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    Há muitos anos atrás, antes mesmo do rei Charlie vir para este mundo, uma discussão estava acontecendo dentro do castelo real. Em meio a esse debate, uma mulher de idade já avançada perguntava:

    — Como assim, Arthur?!

    A moça era a rainha, a mesma que acabou morrendo e tendo seu trono usurpado pelo Charlie. A mulher, era a mãe deste tal Arthur, e ela continuou a dizer para o mesmo:

    — Você vai abdicar da sua herança ao trono, a viver aqui conosco, por essa mulher?!

    O príncipe Arthur, estava olhando para sua mãe com um olhar determinado, demonstrando a sua decisão firme sobre o assunto. Ao ouvir o questionamento da mulher, o rapaz afirmou:

    — Sim, eu vou! Não acho correto, eu ter de abrir mão do amor da minha vida, por uma tradição estúpida!

    A rainha, escutando as afirmativas do seu filho mais velho, acabou por ficar visivelmente conturbada com aquilo, com a mesma retrucando ele:

    — Entenda, Arthur! Eu não te proíbo de ficar com essa moça, para o seu mal! Isso só é a tradição de nossa família, pelos últimos dois milênios! Não posso quebrar isso, por um amor platônico como esse

    Escutando aquilo, a face do príncipe ficou ainda mais tomado pela insatisfação por conta das coisas ditas por sua mãe. Então, o garoto tomou uma atitude até que bastante agressiva:

    — Mãe, já basta! Eu entendo seu posto como rainha, mas não quero seguir nessa tradição! Vou embora do castelo hoje mesmo, e me tornarei um mero civil, como qualquer outro!

    A velha, suspirando ao escutar aquilo, apenas acabou por esfregar a mão direita em seu rosto, fazendo questão de sentir o tecido da luva de cetim enquanto faz isso. Sem escolhas, a velha rainha Elizabeth falou:

    — Quer viver como um comum? Então vá, viva! Mas, só para que não diga que eu te abandonei, lhe darei uma cara na província colonizada, onde essa plebeia vive! Não apenas isso, mas também te darei uma fortuna de dez milhões. Mesmo você sendo ingrato com as tradições, você ainda é meu filho, e não permitirei que você viva na miséria!

    Escutando aquilo, o príncipe Arthur deu um pequeno sorriso de canto de rosto, se curvando perante sua mãe, igual um cidadão comum faria. Naquela noite, o homem se despediu de suas irmãs, Maryn e Amy, dizendo para as mesmas:

    — Irmãs, eu estou indo! Posso não ter conseguido superar essa tradição. Mas, aposto que alguma das duas, deve conseguir!

    Após essa despedida, o homem partiu na direção do país distante, conhecido por guardar um dos receptáculos, o homem da Cabra, Seeng. A jornada foi feita de barco, durando algo por volta de uma semana sem parar, mas ao finalmente chegar naquela colônia, aquela que esperava ansiosamente no porto era a sua amada, Tara. A moça estava com roupas de pessoas populares da região, e ao ver o seu amado chegando, rapidamente se jogou em cima do mesmo, o abraçando e afirmando:

    — Amor, como senti sua falta! Estava com medo que você fosse me abandonar!

    Ouvindo aquilo, o homem de cabelos loiros fez uma cara de espanto estranhamente cômica, enquanto responde para a sua esposa:

    — Eehhh?! Que ofensa! Eu jamais conseguiria abandonar você!

    Se abaixando, ele ficou encarando a região abdominal da mulher com um sorriso em sua face, respondendo para a mesma em um tom leve e contente:

    — E logicamente, também não conseguiria abandonar a vida que estamos gerando!

    Assim, o casal se mudou para o casarão arranjado pela mãe do antigo príncipe Arthur, vivendo uma vida luxuosa graças ao dinheiro dado pela rainha. O filho mais velho e antigo herdeiro do trono, também conseguiu fazer muito mais dinheiro, por saber exatamente onde investir toda aquela grana. A vida estava fácil, e anos se passaram, o filho do casal nasceu nesse tempo, era um lindo garoto com as características típicas do povo de Indië, como a pele morena quase vermelha. Porém, o garoto também tinha traços do seu pai, como os cabelos loiros e olhos azuis, típicos da família real de Verenigde Kingdom.
    Durante esse tempo, o pai daquela família não teve uma interação com os locais, não por falta de vontade, mas sim por saber o risco que corria. Afinal, sua família colonizava aquele local, e por mais que depois de todo esse tempo a independência já parecesse óbvia, o povo ainda tinha ressentimento dos membros da realeza.
    Naquela tarde, o pequeno Charlie chegou até o seu pai com um machucado na cabeça, coisa que fez o homem questionar:

    — Charlie, mas o que é isso?!

    O garoto, com uma face visivelmente irritada, respondeu:

    — Ah, pai! É que um garoto não gostou quando chamei ele de pobre fedido, lá na escola! E ele acabou me batendo!

    Escutando aquelas palavras por parte do seu filho, o pai ficou surpreso, respondendo para ele, e tendo um diálogo rápido e direto:

    — Charlie, mas que atitude terrível! Quem te ensinou isso?!

    — Ninguém, pai! Eu só não acho que eu deveria me misturar, com quem é mais pobre do que eu!

    A mãe escutou aquilo também, ficando tão surpresa quanto o pai. Arthur, pensando que aquilo poderia ser por conta do isolamento que fez durante esses anos, acabou cogitando a ideia de ser o culpado por gerar tais pensamentos no seu pequeno filho. Logo, o patriarca da família tomou uma decisão:

    — Bem, não posso permitir que meu filho pense assim! Vamos dar uma volta pela vila, conversar com os locais, fazer amigos e convidar alguém para jantar aqui em casa! Você precisa de uma lição sobre humildade na prática, mocinho!

    O garoto mimado ainda tentou discutir com o seu pai, não querendo sair em direção ao vilarejo, mas mesmo com toda sua insistência, a palavra do seu pai sempre era a absoluta. A família seguiu na direção da vila, chegando lá e indo direto para uma praça que existia na mesma. O ex-príncipe ordenou que seu filho fosse brincar com algumas crianças, para em seguida o homem adulto se aproximar de alguns pais no local.
    A conversa fluiu, todos estavam se dando bem, até o momento que um dos locais indagou para o Arthur:

    — Nossa, Arthur! Você é bem diferente de nós, e sua família é bem afortunada! O que você faz da vida? Tu é um inventor, ou algo assim?

    Escutando aquilo, o homem de olhos azuis rapidamente respondeu:

    — Ah, eu prefiro não falar sobre isso! Sabe como é, né?

    Charlie, que estava silenciosamente se aproximando do seu pai, por ter desistido de tentar se igualar com aquelas crianças malditas, logo começou a ouvir aquela conversa. Um dos locais, logo insistiu:

    — Ora, nos conte! Independente do que for, não vamos te julgar! Só se for um criminoso, claro!

    Escutando aquilo, e tendo após horas de conversa, sentido confiança naqueles moradores locais, o chefe da família decidiu responder:

    — Bem… vou dizer, então! Eu sou o antigo herdeiro ao trono de Verenigde Kingdom! Mas, abdiquei de tudo para viver aqui!

    Os locais escutaram aquilo, com alguns ficando com os olhos visivelmente esbugalhados. Já o pequeno Charlie, só pensou uma coisa ao escutar aquelas palavras:

    “Meu pai… um rei?!

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