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    O que era para ser um encontro entre amigos, virou apenas um passeio a dois, o planejamento saiu diferente do combinado, tendo em vista a localidade escolhida, não se poderia esperar que as coisas fossem acontecer dentro do eixo.

    O local, trata da pequena vila dos Nelphli, que assusta pela entrada nada convidativa, com o alerta de local restrito acompanhado com a visão de escombros no fundo, e casas danificadas todas agrupadas, este é o local onde a “pequenina” Shinda espera o seu par, o destemido Hiro, que aparece para fazer sua companhia.

    Em primeiro momento, Hiro fica divido o susto é claro ao ver a situação do local, apesar de Shinda amenizar o peso, a garota se veste fora do padrão, pelo tempo ser frio usa moletom branco em vez de camisa, e uma saia preta longa que cobre toda suas pernas, as sandálias de pau se mantém, mas agora há meias fazendo companhia, o detalhe inalterável é a parte das costas que se mantém descoberta.

    — Olá Hiro! Parece que só você veio até minha vila, nada encantadora, bem, um dia eu começo uma reforma! — diz Shinda, envergonhada, ao ver a expressão assustada no rosto de seu amigo.

    — É, que pena a Saikyo teve que ficar com a mãe, e o Picon, teve que passar por mais um teste do pai dele — lamenta Hiro, a ausência de seus amigos. 

    — O lado bom é que vamos poder comentar sobre o que cada um fez hoje no próximo encontro — diz a garota animada com a presença de um amigo no local, sorrindo para o garoto, seus olhos se retraem e seu nariz se empina. — Seja bem vindo ao meu lar! 

    — Muito obrigado! Permita-me aventurar!  

    — Então me deixe ser sua guia, vou te apresentar os pontos importantes, ficam longe da casa onde eu moro, mas não se preocupe, comigo está seguro.

    Shinda age como a guia, e vai na frente direcionando o passeio pelo local. A vila está em más condições, algo exótico, mas o que chama a atenção de Hiro, é a magnitude do que devia ser uma pequena comunidade, a vila se assemelha a na verdade uma pequena cidade.

    A ruas por ela, com casas espaçadas, com parques com vegetação, que por conta do descuido a grama está alta e as árvores imensas, suas raízes tomam tanto espaço que quebram o asfalto. Algumas estruturas chocam o garoto, monumentos e estátuas chamam muita atenção, colunas em praças colocadas de forma que Hiro só havia visto em livros, estas são decoradas com a caricatura de asas, além de estátuas de figuras aladas próximas da humana, mais retratadas de maneira tão magnífica e bela que se distanciam do comum, sua beleza é confrontada pelas horripilantes gárgulas que repousam nos telhados. Estas figuras, Hiro não compreende pois desconhece o que é representado.

    Os locais turísticos, contrastam com casas simples de moradia, aparentam ser moradas padronizadas, existem algumas diferentes que estão abandonadas. Todos os monumentos fazem a mistura que soma o simples e modesto com o majestoso, belo e grandioso, trazendo muita identidade apesar de até mesmo as figuras das estátuas se portarem de maneira distante, destacada minuciosamente no olhar. As asas estão encravadas nas esculturas, como um símbolo que representa o local, logo depois vem os olhos, junto das asas ou espelhado por locais diferentes.

    Hiro sentiu-se incomodado, pois percebeu que enquanto andava, que havia olhos por toda parte, se sentiu observado, até reparar melhor neles, e notar que a expressão dos olhos para tudo, parecia ser de indiferença. Ao tirar a atenção dos olhos cravados nas paredes, percebeu os olhares que viam de pessoas, que os seguiam de forma sorrateira.

    — Ei, Shinda, eu sinto que tem gente nos perseguindo, e são muitos, aqui não era seguro para visitantes? — questiona Hiro, preocupado, franzindo a testa a espiral de seu cabelo se contrai, o garoto fica atento para o perigo.

    — Hã, perdão por não ter te explicado essa parte, eu sempre me esqueço, é que eu fico com vergonha, sempre parece que eu to me exibindo! — explica Shinda, que tenta manter a seriedade, mas não consegue, suas bochechas ficam coradas, tímida ela leva as mão ao queixo. — Podem se apresentar para meu amigo, ele não os fará mau. 

    Ordenados saem do anonimato, pessoas de diferentes tamanhos, mais todas sem mostrar seus corpos, encapuzados, com vergonha e temor, apenas um dele toma a frente, que mostra um pouco de seu rosto desfigurado, seu gesto é de coragem, motivado pelo seu desespero que não disfarça em seu olhar.

    — Estávamos preocupados com você, vossa majestade, muitas pessoas podem se aproximar com desejos perversos, muito mais em períodos de sucessão conturbada. Falhamos em nos proteger daqui para fora, mas em seu reino, não permitiremos que morra, antes que todos nós dêmos o último suspiro contra quem atente contra ti! — afirma com vigor, dando certeza de suas palavras.

    — Deixem de besteiras, sabem que eu já teria morrido, pois não permitiria o sacrifício dos meus sem me pôr na batalha! — Shinda protesta, e inclina o queixo demonstrando sua autoridade.

    — O que!? Vossa majestade? Olha, eu falei de uma aventura, mas eu não pensei que iria visitar os reinos perdidos tão cedo! — diz Hiro, o garoto fica surpreso com a devoção designada a Shinda, e ainda mais com a autoridade que a garota exibe.

    — Então ele não faz ideia de quem nós somos, vergonha dos anos do terror — diz o encapuzado, o tom melancólico passa o peso do termo falado que é potencializado pela vergonha aparente no grupo.

    — Anos do terror? — indaga Hiro, este termo aflora sua curiosidade,

    —  Foi um tempo onde o mundo sofreu com vários ataques, guerras, rumores de um cataclisma total, e muitos povos que foram exterminados, não se fala, pois trazer à tona seu sofrimento seria reviver o terror, e o medo, o medo cega — explica o homem encapuzado.

    — Pare, eu não quero que ele veja esse lado pesado! — ordena Shinda, para que não toquem em temas sensíveis. — Vamos recomeçar, que tal eu me representar Hiro.

    — Tudo bem, então quem é você? — pergunta Hiro, em meio a sua confusão suas pupilas e a espiral no seu cabelo giram sem direção. 

    — Eu sou a princesa dos Nelphli, o meu irmão mais velho é o rei, e Raikou é um marquês e Meiko um barão, por minha idade e meu gênero, eu fiquei com este cargo. Por tanto sou a quarta em autoridade, quando todos estão fora, eu sou a pessoa que comanda o nosso grande clã, com maior autoridade, responsável por mediar debates, julgamentos e também realizar cerimônias — Shinda explica tudo isso sorrindo e orgulhosa de si mesma.

    O garoto fica sem palavras, então vai atrás da primeira pergunta que vem à cabeça.

    — Que tipo de cerimônias? 

    — Várias, as preferidas são as peças teatrais, eles adoram minhas apresentações! — explica a garota, tímida suas bochechas ficam coradas. — Ei tem uma que sempre quis fazer, mas nunca achei o protagonista ideal, me acompanha?

    — Eu não sei muito atuar, mas é claro! — Hiro concorda sem ter nenhuma noção do que acaba de aceitar.

    Uma multidão de pessoas encapuzadas que escondem sua pele se reúnem na praça da paz para assistir a peça, Shinda é carregada em uma maca de pedra com símbolos desenhados com giz vermelho, ela permanece de olhos fechados, fingindo-se de morta, até ser colocada em um altar. Um grupo de homens encapuzados, com capuzes de cores diferentes o que se veste de preto e usa uma tiara com uma placa circular de ouro, que formam uma espiral em furacão, ele segura uma espada nas mãos. É nesse momento que Hiro chega, como parte de seu figurino carrega uma espada nas costas.

    — Saiam de perto dela seus fanáticos! Eu não permitirei que pervertam ela a imagem de vocês, a deusa se foi! — ordena Hiro, demonstrando bravura.

    O grupo de encapuzados parte para cima de Hiro, o garoto os corresponde saltando em direção aos seus inimigos, e de forma implacável, Hiro em seu pouso os derruba apenas com o seu avanço, sem os dar chance para o ferir, tudo com muito cuidado, os gritos da plateia são  

    No entanto, o herói chega tarde demais, e Shinda é atravessada pela espada, de forma figurativa, pois ela passa entre sua axila direita, onde a uma bolsa de sangue falso que estoura com o contato para fins dramáticos, apesar de ser tudo atuação, a tamanha brutalidade da cena deixa os espectadores em choque.

    Hiro empurra o sacerdote do mal, e ergue Shinda em seus braços, gritando em prantos, quando ela se ergue, empurra Hiro o fazendo ficar de joelhos e retira a espada de seu peito. Shinda sabe o que precisa fazer, mais exita em prosseguir com a peça logo em seu clímax, deixando os espectadores ansiosos para ver o desfecho desse épico. 

    — Vamos Shinda, dê um fim nisso — sussurra Hiro.

    — Eu não sei não, eu não gostei desse final. — Shinda ao terminar sua frase, deixa os espectadores frustrados.

    — Mas é assim que está escrito — relembra Hiro, sobre o roteiro. 

    — Só que eu que mando na peça, não quero assim — exclama Shinda, não aceitando ser retrucada.

    — Ah, mas eles estão esperando o final, então como você quer? — questiona Hiro, levando em consideração a expectativa do público.

    — Queria que o herói a salvasse — súplica Shinda sobre seu desejo.

    — Só que o herói é apenas um humano!

    — Então eu salvo o herói, só basta ele me convencer a isso — aponta Shinda uma possível solução para algo menos dramático.

    — Ai, ai que coisa confusa, tá todo mundo bem — afirma Hiro, olhando para aqueles que derrubou no chão levantando com dificuldades. — Eu acho pelo menos que estão bem, talvez dê para fazer outra apresentação então?

    Os figurantes se aproximam sinalizando em positivo para o garoto.

    — Até que foi divertido, mas finais tristes como esse, eu não vou aceitar por agora, o nome da peça, a viúva da lua, é um tempo tão deprimente, poderíamos relembrar do casamento, ao invés do fim! — diz a garota, não se convencendo em deixar o final como é. 

    — Só que a peça é uma tragédia — afirma Hiro.

    — Eu sei, mas isso foi escrito antes de eu nascer, uma história de mil anos atrás, em mil anos as coisas mudam! — Shinda apela para a ação do tempo.

    — É, tem toda razão, então como quer que a peça seja? — pergunta Hiro.

    — Não sei, um musical talvez! Algo mais feliz! — diz Shinda.

    A garota começa a saltar dançante, quebrando todas as tradições que a peça carregava, para a transformar em algo que se encaixe melhor com os dias atuais. As paredes do palco do teatro público em que Hiro e Saikyo se apresentam, a estátua simbólica de uma deusa que possui seis asas, acima dela a uma faixa com uma lição escrita para todos que moram ali, “Não deve haver vontade, maior que a vida’’.

    Meio infántil, mais estes dois dentre todos são os mais perto de crianças.

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