Capítulo grande! O maior até agora, não consegui diminuir dessa vez rs:rs:! Vamos dar espaço a outro grupo desta vez, e que espaço.
Capítulo 64: Lugar distante
Enquanto a princesa do clã Nelphli, fazia uma apresentação pública, a situação de um de seus irmãos, Meiko, era divergente em relação ao seu clã, ele se encontrava uma posição distante. O barão seguiu junto com seus colegas para uma longa viagem, uma forma de lição passada pelo seu mestre, com propósitos de entender a felicidade de cada um, eles vão em uma carroça dirigida por cavalos com o dobro do tamanho de comuns, sobre estradas de terras consolidadas em morros que levam a grandes fazendas, perto de seu ponto de chegada, a locomotiva não é por mero capricho, existe uma necessidade, tais estradas permitem apenas aqueles animais percorrerem.
— Eu achava a ideia de uma viagem interessante, cada um conhecer onde o outro vem, mais cruzar dois mil quilômetros a cavalo!? Somos parceiros de treino, não missionários de sei lá o que! — afirma Meiko frustrado com a viagem, com o tédio acumulado. — Ei Enji, quando formos para a sua cidade, por favor, que a gente vá de trem!
— Nós somos da mesma região, então estamos perto. Bem, acho que quando chegarmos, vai preferir ficar por aqui, do que ir visitar meu barraco no meio dos morros — afirma Enji, igualmente desanimado, com os olhos caídos como se fosse adormecer a qualquer momento.
— Eu sei que ele é rico, mas cavalos e carroças não são minha praia! Deixa de ser pão duro e compre um carro! — diz Meiko de forma debochada.
— Amigos, perdão, é que eu preciso manter a tradição e regras na frente dos meus, este povo, acredita em mim, e eu sou diferente de todos que vieram antes, eu prometi uma coisa, e tenho que os fazer acreditar que um dia vou cumprir, enquanto ainda estou em vida. Então, eu não os posso decepcionar, vamos, estão nos esperando! — discursa Hinari em um tom triunfante, mantém a seriedade em cada momento, diferente do seu frequente estado risonho e relaxado, o mesmo está tenso, carregado de uma responsabilidade.
Então, Hinari salta de sua carroça, e pousa em cima de um dos cavalos, o solta, e junto a ele marcha rumo ao destino, e os outros cavalos atraidos pelo rapaz, puxam a carroça seguindo sua direção. Hinari acelera, até uma visão de centenas de pessoas reunidas esperando a chegada de seu líder.
Boa parte dos camponeses que estão a espera seguram bastões azuis com bandeiras amarelas, com a caricatura de um cavalo pintado de chamas vermelhas, na parte traseira da caricatura do cavalo, a o símbolo que simboliza eternidade, um círculo formado por linhas pretas grossas curvadas que se ligam formando um círculo no centro e outro é formado em volta por conta de uma linha passando por todas elas.
Além de reverência a muita proteção, pórem a frente até mesmo dos homens armados que fazem a segurança da chegada de Hinari, a damas que se vestem de acordo com sua função. Elas se dividem em três grupos, as mulheres de branco ficam atrás ajoelhadas, orando por proteção, as de vermelho tomam a frente de prontidão, dançando nas pontas dos pés, enquanto golpeiam o ar com as pontas dos pés e tocam flauta. As únicas que se aproximam para fazer a recepção de Hinari, são as de amarelo, que trazem consigo tochas, abrindo o caminho.
Apesar das diferentes cores em suas vestimentas, demarcarem posições diferentes a qual cada uma deve assumir, o que vestem é praticamente igual, com alguns poucos detalhes diferentes. Vestido longo, com sais que se estendem até os pés, por cima usam um casaco com mangas compridas e justas no pulso, também apertado na cintura por uma fita dourada. Em frente ao busto tem decorações diferentes para cada cor, as de branco utilizam flores e sementes de damasco, as de amarelo tem flautas penduradas no pescoço e as de vermelho tem ferraduras no pescoço, e todas tem colares com pérolas cravejadas. Por fim, completando o visual, tem um véu branco sobre a cabeça.
Hinari se encontra em cima de um cavalo qualquer o qual comprou no meio da viagem, e ao seu lado estão seus parceiros de treino, e faltando apenas com eles aquele que propôs a viagem. O cenário está pronto para receber o grande líder, então o cavalo de Hinari se move sem precisar de nenhum comando, apenas marcha para frente, o animal entende a sua função naquele local, consagrar a chegada do revolucionário fervente.
— EU VOLTEI! — proclama Hinari erguendo seus braços enquanto milhares de camponeses comemoram sua chegada.
— O que!? Ele não havia contado essa parte! — comenta Meiko, impressionado com a recepção.
— Ele é Hinari Krakdzi, o homem mais rico de Machang, e que jurou pacificar toda a região diamantina, o cavalo de fogo. Já eu sou apenas um mineiro que por sorte se encontrou com ele no caminho — explica Enji, logo em seguida dá um gole em seu canteiro, que contém cerveja ao invés de água.
O grupo se aloca nos confortos de uma imensa fazenda, que contém campos os quais milhares de gados passeam, a celeiros com cavalos de todas as espécies do mundo e casas que servem apenas como um espaço para grupos convidados, pois os donos se alocam em mansões, com espaço para jardins com flores e frutas exóticas, as mais raras da região e algumas só encontradas em outros lugares do mundo, fora até mesmo das províncias do império. Há muitos que fazem a segurança do local, com rondas, estes apenas olham para fora, sequer observam os visitantes, pois todos no local se conhecem.
O trio se abriga no interior de umas das casas, em uma sala que poderia ser um salão de festas de tão grande. O ambiente é arejado com as portas abertas para trazer o ar de fora, que circula pela sala, e sobe a escadaria imensa, que leva a andares diferentes, tudo promove conforto, o sofá e a mesa de melhor qualidade, para qualquer um ali usar, pois naquele terreno qualquer um que seja do grupo, pode entrar e sair das casas. O sentimento de estar em casa, é o que Hinari deseja para seus amigos naquele momento.
— Vejam meus amigos, aproveitem a estadia, esse é um dos meus esconderijos, fiquem a vontade — enuncia Hinari, procurando os deixar o mais confortável possível.
— Esconderijo? — indaga Meiko, sentindo pela primeira vez em sua vida, ser uma pessoa humilde.
— Depois que meus inimigos! Descobriram que vou me tornar um Xá, e tiveram a coragem de me atacar. Então tive que proteger todos a minha volta. Mais não se preocupem, hoje ainda vamos comer bastante, mais sem muita curtição pois amanhã é dia de festa! — avisa Hinari para que eles poupem energia.
— Que massa, vou só dar uma voltinha por aqui, e aí Enji topa? — pergunta Meiko, fica sem resposta, o que faz ele olhar para o lado, onde estava Enji. — Enji?
O seu amigo não estava mais lá, corre, e empurra garotas que o perseguem gritando seu sobrenome fervorosamente “Gaethje!”, o que força Enji fugir para cima do corrimão da escadaria.
— Por favor, me ajudem! — implora Enji, assustado demonstrando pavor das moças que o perseguem.
Quem chega no local é alguém muito similar a Hinari que acaba de sair, o que assusta Meiko por não o conhecer. A semelhança com Hinari está desde o rosto, os lábios grossos, grandes dentes, olhos castanhos, sua feição é séria contrastando com a sorridente, e seus cabelos são pretos. O físico é igualmente escultural, e a altura é praticamente a mesma, ele utiliza com frequência o mesmo tipo de vestimenta, no entanto sua jaqueta é branca e tem listras pretas, e é fechada.
— Parem moças, mostram o mínimo de decência com os convidados, são amigos de Hinari, por isso tratem com a honra que merecem! — ordena o rapaz, enquanto olha para Enji com desprezo, e logo desvia o olhar. — Gaethje, logo você correndo de mulher?
— Dá para parar de me chamar pelo sobrenome, graças a deus Hinari não fica me desafiando mais, agora sobrou para esse outro energúmeno! — Enji reclama, enquanto aponta com o dedão para Meiko.
— Mustank, não seja ciumento, esses são apenas meus parceiros de treino, eles me ajudam a ficar em forma como você fazia! — exlplica Hinari, ele se aproxima de seu primo de forma alegre em uma tentantiva de evitar confusões.
— Então eu preciso checar se você está bem acompanhado, ele é o seu novo rival? Se for, não me parece um oponente digno! — analisa Mustank, menosprezando o Nelphli, de tal forma que cruza os braços e ergueu o queixo, para ilustrar sua superioridade, algo que é ignorado por parte de Meiko.
— Rival, do que ele tá falando? — indaga Meiko confuso, não levando a sério as palavras de Mustank.
— A essa história de novo, acontece que eu precisava de dinheiro na epoca, e eu ainda era um pouco burro, topava qualquer briga, um dia Hinari aprontando me encontrou — explica Enji, se envergonha de lembrar de seu passado.
— E quem venceu? — pergunta Meiko, sua curiosidade vem do seu interesse em enfrentar ambos.
— Empatamos — responde Enji, de forma seca, sem interesse em continuar no assunto.
— Hehehe, foi a primeira vez que empatei com alguém, lembro bem desse dia, eu queria achar o cara mais casca grossa da região, eu só fui saindo na porrada com todo mundo, o Enji levou muita pancada, ele nem conseguia me acertar.
— E não foi um empate? — Meiko aponta a incongruência na descrição do combate.
— Sim, apesar de eu ter o acertado várias vezes, eu não cheguei a derrubar, e quando ele me acertou um soco que me fez perder os movimentos e cair no chão! Eu consegui levantar, mas aí o tempo acabou! — descreve Hinari, empolgado só de lembrar do combate que travou com seu amigo. — Algo assim nunca havia me acontecido, de primeiro momento, naquele segundo em que eu caí, eu fiquei assustado, mais quando me levantei, ah sim, você fez meu sangue ferver cara! — Hinari grita com fervor, e puxa Enji, apoiando o braço em seu ombro.
— Eu nem te derrotei, aff, eu devia ter me ligado em quem eu batia, a notícia se espalhou rápido, e de repente surgiu gente de tudo quanto é canto me encher o saco! Eu só queria ganhar dinheiro! — Enji desabafa, frustrado, empurra Hinari para longe e depois encara Mustank. — Esquece, eu não vou lutar com você.
— Covarde! — Mustank insulta seu alvo, e vira as costas revoltado, se afastando.
Enquanto o primo de Hinari se vai, mm pequeno garoto se aproxima deles, este se direciona a Hinari. O garoto é apenas baixo para uma pessoa normal, seu ponto mais alto vai até o cotovelo Hinari, porém os outros enxergam alguém que não tem metade de seu tamanho. Isso por causa da aparência dócil e gentil do garoto, que apesar de ser um jovem, se assemelha bastante a uma criança, por conta de seu rosto e olhos arredondados, nariz arrebitado, tem pele clara.
A vestimenta do garoto é simples, e contribui para a impressão de uma pessoa pacífica, utiliza camisa azul, boné vermelho com a ferradura no meio e shorts brancos, utiliza tênis pretos de calçados, o que chama mais atenção são as meias com pelugem branca. É este garoto sorridente que provoca ainda mais animação a Hinari.
— Tudo vira um evento com a presença do Ghoda! — comenta o pequeno garoto, sorridente.
— COB! — grita Hinari, feliz em ver ele em sua frente. — Meu parceiro vem cá! — Hinari dá um abraço no seu amigo. — Dessa vez nós vamos aprontar muito mais!
Observando o encontro dos dois amigos, está alguem que faz parte daquela amizade, uma garota timida, de pele clara e cabelos negros longos e lisos, que passam dá altura da cintura. Ela veste um moletom branco, calça jeans e usa salto alto pretos. Mantém as mãos juntas e com o rosto corado, olha para Hinari.
— É bom saber que você ainda se importa com os amigos! — alfineta a garota de forma provocativa, a voz roca carrega doses de meloncolia.
— Ei língua afiada, ele foi embora pela gente! — Alguém defende Hinari, antes que este possa se justificar
O homem que defende Hinari, é um caso inverso ao do rapaz Cob. O homem é maior que todos do local, o suficiente para aparentar ter o dobro do tamanho de todos dali, corpo musculoso e largo, pele morena, este se veste parecido com os seguranças, calça jeans, botas de couro e camisa quadriculada vermelha, mais ao invés de chapeu utiliza banda azul.
— Sela e Bretão, a quanto tempo, é, eu tive uns desafios mais nada demais, foi difícil me manter entretido por lá, mas esses caras me ajudaram! — diz Hinari, apontando para seus colegas de equipe, os apresentando para seus amigos íntimos.
— Mais do que eu? Dúvido, se bem que eu nunca consegui derrubar mais bois do que você. Só quando você era um pirralho mesmo para eu ser competitivo! — relembra Bretrão, como uma forma de exaltar o rapaz.
— Hehehe, a cara quanta gente deve tá querendo me ver, mas vocês para mim são prioridade — afirma Hinari, e se aproxima dos dois para os cumprimentar.
Antes que Hinari possa cumprimentar seus amigos de forma adequada, uma senhora chega puxando suas bochechas, o que não surpreende ninguém no local, exceto Meiko, que se sente deslocado no local.
— Em especial, eu, venha assumir suas responsabilidades de adulto, você sabe onde deve estar! — ordena a senhora.
Uma senhora de idade, de pele clara, tem cabelos lisos que lembram os de Hinari, mas são brancos e longos, com algumas partes das mechas com manchas pretas circulares. Ela veste um vestido branco com uma jaqueta igual a de Hinari, se veste de forma elegante com saltos alto vermelhos, utiliza bastante maquiagem no rosto para disfarçar as rugas e utiliza batom vermelho nos lábios.
— Ai titia! Eu não quero ter que ir para uma reunião chata, eles não podem organizar uma festa e cavalgada sem mim? — pergunta Hinari, irritado com a cobrança feita a ele.
— Quer que eu fale para eles que o principal atrativo se recusou a dar as condolências aos organizadores do evento, você não é mais criança, venha, eles querem falar com você! Sabe como esses homens gostam de ser bajulados e bajular você! — explica a senhora, ainda mais mau humorada.
— Certo, Cob vem comigo, Bertrão e Sela, por favor, tratem de cuidar dos meus amigos e apresentar o local, as funcionárias estão preparando um banquete, deem a eles o melhor da comida daqui! — agora é Hinari quem da ordens, pois se preocupa que seus parceiros de treino tenham o melhor tratamento possível.
— Bom menino. — A tia elogia seu sobrinho pela obediência.
A senhora se retira junto de seu sobrinho, enquanto o restante fica na sala de estar, Sela e Bertrão se mostram receptivos.
— Vamos indo, o Gaethje é da casa, mais você amiguinho, não fique tímido, se é amigo do Hinari, são nossos amigos também, venham com a gente, o jantar vai ser lá fora! — explica Bertrão, se colocando como guia do grupo
— Vão gostar mais do lado de fora, a propósito, como se chama? — Sela pergunta ao Nelphli, pois Enji já é conhecido por eles.
— Meiko, ah, ainda bem que vamos dar uma volta, que não envolva cavalos, o seu . . . rei, líder, ou seja lá o que, é tarado por eles! — reclama Meiko, ironizando o apego por equinos por parte de seu amigo.
— O que!? Não! Ele ama os cavalos porque tem o espírito de um, o maior de todos, o rei dos cavalos, o cavalo de fogo! — explica Sela, incomodada pelo deboche de Meiko diante a quem ela tanto admira.
Eles vão até o quintal, onde tem diversas árvores frutíferas e outros tipos de vegetais, com a presença de alguns animais, por ali, aves que vivem ao ar livre, dormem em seus ninhos, tranquilas.
— Não só são os cavalos que adoram Hinari, todos os animais gostam. A podem pegar qualquer frutas nesse jardim, fiquem à vontade, algumas são iguarias raras. — Bretrão apresenta o local com orgulho, procurando demonstrar a beleza dali aos convidados.
— É até suportável ter ele gritando no seu ouvido o dia todo quando você lembra dessa parte — comenta Enji, e damasco direto de uma das arvores.
— Tá eu já entendi, ele é rico, o que tem demais! Eu quero ir logo pro prato principal! — Meiko se manifesta, diante a sua fome.
— Vamos comer aqui fora, um prato tradicional, as cozinheiras já devem estar servindo as mesas — diz Sela, procurando acalmar o rapaz.
Os homens que trabalham na casa trazem as mesas, e as moças organizam colocando os pratos e talheres, e logo seguida trazendo travessas e bandejas com comidas. Bertrão vai andando para buscar as refeições principais, são várias grelhas de churrasco espalhadas em cima de brasa quente, com diversas carnes, mas o principal é uma costela imensa, do tamanho do tórax de Bertrão. A costela é feita sobre o fogo de chão, sem precisar de luvas, Bertrão agarra a grelha, e vai levando a costela até uma mesa à parte.
— Precisa descansar por alguns minutos antes que a gente possa comer — explica Bretrão, retirando um osso da costela sem fazer esforço por conta de tamanha maciez.
— Ah me parece perfeita — Meiko aprova o prato, sua boca saliva e seus olhos brilham ao ver a costela escaldante e suculenta.
— Com calma, primeiro aproveite as outras comidas — adverte Bretrão, usando o osso para aprontar para os outros pratos da mesa.
Pratos com farofa, damascos cortados, um frango assado inteiro, tipos diferentes de queijo, alguns cortes de carne diferente também, acompanhamentos como arroz e feijão, e diversas outras comidas, uma fartura para os convidados.
— Faço questão! — Meiko concorda em esperar pela costela ao ver as outras comidas, e se senta à mesa, servindo seu prato.
— Todas essas regalias fazem valer cada minuto suportando a viagem — diz Enji, que faz o mesmo que seu colega.
— Ei, não fale isso, vocês tem um privilégio de estar perto dele — crítica Sela, se incomodando com as ofensas direcionadas a Hinari.
— Ei, por acaso você é a namorada dele? — Meiko pergunta de forma irônica, sem intenção de pressionar a garota a uma resposta, apesar do tom humorado, Sela fica vermelha sem responder de imediato, tempo o suficiente para Meiko dar altas gargalhadas. — É realmente, ele não tem bom gosto só para carne e casas!
— Me respeite, por favor! Não faça insinuações que ofendam a honra do Ghoda! — Sela grita revoltada e se levanta da mesa.
— Acalme-se Sela, eles estão apenas brincando, pois são amigos próximos — argumenta Bretrão.
— Qual foi, porque tratam ele como se fossem um semi deus? — questiona Meiko, sem levar a sério a discussão, vira a caneca em seu gargalo.
— É que para eles, ele é tipo um semi deus, e essa era a minha caneca — explica Gaethje.
— O que? — Meiko cospe a bebida que faz arder sua garganta.
— Chamam esse tipo de pessoa de encantados — explica Enji.
— Ele é o nosso encantado, a reencarnação do cavalo de fogo, que acontece a cada 50 anos, ele é um dos salvadores do nosso povo, um espírito que traz a liberdade — discursa Sela, orgulhosa de seu símbolo guia.
— Ele junta todos nós, boa parte do nosso povo, tem ancestrais em comum, somos sobreviventes, fortes como as montanhas — afirma Bretrão, enquanto serve um pedaço de costela com osso para Meiko.
— Ohooo, vocês são bem comunicativos, porém meu questionamento era sobre o que tinha dentro da caneca. Desceu rasgando, uff, que doidera, mais eu preciso virar dez dessas pra acreditar nesse negócio de reencarnação! — diz Meiko e morde a carne.
— É algo da região, é que nem a sua família, que também tem uma alcunha, que não se comenta, mais que há um motivo para isso, a mesma coisa com ele — explica Enji, de maneira didática para que seu amigo entenda, sem o expor.
— É, consigo entender.
Hinari chega correndo com Cob montado em seus ombros.
— Cheguei! — anuncia Hinari. — O Cob deu um jeito da gente fugir, eu to pronto para o rango! Mais amanhã à noite já partimos.
— O que, tão rápido!? — indaga Sela, preocupada com o anúncio repentino.
— Eu vou ter a chance de ir com ele, hehehe! — comemora Cob, por ser priorizado.
— Que injusto, por que você vai Hinari? — questiona Sela, insatisfeito pelo pouco tempo com o seu amigo.
— Eu tenho responsabilidades! — explica Hinari, e logo em seguida morde a costela sem tirar o sorriso do rosto.
Bom algumas explicações para quem ficou confuso diante as descrições abaixo.
O simbolo na traseira do cavalo é a cruz do sol, Arevakhach. Sobre as vestimentas as roupas usadas pelas moças são inspiradas nas Taraz e as jaquetas são no modelo Arkhlig. Já nome Ghoda é dado a aquele que carrega o espírito do cavalo de fogo. E os encantados, digamos que são aqueles que nascem com uma ligação natural e mágica com a natureza, o caso de Hinari.

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