Capítulo 399 - Naturalidade passada
Pouco mais de cinco décadas no passado, um grupo de militares se moviam por entre a floresta densa do país de Buraji. Aqueles homens vinham da fronteira com a Guaylândia, ostentando o brasão de sua nação em seus uniformes camuflados. A marcha deles era direta, e aqueles mais de cem homens possuíam uma única ordem certeira: atacar tudo e todos, assim que a fronteira fosse ultrapassada.
— Señor, ¡nos estamos acercando a la frontera! (Tradução: Senhor, estamos chegando perto da fronteira!)
Um dos soldados disse aquilo ao seu comandante, usando de sua habilidade especial para ter uma visão de dezenas de quilômetros à sua frente. O líder daquele grupo de inimigos então disse:
— ¡Genial! Y no hay señales de vida de los enemigos, ¿verdad, Marcos? (Tradução: Ótimo! e nenhum sinal de vida de inimigos, certo Marcos?)
O tal de Marcos concordou com sua cabeça, se concentrando ainda mais no uso de seu poder especial, chegando a emanar sua aura de determinação enquanto o faz, afirmando na sequência:
— ¡Si!
O grupo de inimigos manteve sua marcha através da mata atlântica verde e densa, caminhando com uma velocidade assustadora. Escondidos por entre as plantas, entretanto, uma voz dizia:
— Podemos começar, capitão?
O dono da voz era o Samba, que encarava aqueles inimigos do topo de uma das árvores com bastante ferocidade. O capitão, ouvindo a pergunta, deu apenas um leve sorriso de canto de rosto, respondendo:
— Sim, iremos!
Logo após aquela fala ser dita através dos lábios daquele homem, o mesmo moveu sua mão destra até um pouco a frente do seu corpo, subindo e descendo a mesma como se estivesse dando uma ordem. Após essa ação, um morto-vivo se ergueu do solo abaixo deles, avançando com toda a sua velocidade contra um dos soldados inimigos em marcha, saltando no mesmo e agarrando ele com uma força extrema. O inimigo era pego de surpresa, e antes que tivesse quaisquer possibilidades de se defender daquilo, uma mordida poderosa era dada contra sua veia carótida, rasgando a mesma de maneira imediata. Na sequência disso, os outros militares inimigos observaram a cena, assustando-se e começando a preparar seus ataques e armas.
— ¡¡Mierda!!
Um dos estrangeiros gritou isso, se preparando para lançar um poderoso ataque na direção do zumbi. Antes de o ataque ser concluído, porém, vários outros cadáveres saíram do chão, pulando e agarrando os homens com força, os mordendo e começando a aumentar seu número. Samba observava aquilo, e sem muitos rodeios, retirava uma lâmina de dentro de seu violino, encaixando a mesma com cuidado em suas cordas e iniciando o acorde. O som tocado por aquele instrumento, era carregado de um sentimento de tristeza e melancolia, que se tornava ainda mais certeiro, uma vez que a letra começava a ser cantada. Em questão de instantes, os soldados que não foram transformando-se em zumbis, começaram a chorar, mordendo suas línguas e cometendo suicídio rapidamente. O resto do grupo do Samba finalmente se revelou, e ao se aproximarem dos dois guerreiros, um deles reclamou:
— Poxa, capitães!! Vocês mataram todos eles, e não deixaram nenhum para que pudéssemos lutar também!
Samba, rindo daquilo, logo respondeu o seu aliado:
— Ora, não se preocupe com isso! Quando enviarem cem mil homens, com toda certeza vocês poderão lutar também!! Não é, capitão Edgar?
O pai do Onder dizia aquilo, enquanto virava seu rosto em direção ao homem-zumbi, olhando o mesmo com um sorriso em sua face. Edgar, por sua vez, apenas ordenava todos os mortos a se devorarem, enquanto respondia o amigo:
— É, isso mesmo, Samba! Todos poderão lutar, relaxem!
Antes da conversa ter continuidade, um dos subordinados do Edgar se aproximou deles, afirmando:
— Senhor Edgar, senhor Samba! O comandante Aristeu ligou faz pouco tempo, e ele quer que todos se dirijam a sua base! Aparentemente, é uma missão bem importante!
Os dois homens trocaram olhares ao ouvir aquilo, mas sem muitos debates eles apenas concordaram, se dirigindo em grupo para a tal base. No dia seguinte, todos chegaram até lá, com os dois cabeças do grupo militar adentrando a sala do Aristeu. Dentro dela, o naquele momento jovem-adulto, estava escrevendo algumas coisas em seu caderno com certa agilidade.
— Senhor, viemos assim que pediu!
Edgar disse aquilo com um tom de voz sério, olhando diretamente para o rapaz de patente superior. O futuramente avô do Kura e do Arold, ao ouvir aquilo, logo guiou sua atenção para as duas figuras, largando seu lápis e falando:
— Oh, ótimo! Bem, tem algum problema em eu ir direto ao ponto?
Ambos os militares trocaram olhares entre si por um instante, e após tal atitude gerada pela confusão daquele questionamento, ambos voltaram a atenção para o comandante na frente deles, acenando negativamente com a cabeça. Aristeu, sorrindo com aquilo, continuou a falar:
— Oh, perfeito! Bem… ter o título de um dos mais fortes do mundo é bom, mas me gera alguns estresses nada divertidos! A nação de Xing Ping queria que eu fosse lá firmar um acordo militar, mas infelizmente eu terei que trocar golpes com uma das minhas companheiras de título… algo sobre ela ter dominado uma ilha, ou merda assim!
O homem de pele negra dizia aquilo com bastante causalidade em sua voz, deixando evidente de quem o Kura iria puxar sua atitude no futuro. Se recompondo, o comandante continuou:
— Bem, já que estarei ocupado, eu sugeri mandar vocês, um dos esquadrões filiados a mim. Isso tem algum problema, ou posso confirmar a partida de vocês?
Ambos os cabeças do esquadrão se olharam, não sabendo como responder ao chamado. Entretanto, o rosto de Edgar se fechou suavemente, com um pesar sentimental evidente na sua cara. Percebendo aquilo, o Samba encarou o Aristeu, dizendo:
— Por mim, nenhum problema! E por você, capitão?
O capitão daquele grupo ouviu o chamado do amigo, suspirando e então recuperando a sua compostura, olhando seu comandante e afirmando na sequência:
— Sim, tudo certo por mim também, senhor!!
A confirmação positiva daqueles dois homens, acabou por encher de alegria o coração do jovem comandante, que deu um suspiro aliviado, afirmando:
— Nossa, ainda bem! Isso poderia gerar uma confusão enorme para nós… avisarei o líder Kubitcheque, e vocês vão partir amanhã para Xing Ping! E relaxe… vou exigir uma acomodação de luxo para vocês e o seu grupo!
Os dois homens sorriram de forma bastante tímida ao ouvirem aquilo, com o Edgar respondendo:
— Certo… obrigado, senhor!!
Os dois então se retiraram daquela sala, seguindo para avisar ao grupo deles, de que logo mais iriam partir para a ásia.

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