Índice de Capítulo

    Algum tempo se passou desde a fuga da equipe para a região mais isolada do país de Xing Ping. Após esse período inconsciente, o Kura finalmente acordou, abrindo seus olhos e olhando em volta, notando a maioria dos aliados dormindo e com bandagens em suas feridas. Percebendo aquilo, o rapaz fez força para se levantar, enquanto reflete:

    “Tudo dói! Merda… e será que o pessoal está bem?”

    A medida em que se erguia com bastante dificuldade, suspiros pesados escapavam através da boca do jovem, deixando claro o quão machucado ele estava. Após o manipulador de raios se sentar, uma voz dizendo para ele:

    — Não se preocupe, todos estão bem na medida do possível! Aquele tal de Gabriel… ele fez um ótimo trabalho!

    Ao escutar aquilo, o guerreiro dos raios se acalmou mais, terminando de se ajeitar encostado na parede, dando um suspiro cansado e então dizendo:

    — Oh… certo, irei agradecer ele depois…!

    Ficando em silêncio por um tempo, o Kura começou a ter flashes de memórias da batalha que teve contra o Shítou, em especial o fim que ele impôs ao agente secreto. Depois de se lembrar, o Houer de Buraji virou seus olhos na direção do outro, comentando:

    — É… me desculpe sobre o seu irmão… eu acabei matando ele…

    Xìê escutou aquilo, mantendo ambos os olhos na direção daquele estrangeiro, antes de responder:

    — É, eu vi! Mas, fique tranquilo quanto a isso, você acabou fazendo um favor a ele… e até mesmo a mim mesmo.

    Kura, ao escutar aquilo, ficou claramente confuso com aquela afirmação, retrucando ao oriental:

    — Favor? Mas como assim?

    Ouvindo aquilo, o Houer do tigre se ajeitou na parede, se escorando na mesma e começando a dizer:

    — Quando os guerreiros falham e ficam vivos, eles são executados e tem seus corpos exibidos por toda a nação, como um símbolo de vergonha! Você ter matado ele, o poupou dessa humilhação.

    Escutando sobre aquele rito aos derrotados, o criador de correntes elétricas se calou momentaneamente, deslizando seus olhos na direção do solo, o encarando.

    — Oh… acho que entendi!

    O Kura disse aquilo, com um silêncio levemente constrangedor tomou conta depois daquilo, com os dois ficando alguns instantes sem trocar nenhuma palavra. Depois de pensar um pouco, o oriental se virou para o burajiano, começando a dizer:

    — Ei, posso te perguntar uma coisa?

    Ouvindo a indagação do asiático, o homem-raio logo respondeu:

    — Tá… pode fazer a pergunta!

    Após receber a resposta positiva por parte do Burajiano, o receptáculo do Tigre começou a dizer:

    — Sabe, você é um Houer, assim como eu! Então… qual o motivo de não usar seus modos de manto bestial?

    Escutando a dúvida daquele oriental, um suspiro aliviado escapou dos lábios do irmão mais velho do Arold, antes de o mesmo começar a falar:

    — Ah, pensei que era algo mais agressivo… bem, eu não usei pois estou brigado com meu espírito bestial, ele me colocou de “castigo” depois de uma outra missão que eu fiz. É apenas birra dele, sem isso eu com certeza teria usado!

    Escutando aquela resposta, Xìê começou a rir daquilo, chegando ao ponto de quase chorar de tanto rir. Se recompondo após a gargalhada, o gêmeo do Shítou afirmou:

    — Oh, ótimo! Se fosse por você ter subestimado o meu irmão, eu com certeza me sentiria ofendido, ao ponto de te bater!!

    Uma risada tímida escapou entre os lábios do Kura, com ele se inclinando levemente para a direita antes de dizer:

    — Ah, é! Eu prometi lutar com você… bem, a hora que você quiser, eu estou pronto!

    O Houer de Xing Ping deu algumas risadas ao escutar aquelas palavras cheias de determinação, esfregando a mão direita no rosto antes de responder:

    — Não, não! Por mais que eu queira, eu sei que no seu estado atual eu iria te destruir! Daqui um mês eu vou atrás de você, e então lutamos! Até mesmo, porque tenho algo para resolver antes!

    Aquela menção fez o irmão mais velho do Arold ficar claramente curioso, com o mesmo virando seu olhar na direção do oriental:

    — Sério? Que coisas?

    Xìê, esticando seus dois braços para cima com os dedos entrelaçados, ouviu o questionamento daquele aliado, e então o respondeu:

    — Ao invés de seguir com vocês, eu vou para a Zaróvia! Algumas informações vazaram de lá e eu ouvi enquanto matava soldados de Xing Ping, e aparentemente a Houer deles está desaparecida há um tempo! Vou até eles, ver se precisam de uma forcinha!

    Ao ouvir sobre aquilo, o manipulador de raios logo se lembrou da Houer em questão, sendo ela a mulher loira da conferência de anos atrás. Se arrepiando de certo receio ao lembrar da mesma, o rapaz comentou:

    — Nossa… aquela mulher assustadora sumiu? Será que o Nellu conseguiu capturar ela?

    Xìê, cruzando os dois braços abaixo do seu peitoral, logo se virou na direção do parabrisas daquela locomotiva, dizendo em um tom levemente irônico:

    — Bem, se foi ou não, eu não dou a mínima para ela! Vou tomar o lugar dela mesmo…

    Ao ouvir aquilo, o Kura fez um rosto levemente decepcionado, achando aquela prepotência do oriental bastante inconveniente. Antes de qualquer comentário ser feito, porém, um casaco militar foi arremessado com toda a força no Kura, sendo seguida por uma voz:

    — Aproveite que você acordou, e vá ver nossa localização no GPS, pirralho! Estou com muito sono para isso!

    O dono da voz era o Gabriel Sariel, que tinha acabado de acordar por conta da conversa daqueles dois. O Kura, retirando aquele casaco sujo e suado de cima de sua cabeça, logo respondeu:

    — Certo… e não jogue isso em mim mais!!

    O jovem controlador de raios jogou o casaco na cara do segurança da Krafitg, para se levantar do chão e seguir caminhando na direção do painel de controle. Ficando de frente com o mesmo, o receptáculo do cão elétrico analisou friamente o painel, dizendo na sequência:

    — Estamos quase em cima do ponto vermelho no mapa! Qual o próximo passo?

    O mais experiente do grupo escutou aquilo, levantando-se do solo e começando a pôr o seu casaco, dizendo:

    — Pode parar o trem e vamos embora! Seguiremos a pé daqui!

    Alguns minutos depois, o grupo inteiro estava no lado de fora do túnel, encarando o ambiente ao redor. A área era extremamente verde ao redor, com uma cidade fantasma cortando aquela bela floresta. O ambiente era gelado, não pelo clima, mas pela sensação de ser observado pelo inexistente. Após se arrumar, o Xìê colocou algumas besteiras em uma bolsa improvisada com panos, dizendo:

    — Bem, aqui nos separamos! Desejo sorte a vocês na jornada de volta, e não ousem morrer, viu? Se serve de aviso, existem lendas sobre essa floresta, que falam de um grupo de criaturas estranhas.

    Ao escutar o aviso, o Gabriel Sariel acenou com a cabeça, respondendo na sequência:

    — Certo, obrigado pela dica!

    O Kura, olhando para aquele aliado se despedindo, logo esticou a mão até o mesmo, apertando a dele e falando:

    — Boa sorte em sua jornada, amigo! Espero te ver logo!!

    Após aquilo, ambos seguiram destinos diferentes, se separando por tempo indeterminado.

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