Vou começar a tentar usar algumas funções do site para melhorar a estética do capítulo, vou começar testando em capítulos antigos. Quero dar uma experiência melhor.
Capítulo 65: Meu sangue ferve
”O sangue só ferve por aquilo que se tem amor, e só vale a pena se revoltar por amor”
No dia seguinte, milhares de pessoas estão reunidas no campo, em um hipodromo onde há um estádio ao leste, onde as arquibancadas são apenas o seu exterior, dentro do estádio a diversos corredores com salas, onde Hinari junto de Cob andam acompanhados de diversos homens a sua volta fazendo sua segurança. Enquanto Bertrão e Sela acompanham Enji e Meiko, alocados na arquibancada para assistirem a corrida de cavalos que ira ocorrer.
— Que chato, ele só fica andando pra lá e pra cá, e a gente fica aqui fazendo parte da bajulação!? — questiona Meiko, inquieto pois está profundamente irritado com o sumiço de Hinari, o seu orgulho faz com que ele deteste ser ignorado.
— Ele é um homem ocupado, tem compromissos o tempo todo, infelizmente ele vai ter que honrar seu título! — justifica Sela, sentindo a falta daquele que ela defende, mas sua compreensão faz com que ela se conforme.
— Tanto faz, aproveitem o show, não é todo dia que temos esses corredores, eles vieram apenas para ter a chance de surpreender o Ghoda! Que já venceu todos estes, hahahahaha! Ele é o melhor e tem os melhores cavalos! — Bretrão faz questão de exaltar Hinari.
O único que não se manfistea e aproveita o momento para relaxar é Enji, acompanhado de uma caneca de madeira que contém a bebida que ele mais costuma a tomar.
Enquanto isso, Hinari junto a Cob são acompanhados até uma sala particular, onde se senta em frente a varanda, que pode assistir todo o show, junto com ele está sua a tia Appaloosa, seu primo Mustank, um senhor de idade, frequentemente chamado de senhor Akhal, por Hinari. Este senhor é um homem tão velho quanto Appaloosa, os cinquenta anos já se foram a tempos, mas sua pele não revela, parece ser mais jovem do que sua idade permitiria, seus cabelos são longos, a cor de seus cabelos é magnífica, o homem é loiro, mais não um loiro qualquer, seus cabelos são brilhantes como ouro, um pouco esbranquiçado por conta da idade.
Outra sentada é Lídia Percheron, uma mulher extrovertida, expressiva mesmo estando calada, seu sorriso é largo, sua pele é clara mais ainda natural, já seus dentes são totalmente brancos, totalmente diferente dos seus cabelos negros e lisos que vão até sua lombar.
Para que está reunião siga de forma tranquila, na porta para fazer a segurança, estão dois seguranças armados, vestidos de forma certa para a ocasião, camisa preta de mangas longas, calças e botas de couro preto, utilizando chapéu de aba larga, portando com si acessórios caros, relógio de ouro e colar de prata, os dois seguranças são parecidos por serem irmãos, e o principal para o visual deles são as carabinas nas mãos.
— Porque Bertrão não está do seu lado? — questiona Appaloosa, a ausência daquele que costuma a ser o guarda costas de Hinari.
— Ele está com meus amigos, Edinei e Nival dão conta do recado, a família Lusitano são nossos parceiros de honra, merecem um voto de confiança! — afirma Hinari, procurando despreocupar a sua tia.
— Mas não pode andar com tanta gente quando for sair para fora da cidade, no máximo três, para podermos garantir que não haja nenhuma perseguição — propõe Appaloosa, priorizando a segurança de seu sobrinho.
— Está tudo certo senhora, eu mandei Siplici e Reinan organizarem tudo, e se for até lá logo depois do meio dia, chega antes do entardecer, é muito perto da cidade de Ita, Gaethje é de lá, então deve saber muito sobre a região. Mais do que eu possa discorrer — explica Cob, se baseando nas anotações de seu caderno.
— Esses amigos dele, podem o meter em confusão, é melhor levar gente competente — adverte Appaloosa, reprovando as companhias escolhidas.
— O que me preocupa é que ele mal chegou, e não vai dar nenhuma satisfação a todas essas pessoas que vieram o ver? De repente estes dois estranhos são mais importante que o povo, isso vai ser difícil de se explicar — aponta Lídia, a assistente de imprensa que carrega o seu crachá.
— A manutenção da imagem dele não se faz por palestras políticas, e sim pelos seus feitos, é o que será lembrado, ainda mais porque os Tapakats são primos distantes da nossa família, são descendentes de Haico — afirma Appaloosa, atestando a importância da missão como uma forma de promoção.
— A descendência não é o que mais importa, afinal, o cavalo de fogo está na região, muito antes dos povos de Haico virem para cá. Mas é relevante ajudar o senhor Tapakats, pois tem um filho com muito prestígio na cidade de Machang, muita popularidade, seria um escândalo se o que ocorreu com irmã dele se tornasse grave e vinhesse à tona. Ainda mais que ele representa a cidade província afora, um jogador de Joquéi de grande prestígio no cenário internacional, deixar seus nomes atrelados senhor Hinari, seria uma honra — adverte Akhal, se mostrando mais interessado nos ganhos que o prestígio oferecido aos Tapakats poderia resultar.
— O que? Ele é uma celebridade, eu sou um testemunho do mágico! — Hinari contesta, a comparação incongruente entre ele e o jóquei.
— Os jovens olham para você, e enxergam algo distante, eles olham para o jogador, e pensam que pode ser algo que pode ser no futuro, afinal, você não escolheu nascer com o espírito do cavalo de fogo. Nessa geração vocês Krakdzi foram os escolhidos, mas na anterior foram os Lusitanos, que hoje fazem sua segurança, não souberam aproveitar, e o bebe foi assassinado ainda recém nascido — relembra Akhal, como forma de ressaltar o seu ponto.
— Como assim aproveitar? Esquece que meus pais foram assassinados ainda no dia do meu nascimento!? — relembra Hinari, furioso, se levanta com as mãos apertando a mesa.
— Com calma, eu digo que não basta apenas se tornar um Xá, isso vai ajudar e muito, mais se quer mesmo livrar a região das mãos dos generais, a pacificar e acabar com os conflitos armados por terras, não basta apenas ter um cargo de grande prestígio e o povo, precisa ter ao seu lado homens poderosos também — afirma Akhal, sem aliviar o tom para o garoto, mantendo o máximo de respeito, mas, sendo livre para ter sinceridade sem sua fala.
— Eu não ligo para toda essa mera falsidade que serve apenas para exaltar o ego de quem nem sequer liga para a dignidade dos outros! — afirma Hinari, vira o seu rosto desaprovando a ideia, mesmo com os argumentos pedendo contra ele.
— Primo, você é o único que detém as capacidades para lidar com este tipo de problema, se não teremos que tornar o caso público, e ceder a ajuda dos generais. A filha do senhor Tapakats necessita de sua ajuda — proclama Mustank, se vê forçado a se intrometer na discussão para convencer o seu primo a reconsiderar a escolha daquele conselho.
— Já me viu negar a fazer algo que só eu poderia? Eu vou por isso, PORQUE EU QUERO! — grita Hinari, estressado com todos no local. — Agora vamos ver o show, senhor Akhal, pois não desprezo a participação do seu filho.
— Hahaha, ai, ai você sempre retorna sorrir — observa Akhal, se acalmando mesmo ao ser contrariado pelo jovem.
— É bom você dar este mesmo valor a minha graciosa Sela — exclama Lídia, em uma cobrança a Hinari.
— Pare de inventar casos de novela sua velha! — Hinari responde ficando incomodado com as insinuações.
No inicio da pista de corrida preparada para os participantes, há do lado de fora dela um grande palanque com o narrador do evento. Um senhor acima do peso, que como a maioria das pessoas usa chapéu de aba larga, camisa branca de manga longa, calça e botas de couro preto, o maior diferencial além do microfone em sua mão é a presença de um revolvér na outra.
— Vai começar agora, a corrida de cavalo, a edição especial em homenagem a ele o nosso cavalo de fogo, o maior campeão de corridas de cavalo, de vaquejada, argolinha, jóquei, cavalgadas e briga de rua! NOSSO GHODAVEDA, HINARI!
Assim que o nome Hinari é anunciado a plateia inteira grita, e então ele vai para cima da varanda da sala onde ele está, se apresentando para todos.
— MOSTREM QUEM TEM O MELHOR CAVALO, OU QUEM É O MELHOR EM CIMA DO CAVALO! — anuncia Hinari para que a corrida comece.
— O vencedor terá a chance de desafiar Hinari, que está sumido a meses, os favoritos já se preparam, Erick Frisio com sua grande força, se arrisca nas corridas, apesar de sua especialidade ser derrubar bois. O showman Shire vem com todo estilo. E o favorito das garotas, o menino caprichoso, Copedague Akhal! Todos querem sua chance de se provar lendários! QUE COMEÇA, NO 1, NO 2 E NO 3! SOLTA OS CASCO PRO BOI GEMER! — grita o narrador Angus, que saca o revólver e atira para cima decretando o início da corrida.
O narrador também faz parte do show, sua voz é grave, a forma como fala é caricata as palavras se atropelam difícil de se entender sem esforço, porém o público está acostumado. A voz do narrador dura pouco, apesar de sua força, ele não tem chance de competir com a arquibancada, o povo celebra, os gritos da multidão se misturam em um som estrondoso e ensurdecedor, que abafa totalmente o som dos cascos do cavalo batendo no chão. A comoção em ver aqueles jóqueis é grande, mas mesmo eles sendo a atração principal, o foco está totalmente no sediador do evento, Hinari é simplesmente o assunto mais comentado.
— Vocês podem não acreditar, mas Hinari é o principal dono de tudo isso aqui — explica Sela.
— Agora você entende por que não fomos para cidade? Ele odeia a cidade, lá é dominada pelo império, que abusa dessa região que tem riquezas minerais de um lado e de agricultura do outro. Gerando conflitos entre grupos políticos diferentes, a violência é pouca nas cidades, mais no campo entre os donos de terra, é muita, isso sem falar da onde eu venho Meiko — descreve Enji, enquanto olha para o lado onde procura Meiko, que não está lá, o que faz Enji arregalar os olhos. — Meiko!? Onde ele foi!
— Aquele maluco, eu nem consegui ver quando ele saltou para dentro da pista de corrida, eu tenho que ir atrás dele! — avisa Bretrão.
O guarda costas desce a arquibancada tirando as pessoas da frente à força, em desespero correndo até o parapeito que leva até a pista.
— Olha só que coisa inesperada, temos um invasor na pista de corrida, e os seguranças já se juntaram para o impedir, mas parece que ninguém o alcança, mesmo começando atrás ele já vem alcançando os outros, que parecem estar assustados com sua presença! — narra Angus.
Meiko corre entre os cavalos, competindo com eles, os outros competidores olham perplexos perdendo atenção, alguns caem de seus cavalos, e outros cavalos pulam de medo.
— Olha, como é a proposta? Quem vencer a corrida pode desafiar o Hinari? Que tal eu roubar a vaga de todos esses competidores? — sugere Meiko, disparando na corrida.
Dentro da sala de reunião, a agitação é quase tanta quanto a arquibancada, o sentimento é de revolta, a surpresa não é positiva como para o público, pois aquele invasor ameaça estragar completamente o evento.
— Isso é um ultraje, temos que pegar ele agora, antes que ele estrague o evento! — afirma Akhal, revoltado, sua pele fica vermelha e as veias em sua testa saltam.
— Ah! Não me envergonhe Meiko, eu vou apostar duas fazendas em você! — Hinari grita para o público.
— Ficou maluco Ghoda!? — questiona Akhal.
— Isso faz meu sangue ferver, uma verdadeira competição, deixa as coisas mais interessantes! — explica Hinari, sobe na varanda para ter melhor visão da corrida.
Meiko começa a ultrapassar com facilidade todos os competidores, mesmo com uma multidão de seguranças tentando o impedir de cruzar a linha de chegada, porém todas as tentativas são inúteis, assim que ele cruza, quando é agarrado, arremessa todos para longe. Em seguida Meiko aponta para a arquibancada, para a área privada de Hinari, este coloca os dedos na boca e assovia.
— Ele vai chamar o “Mil milhas”! — afirma Cob, impressionado.
Hinari saltou da varanda passando por toda arquibancada, ele usa o corrimão como apoio para dar um salto para dentro da pista, entrando em uma queda livre de dezena de metros de altura, a aflição pela segurança do líder, faz a plateia ficar calada, aguardando o desfecho, enquanto perto da linha de chegada, um cavalo majestoso chega.
O cavalo Mil Milhas, é a área de pouso de Hinari, que para em pé tranquilamente em cima de suas costas, a plateia que estava muda, volta a trazer os gritos que se misturam formando o som ensurdecedor de euforia, ao testemunhar tal feito. Meiko e Hinari se encaram sorrindo um para o outro, não se importando com as regras do evento, pois aquilo faz o sangue deles ferver.
Este desafio começaria à noite, na entrada da cidade, na estrada que parte rumo à cidade de Ita, será o palco para a grande corrida entre Meiko e Hinari, onde o ponto de partida será próximo às terras pertencentes a família Tapakats. Enji e Cob vão na frente partindo a cavalo, pois ambos foram selecionados para acompanhar Hinari em sua viagem, porém agora com o desafio de Meiko, isto seria apenas possível na chegada.
— Nos preparamos para um confronto histórico, alguém ousou a desafiar o grande Ghoda Veda, para uma corrida, e eles usaram nada menos que os pés, façam suas apostas, o azarão desconhecido já teve seu nome revelado, Meiko, e pelo que dizem os dois são amigos! — narra Angus, dando o contexto para o público que se tornou maior do que o que estava na arquibancada mais cedo.
— Eu acharia interessante algo menos desportivo — afirma Meiko, menosprezando a apresentação.
— Não quer assustar o público, ou quer? Deixe-os felizes, eu tenho compromissos, e não posso perder tempo, então achei uma forma de brincar ao mesmo tempo que vamos onde precisamos ir, o mais rápido possível! — explica Hinari, sorrindo, empolgado para o desafio.
— Que sem graça, tudo bem, você tem sorte de ter feito amizade com o irmão relaxado — diz Meiko, enquanto se alonga, ele estala o pescoço se preparando para corrida. — Eu nem vou suar!
— Ei, não seja tão convencido! Além do mais, você que teve sorte de ter feito amizade comigo! — afirma Hinari.
— AGORA!!! — anuncia Angus, dando o tiro para o alto cravando o inicio da corrida.
Meiko dispara, seus pés mal fincam no chão, pois cada passo é um arremesso do seu corpo, executando este movimento tão rápido que parece estar voando, já Hinari corre com toda a sua velocidade, seus pisos ecoam como a marcha de um cavalo, e deixam marcas no chão com tamanha força, ele e Meiko ficam lado a lado, mas o Nelphli sorri com malícia para ele, e logo em seguida o acerta com um tapa.
— Eu não vou deixar você me ultrapassar fácil assim, hahaha vamos deixar as coisas mais divertidas! — grita Meiko como forma de provocar o seu rival.
O público fica chocado, e entra em revolta, enquanto Hinari rola no chão levantando poeira, e com o dobro da velocidade em que ele corria, ele é arrastado por dezenas de metros.
— O que! GHODA ACABA DE SER ACERTADO ILEGALMENTE! — narra Angus, ele desta vez não transmite nada ao público, e sim traduz o choque de todos ao ver a cena.
Enji e Cob que estão à frente, fazem com os seus cavalos parem, para que os dois possam dar uma olhada no que acaba de ocorrer.
— Não, isso é um problema, vamos voltar! — sugere Cob, revoltado com o que fora feito ao seu amigo.
— Eu sabia que esse idiota iria aprontar de novo, era só questão de tempo! — realça Enji, enquanto olha para trás. — Tsk, não há com que se preocupar, vamos seguir em frente.
Hinari fica de pé logo quando para de rolar, o sorriso que permaneceu no rosto mesmo com o ataque demonstra que está tudo bem.
— Não me ofendam atrapalhando nossa corrida! — ordena Hinari. — Isso é apenas combustível, para acender minhas chamas!
O ânimo de Hinari faz o público ir a loucura, maravilhados com a corrida e com a postura inabalável de seu ídolo, eles torcem avidamente, principalmente ao ver que Meiko pode realmente vencer a corrida com a vantagem aberta, a ansiedade em saber quem é o vencedor fica ainda maior quando Hinari volta a correr, ele corre mais rápido do que começou, assim fica a dúvida, pois nessa velocidade poderia ultrapassar seu adversário.
Fico em dúvida sobre os tamanho dos capítulos.

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