Capítulo 398 - Além da Natureza
A expressão facial do Kura se tornou de pura empolgação, com o rapaz de estatura mediana se inclinando ainda mais para frente, esbanjando um sorriso extremamente contente na sua face.
— Uau, é tu mesmo!! Que doideira, o velho Onder vai se morder de raiva por não ter vindo com a gente nessa missão!!
O Zumbi escutou com aquilo com bastante surpresa na sua expressão facial, sentindo um misto de empolgação e ansiedade tomando conta do seu coração antes de dizer:
— Espera… você… você está falando do mesmo Onder que eu? Um com um sinal preto na lateral esquerda de sua cabeça?
O protagonista elétrico sacudiu sua cabeça em uma confirmação bastante enérgica e contente, dizendo na sequência com empolgação na voz:
— Sim, o Onder que estou falando tem essa marca!! É basicamente certo de ser o mesmo!!
O Zumbi ficou ainda mais ansioso depois de escutar aquilo, levando sua mão esquerda até o zíper enferrujado de sua roupa, o abrindo e então puxando o lado canhoto do casaco militar um pouco para longe do tronco. O cheiro putrefato subiu com mais intensidade, enquanto o morto levou a mão destra para dentro de sua roupa, retirando uma foto três por quatro lá de dentro, mostrando a mesma para o Kura. Na imagem sem cor, uma mulher de longos cabelos negros segurava uma criança emburrada em seus braços, posando para a foto. Na sequência, o ser antinatural indagou:
— O homem que você conhece, se parece com essa criança?!
O irmão mais velho do Arold acenou rapidamente com sua cabeça, indicando que sim e então reafirmando em voz alta:
— Isso! A diferença principal, é que ele tá muito mais acabado hoje em dia… mas, bem, talvez ser um velho rabugento tenha feito ele criar algumas rugas!
Ao ouvir aquilo, o morto-vivo ficou estatístico por alguns instantes, levando sua foto de volta para o bolso de sua roupa e fechando o zíper do mesmo após fazer alguma força. A criatura então se levantou, erguendo a cabeça na sequência e encarando o céu escuro por um tempo, antes de suspirar e afirmar com um grande alívio no seu tom de voz:
— Que ótimo… o meu filho… está bem!!
O resto dos strong souls ficou em silêncio, trocando olhares entre si e se perguntando como a conversa chegou naquele ponto. O Arold, estando visivelmente curioso sobre uma coisa, logo bateu um dos pés no chão com suavidade, apenas fazendo barulho para chamar a atenção do morto.
— Diga!
Disse o Zumbi, encarando o rapaz atentamente. O criador de explosivos, ao receber o direito à palavra, então disse:
— Com todo respeito, senhor… é… qual o seu nome mesmo?
O morto-vivo ouviu aquele questionamento, e sem muitos rodeios a mais, ele afirma:
— Meu nome é Samba! Essa era a sua dúvida?
O irmão mais novo do Kura sacudiu sua cabeça em negação depois daquela pergunta, parando o movimento e encarando aquele homem.
— N-não! É… continuando… senhor Samba, se você estava vivo durante esse tempo todo… por que não voltou até Buraji para ver o seu filho? Ele meio que virou militar, apenas para ter a chance de te encontrar, nem que fosse apenas seu corpo decomposto… ou algum sinal de sua morte…
Ao ouvir aquilo, Samba encarou o garoto por algum tempo, parecendo bastante apático com aquela pergunta. Após um longo silêncio de minutos e mais minutos, o morto-vivo finalmente começou a falar:
— Garoto… repare na minha aparência e me diga… o que você vê?
Aquele questionamento deixou o manipulador de explosões visivelmente desconcertado, com ele respondendo com certa vergonha em sua voz:
— Vejo… um homem alto e-
Antes de a resposta ser terminada, o Zumbi prontamente discordou com sua cabeça, retrucando de forma quase que imediata:
— Não, errado! Isso que está na sua frente, é a maior aberração da natureza! Um homem que já foi morto, mas cujo a alma não pôde descansar em paz.
O olhar mórbido daquele corpo ambulante logo se dirigiu ao Kura, fixando-se no mesmo com certa intensidade, sendo seguidos pela fala daquele homem-morto:
— E este garoto pode confirmar isso! No que entendi na conversa de vocês, ele consegue sentir sinais vitais, sejam cardíacos ou cerebrais. Porém, ele não conseguiu sentir os meus… e, mesmo assim, eu continuo preso neste plano físico, sem poder descansar!
Aquelas palavras lotadas de pesar calaram todos os presentes, com os mesmos conseguindo apenas trocar olhares entre si. O Kura, determinado em quebrar o silêncio, diz:
— Mas, senhor Samba… este é apenas o seu poder! Você não deveria ficar com tanto remorso assim, deveria voltar logo para ver o Onder!
Samba então encarou o manipulador de raios, o respondendo de forma rápida, precisa e imediata:
— Não, este não é o meu poder! Minha habilidade envolve tornar músicas em efeitos reais, mas em nada tem a ver com prender almas no mundo material através de seus corpos em vida. Isso é a habilidade de um antigo colega de equipe, que me fez virar um Zumbi antes de morrer na missão que viemos fazer em Xing Ping.
Aquelas palavras atingiram o irmão mais velho do Arold em cheio, com ele abaixando sua cabeça e falando em resposta para o morto:
— A missão que… o meu avô mandou você, não é?
Samba ficou sutilmente surpreso com aquela resposta, olhando de forma ainda mais interessada para o baixinho na sua frente.
— Oh, o Aristeu então virou avô? Que surpresa, deve ser por isso que sua cara é tão parecida com a dele… e como você e esse cabeludo tem cheiros semelhantes, posso supor que são irmãos, ou parentes próximos…
O pai do Onder então falou aquilo, indo para as costas dos militares, começando a soltar um por um deles, enquanto continuava a ditar:
— Sim, foi na missão que ele nos mandou! Mas… a culpa não foi dele, não! Nós fomos pegos em uma maldita emboscada, por aqueles que tinham acabado de apertar nossas mãos em sinal de amizade!
Após terminar de dizer aquilo, o morto-vivo soltou o último dos companheiros do Kura, finalizando:
— É… eu lembro como se tivesse sido ontem!

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