Índice de Capítulo

    Após os acontecimentos com o povo daquele vilarejo, a família formada por três pessoas tinha retornado para o seu casarão isolado. Lá dentro, o pequeno Charlie questionou o seu pai:

    — Aquilo que você disse era verdade, pai?!

    Escutando o questionamento do seu filho, por alguns momentos o filho da rainha Elizabeth se assustou, por medo de como a descoberta do sangue real afetaria a humildade do seu querido filho. Porém, sem opções ou para onde correr, o pai do Charlie respondeu:

    — Sim, filho! É verdade, eu sou um membro da realeza, e consequentemente você também tem sangue da mesma!

    Ao escutar aquilo, aquela criança ficou indignada, perguntando para o seu pai:

    — E você desistiu de tudo?! Por que?!

    O pai, com um sorriso no rosto, olhou para a sua esposa por algum tempo, e logo se virou para o seu filho:

    — Eu desisti de tudo, pois era o necessário para eu me casar com a sua mãe!

    O garotinho ficou sem entender a razão daquilo, não compreendendo, como um simples sentimento como o amor, poderia fazer um homem desistir de tudo do bom e do melhor, para viver uma vida em um país abandonado pelos deuses. Naquela exata mesma noite, durante a noite de sono e descanso daquela família, um barulho repentino de janela se quebrando acabou por acordar o Arthur. O homem rapidamente desceu as escadas, atrás de conferir a origem daquele som, e ao chegar lá, encontrou a sala da sua casa em chamas, graças a flechas de fogo atiradas lá dentro. Charlie e sua mãe desceram logo atrás, vendo aquilo completamente assustado:

    — Querido, o que é isso?!

    Perguntou à mulher, sem entender a origem daquele fogo. O próprio príncipe também estava confuso com tudo aquilo, mas já poderia ter certa imaginação da origem de tais chamas. Agilmente, o homem agarrou seu filho e esposa nos braços, pulando com eles por uma janela enquanto fala:

    — Vamos correr, depois pensamos nisso!

    A janela acabou por se quebrar, e o som dos estilhaços chamou a atenção dos invasores. Tais invasores, eram os populares de mais cedo, que gritavam:

    — Peguem o imperialista! Não deixem esse maldito fugir!

    Rapidamente, um dos homens com arcos e flechas mirou na direção da família, atirando cinco projéteis de uma só vez. O antigo príncipe notou aquilo, se colocando na frente de sua família, recebendo três das cinco flechas por eles. Duas delas, porém, acabaram por acertar sua esposa na região da axila e outra na lateral esquerda do corpo dela. Em choque com aquilo, o galego gritou:

    — TARAAA!!

    A velocidade do pai da família aumentou, seguindo a todo vapor até dentro da floresta perto da casa deles. O homem estava perdido, não sabendo para onde correr e se esconder, até que acabou por tropeçar acidentalmente em uma pedra. Esse ato fez com que ele, junto de sua família, despencassem até o fundo de uma toca, e ao se chocarem contra o fundo do buraco, o tremor foi tanto que fez com que as folhas de uma árvore acima deles acabassem caindo, tampando aquela toca. Assim, a família conseguiu despistar aqueles inimigos, até o amanhecer do novo dia.
    Arthur ficou tentando tratar de sua esposa e filho, mas os ferimentos não apenas dela, como os dele também eram terríveis, e a mesma já estava começando a se infeccionar. A moça, ainda deitada no fundo da toca, falava:

    — Querido… querido! Não ligue para mim, só fuja daqui com o nosso filho! Tente falar com sua mãe, ou alguma coisa desse tipo!

    O jovem Charlie estava calado, apenas assistindo tudo aquilo, sentindo de certo modo um nojo do seu pai, já que o mesmo foi quem abdicou da vida dos sonhos, para viver tal pesadelo. Já o pai do pequeno Charlie, concordou parcialmente com sua esposa, retirando do seu bolso uma espécie de telefone, já danificado pela queda, para tentar ligar diretamente para o castelo real. Foram mais de vinte minutos, até que alguma das ligações fosse finalmente atendida. Com essa abertura, o pai da família implorou:

    — Mãe, mãe! Por favor, me ajude! Sei que eu abri mão da minha descendência real, mas me escute! Eu e minha família estamos passando por uma dificuldade intensa, e eu preciso que você salve eles, ou pelo menos o meu filho!

    A moça foi escutando as palavras do seu primogênito, escutando também a explicação do mesmo sobre aquela situação terrível. A mulher de idade avançada, se compadeceu com tudo aquilo, mas deu uma resposta até que contraditória:

    — Entendo seu desespero, Arthur! Mas, você cortou relações com a realeza. Infelizmente, não tem nada que eu possa fazer por você, essa mulher ou essa criança

    A ligação foi encerrada após aquelas palavras, coisa que deixou o filho da rainha extremamente abalado, sem entender o motivo de sua própria mãe lhe negar socorro, em uma situação como aquela. Uma semana se passou, com aquela família tendo de tirar sustento através do lixo da cidade, correndo risco toda vez que iam. Após todo esse tempo, a mãe da família morreu devido a infecção, coisa que chocou muito o pequeno Charlie:

    — TÁ VENDO O QUE VOCÊ FEZ?! ISSO É CULPA SUA, PAI!

    Falava a criança aos berros, apontando o dedo na cara do seu progenitor. O adulto só se manteve calado, sofrendo de dor graças às suas próprias infecções, evitando até mesmo de olhar no rosto do seu filho. Irritado, a criança de colocou a correr, indo até a cidade e andando através das vielas daquele lugar, escondendo-se o máximo que conseguia.
    Em um desses becos, o garoto acabou por esbarrar de frente com um homem alto e de atitude estranha e desajeitada. Aquele homem, era Markus, o seu futuro ministro:

    — Eu te conheço, garoto! Estou na cidade, desde que tudo aquilo aconteceu

    O homem gigantesco, se sentou ao lado da criança, alisando os seus cabelos suavemente, carregando um sorriso cheio de estranheza enquanto o fazia. Assim, o homem continuou sua fala:

    — Seu pai errou com você, não é? Não só por te fazer passar por tudo isso, mas por renegar o seu futuro! Veja, se ele tivesse ficado naquele castelo e usurpado o trono da rainha, com certeza ele teria conseguido, e mudado as leis, não é?

    A criança de manteve escutando aquilo, atenta a cada palavra que saia da boca mal cuidada daquele adulto. Então, se erguendo, Markus terminou o seu pensamento:

    — Mas, você não precisa depender dele! Basta que você mesmo pegue aquilo que é seu por direito! Use sua força, seu sangue real destinado aos céus, para fazer isso!

    A criança ficou olhando aquele homem do discurso esquisito, fazendo uma cara de certa dúvida para ele. A dúvida, não era por achar que não conseguiria, mas sim por pensar em como conseguiria:

    — Mas, eu ainda sou fraco, tio! Como eu posso fazer isso?

    Rapidamente, um sorriso maléfico apareceu no rosto do adulto, que retirou uma arma com balas de Birta do seu bolso, e entregando na mão da criança, ele falou:

    — Simples, use isso! Meu chefe quem me deu essa belezinha, e ela serve para resolver os problemas! Basta, que você use ela, apenas para matar aqueles que te atrapalham!

    O rapaz absorveu aquelas palavras, concordando com a cabeça, já sabendo exatamente qual seria o seu próximo passo. Naquela noite, a criança retornou para onde seu pai estava escondido, notando o mesmo ainda colado naquele pequeno telefone, tentando ligar novamente para a realeza e implorar por ajuda. Aquela cena, enojou o pequeno Charlie pela última vez:

    — Pare com essa atitude patética, seu velho!

    Afirmou a criança, enquanto o som do toque ecoava naquela mata. O ex-príncipe se manteve olhando para o telefone, como se ignorasse a atitude maldosa do seu filho. Aquilo apenas irritou ainda mais a criança, que continuou o seu discurso:

    — Olhe para tudo que aconteceu com a gente, seu verme! A fome que estávamos passando, a morte agonizante da minha mãe! Tudo isso, é culpa sua! Você tinha a oportunidade de virar rei e mudar isso, mas preferiu fugir! E, sabe o pior?

    A criança sacou a arma e engatilhou a mesma, mirando contra a nuca do seu próprio pai, terminando de falar:

    — Você negou a mim, meu destino de ser realmente maior que esses vermes plebeus!

    Arthur ficou em silêncio, deixando o som do telefone tocar por aquele ambiente. Depois de algum tempo calado, o homem se virou na direção do seu filho, sorrindo para ele com lágrimas no rosto, enquanto fala:

    — Me desculpe, por ter sido o seu pai…

    O telefone logo foi atendido novamente, dessa vez pela filha mais nova da família real. Porém, antes que ela pudesse dizer alguma coisa, o som que ela ouviu foi do disparo de uma arma. Charlie atirou na cabeça do seu pai, abrindo um rombo na mesma e matando o adulto. Ao ver o corpo sem vida do seu pai cair no chão, o garoto afirmou:

    — Você é fraco, pai!

    Após tudo aquilo, o garoto entrou na sua jornada de crimes e atrocidades, crescendo em meio a todos esses atos de crueldade. Anos mais tarde, e pouco após a guerra das Neves, evento do qual Shiawase foi morto, a rainha Elizabeth estava descansando e dormindo durante a noite. Tal descansou, porém, acabou sendo interrompido pelo som de uma janela sendo completamente destruída. Ao se levantar, a mulher conseguiu ver o Charlie, sentado na sacada de sua janela:

    — Quem é você?!

    Falou a velha, encarando o homem sentado na sua janela. Charlie, dando algumas risadas, logo respondeu para aquela mulher:

    — Nós nunca nos conhecemos pessoalmente… vovó!

    Ao ouvir aquilo, a mulher de idade avançada ficou em choque, já que conseguiu ligar rapidamente todas as peças. Entretanto, antes da mesma poder pedir por socorro ou tentar usar sua habilidade, a velha acabou por ser encostada diretamente por aquele neto, que se moveu mais rápido do que a idosa era capaz de perceber. Uma vez que teve seu corpo tocado por aquele homem, a mente da senhor de idade avançada, começou a se esvair, ficando cada vez mais distante da situação, enquanto o renegado de nascença falava:

    — A glicose ajuda para o envio das sinapses mentais, responsáveis por pensamentos e ações. Caso alguém consiga adulterar a mesma, essa pessoa pode controlar, ou induzir os pensamentos nos outros

    Um sorriso macabro surgiu na face daquele homem de cabelos loiros, enquanto ele terminar de afirmar para a senhora:

    — Você vai me ajudar muito agora… vovó!

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