Índice de Capítulo

    Durante sete dias e sete noites, o povo não só da cidade originária do Khayal, como também de todo aquele país eram massacrados e exterminados. A maioria, sequer teve tempo de correr e se esconder, e aquela pobre criança só teve como sobreviver a esses dias de inferno na sua vida, graças ao sistema de esgoto da sua cidade, por onde ele se rastejou, escondeu e se alimentou de tudo que encontrava ali. Após esses sete dias, mais sete se passaram, nos quais o garoto continuou a se esgueirar e esconder, só que dessa vez, a criança conseguiu escapar de dentro dos esgotos, começando a comer as sobras de comidas das casas destruídas, independente de estarem queimadas ou cheias de vermes.
    Após todo esse tempo, o grupo do Charlie voltou ao local que eles destruíram, começando a revirar os destroços atrás de itens valiosos, com um deles falando:

    — Caramba, deve ter muitas coisas de valor, por aqui! Eu quero todas!

    Ao lado daquele saqueador, estava um membro um pouco mais alto que os outros do grupo. Essa pessoa em específico, tinha por volta dos um metro e oitenta e oito, com um corpo robusto e uma cara extremamente fechada. Na boca do gigante, um cigarro aceso fazia fumaça, indicando que o mesmo tinha certo vício em fumar. Voltando o foco para o que estava revirando os destroços, o saqueador acabou achando por metais como ouro, prata e outros, que o fizeram gritar:

    — UUUHHHH, MAIS DINHEIRO!

    O ganancioso começou a coletar tudo que tinha ali, colocando dentro de um saco de batatas que carregava consigo. Olhando aquilo, o Charlie logo falou para o seu lacaio:

    — Ei, tome cuidado, seu lagartudo! Pode ter algo perigoso aí no meio!

    Ao longe dali, o garoto Khayal observava aquele grupo, assustado com a presença dos mesmos, achando que poderia se tornar um alvo deles. Olhando em volta, o rapaz loiro encontrou uma adaga no chão, a pegando rapidamente. Para o azar da criança, ao fazer aquilo, algumas pedras caíram no chão, gerando bastante barulho.
    Ouvindo aquele som, Charlie olhou na direção de sua fonte, gritando para quem quer que fosse:

    — Ei, saia já daí! Ou eu vou estourar você, e todos os destroços!

    A criança de apenas dez anos, se assustou ao escutar aquilo. Naquele mundo, onde todos tinham poderes especiais, ter perdido sua furtividade foi sua queda, até porque os seus poderes não tinham se revelado ainda. O recém órfão, só teve a opção de calar a sua boca e prender a respiração, olhando para o grupo através de frestas em meio aos escombros. Notando o silêncio ensurdecedor vindo daquele lugar, aquele que viria a se tornar rei no futuro, apenas ficou em silêncio, tomando a decisão de ignorar aquele som, pensando não ser nada. Entretanto, o seu futuro primeiro ministro, rapidamente gritou:

    — EI, AKKEDIS, VÁ VER O’QUE É QUE TEM ALI!

    Escutando aquilo, aquele que anteriormente estava saqueando os destroços, respondeu:

    — Eu?! Eu não!

    Logo, olhando para o homem de estatura levemente maior ao seu lado, Akkedis o empurra para frente suavemente, enquanto fala:

    — Vai você, Sterk!

    O fumante olhou irritado para o ganancioso, mas, apenas dando um trato mais profundo no seu cigarro e soltando a fumaça no rosto do seu aliado, o de maior estatura optou por seguir aquela ordem. Sutilmente, o homem se aproximou da origem daquele som anterior, e ao chegar perto, começou a mexer nas pedras localizadas ali. Ao terminar de tirar as mesmas do caminho, o homem fumante se deparou com uma pequena criança. Khayal, vendo que foi descoberto, decidiu esfaquear aquele adulto, antes que o mesmo pudesse falar para os outros. A faca, porém, se quebrou no momento em que encostou no abdômen do adulto:

    — Merda!

    — Foi mal, garoto! Eu não pulo nunca o treino abdominal!

    Ao dizer isso, o adulto agarrou o garoto pelos cabelos, o erguendo para o alto e falando:

    — Aí, irmão Charlie! Era esse pivete quem estava aqui

    Ao ver aquilo, o futuro rei de cabelos loiros, deu algumas risadas, enquanto falava para os seus lacaios:

    — Olhem só, pessoal! Parece que alguém sobreviveu ao atentado que aconteceu aqui!

    Todos do grupo, ao ouvirem a forma que seu chefe falou, entendeu qual era a deixa. Então, de forma sutil, seguiram a ideia de mentira do chefe:

    — Nossa, que bom! Mas, como você sobreviveu, garoto?

    Perguntou Markus, se aproximando do garotinho, esfregando suas mãos molhadas e grudentas no rosto do mesmo. O pequeno loiro, irritado, chutou a cara daquele adulto, enquanto fala:

    — Eu me joguei dentro do esgoto, e fiquei lá até tudo passar!

    Markus, o homem das mãos grudentas, recuou um pouco depois daquele chute surpresa, ficando visivelmente irritado com aquela criança. Escutando aquilo, Gees, um homem de vestes mais extravagantes, falou:

    — Você fugiu igual um covarde, e agora tem coragem de lutar? Você é extremamente confuso, pirralho!

    Antes das provocações continuarem, o descendente da realeza levantou sua mão esquerda, fazendo seus subordinados se calarem. Então, de forma sutil, ele foi se aproximando da criança, enquanto fala:

    — Aposto que passou por muitas dificuldades, não passou, garotinho?

    Khayal, observando aquele homem de grande estatura de aproximar, só conseguiu concordar com sua cabeça, o encarando. Então, ao chegar perto daquela criança, Charlie afirmou:

    — Sabe, eu também passei por muitas dificuldades, posso até dizer que nasci no meio delas! Vamos, me diga, qual o seu nome, garotinho?

    Sem demorar muito, por ter medo do que aquele adulto faria, a criança respondeu:

    — Khayal, senhor!

    O membro da realeza, sorriu ao escutar aquilo, alisou o rosto surrado da criança e afirmou:

    — Khayal… belo nome! A partir de hoje, você faz parte da nossa equipe! Sterk, use seus poderes e cure ele!

    Aquelas palavras, não foram um simples convite, mas sim uma dura e absoluta ordem por parte do homem adulto. Sem opção alguma, o recém órfão aceitou a proposta, seguindo o caminho junto daqueles criminosos. Dias e meses passaram, e o garoto seguia cada ordem cegamente. Khayal viu por dentro, todos os crimes cometidos por aquelas pessoas, e com o tempo, até começou a ganhar gosto por isso.
    Vários jantares se passaram, basicamente todos focados em comemorar as conquistas dos golpes feitos por eles. Entretanto, em um desses jantares, o futuro soldado Burajiano começou a tossir sangue, fazendo com que Akkedis desse um grito desesperado:

    — É A DOENÇA PERSBLOED. NÃO QUERO PEGAR ELA

    Sterk observou aquilo, visivelmente irritado com a afirmação daquele suposto companheiro. Charlie, levantando novamente a sua mão, apenas falou:

    — Não fale besteira, Akkedis! Se ele estivesse infectado mesmo, era para ele ter demonstrado isso na primeira semana conosco. Além de que, o poder do Sterk teria feito o rapaz melhorar!

    Aquelas palavras irritaram ainda mais o dito Sterk, por ver mentiras atrás de mentiras sendo contadas por aqueles que ele conhece. Khayal estava pálido ao ver aquele sangue, com medo do seu próprio destino. Graças ao medo, o garoto fugiu para longe da mesa de jantar, se escondendo em um quarto escuro, encolhendo-se e pensando:

    “Merda, merda! Eu vou morrer doente, eu vou morrer!”

    Horas se passaram, até que Sterk decidiu ir em direção ao garoto naquele quarto escuro. O adulto levava consigo um prato novo de comida, enquanto falava:

    — Garoto, eu tenho que te contar algo importante!

    O loiro, olhando na direção do adulto, parou de chorar momentaneamente, ouvindo assim as próximas palavras ditas pelo terrorista:

    — Aquele responsável por exterminar o seu povo, foi o Charlie!

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