Índice de Capítulo

    Voltei, está passagem seguira um ritmo mais experimental quero ver se certas coisas valem a pena serem exploradas, antes de aumentarmos de vez o ritmo.

    Alguns meses depois da aventura inusitada cheia de elementos que não se misturam, mais se combinaram graças a presença dos jovens incomuns Hiro e Saikyo, guiados pelo mestre errante, Li Han.

    Este trio viveu diversas aventuras no decorrer desse período, as quais sua relevância não é o suficiente para serem mencionadas, como a que se inicia no final do outono, em novembro, o forte frio do inverno começa a chegar indicando que a passagem das estações esta próxima, as folhas já deixaram as árvores como forma de preparar para a temporada que se aproxima.

    É nesse clima, que a jornada deles volta a ter avanços significativos, com a caça de um pássaro, certamente não poderia ser um animal qualquer, para o achar eles sobem até o alto de um morro compostos por pedras lisas e afiadas, onde a sua parte superior, permite caminhar por conter pedras planificadas de forma artificial, o que não tira sua letalidade, pois ainda a quedas mortais para entradas de grutas. Apesar do perigo, o trio age separado para procurar um ponto específico.

    Graças ao treinamento, os alunos se acostumaram com ambientes deste tipo, então Hiro, se movimenta pelas pedras sem dificuldades, e encontra uma espécie de altar onde a um pedaço de pedra pequeno, para em direção a outra pedra, está gigantesca, varias vezes o tamanho do garoto, uma parede natural, que possui uma deformação para frente com uma extremidade afilada e circular na ponta, justamente está parte que faz o garoto abrir um sorriso ao ver, tendo a confirmação que desejava.

    — Achei, é igual a descrição do sensei e as fotos que vi sobre esse ponto, antigamente era famoso entre os turistas, até sofrer os ataques. A pedra do sino, dizem que se bater e não tocar, é morte! 

    O garoto joga o braço para trás, para bater com toda a força, apesar de seu ceticismo, o que ele viu durante sua jornada até agora o fez temer certas lendas, mas antes que ele possa bater na pedra, o que ele tanto procura, o acha antes, e o agarra com seu bico pela sua camisa. Hiro é levado até o céus pelo pássaro que procurava, pois este viu no garoto uma serpente.

    Então com a força que Hiro havia guardado para bater na pedra, ele descarrega a plenos pulmões em seus gritos, estes ecoam muito mais do que um sino ao alto de uma capela.

    — Será que ele achou o sino? — questiona Saikyo, seguindo na direção dos gritos.

    O mestre em repouso, relaxado ignora os gritos de seu aluno, pois ele está fazendo uma pausa para sua hora do chá. Escolheu para ficar a cabana feita de pedras, que o presenteia com uma paisagem deslumbrante à sua frente. Este é um mirante feito para turistas deslumbrarem a visão do topo, embora por causa do tempo está repleta de poeira, rachaduras e sua cor desgastada, pedras de tijolos cinzentas, o telhado em formato de cone possui telhas faltando.

    O mirante, apesar de seu estado, proporciona conforto a Li Han, que se adianta pegando de seus bolsos erva e seda, ficando tentado, em um lapso de conciencia ele fecha seus com seus punhos e pensa “Não, eu não posso dar esse exemplo aos meus alunos . . .”, suas vontades são conflitantes, mais vem a ressalva em sua mente “Mas eles não estão aqui agora!”.

    — Sensei! — grita Hiro soltando seu desespero enquanto olha para o mirante, de onde vem a sua esperança, pois lá está seu mestre.

    Apesar de Hiro tentar se libertar, mesmo com sua habilidade e força ele não consegue se desvencilhar do pássaro, e ao agarrar o pescoço do pássaro, sente os seus músculos firmes e as penas duras, que o faz se questionar “Como esse pássaro consegue voar com tamanha rigidez, suas penas parecem pedaços de pedra”.

    O animal desafia a lógica estabelecida pela natureza, seu peso é elevado por conta de suas penas com textura que se assemelham a concreto, contendo músculos igualmente rígidos, mais que conseguem ter flexibilidade o suficiente para bater as asas, com tamanha força que se sustenta no ar, parte disso é graça a suas pernas, que detém dobraduras que permitem a retenção de ar, criando uma resistência forçada e induzida, resulta em um alongamento das penas de tal forma que permite a sustentação  deste pássaro que se assemelha mais a uma estátua.

    Está foi a explicação que Hiro monta em sua cabeça, contudo os reais motivos deste pássaro conseguir voar são um mistério, que o garoto adoraria desvendar, caso não estivesse em apuros.

    — A droga Hiro, não era pra ter o achado tão rápido! — reclama o mestre ao perceber que vai ter que agir.

    Li Han se levanta em resposta aos gritos, abstendo-se de seu conforto, e vai atrás do garoto. O mestre corre até a beirada do mirante, salta por cima do parapeito, colocando a mão na beirada do telhado se puxa o escalando até o topo, da onde pula, em rumo ao penhasco, ganhando visão do garoto. 

    — Ok, este é o momento para um pouco de magia! Pisando firme. Pode-se andar sobre o céu! 

    Recitando a poesia mágica o mestre começa a pisar no ar, e logo em seguida saltar sobre plataformas que surgem abaixo de seus pés, plataformas feitas de uma força invisível aos olhos leigos, desta forma o mestre se aproxima de seu aluno.

    — Aguenta aí, Hiro, e não seja devorado! — ordena Li Han, preocupado com seu aluno. —  Por algum motivo ele te achou um aperitivo delicioso!

    — Pera ai, então, ele que me comer!? — Hiro fica confuso com a informação, larga o pássaro, parando para raciocinar por um momento, quando percebe a intenção real no olhar do pássaro, é instintivo para Hiro começar a se chacoalhar assustado. — Me tira de perto desse monstro! 

    — Calma, agora ele tá na minha mira! — Li Han se concentra e começa a recitar outro poema. – Pequeno eu  . . .

    Ele é cortado pelo som de sino, que faz o pássaro disparar voando em direção a pedra a qual solta esse som, apesar da sua pressa ele não largar a sua presa. Ao chegar, o pássaro  não vê ninguém, mas sente-se ameaçado o suficiente, para descartar Hiro, que invés de agir, observa, curioso para saber o porque o passaro fez isso, ele pensa “Confirmou as suspeitas que o sino o atrairia, mais e agora, o que mais você faz?”. 

    O pássaro pousa, desconfiado, observa o local, suas penas se arrepiam, o medo toma o animal que bate suas asas em uma tentativa de fuga, mas Saikyo dispara em sua direção, o agarra pela garganta, e se joga com ele no chão, concretizando sua captura. 

    — Peguei! — comemora Saikyo.

    Quem pousa no local agora é o mestre, orgulhoso ao observar sua aluna com o pássaro em suas mãos, que se debate sem forças para se libertar.

    — Que surpresa boa! — exclama Li Han, ao notar algo de diferente na cabeça do passaro. — É um vigário cimentado, mas sua identificação o torna especial. Pode soltar Saikyo, ele não vai atacar pessoas boas a não ser que sejam apetitosas como o Hiro.

    — Como você sabe? — Saikyo questiona, e usando apenas uma mão mantém o passáro aprisionado, enquanto dialoga com seu mestre.  — Se eu o soltar, ele vai partir para cima de mim. 

    — Ele não vai. Era do seu pai, inconfundível o bico pintado e coque nas penas é dele! —  afirma Li Han, se aproxima, com a mão meche nas penas da nuca do passaro, as afastando para revelar o coque de penas, o qual segura para dar enfase. — É, e faz muito tempo que não vê o seu amigo, mesmo assim se manteve aqui.

    — Do meu pai? Então, você conhecia o meu pai!? — questiona Saikyo, impressionada em um susto solta o pássaro, seus olhos se arregalam e seus cabelos se arrepiam, após a citação daquele que ela tanto se inspira e tanto desconhece.

    — As pessoas o conhecem como criador de pássaros raros, seus pássaros adoram peixes e usam os coques de penas que os identificam — explica o mestre, enquanto se levanta com o pássaro em mãos, o arremessa para cima, o ajudando a ter impulso para alçar vôo.

    Permitindo sua partida, enquanto o animal voa o mestre o observa, ao mesmo tempo que evita olhar para sua aluna. 

    — Minha mãe nunca me falou disso, estranho, o único tipo animal que nunca tive tanta afinidade são os pássaros. — diz Saikyo se sentindo envergonhada, isso a faz recuar em seus questionamentos.

    — Oh, você não conhece nada sobre o seu pai? — pergunta Li Han, que logo entende a situação da garota, e fica com pena, respira fundo e tenta disfarçar seu momento de compaixão.

    — Os mortos não são muito de falar, pelo menos tenho certeza que ele me observa — diz Saikyo, em tom de lamúria, tenta ser positivista mesmo com o sofrimento aparente em seus olhos agora umidecidos. — Quem ele era? 

    — Hã, bom, como eu disse um domesticador de pássaros, mas as pessoas são muitas coisas, o que eu ouvi falar, mas se concentre no verdadeiro motivo de eu os termos vindo até aqui, testemunhar mesmo que de forma pequena, o contato da magia nesse mundo! — Li Han reitera o foco da conversa para o objetivo original, uma forma sútil de desviar o assunto para o que julga ser mais importante.

    Hiro que apenas estava observando em silêncio curioso com o passáro, agora se aproxima para acompanhar o começo da verdadeira aula. 

    —  Então vamos para um pouco de história. Está raça por natureza protege santuários, o santuário dentro dessa gruta e os monumentos em volta estão em ruínas, já se deteriorando, foram vítimas da revolução que ocorreu a mais de 30 anos, quando o império foi contra os rishis, sábios antigos, que usavam as magia dos trigramas — descreve o mestre de forma eloquente, gesticula com os braços, os estica e abre as mãos, com eles aponta para os entornos do local, para que os olhares observem novamente a paisagem e reflitam de outra forma o caminho que fora traçado.

    — Nunca ouvi falar —  responde Saikyo, é nitido em seu olhar que não acompanha os gestos do professor, que seu interesse na conversa, acabou quando as respostas sobre seu pai sumiram.

    — Eles aparecem muito pouco, nossa história antiga, bem, sempre consta grandes momentos, mas poucos nomes, o que houve estes? — pergunta Hiro, em uma postura diferente de sua amiga, interessado, presta atenção e se empolga com cada palavra dita pelo seu mestre, se encanta por cada gesto.

    O caminho até o local, não foi atoa, e se liga com o que o mestre fala, a escalada até o topo não se venho por fora, mais sim por dentro, no monte que estão há diversas passagens e partes ocas, grutas incomensuráveis, onde dentro dela há uma igreja, seus monumentos já foram descaracterizados, apesar de seus destroços estarem preservados, o que houve no local o devastou.

    —  Extermínio, uma parte da história apagada, escrita pelos vencedores, e uma nova forma de ver a magia surgiu nas terras de jade. Cada parte do mundo vê as forças do outro mundo de uma maneira diferente, e tem seus detentores, os nossos eram os Rishis, hoje são os Xás. Os Rishis usavam selos antigos para liberar metamorfoses da força ocultas da natureza que se manifestam de formas diferentes, os chamados sistema móbiàn.

    As estátuas contam uma história similar, pois os símbolos de trigramas e hexagramas estão cravados na parede, uma história contada que pode ser lida por aqueles que detém este conhecimento perdido, pórem para sempre incompleta por conta das partes deterioradas do local.

    — Mas no princípio da natureza, a diversas forças que podem surgir de diferentes fontes, podemos ter fontes diferentes, mais a forma de acessá-la é igual para todos, alguns chamam de aura, energia vital, ki, no entanto, a maioria não se atenta a nomear ou identificar o que é isso, ou como funciona, a atenção não está na ligação, e sim no que dá poder. Mais como uma curiosidade para vocês, a nomenclatura mais antiga para isto é anga é, ela que permite acesso e controle de aspectos além de nós, para a usar, é necessário orientação especializada, contato frequente com o surreal, aqueles com afinidade conseguem.

    — Então é sorte? Não temos como treinar isso? — questiona Hiro, com medo de ser incapaz.

    — Já tem toda a base, mais é preciso de uma resposta do interior de vocês, quando tiverem, vão poder treinar de fato  

    — E se um de nós acabar não tendo afinidade?

    — A outras formas de usar a magia, mas quem não tem controle mínimo de sua anga, corre risco inimagináveis e não compreende de fato o que vê. Eu sou bom em várias coisas, mas vou ser sincero para vocês, se não tiverem afinidade não vou poder ensiná-los, porque eu mesmo não dominei a magia dos Xás, e a dos Rishis, só conheço por minha descendência — esclarece Li Han. 

    — Não haveria outra forma!? Se não tiver afinidade, então nunca poderá ter oportunidade!? — Hiro insiste, a procura de uma brecha, inconformado com a explicação.

    — Bem, demoraria anos, para mim não valeria a pena, se só um de vocês tiver, então o outro ficará escanteado, e se nenhum tiver, hahahahahaha, terá sido um fracasso! — diz Li Han em tom sarcástico, o que assusta ambos os alunos. — Mas como tudo que tem regras, há forma de burlá las, nunca precisei, mais se eu conheço é porque fui atrás hehehe, a que eu mais gosto vocês me perguntam? 

    — Claro que não, a gente vai na raça! — afirma Saikyo, sem interesse em brechas.

    — Por favor, revele todas as táticas das trevas! — súplica Hiro, com medo de seus esforços serem inúteis.

    — Bom, a primeira não é nada do maligno, são as raríssimas folhas de agastia, dão um ótimo chá e ajudam, no processo, além de dar uma brisa! — ironiza o mestre.

    — Sensei! — Saikyo repudia a atitude de seu mestre.

    A lição se encerra rápido por conta da competência dos alunos, e também porque o mestre opta por não discorrer sobre algo que, na sua visão, só se pode entender sentindo da sua própria maneira.

    Então a dupla parte para os seus lares, durante o caminho já na cidade, Hiro trás a tona suas expectativas sobre o que está por vir.

    — Uff, amanhã é domingo, finalmente, e aí Saikyo, empolgada?

    — Hm, pra quê? Trabalhar com peixes? Claro, sempre! — responde Saikyo, de forma irônica. — Uff, espero pelo menos arrancar algumas respostas da minha mãe.

    — O que, você vai trabalhar amanhã! — pergunta decepcionado. 

    — É, eu e minha mãe vamos organizar a loja e limpar aquários. 

    — Mas a gente não ia na casa da Shinda! O Picon já desmarcou por causa dos treinos, agora você também? — Hiro reclama decepcionado. 

    — A perdão Hiro, mas eu não consegui dar uma desculpa convincente para minha mãe dessa vez, por algum motivo quando falei de pássaros ela ficou furiosa, você me perdoa? 

    Hiro fica calado, apenas observa por um momento.

    — O que foi? — questiona Saikyo, estranha a atitude de seu primo.

    — Eu reclamei com você, e você ficou calma, o negócio com seu pai é realmente importante pra você não é? Claro que deixo essa passar!

    A resposta bem humorada de Hiro, deixa Saikyo incomodada, porém os dois ficam de acordo.

    Obrigado pela leitura! Com o arco inteiro já escrito (ainda não finalizado), vou manter uma maior constancia, e conseguir dar atenção a projetos paralelos da novel, como extras e artes especiais no futuro (sem empolgação pois vai demorar). Uff, como eu queria sair deste hiato! Sobre o local para aqueles que estiverem interessados:

    Lapa do santo benevolente (nome do monte)
    Igreja dos benevolentes da lapa (nome da Igreja)

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