Desculpe a demora :(, logo voltaremos aos nossos protagonistas.
Capítulo 35: A falsa hortênsia
Cumprindo o combinado, de noite, o filho do mafioso, Feng Dong vai até a avenida do álcool, mas para encontrar a bela moça a qual havia convidado para sair, Hortensia. Os dois se encontram em um lugar nada romântico, em frente ao clube néctar das moças.
O rapaz se veste com camisa social azul com botões, calça de sarja marrom e tênis brancos, com os acessórios caros, cinto de couro onde a fivela é o que se destaca de prata, e relógio de ouro. Nos ombros utiliza um casaco rosa, como uma espécie de cachecol, apenas por estilo.
A moça usa algo mais discreto, vestido sem mangas, de cor azul e flórido, com desenhos da flor que a dá nome, Hortensias, a saia vai até um pouco acima dos joelhos, mas nada que seja vulgar. A semelhança fica por conta dos tênis brancos.
— Nem quis esperar o final de semana?
— Tá maluca? Acha que sou idiota, final de semana é o dia mais movimentado, ai que seria dificil mesmo te tirar do trabalho, então onde vamos?
— Você quer mesmo saber como eu sou? — Hortensia fala, se aproximando do rapaz de forma sedutora, o olhando contraindo os lábios.
— Fique à vontade, para me mostrar todos os seus lados eu realmente quero ver — comenta de forma irônica, com malícia.
— Eu vou te deixar chupando o dedo — fala passando a mão nos dedos dele e sorri.
A moça entrelaça sua mão esquerda com a direita de Piyen, e anda com ele de mãos dadas o guiando até o local escolhido, longe da avenida do alcool, andando por ruas mais calmas, ainda cheias de gente.
A pé pela cidade, os dois conversam, até que chegam ao parque do rio dos peixes dourados. Hortensia guia Piyen, até um banco onde os dois se sentam, e ficam conversando observando o rio.
— Então essa é sua ideia de encontro? Caminhar, sentar, bater papo e observar peixes? É, não é tão mau. — Piyen diz isso querendo agradar a garota, mas mesmo assim percebe certo valor naquele momento, e se aproxima da moça, encostando sua cabeça no ombro dela.
— Melhor do que eu fingir interesse em você, para comer algo caro não é? E acabar tudo na cama. — Hortensia encosta sua cabeça na de Piyen, e fala próximo ao seu ouvido.
— Eu acho que a última parte não deveria ser ignorada! — discorda Piyen, erguendo a cabeça.
— Ah, nem pense nisso hoje, primeiro encontro, por sinal estou com fome. — Hortensia corta o assunto discretamente, e se levanta do banco.
— Eu sei um bom lugar — diz Piyen, já colocando as mãos no bolso da calça, se preparando para puxar a carteira.
— E eu sei melhor! Vem comigo!
Hortensia pega na mão de Piyen, e o levanta do banco. Logo voltam para as ruas, e eles vão até uma barraca onde vende pastel com calda de cana.
— Temos sorte de ainda estar aberto, aqui vende o melhor pastel de carne e melhor caldo de cana, e é baratinho. Como combinado eu pago! — diz Hortensia, se colocando à frente para arcar com os custos.
Compra uma combinação para cada, pastel de carne e copo grande com caldo de cana.
— Nossa, inesperado — diz Piyen, estranhado com a situação.
— Achou ruim?
— É encantador, sabia? Você não é insuportável, é o contrário.
— Eu acho que você devia melhorar sua paquera hein, hahaha! — Hortensia ri da cara de Piyen o deixando envergonhado e vai caminhando enquanto se serve.
— Estou admirado, trabalha e estuda, tem vida difícil, eu fico pensando . . .
— Por que não virei prostituta? Seria mais fácil sim, mas eu tenho honra.
— Honra, é sobre isso, porque fazer o que fazemos, e não fazer o que só é mais fácil para nós não é.
— É, eu pensei que você era mesquinho, e mimado, é só um pouquinho.
— Agora é você que tem que melhorar sua paquera hahaha! — Piyen ri a deixando envergonhada.
Hortensia para em sua frente, o olhando seriamente.
— Eu quero, mas infelizmente, eu acho melhor não irmos até meu apartamento. Lá pode ter criminosos, rivais seus.
— Relaxa, eu tenho experiência, e se algo acontecer a mim, meu pai vai revidar, e é só pipoco em vacilão! — afirma Piyen, colocando as mãos nos cotovelos da moça, puxando os braços dela para que envolvam sua cintura.
A convencendo, Piyen acompanha a moça até o seu apartamento para garantir que ela chegue em segurança. Quando eles chegam em frente ao edifício, Piyen se prepara para se despedir.
— Eu vou fazer um pouquinho do seu jeito! — Hortensia sede, agarra a mão de Piyen, e vai o puxando para junto de si.
Os dois sobem até o apartamento de Hortensia, no terceiro andar, sobem a pé, pois o elevador não funciona, e os dois aproveitam o caminho subindo pelas escadas. Em paralelo do lado de fora, desce de um carro, o trio de Oliver, em frente ao apartamento, se encaminhando até o porteiro com os distintivos provisórios do grupo.
Os amantes ao chegarem se aconchegam, no pequeno, mas elegante apartamento da moça, os dois ficam na sala de estar. O piso da sala é de madeira quadriculada, há um sofá azul que possui um carpete azul, assim como na porta. A uma estante de madeira com livros encostada na parede, e mesinhas de madeira ao lado do sofá que possuem em cima jarros de cerâmica com flores de diferentes cores como decoração, e no canto esquerdo da sala uma vitrola, com o gramofone dourado reluzente. Apesar de estarem na sala, atrás do sofá, a um metro de distância tem mesa de jantar e atrás da mesa de jantar à cozinha.
Hortensia deixa Piyen no sofá, enquanto sai por um momento, e volta com um disco de vinil, em outro idioma, e coloca na vitrola. A melodia suave começa a tocar, sons de flauta, melodia de harpa, batida de pandeiro e um som característico de um xofar (instrumento feito a partir do chifre de um carneiro).
Piyen encara a moça bela, que se movimenta de forma dançante, mesmo sem dançar, é hipnótico como se movimenta, o balançar de seus braços e sua cintura, suas curvas se movem gerando imagens refratárias enquanto se aproxima, colocando suas mãos no ombro do rapaz, e se sentando ao seu lado, apoiando seu cotovelo em seu ombro. Terminando tudo com aquele olhar que encanta qualquer um que encare.
— O que essa música quer dizer? — pergunta o rapaz curioso.
— É um álbum que se chama Hadãn Ketkifkif Lêor Gerier, o conforto do lar nos faz bem! Herança de meus avós, nunca os conheci, levei das casa dos meus pais, gosto de escutar, me identifico! — afirma Hortensia, se aproximando ainda mais de Piyen. — É eu sou simples, sabe, não é preciso de muito para ser feliz. — Hortensia aproxima seus lábios ao do rapaz.
— Espera, uff — Piyen se afasta constrangido, e respira fundo.
— Você é daqueles que só fica com profissionais? — Hortensia o olha espantada, começa a ficar vermelha sentindo vergonha de si mesma.
— Que!? — Piyen pergunta confuso, arregalando os olhos.
— É, tem alguns caras que desenvolvem esse tipo de transtorno, sei lá.
— Não, não — Piyen se afasta balançando a cabeça. — Digo, mais ou menos.
— O que foi? Qual é o problema? Eu entendo isso, mas a gente só poderia ser amigos — diz Hortensia afastando o seu rosto do rapaz.
— Eu, só tenho medo — diz Piyen, de cabeça baixa olhando para suas mãos.
— Eu não tenho medo do perigo, eu sei que você deve ter seus inimigos — Hortensia o reconforta, se aproximando novamente, colocando suas mãos no ombro dele, e o acariciando suavemente.
— Seria bom se fosse só isso, o real problema, é meu pai, é complicado eu gosto dele, mas eu sei que ele é um cara ruim, de verdade, mas me ama! — afirma Piyen para si mesmo, e se levanta em direção a porta. — Nos vemos outro dia.
Apesar do rapaz tentar ir sem dar mais explicações, Hortensia o acompanha, agarrando sua mão, e apertando firme, o mantendo próximo.
— Deixe-me ir com te, não esqueça de me ligar, da próxima vez será do seu jeito — diz Hortensia de forma meiga, lançando seu charme para o rapaz.
— Certo, mas atende! — Piyen cobra a moça, para disfarçar que já foi completamente conquistado, o seu sorriso deixa tudo claro.
Então os dois descem as escadas juntos. Sem esperar que o encontro deles fosse interrompido por outro encontro de maior impacto. Subindo as escadas esbarram de frente com Oliver, George e Tone, subindo.
Apesar do local está escuro, Oliver identifica Piyen, e o encara durante a aproximação, o que faz o filho do mafioso, que tem experiência com pessoas o vigiando estranhar a situação, e encarar de volta, mas a moça ao seu lado o distrai o suficiente para que não dê tanta importância para Oliver.
E quando Oliver e Piyen se cruzam, sem que Piyen possa ter tempo para reagir, ele leva um chute frontal no peito, que o arremessa até uma porta dos andares. A porta se solta da parede, caindo junto com Piyen, que cai de costas.
George age logo em seguida, se aproxima de Piyen e agarra ele pela gola de sua camisa, o rapaz reage dando uma cotovelada em seu nariz, usando a ponta de seu cotovelo, que faz o George o soltar, e dar passos para trás.
Tone se aproxima o socando, mas Piyen se defende com o braço, e demonstrando sua habilidade, contra golpeia socando queixo de Tone o fazendo bambear, o que é apenas ao início, Tone é agarrado por uma mão na gola de seu sobretudo, e a outra mão livre de Piyen desfere socos.
Oliver avança tirando George e Tone de sua frente, e acerta um soco com tudo no rosto de Piyen que cai no chão, logo em seguida ele pisa com sua bota na cabeça de Piyen, o apagando.
Quando Piyen acorda, ele está de volta no apartamento de Hortensia, amarrado em uma cadeira, por um fio de um ventilador portátil, e seus olhos são cobertos por um pano de chão.
— Eu vi você, eu os reconheci, estavam naquele dia na casa do meu pai com aquela vadia, mandaram me seguir ontem a noite e agora vieram até aqui para que? Se me soltar, não vou contar nada! — assegura Piyen, apesar de se manter firme, sua voz está trêmula.
— Olha como você fala da minha capitã! — adverte Oliver, tira a venda dos olhos dele, e dá um soco de aviso, o derrubando no chão com a cadeira. — Viemos mandar um recado, se você falar algo pro seu pai, a gente te mata e mata a sua puta.
— Eu conheço ela faz um dia, não pira! — retruca Piyen, irritado com a insinuação.
Neste momento o telefone da casa de Hortensia começa a tocar.
— Essa porcaria toca logo agora — reclama Tone, que vai até o telefone, sem se quer atender a chamada, ele joga o aparelho no chão, o fazendo se despedaçar.
— Por favor, parem de mexer nas minhas coisas — grita Hortensia, no canto da parede amedrontada.
— Cala a boca, você vende o corpo por dinheiro! — George se aproxima apontando o dedo na cara dela de forma ameaçadora.
— Eu não faço isso senhor, eu sou atendente, por favor não me machuquem! — suplica Hortensia, acuada, cruza os braços em frente ao rosto.
— O que? Não nos confunda, ele é o criminoso aqui! — diz George constrangido, se afasta e pega de seu bolso uma barrinha de chocolate, ao qual começa a comer para disfarçar o nervosismo.
— Vocês querem me fazer desistir de dialogar? Tem noção de quem é meu pai? — grita Piyen, buscando chamar atenção deles.
— Traficante e vai em cana! — Tone responde com desprezo.
— Não antes de mandar matar vocês e sua chefe, pode ter certeza, se me soltarem, eu posso até fazer um acordo — propõe Piyen, abaixando o tom, se mostrando mais passivo.
Oliver olha para seus amigos, e eles entram em consenso, soltam Piyen prontos para conversar, solto Piyen roda os pulsos e estala os dedos. Oliver se aproxima para negociar, e fazer suas exigências.
— Queremos no mínimo uma confissão de você sobre os negócios do seu pai. Meu trio precisa disso.
— É o seguinte — diz Piyen, fingindo parar para pensar, e logo em seguida enfia os dedos até o fundo do nariz de Oliver, a ponta de o fazer ficar na ponta do pé. — Eu mato vocês com as mãos!
— Aghahaa! — grunhi Oliver, quando Piyen tira os dedos de seu nariz ele cai no chão, e grita de dor, enquanto escorre sangue de seu nariz.
George se aproxima preocupado, e leva um chute no saco, que o faz cair no chão com as mãos na região.
Oliver apesar de estar no chão ferido, se joga nas pernas de Piyen o agarrando com as mãos tentando o derrubar. O que dá errado, pois ele é acertado pelo joelho de Piyen, que ao acertar seu nariz, o faz cair no chão novamente, agora com nariz quebrado.
Piyen ainda puxa Oliver por trás da gola de seu sobretudo, o arrasta, e projeta a face de Oliver contra a parede. Piyen depois corre e empurra Tone no chão, que cai assustado. Em frenesi, Piyen pega Hortensia pelo braço e a leva até a porta.
— Você tem que sair daqui, eu cuido deles! Não chame a polícia! — ordena Piyen, abre a porta, e joga Hortensia para fora do apartamento.
— Tá bom! Me liga! — diz Hortensia, de olhos arregalados, e vai embora enquanto Piyen fecha a porta.
O barulho de um estrondo cala todos do local, é repentino, mas Piyen que parecia ter se recomposto e estava levando a melhor, cai no chão sem vida, enquanto fumaça sai do cano do revólver de Tone, que está no chão assustado, com o que acabou de fazer. Oliver com a boca cheia de sangue cospe no chão, e observa a situação frustrada.
— Merda!
Espero que tenha gostado, estou testando algumas coisas, espero que essas alternâncias dos núcleos da história não esteja cansativa.

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