Capítulo 54: Herói
Aiko observava o herói com cautela. O herói estava ajudando as pessoas que estavam embaixo dos escombros.
“Senhora aventureira…”, disse ele, “acho que seria uma boa ideia me ajudar aqui!”
“A, perdão”, disse Aiko.
Depois de terem salvado todos dali, eles se dirigiram para a guilda local. Eles reservaram uma sala para conversarem sóis, onde tem magia de privacidade.
“Lilith né? Olha só… tem uma coisa que está me intrigando, você tem uma aura humana, mas também demoníaca, por quê?”
Aiko ficou surpresa pela pergunta dele.
Aiko…, disse Heri, cuidado com suas palavras!
“Nossa, que pergunta… bem…”, ela começa a coçar a cabeça e ficar com uma cara de desconfortável, “meus pais são isso, humana e demônio, não sei muito sobre eles, somente isso.”
O herói a olha com uma cara de felicidade.
“Tudo bem, deve ter sido difícil saber quem você realmente é, deve ter sofrido muito mentalmente, perdido pessoas, moradia, tudo mudando tão rapido, sem tempo direito de se adaptar, só aceitando.”
Aiko começa a soltar lágrimas dos olhos.
“Opa… se acalme… você quer um abraço?”
Aiko rejeita. Heri e Lilith ficam com uma cara de preocupados.
“A… ta certo, foi mal… você quer partir numa aventura comigo?”
“Por que você quer destruir este mundo?”
“Como assim…?”
“Não adinta esconder, seu Arkanth”, disse ela ainda aos choros.
Heroi fica com uma cara seria.
“Porque… acho que era porque nós nus consideramos uma raça superior, ainda estou seguindo isso, mas quero acabar com o sofrimento deste mundo.”
“Como!”, disse ela gritando em repetidas vezes.
“Nossa, se acalme… resumindo, antes eu queria dominar território, mas agora eu quero aniquilar este mundo da existência, simples não é”, ele dá uma risada.
Aiko começa a limpar suas lágrimas e tira sua venda.
“Como assim?”
“Destruindo o grande pilar de existência deste mundo.”
“Eu ainda não captei a mensagem.”
“Fantastico minha filha, vamos lá. Todo mundo á um pilar de existência, ou seja, tudo existe pois um ser o permite existir, aodestruilo, tudo acaba, adeus medo de morrer, de viver, se ferir, de fome, tudo. E talvez você deve estar se perguntando, mas quem é? Sim, são seres, e é o Rei Demônio, ou melhor era. Mas quem é agora? A filha dele, eu a tinha matado, mas este mundo não tinha sumido, não sei porque, foi aí que descobri com meus poderes que ela voltou a vida, que trágico.”
“Mas isso mataria até os deuses?”
“Menos um, o Deus”, disse ele empolgado.
“Mas já estou ficando cansado disso, quero acabar com isso logo”, disse ele como cara de cansado.
“Eu também já estou ficando cansada.”
“Como assim, tão jovem…”
Aiko usa magia para sua vestimenta anterior, mostrando seus chifres, seu braço com aquela fina camada de armadura de cor escura.
“Então você é…”, ele sai de uma cara de surpreso para uma cara de feliz.
Lilith e Heri saem de Aiko indo para suas formas físicas.
“O que foi isso Aiko”, disse Heri.
Lilith em forma de espada só brilhou sua lâmina um brilho que formava uma cara de raiva.
O herói tenta atacar mas algo o está prendendo-o na cadeira.
“Merda de sala inútil, está me impedindo de atacar!”
“Vamos pensar um pouco, acho que este mundo não deva acabar tão rapido, você não tem algem que você ama?”
O herói sede.
“Ela já está com um câncer terminal, minha companheira de batalha, a que me apoio minha causa”, a sala começa a ficar com uma luz cada vez mais vermelha, “não vai ser uma sala que vai me… impedir de comprir meu objetivo!”
A sala se consumiu em uma cor totalmente vermelha e eles foram teleportados para fora da cidade.
O ar se rasgou como vidro quebrado.
O trio surgiu no meio de uma planície devastada, onde o céu parecia permanentemente em crepúsculo. O chão estava rachado, como se o próprio mundo sentisse dor. Ao longe, montanhas flutuavam em fragmentos, presas por fios de mana instável.
Aiko caiu de joelhos por um instante, sentindo a pressão esmagadora daquela aura.
“Então…”, disse o herói, estalando o pescoço, “aqui não há civis, nem distrações.”
A mana ao redor dele explodiu.
O chão cedeu sob seus pés, formando uma cratera circular. Um símbolo antigo queimou no ar atrás de suas costas, girando lentamente como um sol negro.
Heri imediatamente se colocou à frente de Aiko.
“Não cheguei até aqui pra morrer calado”, disse ele, puxando sua lâmina.
Lilith, ainda em forma de espada, emanava uma luz escura e pulsante, como se estivesse viva… e furiosa.
“Aiko”, disse Heri, sem tirar os olhos do inimigo, “esse cara não tá brincando.”
Aiko se levantou.
E então, o céu respondeu.
Nuvens vermelhas se condensaram em espiral, enquanto relâmpagos negros rasgavam o firmamento. Seus chifres brilharam com runas demoníacas antigas, e o braço revestido de armadura começou a emitir um som baixo, como um coração batendo.
“Eu sei quem você é agora”, disse ela, encarando o herói, “Você não quer acabar com o sofrimento… quer acabar com a culpa.”
O herói sorriu.
“Que diferença isso faz no final?”
Ele desapareceu.
O impacto veio antes do som.
Heri foi lançado a dezenas de metros, atravessando três formações rochosas como se fossem papel. Lilith voou de sua mão, cravando-se no chão, rachando tudo ao redor.
“Heri!”
Aiko se moveu por instinto.
Seu corpo envolveu-se em mana.
Ela bloqueou o segundo ataque com o braço armado.
O choque criou uma onda de energia tão violenta que o horizonte tremeu.
“Interessante…”, murmurou o herói, pressionando mais força, “Você realmente é a filha dele.”
Aiko rangeu os dentes.
“Não me compare a ele.”
Ela girou o corpo e liberou um golpe direto, carregado de energia híbrida. O impacto jogou o herói para trás, abrindo uma fissura gigantesca no solo.
Por um instante… silêncio.
Então ele começou a rir.
“É isso!”, gritou, abrindo os braços, “É por isso que este mundo ainda existe! Porque você voltou!”
O simbolo atrás dele se fragmentou em múltiplos círculos mágicos.
“Se eu te destruir… o pilar cai de vez.”
Lilith respondeu antes de Aiko.
A espada se ergueu sozinha do chão, assumindo sua forma física, olhos brilhando como estrelas mortas.
“Você fala demais pra alguém que vai sangrar.”
Ela se lançou.
O combate virou caos absoluto.
Espadas, magia, impacto puro de vontade. Cada golpe distorcia o espaço. Cada defesa custava mais mana do que o normal, como se o próprio mundo estivesse drenando forças para se manter inteiro.
Heri, ferido mas de pé, entrou na batalha com um grito.
“Aiko! Não deixa ele decidir o destino de tudo sozinho!”
Aiko sentiu algo quebrar dentro de si.
Não dor. Decisão.
“Esse mundo…”, ela disse, erguendo as mãos enquanto símbolos antigos surgiam ao redor, “pode ser cruel.”
A energia começou a subir, fazendo até o herói recuar um passo.
“Pode ser injusto.”
O céu clareou por um segundo.
“Mas não é seu direito apagá-lo.”
O herói sorriu… mas havia algo diferente em seus olhos.
Medo.
“Então venha, pilar da existência”, disse ele, ativando todo o seu poder, “Vamos ver qual vontade é mais forte.”
A mana explodiu.
E o mundo… prendeu a respiração.
O impacto entre as vontades rasgou o mundo.
O céu não apenas tremeu, ele quebrou.
Fendas luminosas se abriram nas nuvens, como cicatrizes mal fechadas, revelando camadas de realidade que não deveriam ser vistas. O chão começou a afundar lentamente, como se estivesse cansado de sustentar a existência.
O herói avançou primeiro.
Cada passo dele fazia o espaço colapsar e se reconstruir. O círculos mágicos atrás de suas costas girava em velocidade insana, agora rachado, instável… faminto.
Lilith apareceu à frente de Aiko num piscar de olhos.
“Não ouse encostar nela.”
O herói ergueu a mão.
“Você… ainda é só uma âncora.”
O gesto foi simples. Mas não foi um ataque físico. O ar congelou.
Lilith sentiu algo que nunca havia sentido desde que despertara consciência.
“…não.”
Seu corpo começou a rachar, não carne, alma.
Runas antigas surgiram ao redor do herói, símbolos de domínio absoluto sobre essência, vontade e existência.
“Lilith!”, gritou Aiko, avançando.
Era tarde.
O herói fechou a mão.
O grito de Lilith não foi sonoro foi existencial.
Seu corpo físico se despedaçou em fragmentos de luz negra, mas sua alma ficou suspensa, presa, sendo puxada para fora do conceito de si mesma.
“Você foi criada para proteger”, disse ele, com frieza, “Então cumpra sua função final.”
O Arkanth brilhou.
A alma de Lilith foi esmagada.
Não houve explosão. Não houve restos.
Ela simplesmente… deixou de ser.
O mundo reagiu.
Um rugido ecoou por todas as direções, como se o próprio planeta estivesse chorando.
Aiko caiu de joelhos.
Algo voltou para ela.
Uma força antiga, afiada, consciente, o poder de Lilith, rasgando seu interior, se fundindo à sua essência.
Seu corpo tremeu.
“LILIIIIITH…!”
O herói virou o olhar.
“Um a menos.”
Heri atacou sem pensar.
“DESGRAÇADO!”
Sua lâmina atravessou o espaço, carregada de tudo que restava de sua vida, de sua fé, de sua teimosia em acreditar.
O golpe acertou.
O herói foi lançado para trás.
Por um segundo… silêncio.
Heri respirava com dificuldade, de joelhos, o corpo coberto de feridas abertas.
“Ainda… dá pra vencer”, murmurou.
O herói se levantou lentamente.
Havia um buraco no peito dele.
E mesmo assim… ele sorria.
“Você realmente acha… que um ser como você pode interferir nisso?”
Ele avançou. Não rápido. Inevitável.
Heri tentou se mover, mas não conseguiu.
O herói tocou seu peito.
“Você foi corajoso. Isso é raro.”
Os olhos de Heri se arregalaram.
“Aiko…”, ele tentou sorrir, “vive… por nós.”
O toque se aprofundou.
O herói puxou.
A alma de Heri foi arrancada como se fosse um fio frágil.
Aiko gritou.
“NÃO!”
Heri olhou para ela uma última vez, mesmo enquanto sua essência se desfazia.
“Obrigado… por me deixar lutar ao seu lado.”
O herói fechou a mão.
A alma de Heri foi destruída.
O impacto foi tão violento que o mundo afundou vários metros, criando um abismo sem fundo.
Mais poder voltou.
Bruto, humano, determinado, o legado de Heri se fundiu a Aiko.
Ela caiu de quatro no chão.
Respiração falhando.
Coração batendo como um tambor de guerra.
Silêncio.
O herói observava.
“Agora…”, disse ele, com voz mais baixa — só sobrou você.
Aiko se levantou lentamente. Seus olhos não eram mais apenas vermelhos. Eram negros… com um brilho dourado no centro.
“Você…”, sua voz saiu distorcida, múltipla, “tirou tudo.”
O chão ao redor dela começou a se desfazer, partículas subindo como poeira reversa.
“Eu destruí âncoras”, respondeu ele, “E agora você está completa.”
Aiko levantou a cabeça. E sorriu. Não um sorriso de esperança. Um sorriso de ódio absoluto.
“Então venha.”
O impacto do primeiro golpe apagou o horizonte.
Eles colidiram no centro da realidade, força contra força, vontade contra vontade. Cada ataque rasgava leis físicas, cada defesa custava fragmentos de existência.
Aiko lutava sem técnica. Sem piedade.
Cada golpe carregava Lilith. Cada impacto carregava Heri.
“VOCÊ NÃO TEM O DIREITO!”, ela gritava, golpe após golpe.
“DIREITO É UMA ILUSÃO!”, o herói respondia, sangrando, mas avançando.
Eles começaram a se destruir.
O corpo de Aiko rachava. O do herói se desfazia.
Partes do mundo simplesmente sumiam, como se nunca tivessem existido.
“Se eu cair”, disse o herói, cuspindo sangue, “tudo acaba comigo.”
“ENTÃO ACABE!”, Aiko rugiu.
Ela concentrou tudo.
Lilith. Heri. Raiva. Dor. Existência.
O herói fez o mesmo.
Dois pilares colidindo. Dois fins possíveis.
O Arkanth se quebrou. Aiko também.
Um clarão branco engoliu tudo.
Não houve som. Não houve tempo.
Apenas… nada.
Não havia luz. Não havia escuridão. Não havia espaço.
Aiko não sentia o próprio corpo, porque ele não existia mais. Ainda assim, ela era. Um pensamento solto, um eco de vontade, sustentado apenas por algo que se recusava a desaparecer.
Então… algo surgiu.
Um ser de formato humano.
Não caminhava, não flutuava, estava.
Seu corpo era transparente como vidro puro, mas suas bordas pulsavam em cores impossíveis, tons que não pertenciam a nenhum espectro conhecido. Cada cor mudava suavemente, como se refletisse todas as emoções que já existiram.
Ele olhava para Aiko.
Ou talvez… para o que restara dela.
▷Sistema: Erro… Você não consegue renascer pois seu mundo foi destruído.
O sistema falha e some.
O ser inclinou levemente a cabeça.
“É…”, disse, com uma voz que não ecoava, mas preenchia, “este mundo acabou mesmo.”
Aiko tentou falar.
Não havia boca. Não havia som.
Mesmo assim, sua resposta existiu.
“Então… eu falhei?”
O ser sorriu, não com alegria, nem tristeza. Com compreensão.
“Não. Você apenas chegou até o fim.”
Ele observou o vazio ao redor, onde antes havia realidade.
“Mundos nascem. Mundos sofrem. Mundos acabam. O erro…”, continuou, “foi achar que isso precisava ser evitado a qualquer custo.”
Aiko sentiu algo que não sentia desde antes da batalha.
Cansaço.
“E eles?”, perguntou, sem palavras, “Lilith… Heri…”
As cores nas bordas do ser oscilaram suavemente.
“Nada do que foi verdadeiramente vivido se perde”, respondeu, “Mas também… nada retorna igual.”
Silêncio.
“E agora?”, Aiko perguntou.
O ser olhou para onde um dia existiu um céu.
“Agora… você descansa.”
Ele deu um passo, e o vazio pareceu aceitar isso como um fato.
“Outros mundos ainda respiram. Outras histórias ainda doem. Esta… terminou.”
Aiko fechou os olhos que já não tinha.
E pela primeira vez desde que nasceu…
Ela deixou de lutar.

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