesse decidir se aceitava o pedido de desculpas ou não, Baekho suspirou novamente. — Caramba… você deveria ter me contado na época. Se tivesse, as coisas não teriam ficado tão complicadas.
“Hahaha… Esse garoto realmente sabe como irritar alguém.”
— Você está dizendo que a culpa é minha?
— Não, eu não disse isso. No final, é minha culpa. Como você disse, é por minha causa que as pessoas sabem que Bjorn Yandel é um espírito maligno.
O tom calmo dele estava honestamente me deixando mais irritado, mas engoli minhas emoções e me forcei a focar na conversa. — Agora que conhecemos as identidades um do outro, deixe-me perguntar novamente: por que você fez isso?
— Eu precisava de uma figura de destaque para o meu plano. Mas, de novo, se eu soubesse que era você, nunca teria seguido por esta rota3.
“Não sei, não consigo realmente confiar nele quando diz isso. Agora eu entendo um pouco como esse cara opera.”
— Mesmo se eu estivesse realmente morto? — Ele realmente não teria me usado nesse caso?
Minha pergunta foi recebida com silêncio. Ele era o tipo de pessoa que não gostava de mentir? Ainda era cedo para saber com certeza. Talvez ele apenas não quisesse contar mentiras muito óbvias.
Baekho casualmente mudou de assunto. — Mas você não está curioso sobre como descobri que você era Bjorn Yandel? Honestamente, achei que essa seria a primeira coisa que você perguntaria.
A resposta para essa pergunta era simples. Decidi que outra coisa era mais importante agora. Não importa o motivo, os eventos do passado não mudam. Mesmo quando você volta ao passado e tenta mudá-los.
— Ah, bem, acho que eu não teria respondido de qualquer maneira — Baekho admitiu.
“O que diabos esse bastardo está dizendo?”
— Mas, para ser claro, eu não tinha cem por cento de certeza. É por isso que quis usar essa oportunidade para sondá-lo um pouco. — Ele não precisava explicar seu método para fazer isso. Mesmo que suspeitasse que eu fosse Bjorn Yandel, ele agiu normalmente até eu mencionar Missha ou Bjorn primeiro.
“Provavelmente foi por isso que ele fingiu deixar Hyeonbyeol intimidá-lo. Assim, eu baixaria mais a guarda…”
— Ah, mas Hyeonbyeol é realmente assustadora. Como você namorou alguém assim? Uau, não sei quanto tempo faz desde que perdi uma batalha de vontades. Foi tão ridículo que tenho que rir.
Hmm, então aquilo foi real? Não podia ter certeza, mas não tinha tempo para pensar sobre isso agora.
— De qualquer forma, chega disso. — Cortei aquele tópico de conversa ali e decidi ser direto. — Por que você levou a Missha?
— Para zerar o labirinto, é claro.
Então, esse era o motivo. Eu imaginava que fosse isso, mas ouvir ele dizer me deu uma sensação inexplicável de alívio.
— Não é por isso que você também estava a cultivando? Porque é conveniente ter uma mestre de espadas duplas de tipo gelo na segunda metade do nono andar?
Claro, eu ainda tinha algumas perguntas. — Tenho certeza de que você tinha outros candidatos. Por que tinha que ser a Missha?
— Eu gostava da convicção inabalável dela. Achei que se eu prometesse ressuscitar você com a Pedra da Ressurreição, ela nunca me trairia.
— Só isso?
— Bem, há outras razões… mas todas são triviais. Para ser honesto, fiquei em dúvida sobre minha decisão. Mas fiquei fascinado pelo fato de que os sentimentos dela não mudaram, apesar de saber a verdade sobre sua identidade.
Isso não parecia uma mentira. Na verdade, ele realmente não parecia tão interessado na Missha em si. Ele parecia vê-la mais como uma coisa do que como uma pessoa.
— Ah, certo! Se você a quer de volta, eu a devolvo. Trabalhei duro para cultivá-la por alguns anos, e me sinto estranhamente como se estivesse traindo Hyeonbyeol por algum motivo, mas… — A única pessoa em quem esse cara estava interessado agora era em mim. — Somos você e eu, certo? — Baekho sorriu para mim. — Nesse caso, vale a pena. Claro que vale.
A bondade dele estava exagerada. Com isso, ficou óbvio para mim. O motivo pelo qual esse cara era bom comigo não era simplesmente porque eu era coreano. Havia algo mais. Se não fosse, não haveria como alguém cujo objetivo era voltar desistir da Missha tão facilmente.
“Seria melhor fingir que não sei.”
Apesar da tentação de cavar mais fundo, nem sequer tentei sondá-lo. Recuperar a Missha em segurança era minha primeira prioridade.
— Então, já que a questão da Gatinha está resolvida, vamos falar de outra coisa!
— Outra coisa?
— Estou apenas curioso sobre a sua história. Eu não era tão forte quanto você quando estava no seu nível. Você até pegou a essência de um Gigante do Mar recentemente. Com base nas minhas estimativas, você tem pelo menos quatro essências de terceiro nível.
Baekho começou a me fazer várias perguntas. Respondi gentilmente as coisas que podia responder e deixei de fora o resto. Troca justa. Como ele foi tão agradável em devolver a Missha, achei que pelo menos poderia ser honesto com ele nesse ponto.
— Mas o que realmente aconteceu? Onde você esteve por dois anos e meio?
Pensei bastante sobre essa pergunta. Seria uma boa ideia contar a ele que viajei vinte anos no passado? Não demorou muito para tomar uma decisão.
“Ele já sabe que sou Bjorn Yandel, então não há motivo para esconder. Talvez ele possa me dar informações úteis.”
Auril Gavis era o inimigo comum de todos os jogadores, então era importante compartilhar informações e discutir maneiras de lidar com ele. E assim, contei a Baekho a história de como fui sugado para o passado na Ilha Farune.
— O Fragmento da Pedra dos Registros…? Já ouvi falar disso antes, difícil acreditar que realmente existe.
Contei a ele sobre como entrei na comunidade vinte anos atrás. Esse cara não se interessaria por como salvei a irmã da Amelia, então deixei essa parte de fora.
— …Você encontrou Auril Gavis?
— Sim, acontece que ele era o fundador da comunidade.
— Ah, eu sabia disso. Ouvi isso do Velho Ruingenes… hein? Espere… aquele velho mencionou que Auril Gavis trouxe um homem estranho com ele antes da comunidade explodir. Era você?
— Provavelmente.
— Uau… é como se você fosse o protagonista ou algo assim. Conte mais. E então? O que aconteceu depois?
— Auril Gavis estava muito interessado no fato de que eu era um jogador do futuro.
Relatei a conversa que tive com Auril Gavis, omitindo a parte em que venci o jogo no modo original. Surpreendentemente, Baekho já sabia a maior parte dessas informações. Isso porque um de seus companheiros de equipe atuais era o Erudito Caído. Bem, o motivo pelo qual trouxe o passado à tona em primeiro lugar era para obter as informações dele.
— Eu sei que a Bruxa da Terra está viva. Não sei onde ela está, no entanto.
— O velhote4 disse que ela está onde todas as esperanças vão. Você sabe algo sobre isso?
— Eh? Ele realmente disse isso? Isso é fácil. Pode haver outro lugar além do fim do labirinto?
— Mas não havia chefe final no jogo.
— Isso porque sempre foi apenas um tutorial. Depois de viver aqui tanto tempo, você também deve perceber. Este lugar é completamente diferente do jogo. Talvez a Bruxa da Terra apareça como o chefe final. Hmm, então como diabos nos preparamos para isso?
Mesmo desconsiderando o tópico da Bruxa da Terra, essa conversa com Baekho foi útil. Eu estava revelando informações, mas parecia que estava recebendo mais também.
— Ah, aquele cara Kagureas que você mencionou é o bárbaro que coletou os três Tesouros Gênese, certo?
“Uh, eram dois quando saí… Espere, antes disso.”
— Ele é um bárbaro?
— Você não sabia? Vocês dois estão profundamente conectados. Pequeno Balkan… esse era seu apelido, certo?
“O quê?”
— Não pode ser…
— Sim. Kagureas é Balkan. Ou, pelo menos, presume-se que seja, com base nas circunstâncias. Novo Mundo 134, 2 de abril: logo após Balkan morrer aos cinquenta e cinco anos, os Tesouros Gênese desaparecidos retornaram a suas tribos.
Isso foi uma notícia surpreendente. Pensar que meu lendário antecessor e o detentor original do meu apelido era um espírito maligno.
— Você também sabe sobre o portal no porão do palácio?
— Tenho investigado isso há um tempo, mas não aprendi muito. Apenas que o portal lá não é a entrada, mas a saída.
— A saída?
— Você não pode ir a lugar nenhum a partir desse portal… é o oposto. Você tem que entrar em um portal em outro lugar para viajar para o portal no porão do palácio.
“Hmm, entendo… Isso é definitivamente suspeito.”
De qualquer forma, conversamos assim por um tempo, estando do mesmo lado pela primeira vez em muito tempo. Finalmente, quando chegamos à rodada final do nosso jogo da verdade, tocamos em um novo tópico.
— Auril Gavis, você sente o menor remorso pelas mortes dos incontáveis espíritos malignos que foram trazidos aqui como resultado de sua ganância?
Baekho explodiu em risadas assim que ouviu isso. — Ha! Pffft, ahahaha! Sério? Você realmente perguntou isso ao velho?
— Por que está rindo?
— Porque… digamos que é uma pergunta muito ‘sua’. Bem, você ainda é inocente à sua própria maneira, afinal…
“O quê? Eu sou inocente?”
Fiquei perplexo com essa afirmação, mas Baekho genuinamente parecia acreditar nisso.
— Então? O que aquele velho disse?
Eu contei a ele exatamente o que Auril me disse palavra por palavra, como ele me olhou diretamente nos olhos ao dizer isso.
— Como eu poderia estar em paz? Claro que sinto muito por vocês. Eu também me sinto responsável. Provavelmente viverei com isso e expiarei por isso pelo resto da minha vida. Isso foi uma resposta suficiente para você?
Eu contei como a luz vermelha na joia se acendeu.
— Hmm… — Eu tinha certeza de que Baekho o xingaria junto comigo, chamando-o de um velho louco, mas ele tinha uma expressão estranha no rosto. — Isso é um pouco ambíguo.
— Ambíguo?
— Ele propositalmente deu uma resposta longa e exagerada.
— Hã?
— Isso geralmente é uma estratégia para esconder uma mentira dentro de uma verdade. Sem mencionar que vocês dois só podiam responder sim ou não naquela situação…
Baekho estava desconfiado das motivações de Auril Gavis. O problema era que, quanto mais eu pensava nisso, mais achava que ele poderia estar certo.
— Hmm, por que será que aquele velho fez algo assim — Baekho refletiu. — É apenas uma coincidência ele ter falado dessa maneira, ou foi de propósito? O que você acha?
— Eu não sei… como poderíamos esperar saber o que se passa na cabeça daquele velhote?
— Isso… é verdade. — Nossa discussão sobre a resposta de Auril Gavis terminou ali. Baekho parecia ter mais perguntas além dessa. — Hum…
— O que foi? Isso me deixa ansioso quando você hesita assim.
— Isso pode ser um pouco ofensivo.
— Só pergunte.
— Tem certeza?
— Sim.
Com minha permissão, Baekho perguntou — Qual é o seu objetivo?
A pergunta não era completamente fora de contexto, mas ainda me pegou um pouco de surpresa. — Objetivo?
— Você quer voltar para a Terra?
“Então, é isso que você quer saber.”
— Você me disse que não sabia quando nos conhecemos na Árvore Gnomo.
Sim, eu disse isso. E quando disse, ele perguntou se era por causa daquela mulher da Tribo do Gato Vermelho. Quando respondi com silêncio, ele me aconselhou a não esperar muito de uma NPC, porque sentia que estava vendo seu eu passado em mim. Mas ele provavelmente descartou isso da mente depois, porque não valorizava muito Bjorn Yandel.
— Ainda não tem certeza?
— Eu não sei…
— Pense seriamente sobre isso, então. Você já passou do estágio em que seu objetivo é apenas sobreviver.
Era óbvio o que Baekho estava querendo dizer, mas eu fingi refletir seriamente. Mas, será que era porque eu estava pensando nisso muito ultimamente?
— Meu objetivo, hein? — Eu só ia fingir, mas de repente me vi pensando em várias coisas. Qual era o meu objetivo?
— Se for difícil, tente pensar assim. Há um botão. E se você apertar esse botão, pode imediatamente voltar para o mundo de onde veio. Agora, o que você faria?
O conselho de Baekho foi mais útil do que eu pensei. Embora eu não soubesse qual decisão meu eu futuro tomaria, eu pelo menos sabia meu instinto no momento. Se realmente houvesse um botão assim, eu hesitaria na frente dele por um bom tempo, minha mente girando.
Se eu voltasse para casa, o que haveria para mim? Havia algumas coisas que eu poderia pensar imediatamente. Hambúrgueres, refrigerante, jogos. Programas divertidos e a conveniência de inúmeros dispositivos modernos. Eu não precisaria matar nada, sangrar todos os dias, ou sentir tanta dor ou exaustão. Talvez eu tivesse que me preocupar em viver, mas não em sobreviver. A vida tranquila que eu ansiava existia além daquele botão.
Mas, embora este jogo fosse certamente amaldiçoado, meus sentimentos ainda não haviam mudado.
“Isso… não muda nada.”
Eu não seria capaz de apertar o botão. Não, eu escolheria não apertá-lo. Essa não era a vida que eu queria agora.
— Parece que você meio que tomou sua decisão?
— Sim.
Cheguei a uma conclusão. Meu objetivo era sobreviver neste lugar. Mesmo que estivesse cheio de todos os tipos de ameaças, mesmo que cada dia fosse como andar sobre gelo fino… Sobreviver, junto com as inúmeras pessoas que conheci aqui, era meu desejo mais sincero.
— Você pode me dizer o que faria?
Olhei diretamente nos olhos dele e respondi — Eu apertaria aquele botão.
Decidi naquele momento não revelar minhas verdadeiras intenções e, em vez disso, dar a Baekho a resposta que ele estava esperando. Era óbvio o que ele estava esperando que eu dissesse.
Depois de ouvir minha resposta, Baekho me encarou silenciosamente. Houve um momento de silêncio que parecia estranhamente pesado.
— Tsk. — O som de Baekho estalando a língua cortou o silêncio. — Caramba, você está me irritando. Está me tratando como um idiota porque eu não posso usar minhas habilidades aqui? — O mesmo cara que sempre ria de forma descontraída e fazia piadas com as pessoas agora me olhava com olhos mais frios do que eu já havia visto. — Você está mentindo na minha cara.
- Bjorn viveu por um ano e meio em Rafdonia, foi para o passado e sofreu uma dilatação temporal de outros dois anos e meio, totalizando aproximados quatro anos desde que se conheceram.[↩]
- Habilidade que fez o Bjorn enfrentar todos aqueles que ele já matou, do Boss Mago de Gelo Cariathea.[↩]
- Ele diz ‘esta rota’, como se falasse de escolher um caminho narrativo dentro de um jogo.[↩]
- Bjorn se refere ao Auril Gavis.[↩]

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