Capítulo 474: Homem e Mulher (1/4)
『 Tradutor: MrRody 』 『 Revisores: Demisidi – Note 』
Nós dois ficamos nos encarando no silêncio do corredor vazio, mas um momento depois, Sr. Dragão explodiu em risadas. — Haha! Eu estava me perguntando quando você apareceria, mas quem diria que seria hoje? Você sabe o quão surpreso fiquei ao saber que você estava vivo?
Essa era a mesma saudação que todos do meu passado me deram desde o meu retorno. Naturalmente, minha resposta para ele foi a mesma que dei a todos os outros. — É, desculpa. Eu estava planejando visitar antes, mas tinha muitas coisas para resolver.
— Sim, ouvi dizer que você passou por muita coisa recentemente. Conheço sua situação até certo ponto, então não se preocupe com isso.
Ah, bem, nesse caso… Espera, quanto exatamente é ‘até certo ponto’?
Enquanto eu me ocupava com esse pensamento, ele continuou a falar. — De qualquer forma, é um alívio ver você agora. Minha filha ficou bastante deprimida quando soube da sua morte. Ah, deveríamos chamá-la? Tenho certeza de que ela também quer te ver.
— Vou vê-la depois que terminarmos de conversar.
— Então você tem algo para discutir… Isso significa que você não veio aqui só para dizer ‘oi’?
— Ravien não te contou?
— Minha filha mais velha só me disse que você queria me ver, então eu deveria te chamar aqui com minha Fala de Dragão quando aquele papel fosse rasgado.
Seus olhos brilharam de curiosidade quando mencionei que tinha algo para discutir, então não parecia que ele estava mentindo. Será que Ravien realmente não contou nada a ele? De repente, senti um novo respeito e confiança nela.
— Então, se você não está aqui apenas para dizer oi… o que te trouxe aqui?
— Preciso que você me prometa algo primeiro.
— Oh?
— Prometa que não contará a ninguém sobre o que discutirmos hoje.
“Nem mesmo se o próprio rei te perguntar”, acrescentei mentalmente.
Ele pareceu captar rapidamente a gravidade do meu pedido. Apesar disso, ele ainda concordou calmamente. — Juro pelo verdadeiro nome da minha alma, Pirsearaidormus.
Essa era a salvaguarda mínima que eu precisava. Eu não entendia muito bem o propósito de jurar por um nome tão longo e difícil de pronunciar, mas pelo menos eu sabia o quão seriamente os draconatos levavam promessas assim.
— Tudo bem, podemos começar, então?
A maneira mais rápida de deixá-lo a par seria deixá-lo ver por si mesmo.
Abri meu subespaço, tirei uma caixa e mostrei o que havia dentro.
— Isso é… — Assim que ele viu o coração cheio de protuberâncias, moldado como uma fruta exótica, os cantos de sua boca se curvaram em uma careta. Ele deve ter reconhecido imediatamente, sendo um draconato. — Isso é o coração de um draconato. Pertence a quem eu estou pensando?
— É. Esse é o coração do Matador de Dragões Regal Vagos.
— Entendo…
Ele parecia estar lutando com algum tipo de batalha interna, pois pude ver os músculos ao redor dos olhos se contraindo com uma emoção mal contida. Ele certamente teve um pressentimento no momento em que pôs os olhos no coração, mas ouvi-lo em voz alta confirmou. Sendo o chefe dos draconatos, no entanto, não demorou muito para que ele se recompusesse.
— Para ser honesto… Estou cheio de muitas emoções com essa reviravolta inesperada, mas deixe-me dizer isso antes de qualquer coisa. — Ele me olhou nos olhos antes de deliberadamente inclinar a cabeça, sua voz ressoando alta e clara. — Bjorn, filho de Yandel, em nome dos draconatos, e como pai de uma filha amada, agradeço do fundo do meu coração.
Sua reação falava por si só, e naquele momento eu soube. Independentemente de eu ter o título de barão ou chefe bárbaro, sua postura e gratidão seriam as mesmas. Honestamente, eu não esperava que ele reagisse tão fortemente, mas isso funcionou a meu favor. Agora, havia uma chance maior de que ele aceitasse o pedido que eu estava prestes a fazer.
— …Então, o que aconteceu? Esta é a primeira vez que ouço falar da morte do Matador de Dragões. Onde você o encontrou?
— O Matador de Dragões morreu em Rocha de Gelo.
— Você quer dizer… naquela expedição?
— Quanto você sabe sobre isso?
— Apenas o que foi revelado publicamente. Minha filha Ravien não quis dizer muito sobre isso.
— Então vou ter que começar por aí.
Comecei explicando tudo o que aconteceu conosco naquela expedição. Ele ouviu em silêncio enquanto lutava para processar a enxurrada de novas informações, mas havia realmente um ponto principal. Não era Noark nos perseguindo, nem a família real nos abandonando, nem mesmo a morte do Matador de Dragões.
— A Ordem da Rosa… Você os matou…
Era o fato de que matamos membros da Ordem da Rosa. Em outras palavras, cometemos um ato direto de traição contra a família real.
— Agora entendo por que você enfatizou a importância de não divulgar os detalhes da nossa conversa de hoje para os outros. Ainda assim, por que minha própria filha não me contaria isso?
— Não fique chateado. Foi graças a ela que consegui vir te encontrar hoje e te dar o coração.
— …Suponho que sim. Então, também devo te agradecer por vir aqui. — Ele soltou um suspiro pesado. — Por outro lado, não posso deixar de sentir medo.
Não era surpresa que, como chefe dos draconatos, ele fosse rápido em entender as coisas.
— Então, o que você quer de mim?
Era hora de ir direto ao ponto.
Se você pudesse pedir uma recompensa ao ser mais poderoso da tribo draconato, o que pediria? A resposta variaria de pessoa para pessoa. No meu caso, inúmeras coisas passaram pela minha mente. Mesmo que os draconatos fossem poucos em número, tinham uma vida ridiculamente longa e eram quase tão prósperos quanto os humanos. Por causa disso, eles agora tinham a capacidade de conceder quase qualquer dádiva. No entanto…
— Eu quero o apoio incondicional e a cooperação do povo draconato.
Assim que revelei o que queria, ele se sobressaltou de surpresa e elevou a voz em protesto. — Isso é um pedido absurdo.
— Bem, não é como se eu tivesse pedido dinheiro ou tesouro.
— Seria melhor se você tivesse pedido. O que você acabou de pedir… pode levar toda a nossa raça à ruína.
Sr. Dragão, em uma tentativa de provar que sua gratidão era genuína, tentou me convencer de que me concederia qualquer outra coisa que eu desejasse, menos isso. Assim, fui forçado a ativar o Modo de Negociação Bárbara.
— Não me importa! Apenas faça! Ou eu não vou te dar o coração!
Minha recusa obstinada fez com que ele começasse a suar frio enquanto sua expressão ficava ainda mais preocupada. No entanto, com o passar do tempo, ele começou a se adaptar lentamente ao Modo de Negociação Bárbara, até mudando de tática.
— Você não prometeu que me daria qualquer coisa?!
— Promessa? Tecnicamente, eu nunca prometi te recompensar! — ele rebateu. — Na verdade, eu até diria que você já foi recompensado antecipadamente! Estou errado?
Ele certamente não estava. Além de receber uma recompensa por trazer de volta a espada do Matador de Dragões, eu havia recebido a Bênção do Dragão antes mesmo de partir em busca do coração.
— …Então, você vai ignorar o fato de que essa é a única maneira de salvar sua filha?
— Eu continuo te dizendo! Sou extremamente grato pelo que você fez… mas não posso te conceder esse favor! Por favor, peça qualquer outra coisa.
No fim, eu não tive escolha a não ser ceder. Nenhuma quantidade de Modo de Negociação Bárbara iria mudar sua opinião.
“É, não há como a teimosia ser suficiente para fazê-lo mudar de ideia em um assunto tão importante.”
Já era suficiente de enrolação. Era hora de ir ao cerne da questão. — Lapir. É por causa da família real que você não pode aceitar meu pedido, certo?
— …Não vou negar. Talvez você ainda não saiba, mas o rei é um homem aterrorizante.
Todos continuavam dizendo isso. Quanto mais eu ouvia, mais frustrado ficava. Espero poder ver o rei pessoalmente em breve. Assim, saberia se estavam dizendo a verdade ou não.
Com um sorriso no rosto, o Sr. Dragão começou a tentar me convencer. — …Se limitarmos o apoio incondicional a situações que não envolvam o rei, posso te conceder esse pedido. O que acha?
Mesmo sendo um compromisso, ainda era algo que funcionava muito a meu favor. A oferta mostrava o quanto ele estava realmente grato a mim. Ainda assim, o que ele queria dizer com situações que não envolvem o rei? Isso significava que, se houvesse um conflito com o marquês, um duque, ou até mesmo com outras raças, ele me apoiaria com tudo o que tivesse?
“Bem, tenho certeza de que o acordo não inclui guerra.”
— Se suas ações forem justificadas, então um ataque injusto contra você será considerado o mesmo que um ataque contra mim.
Fiquei imerso em pensamentos. Normalmente, negociações são uma batalha de concessões, pouco a pouco. Você tem que ceder um pouco para conseguir algo em troca.
“Essa deve ser a oferta final dele.”
Essa negociação, no entanto, foi um pouco diferente. Ele pulou todo o processo de vai e vem e declarou sua oferta final logo no início. Não por falta de habilidade em negociação, mas simplesmente por uma gratidão genuína.
“Então, eu não deveria pressioná-lo mais.”
Honestamente, eu já estaria feliz se tudo o que ele concordasse fosse me apoiar em minhas negociações com outras raças. Como ele disse, minha recompensa original por essa missão era a Bênção do Dragão, que eu já havia recebido.
Sua expressão ainda era de preocupação, e ele hesitante acrescentou — Eu realmente não posso…
Decidi interrompê-lo e poupar-lhe o incômodo. Não estava planejando pedir nada além disso.
— Sua oferta é suficiente. Eu aceito. — Não me esqueci de expressar minha gratidão, é claro. — E eu realmente quero te agradecer por aturar minhas exigências absurdas.
— …Huh, eu não esperava por isso.
— Só agi assim porque estou desesperado para proteger os meus. Mas vou me certificar de não te causar mais problemas do que o necessário.
— Não precisa disso. Afinal, minha filha já está envolvida.
Certo, por um segundo eu tinha esquecido que Ravien era filha dele. Então, foi por isso que ele estava disposto a ir tão longe.
— Bem, se isso está resolvido, vamos mudar de assunto. Estou curioso, o que você tem feito nos últimos dois anos? Você estava mesmo em uma missão secreta como o marquês disse?
Depois das negociações, nos acomodamos em uma conversa descontraída e passamos um bom tempo colocando os assuntos em dia.
— Ah, devo perguntar isso enquanto estou aqui. Você concordou em me apoiar, então seria uma testemunha no meu julgamento contra o Conde Alminus?
— Uma testemunha… contra o Conde Alminus…?
— Bem, você é o chefe dos draconatos. Acho que conseguirei manter minha reputação se você aparecer e publicamente ficar do meu lado.
— …Manter a reputação?
— Haha! Brincadeira, só brincadeira!
Felizmente, parecia que o cara também tinha senso de humor. — Bem, faz muito tempo que não me divirto assim. Olhe quanto tempo já passou! Tenho uma reunião com os anciãos em breve, então devo ir.
— Hm, é mesmo?
— Você vai embora agora? Devo te mandar de volta?
— Não. Vou ver Pen e Ravien enquanto estou aqui.
— Ah, que bom ouvir isso. Tenho certeza de que elas ficarão felizes. Minha reunião não vai demorar, então, nesse meio tempo, por que você não toma um chá ou algo assim com minhas filhas? — Ele me disse onde Pen e Ravien estavam, e com isso, levantei-me e fui na direção indicada.
Tof, tof.
Cada passo que eu dava reverberava no chão de mármore. Antes de entrar no corredor, virei-me mais uma vez.
— Há algo mais que você queira dizer? — perguntou o Sr. Dragão.
— Não consigo deixar de sentir que vou me arrepender se não te perguntar isso agora.
Ele endireitou os ombros, gesticulando para eu continuar.
— Se, e eu quero dizer apenas se… — Minha voz ecoou no espaço entre nós. — Se eu me tornar mais forte, e reunir mais apoio… e você julgar que vale a pena tentar… e que não é algo suicida, então…
Deixando de lado todas as considerações sobre sua posição, terminei de fazer o pedido.
— Você seria capaz de me ajudar?
Depois de um longo silêncio, ele finalmente respondeu. — …Se esse dia chegar, então considerarei seu pedido com mais otimismo.
— Entendo.
Virei-me novamente e continuei pelo corredor.
Tof, tof.
Isso foi suficiente por hoje.

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