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    Thanks!

    Perante a noite o trem marrom volta ao ponto de partida do trio formado pelo mestre errante e seus alunos, com a espera de ilustres colegas improváveis que simpatizam pela energia contagiante daquele grupo. A estação anda movimentada, cheia de pessoas indo para lugares diferentes, como em todo lugar em Yu, sinal de que as coisas seguem na normalidade.

    Agora quem cuida daquela parte da estação de trem, são os funcionários, e os membros mais notáveis da crianças de preto, Barke, Raikou e Akuto estão no local para recepcionar Hiro, Saikyo e Li Han na chegada, os ajudando com as bagagens, parte disso tem como motivação dar uma conclusão final a todo o caso das encomendas, porém, o mais importante eram as contas pendentes entre Hiro e Barke, que com o tempo se tornaram interesse de todo o restante.

    — Você se lembra do nosso combinado? — pergunta Barke, empolgado em ver o garoto novamente.

    — É claro, você com sua cerveja e eu com meu suco de laranja, por mim tá ótimo! — ressalta Hiro sorridente.

    — Os caras aqui ficaram tão animados com o sucesso da nossa missão que também toparam ir ao bar! — diz Barke, apontando com o dedão para seus parceiros de equipe.

    Raikou evita contato visual por conta de seu orgulho, já Akuto sorri simpaticamente em sinal de concordância.

    — Sério, que missão foi essa? — pergunta Hiro, curioso não se direciona apenas a Barke, buscando trazer os seus colegas para conversar.

    — Com calma, você é o melhor tipo de ouvinte porque gosta de descobrir, mas não vamos acelerar o nosso papo! — responde Barke, guardando o conteúdo da conversa para mais tarde.

    — Ah que pena não sobrar espaço para mim, eu vou ter que responder muitas perguntas à chefe de vocês, espero que ela tenha bebida e cigarros para mim — lamenta o mestre, em tom irônico.

    — É uma pena, o senhor me parece um bom parceiro de bebida — observa Barke, elogiando o mestre, se identificando com ele.

    — O melhor que tem! — afirma Li Han, estendo a mão para o rapaz, que o cumprimenta. — Você é boa pessoa! Eu já vou, meus alunos — Li Han vai se distanciando, olha para Hiro e Saikyo, enquanto passa por Raikou e Akuto, os analisando. — Cuidado por onde andam. 

    O mestre segue o seu caminho, restando apenas os jovens. 

    — Lembre-se Barke, eu só vou em consideração por ter aceitado aquela última parte mesmo sem precisar, não se engane — diz Raikou, tentando se manter distante.

    — Oh, agora sim você voltou a ser o mesmo de sempre! — ironiza Barke.

    — É, eu não sei se vou suportar o Raikou por tanto tempo! — Saikyo provoca, em tom de afrontamento.

    — Claro, você é do tipo que não se suporta, por isso é histérica! — Raikou provocou de volta, sorrindo de forma debochada, o que surte efeito instantâneo na garota, perceptível fúria em seu rosto.

    — Ei, ei gente, vamos só comemorar o sucesso que todos nós tivemos, afinal não é todo dia, e vou fazer assim, a primeira rodada é por minha conta — Akuto intervém, trazendo uma pacificação no conflito.

    — Boa ideia — Saikyo concorda, controlando seu estresse, a mesma já havia fechado os punhos e se preparado para lutar.

    — Agora nada mais de papo, quero apenas o endereço, assim que arrumar as malas, vou seguir para cumprir a minha promessa! — afirma Hiro empolgado.

    O local escolhido por Barke é uma lanchonete na famosa avenida do álcool, perto da adega, a qual ele ficou escondido em sua missão para vigiar o bordel néctar das moças. A lanchonete fica na região com menor movimento da avenida, é um local tranquilo, possível de se caminhar e conversar sem incômodo, ainda há muitas pessoas transitando, porém é possível ter uma privacidade incomum para todo o movimento presente no bairro regado a boemia. 

    A lanchonete é um edifício azul de um andar, com a placa que identifica o nome do local entre o térreo e o primeiro, escrito como “Lanche máximos’’. Apesar dos melhores lugares estarem dentro do estabelecimento, o grupo opta sentar do lado de fora aproveitando o pouco movimento.

    O grupo logo se reúne no local, e começa a se divertir, a junção deles se contrasta no visual, cada um com seu estilo. Barke que está afim de apenas relaxar usa uma camisa regata laranja, shorts azul e chinelos vermelhos, usando seus óculos redondos de armação fina, se sente confortável, durante o tempo que passou no grupo das crianças de preto, ele ganhou mais músculos no corpo, porém ainda mantém as características de alguém magro e esguio.

    Akuto, mesmo fora de sua função, veste algo similar ao sobretudo preto, trata-se de um casaco verde, com gola alta, aberta com duas pontas, veste o casaco fechado, com um zíper interno, que não é visível, ao lado que fica por cima do casaco, a um filete vermelho que passa por ele, compondo o visual veste calças do mesmo tecido da blusa e cor. Os seus sapatos pretos, tem couro grosso, é brilhante, lembram botas militares.

    Agora diferente do restante que utiliza roupas diferentes, Raikou se mantém com a vestimenta tradicional de seus irmãos do clã Nelphli, o cropped vermelho cobrindo a parte de cima do corpo, calças de seda larga tingida de preto, e as sandálias de pau, que aumentam sua altura, o fazendo parecer imenso, seus cabelos continuam imensos, indo até o fim das costas, porém sempre na mesma altura.

    A vestimenta escolhida por Saikyo, é muito parecida com a de Raikou, por conta do cropped de cor alaranjada que lembra caramelo, se diferencia da de Raikou por não ter decote nas costas. A calça marrom de boca larga é similar também e tem caimento parecido. A parte com maior diferença são os calçados, a garota utiliza tênis arredondados de cor azul, com um círculo pintado de branco na ponta, tem como decoração penas coloridas na traseira. E no pescoço utiliza um colar fita vermelho, que possui plumas vermelhas na região da nuca, ficam escondidas por conta do cabelo de Saikyo que agora cresceu, suas mechas lembram folhas.

    Hiro é o que segue padrões, mesmo com mudanças em seu visual, veste uma camisa amarela, shorts branco e sapatos preto, sendo o seu adereço mais chamativo o seu próprio cabelo, com a espiral marcante.

    Não demora para começarem a conversar de forma descontraída, eles pedem batatas fritas de entrada, refrigerante e Barke pedindo cerveja, a qual ele e Akuto bebem, e Saikyo se arrisca um pouco, já Raikou recusa estendo a palma da mão, e Hiro fica com seu refrigerante de laranja. 

    — Esse lugar me pareceu legal, ainda não tive tempo de parar e conhecer essa cidade — justifica Barke, sobre sua escolha.

    — Quase ninguém conhece essa cidade de fato, está  todo mundo em movimento o tempo todo — explica Hiro.  

    — Acho que isso é em relação ao império todo, é difícil de conhecer gente, gostei de vocês, é tanta gente indo e vindo, mas vocês são marcantes —  diz Barke.

    — É, entramos no mesmo caminho, mas cada um quer algo diferente, então logo vamos para caminhos diferentes. — Saikyo reflete sobre o futuro, ficando cabisbaixa, revelando seu pessimismo.

    — Quem se importa, cada um com o seu — diz Raikou. 

    — É, mas vamos ter sido pessoas que participaram da história de cada um, mesmo que por um momento — observa Barke, trazendo uma visão otimista para o assunto.

    — Não sei, acho que não vai ser breve, nós nos encontraremos muitas vezes ainda, por um bom tempo, é algo em construção, contanto que nenhum de nós morra no trânsito de volta pra casa! — Hiro brinca de forma mórbida, o peso de suas palavras é amenizado por sua risada. 

    A risada de Hiro, contagia o restante, com apenas Raikou tentando disfarçar a risada, mesmo assim não consegue se segurar, e assim a mesa fica descontraída, alegre, soltos, conversando sobre a vida. 

    — Não tem jeito, esse tipo de momento me deixa emocionado, eu acho, eu acho que eu tenho que cantar, aqui tem karaoke!? — pergunta Barke.

    — Acho que ele ficou bêbado, como foi rápido — observa Saikyo com olhos arregalados.

    — É só ele naturalmente deixando as emoções fluírem, ele é emocionalmente intenso — explica Akuto.

    — Então, como foi o lado de vocês? Dúvido que tenha sido tão tenso quanto o nosso — compara Saikyo, curiosa para saber o que ocorreu na cidade enquanto esteve fora.

    — Foi bem estressante, alguns até tiveram dores de cabeça terríveis, aquelas encomendas eram produtos custosos. — Akuto responde, sem muito interesse de se aprofundar no assunto.

    — Nunca parei para pensar o quanto elas eram relevantes de fato — exibe Saikyo, sobre sua ignorância quanto ao que havia dentro das encomendas.

    — Nada demais, o que mais importava era quem, e não o que, o que tinha,  está em circulação — declara Akuto, sobre a problemática real do caso.

    — Exatamente, e se não fosse o Raikou, vou te contar, pena que eu perdi ele colocando para quebrar, ele deu conta de vários de uma vez! — exibe Barke, contando com entusiasmo o feito de seu colega.

    — Sério? Não me impressiona, é o mínimo que eu esperava dele! — Saikyo provoca enquanto elogia sutilmente o seu rival.

    — O mesmo aconteceria com você, se eu estivesse te levando a sério — rebate Raikou, dando seu característico sorriso de canto, enquanto cruza os braços.

    — Você sabe atacar bem, com as palavras — ironiza Saikyo, como defesa a provocação.

    — Lembre-se que eu venho primeiro na fila para o desafiar. — Hiro se intromete na conversa, reivindicando o direito do desafio.

    — Cala a boca, você se intrometeu na nossa rixa de penetra! — Saikyo repreende seu primo, enquanto fecha o punho.

    — Que foi Saikyo? Precisa disputar até mesmo para se colocar como minha oponente? — questiona Raikou, buscando instigar a fúria da garota.

    — É mesmo um convencido que precisa de uma lição! — diz Saikyo, se exalta caindo na armadilha.

    — Hahahahah eu disse que isso seria legal! — ressalta Barke, erguendo seu copo de cerveja.


    — Nada disso, sem intrigas, eu quero enfrentar os dois, só isso, eu que estou colocando vocês em fileiras! — afirma Hiro, levantando da mesa e erguendo seus punhos, se exaltando.

    — Pirralho arrogante, quem sabe um dia! — Raikou deixa vago a chance de haver um combate, para se manter distante em relação ao desafio, ele desvia o olhar, demonstrando incômodo.

    — Olha só, ele gostou de você para não querer te bater, isso que dizer um nunca para a batalha da parte dele — explica Barke em tom irônico. 

    — Eu sou hostil, mas só com quem fica no meu caminho e me desagrada. A Saikyo só é um pouco desagradavel, além do mais é amiga da minha irmã, por isso que pego leve — justifica Raikou, não perdendo a chance de provocar sua rival.

    — Olha, tô quase sentindo o seu lado de irmão mais velho agora, então tem uma parte mole dentro desse coração? — Saikyo usa de um elogio como resposta, tentando causar vergonha.

    — Urrrr, não me ofenda. — Raikou reclama, cruzando os seus braços, mostrando que a estratégia contra ele surtiu efeito.

    — E você, é forte também? — Hiro pergunta para Akuto, apontando para ele com o dedo indicador.

    — A não, o combate é o meu ponto fraco — responde Akuto. — Mais por que a pergunta, pareço forte?

    — Você parece ser o mais perigoso de todos! — diz Hiro, de forma despretensiosa.

    — Sério, de onde tirou isso? — pergunta Akuto.

    — Meu avô uma vez me disse que um guerreiro tem um olhar implacável, como se ninguém pudesse o parar, porém o guerreiro luta batalhas. O general é que trava guerras, este teria um olhar, frio e observador, daqueles que o horror simplesmente não o tange, por conta do costume e experiência, a força do hábito! — Hiro conta com empolgação a lição que lhe foi passada, se emocionando ao lembrar de seu avô.  

    — O seu avô é um homem sábio. Só que você me julgou apenas pelo olhar, acha mesmo que eu vivi uma guerra? — indaga Akuto, intrigado com as insinuações sobre sua pessoa, encostando seus braços na mesa, e apoiando seu queixo sobre suas mãos, matando o olhar fixo no garoto.

    — Eu não faço ideia. A um tempo achava algo muito distante, até eu refletir, que quando eu era criança e brincava, tinha uma criança numa guerra pronta para morrer — reflete Hiro, sobre as diferenças entre as realidades.

    — É, tem toda razão. Hiro, você observa e decifra pessoas, com essa habilidade pode mudar o mundo — afirma Akuto. 

    — Você sabe disso porque tem essa mesma habilidade não é, então acho que somos dois que vamos tentar mudar o mundo com ela! Hehehehe! — fundamenta Hiro, dando gargalhadas altas.


    — Finalmente alguém que fala a língua do Akuto, vamos brindar! SHAMPAS! — diz Barke, erguendo o copo, com os seus companheiros o seguindo para um brinde coletivo.

    A reunião entre os jovens segue de forma descontraída, diferente da entre os seus mestres, Kiti e Li Han se reúnem novamente, como forma de decretar o fechamento do caso das encomendas. 

    — Você poderia ser o encarregado pelo dever de proteger todo o seu povo, e quer se dedicar a crianças? — questiona Kiti, de forma ríspida, sentindo-se indignada com a decisão de seu amigo.

    — Me sinto importante poucas vezes, é um bom sentimento, mas prolongar para que? Eu já tenho um péssimo hábito de querer prolongar as coisas boas da vida, e acabei por destruir a magia delas — lamenta Li Han, sobre suas próprias manias.

    — Me poupe, tudo bem. Se conseguiram te ajudar a derrotar o Xogum, eles realmente tem grande potencial, me conte um pouco deles.

    — Boah, boah, eles são incríveis, a garota é muito forte, ela é uma prodígio certamente, além dela ter uma personalidade cativante e forte. O garoto, me intriga pelo otimismo — descreve Li Han, com brilho nos olhos ao falar de seus alunos.

    — Otimista? Pior tipo, o desilude enquanto pode.

    — O mundo fará o seu papel, eu quero saber se ele acha a trilha estreita que eu não vi.

    — Que trilha?

    — Olha que eu nem sei mais do que eu to falando! — desconversa, e começa a dar risadas.

    Fim do arco, o próximo será menor e mais rápido, pórem com mais conteúdo, agradeço quem acompanhou e por terem esperado, talvez o primeiro capítulo do próximo arco demore, mais vira com uma novidade.

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