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    Algumas horas no futuro, o controlador de raios finalmente acordou, abrindo seus olhos e começando a olhar a sua volta, notando todos os seus aliados igualmente amarrados por fios de birta. Arold, que tinha acordado há algum tempo, virou o rosto na direção do seu irmão mais velho, dizendo:

    — Bom dia! Bem… quem tu procura, tá bem ali!

    O cabeludo acenou com a cabeça para a sua frente, mandando silenciosamente o seu irmão dirigir os olhos em tal direção. Sem perder tempo, o garoto energético fez isso, levando seus olhos pretos para a direção indicada. Na frente do grupo, se encontrava a silhueta de mais cedo, um claro cadáver que de alguma forma ainda possuía vida. A pele do ser estava parcialmente decomposta, roxa como se fosse uma berinjela, e por baixo da pele já completamente decomposta, a carne acinzentada da criatura ficava exposta ao ar. Em sua face, dentes podres eram esbanjados, junto de um olho direito esbugalhados e uma cabeça parcialmente careca, com fios de cabelo pretos secos e caídos.

    — Quem… são vocês, forasteiros? Não parecem agentes de Xing Ping… ao menos, não todos!

    Escutar aquela criatura decrépita falando de forma tão natural, acabou instaurando um medo primitivo dentro da consciência de quase todos ali. Gabriel, entretanto, foi um dos poucos a não se assustar, analisando friamente aquela situação antes de começar a falar:

    — Bem, somos soldados do país de Buraji! E nossa amiga de pele morena é natural de Xing Ping, mas trabalha conosco.

    O homem de cabelos dourados logo começou a analisar direito o fardamento daquele morto-vivo, notando a bandeira manchada na braçadeira decomposta do morto, comentando:

    — Você… é de Buraji também, não é?

    Ouvindo o comentário do mais velho daquele grupo, a entidade decrépito expressou sua clara surpresa, lançando um assobio sinistro no ar, antes de tecer seu comentário:

    — Oh, você reconheceu meu uniforme, garoto? Fascinante!

    O guarda-costas da Krafitg percebeu o fascínio do ser, decidindo manter a conversa naquela linha:

    — Sim, é meu dever como um verdadeiro nacionalista do meu povo, reconhecer nossos uniformes antigos! Pode ter certeza, todos nós reconhecemos ele.

    Todos do grupo acenaram em silêncio com suas cabeças, concordando de imediato com o mais velho. O Kura, porém, apenas pensou em uma única coisa:

    “Sinceramente… se ele não falasse nada, eu pensaria que era só um pano de chão sujo…”

    O zumbi então se levantou de sua cadeira, descendo as escadas lentamente e ficando cada vez mais próximo daqueles forasteiros. Enquanto o fazia, o mesmo indagou:

    — Por qual razão estão saindo de Xing Ping por este caminho, meus patriotas?

    Ao escutar aquilo, o Gabriel prontamente o respondeu, mantendo o tom de voz respeitoso:

    — Digamos que fizemos uma confusão dentro do território de Xing Ping, e tivemos que fugir por um caminho não muito ortodoxo… nosso objetivo, é chegar na nação mais próxima através do Rio da vida, e então tentar prosseguir de barco até Buraji!

    O morto escutou aquilo atentamente, levando sua mão esquerda até o queixo, refletindo rapidamente sobre o assunto e dizendo:

    — Bem, parece um bom plano, mas… se vocês realmente fizeram algo contra a soberania daquela nação, com toda a certeza eles não irão poupar forças em caçar vocês… acho difícil escaparem por este caminho, principalmente com a força que vocês mostraram para mim!

    Aquela afirmação deixou todos ali levemente receosos, e também acertou em cheio parte do ego do Kura, que logo retrucou:

    — Ei, calma aí um instante! Você pegou a gente de surpresa, cansados e longe de estarmos totalmente curados! E mais, ainda estamos com um membro fixo a menos, isso nem é uma comparação justa!

    O zumbi ouviu aquela reclamação atentamente, encarando o rapaz com um olhar distante, ignorando completamente os sentimentos dele. O ser antinatural, após absorver aquelas palavras, se abaixou para ficar próximo da altura do Kura, respondendo o mesmo:

    — Sim, mas… uma guerra não é justa! Se fosse, não seria uma guerra sangrenta!

    Ao ouvir aquilo, o manipulador de raios fechou sua cara, se irritando um pouco mais e dizendo:

    — Sua sorte, é que o Onder não estava aqui! Se ele estivesse, tenho certeza que o poder dele teria nos ajudado a acabar contigo!

    O Arold escutava tudo aquilo em silêncio, cabisbaixo pela análise do até então inimigo, tentando se distanciar mentalmente de toda aquela situação. O morto, por sua vez, mudou sua expressão para uma certa surpresa ao escutar o nome citado, ficando calado por alguns instantes, apenas encarando o jovem na sua frente. O Jaguar, notando aquilo, logo indagou:

    — Ei… que aconteceu, tribufu?

    O Zumbi se manteve calado, apenas processando tudo que tinha acabado de escutar, para só após alguns minutos dizer:

    — Você… você disse “Onder”?!

    Aquele questionamento deixou o Kura confuso, com o homem-raio erguendo uma sobrancelha e retrucando:

    — Sim, eu disse! Qual o problema com isso?

    Ouvindo a resposta do jovem de cabelos negros como a noite, o morto rapidamente o agarrou pelos ombros com ambas as mãos, sacudindo ele com aquele movimento brusco.

    — Como ele está?!

    Questionou o ser moribundo com bastante ansiedade em sua voz, esbugalhando ambos seus olhos enquanto encara o receptáculo do cão elétrico. Confuso com tudo aquilo, o Kura apenas o encarou com bastante confusão nos olhos, respondendo:

    — Eu não sei… sei lá… bem?

    Notando a confusão que acabará de fazer, o morto-vivo largou os ombros do garoto, movendo sua mão esquerda lentamente até a frente de sua boca, limpando a garganta e dizendo:

    — Oh… certo, me perdoe por isso! É que… eu conheço alguém que tem um nome parecido com o desse seu amigo… mas, não acho que sejam a mesma pessoa, você é muito novo para o conhecer.

    Aquilo despertou a curiosidade do Kura, com o rapaz se inclinando sutilmente na direção daquele ser, o questionando:

    — Me perdoe por me meter onde não sou chamado, mas… pode me dizer quem é essa pessoa que você conhece?

    O zumbi olhou o rapaz por alguns segundos, ponderando se deveria, ou não, contar para o mesmo sobre aquilo. Após essa reflexão, entretanto, ele começou a dizer:

    — Onder… é o nome do meu filho, que não vejo a várias décadas! Quando eu saí de Buraji, ele era um garoto novo… ele deve ser basicamente um velho hoje em dia…

    Ao ouvir aquilo, uma expressão de surpresa tomou de assalto a face do homem-raio, que afirmou quase que em um grito:

    — Espera… você é o pai do Onder?!

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