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    Seguindo esse caminho, conquistou o coração de muitos, apesar do início lento e duradouro, batalhando muito, conseguiu se tornar a pilastra que segurava o teto dos que o apoiavam.

    O Bibliotecário

    — Está aqui novamente? — perguntou Matheus, parado na porta.

    Glória estava escorada na sacada da varanda, bebericando um líquido laranja semitransparente.

    — O que quer dizer com isso? — retrucou Glória. — Geralmente sou eu que te encontro nessa varanda.

    — Bem, pelo menos invertemos os papéis dessa vez…

    — O resultado continua o mesmo.

    — É uísque que está bebendo?

    — Isso aqui? não, é chá, estou com dificuldades para dormir.

    — Nesse caso, uma boa dose de uísque te ajudaria ainda mais.

    Glória não respondeu, apenas sorriu levemente. Avançando pela porta, o homem sentou-se na cadeira de balanço na varanda.

    — Então? — perguntou Matheus. — Qual é o motivo da insônia?

    — Fala como se eu nunca tivesse tido insônia.

    — Só estou tentando puxar assunto…

    — Eu sei… só… desculpa, o cansaço me deixa estressada.

    — O que é isso? — Matheus arregalou os olhos, encarando a mulher de costas.

    Glória virou-se para ele e olhou para baixo, procurando o que Matheus estava se referindo.

    — O que foi? — perguntou a mulher.

    — Você pedindo desculpas, que bicho te mordeu?

    — Se vai ficar me irritando, é melhor sumir daqui — avisou.

    — Foi mal…

    Glória respirou fundo.

    — E você? — perguntou. — Achei que já estivesse dormindo, qual o motivo de estar aqui?

    — Como um líder, acho que é normal eu estar ansioso antes de uma missão aparentemente tão importante.

    — Pare de enrolação, Matheus. Já te vi dormir profundamente no meio de uma missão, quanto mais antes de uma.

    Matheus soltou uma fraca risada.

    — É, acho que você está certa… é o que eu ganho por você me conhecer a tanto tempo.

    — Sim… já faz bastante tempo… — Pensando por um instante, continuou. — Obrigada por tudo.

    — Você está estranha hoje…

    — Ora! — Exclamou. — Não posso ser um pouco fofa que você já age como se minha mente estivesse dominada, argh, não acredito como você consegue me tirar do sério.

    — É porque você me ama, logo sou quem mais facilmente entra na sua mente.

    — Eu? Amar você? — Debochou. — Vai sonhando.

    — Pode falar isso hoje, mas houve um tempo…

    — Um tempo muito longo atrás — interrompeu-o. — Sinceramente, aquela Glória nem existe mais.

    — Me lembre novamente, por que eu mesmo?

    — Por quem mais, seu idiota, você era a pessoa mais próxima a mim já faz anos! — continuou. — O seu único problema é ser uma criança às vezes.

    — Então eu sou tipo, bonitão?

    Glória o encarou firmemente.

    — O que você tem hoje? — questionou. — Digo, você é um idiota às vezes, mas não tanto.

    O homem a olhou de volta.

    — Sabia… é realmente um porre ter alguém que me conhece tão bem por perto — falou em baixo tom. — Ei, Glória, se lembra daquela vez em que quase morremos há alguns anos.

    — Qual delas?

    — Na missão para Arcabuco, eu ainda era apenas um novato.

    — Claro, esbarramos com uma horda de trolls da montanha, assustador.

    — Naqueles tempos, eu ainda estava tomado pelo ódio…

    — É, você era bem idiota.

    — Sim… eu sou.

    Glória mordeu o lábio, segurando-se por não querer tocar no assunto, mas, enfim, teve que.

    — É ele… não é?

    Matheus permaneceu calado, olhando-a. Era a resposta que ela não queria ouvir.

    — Matheus… sabe que temos que falar com a Lorena, certo?

    — Eu… vou falar, mas não agora.

    — Agora, temos que falar agora!

    — Gloria.

    — Líder!

    — Por favor.

    Glória, que havia dado o primeiro passo para mover-se, parou. Seu braço segurado pela mão de Matheus.

    — Pode, por favor, me escutar?

    — Sabe que, independente do que disser, ainda tenho que fazer isso, certo?

    — Se você disser… se os avisar quem está por trás disso, acha mesmo que eles vão me deixar ir?

    — Sabe o quão egoísta você está sendo? Isso não é uma situação normal, um erro e podemos todos morrer.

    — Sim, eu sei.

    — E mesmo assim…

    — Não tenho o direito de ser egoísta pelo menos uma vez? Dei tudo de mim por essa facção, desde o início, por essa equipe, mereço isso!

    — Matheus, você está sendo ilógico, sabe a gravidade do que está fazendo? — questionou Glória. — Omitir informações vitais como essa pode se configurar como traição, você será expulso, ou até executado!

    — Sei bem disso.

    — E vai continuar com isso?

    — Eu preciso!

    — E nós? — perguntou. — Sabe-se lá o que acontecerá com a equipe se você, o líder, for executado por traição.

    — Nada acontecerá.

    — Como você pode ter…

    Olhando no fundo dos olhos verdes do brasileiro, ela entendeu.

    — Você… não pretende voltar…

    Matheus não respondeu.

    — Não pode me comandar a fazer isso…

    — Não estou, estou te pedindo, como a pessoa mais próxima a mim nos últimos anos.

    — Está me zoando, seu desgraçado… como eu poderia fazer isso?

    — Não precisa fazer nada… só preciso que esteja aqui por mim…

    — O que acha que vai conseguir!? — Gritou, o tom de indignação e raiva subindo em sua garganta. — Você não é um Deus, não é um Lorde, como pode querer enfrentar algo desse nível, mesmo que tenha se preparado a vida toda, acha mesmo que vai conseguir fazer alguma coisa sozinho?

    — E mesmo assim, é algo que eu tenho que fazer.

    Glória ficou incrédula com a resposta.

    — Por… por que você tem que fazer isso?

    — Por que foi minha culpa!

    — Matheus, não foi…

    — Manias é um Avicci, mas ele não é um dos mais poderosos, longe disso, é um covarde que trabalha nas sombras, afetando aqueles de mente fraca… é inacreditavelmente difícil de vence-lo em uma batalha de grande escala, mas deveria ser totalmente possível com poucos soldados de alto calibre.

    — O que você quer dizer com isso?

    — Não entende, Glória? — perguntou. — Gabriel, em condições normais, jamais seria afetado por ele… mas Manias, de alguma forma, sabia que eu era seu ponto fraco… se eu não estivesse lá… ele nunca ficaria tão fragilizado mentalmente.

    — Mas ele ficou, Matheus! — retrucou, se aproximando e segurando o rosto dele com ambas as mãos. — Ele ficou e ele morreu, por que você tem que ser o próximo?

    — Por que eu devo isso ao meu pai e, se eu não fizer isso agora, nunca serei capaz de me perdoar se não tiver outra chance!

    Glória segurou as mãos do homem.

    — Pela última vez… não faça isso.

    Mas Matheus não a respondeu. A mulher então levantou-se.

    — Me desculpe, Tenente… como sua subordinada, não vou atrapalhar essa sua droga de ideia, mas, como sua amiga, não vou fazer parte de seu suicídio assistido.

    Soltando a mão do homem, Glória entrou, deixando Matheus sozinho na varanda. Voltando ao seu quarto, ela tentou entrar sem bater na porta, mas estava trancada.

    TOC TOC TOC

    — Lisa, está tudo bem?

    — Ah… só um — por um instante, uma voz mais madura soou de dentro da porta. — Só um momento, senhorita Glória!

    — O que…? — Estranhando o tom de voz da menina, Glória bateu mais forte. — Se não abrir, eu vou entrar!

    — Droga, droga, droga… — sussurrou Luna. — Bem, deve dar certo, boa sorte, Lisa.

    E, ao mesmo tempo em que forçou a fechadura, Luna reverteu a transformação, deixando apenas a sacerdotisa seminua e um Li desacordado espumando pela boca.

    — Li, o que você está fazendo! — A primeira reação de Glória foi gritar, mas assim que viu o jovem se contorcendo no chão, foi logo ajudá-lo.

    — Desculpa, senhorita Glória… era para ser um ritual de purificação, mas ele começou a reagir dessa forma…

    — Droga, está todo mundo querendo morrer hoje!? — Exclamou Glória. — Alguém aí me ajuda a mover o Li para a sala!?

    Matheus rapidamente apareceu, sem questionar, ele segurou o torso de Jihan e começou a movê-lo. Enquanto isso, Li estava tendo uma conversa em seu plano mental.

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