Índice de Capítulo

    No dia seguinte ao pedido do comandante Aristeu, o grupo se dirigiu de avião até o país de Xing Ping, sendo escoltados por mais quatro aviões de combate, tripulados com grandes guerreiros da elite. Dentro do avião principal, Edgar parecia desconexo daquela situação toda, apenas olhando o lado de fora da janela do avião, enquanto abria e fechava um pingente de seu pescoço, tentando se distrair de tudo aquilo. Samba, por sua vez, se encontrava tocando música para o grupo, na tentativa evidente de manter todos com a moral nas alturas. O músico, ao notar que seu amigo estaria inconformado com algo, logo parou de tocar e caminhou até perto dele, se sentando ao seu lado e dizendo:

    — Ei, capitão! Qual o problema?

    O criador do vírus zumbi escutava o som do seu colega se aproximando, ouvia sua pergunta e então olhava o mesmo por algum tempo. Após absorver aquelas palavras, o capitão do grupo militar então se recompôs, ajeitando sua postura e dizendo em resposta:

    — Relaxe, Samba! Não é nada de importante, continue animando o pessoal!

    O pai do Onder escutou aquilo com certa atenção, prestando atenção em cada movimento que era realizado pelo seu capitão. Após pensar um pouco e observar aquela cena, o músico apenas afirmou:

    — Relaxa, eles ainda estão se divertindo! Não precisam de mim para isso, eles são adultos!

    Após dizer aquilo, o homem-música se acomodou na cadeira, reclinado ela um pouco para trás e continuando a falar na sequência:

    — Isso é sobre a Jane, não é?

    Edgar se surpreendeu um pouco ao ouvir aquele nome ser mencionado, ficando claramente desconfortável com aquilo, virando sua face na direção da janela e então respondendo, em um tom mais ameno:

    — É… é sobre ela sim!

    Samba escutou aquilo atentamente, se mantendo em silêncio por algum tempo e desviando sua visão para a parte da frente daquele avião. Após refletir um pouco, o músico coçou sua garganta, voltando sua atenção completamente para seu colega de equipe, dizendo para o mesmo:

    — Sabe… eu sinto muito pela morte dela, nem consigo imaginar como você se sente… se quiser, podemos pedir para voltar e desistir da missão, eu recebo a culpa tranquilamente!

    Edgar escutou a fala do seu colega, dando um sorriso sutil no canto do seu rosto, um sorriso claramente tímido, mas carregado de um claro agradecimento. Desfazendo o sorriso, o capitão daquele esquadrão afirmou:

    — Não, não vai ser necessário! A missão é simples, tranquila!

    O homem se ajeitou em sua cadeira, se reclinando de forma a ficar ainda mais confortável, dizendo na sequência:

    — Nada de ruim vai acontecer, é só diplomacia, afinal! E quando voltarmos… vou visitar minha mulher em seu repouso eterno!

    Samba escutou aquilo, olhando com um sutil pesar para o seu amigo. Entretanto, o músico logo se levantou, pegando seu violino e começando a tocar o mesmo, afirmando:

    — Não se preocupe, capitão! Vamos todos nos divertir até chegarmos em casa!! Vamos com pompa!!

    A viagem continuou de forma tranquila após aquilo, com a música tocando até que todos tivessem que pousar em terra firme. No dia seguinte, ao exato horário do meio-dia, o grupo entrou na sala dos anciões de Xing Ping, conseguindo ver os mesmos homens que no tempo comum também governavam o maior país oriental. Edgar, tomando a dianteira, começou a dizer:

    — Senhores, temos uma proposta de Buraji, diretamente para vocês!

    A conversa fluiu após aquilo, durante horas e mais horas sem nenhuma pausa. Por volta das seis horas da tarde, com o sol finalmente ameaçando se pôr, um daqueles homens de idade absolutamente avançada, afirmou:

    — Bem, ótimas propostas! Iremos pedir que retornem agora para Buraji, para que possamos discutir isso com mais atenção. Porém, podem ir tranquilos, estamos pendendo a aceitar esse acordo!

    Edgar ficou visivelmente surpreso ao escutar aquilo, erguendo sua sobrancelha direita e indagando:

    — Voltar? Nosso avião só vem amanhã nos buscar! Infelizmente, não temos como voltar ainda.

    O homem de pele enrugada, ao ouvir aquilo, apenas deu uma risada aparentemente gentil, retrucando:

    — Ora, não seja por isso, jovem! Iremos disponibilizar um barco para vocês irem pelo rio da vida. Mandaremos uma carta a Buraji, informando da negociação!

    Após a saída do esquadrão do Edgar e do Samba, um dos outros anciões encarou o mais velho dentre eles, questionando o mesmo:

    — Vamos realmente aceitar esse acordo?

    O mais antigo absorveu aquelas palavras, dando uma gargalhada longa e lotada de ironia, respondendo o seu colega de cargo de forma quase que imediata;

    — Você está louco? Esse acordo é cheio de desvantagem para nós, jamais poderia ser aceito de verdade! Vamos fazer o seguinte…

    O idoso então apertou um botão em sua mesa, iniciando uma chamada de voz e ordenando as pessoas do outro lado da linha:

    — Meus queridos agentes… façam nossos queridos convidados sofrerem um “acidente” nesse retorno… já nós do conselho, vamos dizer apenas que eles nunca vieram até nós!

    Mais um tempo no futuro, o grupo liderado por Edgar e Samba seguiu através do Rio da vida. Aquele riacho exalava uma beleza sem igual, com sua água cristalina, peixes e plantas de forma abundante. A vista daquele fluxo de água era quase que divina, e ao observar aquilo, alguns dos subordinados deles comentavam:

    — Wow, que bonito!!

    — É, dá até vontade de pular aí e sair nadando!!

    Samba, escutando aquilo, apenas começou a tocar o seu instrumento, afirmando em voz alta para todos:

    — Homens, deixem a natureza em paz! Vamos todos dançar e cantar até que cheguemos em Buraji!! A jornada é longa, mas nossa diversão é maior ainda!!

    Os dias se passaram, com aquele grupo se divertindo como se fosse o último dia de suas vidas. Entretanto, no quarto dia de todo esse divertimento, no meio da mata, um homem de terno anunciava para os outros ao seu redor:

    — Vamos, acabem com eles de uma vez! Nenhum deles pode sobrar vivo!

    Após aquela ordem ser dada, uma nuvem densa de uma fumaça verde tomou conta daquele ambiente, bloqueando em questão de instantes a visão de todos ali. O pai do Onder, ao perceber a fumaça, rapidamente parou de tocar sua música, colocando toda a sua atenção no ambiente. Ao cheirar aquele gás esverdeado, o militar percebeu com o seu olfato que além de tóxico, aquilo se tratava de um fluído inflamável.

    — Merda, é uma emboscada! Tomem cuidado!

    Enquanto afirmava aquilo, o músico moveu sua espada com absoluta agilidade, gerando uma onda de ar que conseguia afastar o excesso daquele gás em vários metros. Sequencialmente a isso, uma enorme explosão era feita, através da ativação dos poderes de fogo de um dos agentes de Xing Ping. O impacto e calor das chamas castigou imediatamente alguns soldados daquele grupo, assim como destruiu as velas, casco e mastros do navio. Edgar, notando a armadilha, logo sacou a sua espada, gritando:

    — HOMENS, VAMOS RETALIAR ESSE ATAQUE! PRECISAMOS SOBREVIVER, NÃO IMPORTANDO QUEM SEJAM NOSSOS INIMIGOS!

    A batalha que sucedeu após isso, durou três dias e três noites sem nenhuma pausa, com centenas e centenas de explosões ocorrendo a cada instante, gerando terremotos que poderiam ser sentidos por toda a floresta, rio e nação de Xing Ping. Em meio a luta, Samba, cansado e caído, exalava uma quantia absurda de sua aura, enquanto refletia:

    “Estamos… morrendo um a um! O veneno… ele está enfraquecendo os nossos músculos e alma… a morte… ela é certa!!”

    Enquanto refletia aquilo, o homem começou a se levantar de pouco do chão, tornando sua energia ainda mais densa e terminando sua reflexão:

    “Mas… quem liga para isso?! Não importa se vamos morrer… não daremos o gosto da vitória para esses merdas!”

    Após isso ser afirmado em sua mente, o músico atingiu o nível de Ascenção, ficando mais forte e tendo uma melhora visível em sua habilidade. Este fato, permitiu que aquela batalha fosse finalizada em questão de minutos, e após a mesma, Samba caminhou pelo campo, dizendo:

    — Ei… ainda tem alguém por aqui?! Sobrou alguém vivo?!

    A medida em que caminhava, uma silhueta surgiu em meio a fumaça, caminhando na direção do músico enquanto dizia:

    — Eu! Eu… eu estou vivo… ao menos, por enquanto!

    Saindo do meio da fumaça, Edgar aparecia, revelando sua mão direita completamente decepada, com uma flecha atravessando sua cabeça da lateral direita até a esquerda do crânio. Samba observou aquilo, correndo com urgência até o seu capitão, segurando o mesmo antes de ele cair e afirmando:

    — Capitão Edgar! Senhor… o senhor está bem?!

    Edgar, vomitando um pouco de sangue seco, logo deu um sorriso irônico, respondendo:

    — O que você acha… seu idiota?

    O homem-zumbi começou a respirar pesado, derramando gotas frias de suor e continuando a falar:

    — Esse… esse é o fim da linha para mim! Os outros morreram, e meu cérebro foi atravessado por essa flecha envenenada!!

    Samba escutou aquilo, olhando incrédulo para aquela cena, e então indagando:

    — Mas, e o seu poder, capitão?! Use o vírus que você cria em si mesmo, e viva como um zumbi!!

    O capitão do grupo, suspirando um pouco após escutar aquilo, retrucou:

    — Meu cérebro vai derreter, cara! Usar o vírus em mim, não ia me salvar da morte! E também, eu não tenho nada a perder, nem ninguém me esperando em casa…

    Enquanto falava isso, o homem moveu o cotoco de sua mão direita até próximo do rosto do seu subordinado, exalando uma nuvem de coloração roxo-claro, encostando a mesma no rosto do Samba. Aquilo, se tratava do vírus zumbi daquele militar, que logo afirmou: 

    — Diferente de você! Você tem uma esposa, e um lindo filho te esperando em sua casa! Então, volte… pode levar alguns anos, mas você vai recuperar sua consciência…

    O músico, percebendo aquilo que seu capitão tinha acabado de fazer, logo se irritou, dizendo em um grito:

    — EI, NÃO FAÇA ISSO! VOCÊ SABE QUE EU NÃO CURTO ESSES MORTOS VIVOS!! ELES SÃO BIZARROS!!

    Edgar, escutando aquilo, apenas deu algumas risadas fracas, ficando cada vez mais pálido à medida em que seu sangue escapava de seu corpo. Em um tom de voz extremamente baixo, ele disse:

    — É… espero que… me perdoe por isso algum dia…

    Edgar então se amoleceu, caindo com a cabeça para trás e perdendo a pouca vida que restava em seus olhos. O capitão morreu por causa dos ferimentos e do veneno, e minutos depois foi a vez do Samba morrer. Entretanto, diferente do seu capitão, que seguiu para o outro mundo, o músico logo reviveu como um zumbi, vagando por vinte anos como o monstro do rio da vida, até finalmente recobrar sua consciência.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota