Capítulo 6 - Batalha de Vesangres
O chamado da cavalaria ecoou por todo o campo de batalha. Avitus e seus homens avançavam em uma carga frontal diretamente contra o inimigo. Michael escutava o galopar incessante martelando os campos. Quase quatro mil cavaleiros seguiam impiedosamente, com o duque liderando na vanguarda. Em menos de cinco minutos, o regimento de Ventria já podia ouvir os gritos distantes e o choque brutal de metal contra metal.
A cavalaria pesada dos Orevastor era a joia do Sacro Reino, a nata das forças móveis do exército. Equipados com couraças imponentes e insígnias reconhecíveis à distância, aqueles homens eram feitos para serem vistos e temidos. Contudo, aquela batalha exigia planejamento meticuloso, vantagem de terreno e batedores avançados, algo que claramente foi neglegenciado.
A marcha até o caminho da floresta já havia sido exaustiva para as forças artelianas. Diversos combatentes carregavam pesos variados sob um sol quase no zênite, atravessando um terreno lodoso e inundado. Muitos tinham as pernas presas momentaneamente pela lama densa.
A força de milhares de cavalos e seus montadores, pisoteando aquele solo traiçoeiro, foi retardada e presa, tornando-se alvos fáceis para os atiradores haestenianos. Os que conseguiram completar a carga e enfrentar o inimigo caíram na mira dos arqueiros, que já haviam montado suas defesas.
Apesar de tudo, o que mais surpreendeu Michael foi um som único, repetido várias vezes em um curto intervalo de tempo, cerca de trinta minutos após o início do combate: o estampido seco de um mecanismo muito familiar em seu mundo, o da pólvora sendo acionada, dezenas de vezes.
Mesmo com a vantagem defensiva, o principado ordenou que seus batalhões de lanceiros corressem para preencher os espaços entre os arqueiros na linha de frente, formando uma parede impenetrável contra os cavaleiros de Avitus. Este erguia seu cavalo para reunir as tropas e ordenar a retirada, quando sentiu uma ardência violenta no braço esquerdo. O duque havia sido atingido por um objeto desconhecido a uma velocidade impressionante, na fossa cubital, destruindo articulações e músculos. Seu braço esquerdo foi praticamente partido em dois: do ombro até o cotovelo permanecia, enquanto o restante pendia num ângulo grotesco.
Quando percebeu o que havia acontecido, o homem perdeu completamente a racionalidade e fugiu em desespero para a retaguarda. O resto da unidade debandou sem qualquer organização. O líder Vitazi rapidamente assumiu o controle da situação, ordenando que suas unidades de elite prosseguissem.
Os mercenários tentavam entrar em formação, organizando-se em linhas próximas umas das outras com seus longos piques. Usavam armaduras, que protegiam apenas o peitoral, de aço pesado e capacetes sem viseiras, moldados para a caixa craniana. No entanto, o chão acidentado e a cavalaria em franca dispersão atrasavam o processo e, em alguns casos, faziam os homens serem pisoteados por forças aliadas. O duque Vitazi viu um de seus soldados caído no chão, segurando com as duas mãos a perna direita e gritando após ser atropelado.
— Maldito seja Avitus — murmurou o duque Alexios Vitazi, contemplando o desastre que se desenrolava em tempo real. — Capitão! — gritou, enquanto descia de sua montaria.
— Senhor Vitazi? — respondeu o capitão, de nome Acrisius.
— O que seus homens estão fazendo? — questionou o nobre irritado.
— Tentando salvar esta batalha. Entretanto, o patrono dos Orevastor parece ter outros planos — respondeu o chefe dos mercenários, com sarcasmo.
Neste momento, o cavalo de Avitus passou como um vulto ao lado dos dois. Alexios virou o rosto e viu o aristocrata segurando o braço esquerdo, que balançava como uma bandeira rasgada presa ao mastro. A cena provocou nojo em Vitazi. Acrisius apenas observou com desdém a reação de seu contratante.
Em um ato de desespero, o fidalgo berrou:
— Mensageiro! Venham aqui!
Rapidamente, um jovem que parecia nunca ter feito a barba em sua vida, surgiu e respondeu:
— Senhor!
— Jovem, vá até as nossas guarnições. Todas elas. Chame-os como reforços!
O capitão Acrisius tentou argumentar:
— Senhor Vitazi! A retaguarda ficará desprotegida! Está pedindo para sermos cercados!
— Não posso permitir que voltem a me chamar de fraco e covarde! A honra de mim e da minha casa está em jogo!
— Que Magnório nos proteja… — lamentou o capitão mercenário.
O garoto recadeiro começou a correr em direção às unidades.
Enquanto isso acontecia, Michael conversava com Will e Ervirgius, mantendo guarda e esperando um possível avanço. O jovem ruivo perguntou:
— Mestre Ervirgius, o que foram aqueles barulhos? Magos de Hæsteinn?
— Tem que ser mais específico, senhor Tebalus — replicou o instrutor.
— Você sabe… aquela série de trovões “secos” — disse Will, gesticulando as aspas.
— Não se preocupe. Talvez seja um dos motivos por que vamos perder — respondeu Athabas, seco, sem querer dar mais detalhes.
Do lado oposto, percebendo que as forças artelianas estavam sem uma linha defensiva clara, um batalhão de trezentos homens haestenianos avançava pela floresta em busca de melhores posições para disparar seus projéteis. O som de sua marcha ficava cada vez mais próximo da pequena guarnição. Michael alertou seus colegas:
— Companheiros, temos encrenca!
Os recrutas de Ventria reconheceram imediatamente a voz do “Ajudante de Marcha” e se prepararam para a iminente escaramuça. Vallos, no entanto, disse aos seus:
— Provavelmente não é nada, homens. Apenas um plebeu medroso.
Até que os mesmos sons escutados minutos antes se repetiram, desta vez atrás do flanco mais ao leste, guardado pelos homens de Hetgusta. O veterano se virou e viu vários caídos urrando de dor. Suas armaduras haviam sido inúteis, incapazes de impedir a penetração dos projéteis ou de absorver a força cinética que quebrava ossos e causava hemorragia interna. Alguns sortudos caíam já mortos. Na densa floresta, uma crescente parede de fumaça começava a subir. Eram armas de fogo.
Por um instante, o forasteiro travou, tentando raciocinar o que estava acontecendo. Magia ainda lhe parecia mais crível do que aquilo. Em momento nenhum ele havia tomado conhecimento de que existia esse tipo de armamento naquele mundo. O principal problema, raciocinava o veterano, seria descobrir quão avançados eram os tipos usados pelo inimigo.
Sem dar explicações, Leone partiu num movimento quase irracional, correndo em direção ao inimigo para ter uma visão melhor. Foi impedido pela milícia que se retirava de forma descoordenada. Para sua estranha fortuna, o adversário saiu da proteção da mata e subiu a pequena encosta.
Na mão de um homem de idade madura, sem nenhuma armadura e vestindo apenas roupas firmes de trabalho, havia uma forma primitiva de expressão da arte da pólvora: um cano longo com grandes partes de madeira e, do lado direito, um fecho de mecha incandescente. Michael reconheceu o tipo imediatamente, mosquetes no estilo matchlock.
Sua sorte durou pouco. Foi recebido por uma saraivada de doze disparos na direção geral da linha em fuga. O veterano rapidamente encolheu o corpo para se proteger e depois correu o mais rápido que pôde de volta à sua posição. Chegando sem fôlego, tentou dizer aos dois instrutores:
— Precis- Precisamos agir agora!
Michael respirou fundo e continuou:
— Ou recuamos, ou avançamos. Aqueles homens estão sem… — Ele parou. Como explicaria o conceito de munição àqueles homens em poucos segundos? Espertamente, prosseguiu: — Eles estão sem “flechas”. Apenas acreditem em mim.
O veterano apontava para o inimigo quando uma segunda saraivada causou ainda mais danos aos recrutas hetgustinos. Ervirgius testemunhou toda a situação e, escolhendo confiar no promissor jovem recruta, gritou com todo o ar dos pulmões:
— HOMENS! PREPARAR PARA AVANÇAR!
Trezentos metros separavam os dois lados da pequena escaramuça. E os recrutas enfrentariam o terror da guerra frente a frente pela primeira vez. Michael assumiu naturalmente a vanguarda e proclamou, enquanto seus homens ajeitavam espadas, lanças, machados ou qualquer arma que tivessem:
— Ao meu sinal, avancem! Sem temor, sem hesitação. O inimigo estará indefeso! Para isso, eu peço que confiem em mim, pelo menos esta única vez!
Todo o batalhão aclamou o jovem Leone com gritos ensurdecedores. Ele havia conquistado o respeito de rapazes e seniores com suas ações: trabalhando incansavelmente na forja improvisada sem receber nada em troca para fortalecê-los, e nunca os tratando com indiferença ou desdém. O instrutor Ervirgius aproximou-se e entregou sua espada de forma simbólica a Michael, dizendo:
— Todos que me conhecem me chamariam de louco. Todavia, quer saber, senhor Leone? Talvez toda a minha vida tenha faltado um pouco de loucura. Vi muitos morrerem futilmente, mas eu sei que você não fará isso. — Ele terminou a frase batendo a bainha da lâmina contra o peito de Michael.
Um pouco surpreso, o forasteiro abraçou o estojo de maneira desajeitada. Michael acenou positivamente com a cabeça e agradeceu com sinceridade:
— Obrigado.
Tirando a arma de seu repouso, ele caminhou até a frente da formação. Uma terceira saraivada inimiga ecoou. Michael respirou fundo e estrondeava com toda a força:
— AVANÇAR! AVANÇAR!
Sob brados indistinguíveis, cento e treze homens se lançaram contra as linhas inimigas. Os arcabuzeiros, ainda no processo de recarga, foram surpreendidos, imaginando que todos estavam em debandada. Eles estavam sem armadura, tirada propositalmente devido ao peso que atrapalharia na lama, visando um avanço rápido. Leone, segurando a espada com as duas mãos, desferiu um golpe vertical descendente, rasgando os músculos do trapézio direito de um pobre adversário.
Michael fechou os olhos por um instante quando o sangue espirrou em seu rosto, ele havia cortado uma artéria. A espada prendeu-se por alguns segundos no corpo do oponente, custando a sair. Ao seu redor, companheiros terminavam a vida da infantaria do principado sem relutância. A fileira frontal do batalhão haesteniano contava com cerca de uma centena de homens.
Escutando os sons do combate, uma segunda coluna inimiga saiu da floresta e imediatamente apontou suas armas. O veterano ouviu o comandante gritar:
— FOGO!
Pegando o colarinho da camisa do rival ferido, Michael o usou como escudo humano contra os disparos. Ele sentiu os balotes atingindo as costas do homem que segurava. O fogo amigo acertou mais os próprios aliados do que os homens de Michael. Este continuou ordenando a carga.
Desta vez, noventa e quatro homens correram em direção à pequena colina de frente para os bosques, digladiando-se contra coronhadas e ocasionais adagas. Neste segundo avanço, Leone matou um adversário com uma estocada certeira no pescoço. Quando olhou para o lado, viu o instrutor Calistus lutando bravamente contra três inimigos. Até que um caído no chão pegou sua arma ainda carregada e disparou a menos de cinco passos, acertando-o nas costelas. Mesmo com a armadura, o impacto fraturou a caixa torácica de Calistus. A pancada fez sangue entrar em suas vias aéreas.
A última visão de Michael foi Calistus com a boca enchendo de sangue, despencando já sem vida. Alguns instantes depois, o batalhão começou a correr em direção à floresta. A ação foi um sucesso a favor dos artelianos. Michael havia vencido por uma mistura de coragem, sorte e conhecimento.
Ainda incrédulo, Michael deixou-se cair no chão úmido coberto pela copa das árvores. Respirava com dificuldade, sem conseguir acreditar no que acabara de fazer. Olhou para trás e viu os soldados comemorando. Até que escutou passos. Ergueu preventivamente sua lâmina, mas relaxou ao ver que era Will, com o peitoral inteiro manchado de sangue.
Will estendeu a mão para ele:
— Vamos, a batalha ainda não acabou.
Michael segurou-se na mão do companheiro ruivo e respondeu:
— Tem razão.
O forasteiro virou o rosto e viu o instrutor Calistus sem vida, o olhar vazio e sem brilho. Caminhou até o cadáver, agachou-se e fechou os olhos do falecido, sussurrando:
— Descanse em paz.
Com cuidado, Michael ergueu o corpo, carregando-o com respeito até a luz do fim da tarde nos campos abertos, que haviam se transformado em um mar de feridos e mortos. A dupla avistou Ervirgius de braços cruzados. Michael aproximou-se e disse:
— Me perdoe, Mestre Ervirgius.
O instrutor suspirou profundamente, mal conseguindo esconder o luto:
— Ah, Calistus… Um bom homem Ventria perdeu.
O veterano depositou o corpo no chão. O senhor Athabas abaixou-se para prestar suas condolências. Enquanto isso, Michael observava o estado da tropa. Entre os feridos aliados e rivais agonizantes, uma silhueta reluzente chamou sua atenção. Ele se aproximou rapidamente. Era Vallos IV de Renstol, deitado de costas. Ao virá-lo, viu que o jovem nobre estava desmaiado. Estilhaços do tiro haviam deformado sua armadura ornamentada na espádua esquerda.
A bala não conseguira perfurar a couraça, e a região atingida causaria, no máximo, um ombro deslocado. O jovem simplesmente colapsara por nunca ter sentido dor semelhante na vida, pensou Michael. As maiores baixas estavam entre os hetgustinos.
Dos duzentos que haviam marchado do interior do reino até a vila de Vesangres, cinquenta e quatro estavam feridos e mais de quarenta mortos pelo aço haesteniano. Michael ordenou que um de seus homens carregasse o corpo do rapaz nobre nas costas, removendo suas peças embelezadas.
Foi então que o mensageiro chegou à área, quase colapsando de tanto correr. Tentou dizer, ofegante:
— O duque…
— Acalme-se, garoto — falou Michael, abrindo um cantil de água. — Aqui, beba um pouco disto.
O mensageiro bebeu quase todo o conteúdo, agradecendo imensamente. Recompondo-se, ele falou:
— O duque Vitazi quer que as guarnições voltem e atuem como reforços!
Michael trocou um olhar com Ervirgius, que acabara de chegar. O veterano afastou-se sutilmente para uma parte mais elevada, de onde era possível ver o que acontecia na linha principal: o exército completo de Artel fugia desordenadamente do campo de batalha, enquanto o senhor Vitazi tentava coordenar tudo em vão, com as forças do principado perseguindo-os. Eram cerca de cinco da tarde, e o céu exibia um lindo tom laranja, preparando-se para o pôr do sol.
O veterano perguntou sem temor:
— Tem certeza de que essa ordem ainda é válida?
Ervirgius interveio:
— Podemos ser condenados por traição se fizermos o que você está pensando. O duque Vitazi é um ser nefasto que adora bode expiatórios para seus fracassos…
— Jovem — disse Michael, colocando a mão direita no ombro do garoto — você vai dizer, se alguém perguntar, que a ordem não pôde ser transmitida.
— Mas senhor, eu seria preso ou até morto se mentir assim! — protestou o ingênuo rapaz.
— É simples então: diga que seu cavalo foi morto por fogo inimigo e que você ficou preso embaixo dele. Até que nós o resgatamos enquanto fugíamos acovardados de um batalhão inimigo — respondeu o veterano.
Ervirgius ficou surpreso com a sagacidade de Leone. Ele tiraria seus homens do maior risco do dia, enquanto dava ao rapaz um álibi plausível. A história mais absurda seria dizer que os recrutas buchas de canhão haviam vencido um batalhão haesteniano sozinhos, enquanto a cavalaria mais forte do Reino fora humilhantemente derrotada.
O mensageiro concordou relutantemente com a proposta de Michael. O mestre Ervirgius olhou para ele e perguntou:
— Você sabe o que acabou de fazer?
— Sim — respondeu Michael. — E estarei preparado para encarar até o fim as consequências de minhas ações, se necessário.
O veterano apontou para a unidade de Ventria e completou:
— Eles não precisam de mais riscos fúteis. Vencemos por sorte hoje. Não deixarei que morram por causa de um nobre desesperado.
O instrutor apenas acenou com a cabeça, hesitante. A batalha de Vesangres estava encerrada. Bastava os derrotados procurarem seu próprio caminho de volta. Michael vencera uma pequena escaramuça, uma glória que apenas os que a lutaram saberiam, enterrada por vontade de seu próprio vencedor, em busca de salvar as vidas de seus comandados.
Finalizando o caótico dia, Michael pegou seu amassado maço de cigarros e retirou o último exemplar. Ao encaixá-lo entre os lábios, esmagou a caixa vazia e a deixou cair no chão. Rapidamente, o veterano e o instrutor começaram a reunir as tropas para retornarem o quanto antes ao vilarejo.
Dezenove homens deixavam para trás uma vida inteira, alguns até mesmo famílias, de forma prematura. Dezenove filhos que quebravam a ordem natural da vida, deixando seus pais. Eles nunca envelheceriam.
Quase à meia-noite, os últimos do batalhão de Ventria cruzaram os portões do vilarejo. O retorno havia sido tenso, uma mistura de ansiedade por estarem sendo perseguidos e desconfiança em relação ao resto do exército. A moral no acampamento estava praticamente nula. Horas antes, um ferido Avitus chegara e caíra de sua montaria no centro do acampamento, recebendo tratamento imediato, um indicativo do desastre que estava ocorrendo.
Os cavaleiros artelianos, outrora gloriosos e temidos, haviam sido a peça central da humilhação. Sua honra fora destroçada pela arrogância do comandante Orevastor. Os mercenários de Vitazi recuaram ao encontrarem a primeira resistência séria e a confusão na cadeia de comando. O restante fora cercado pelo inimigo.
A perseguição do principado fora eficiente: capturaram quase oito mil homens, além de deixar perto de mil feridos e três mil mortos. Uma perda de dois terços do contingente total. Michael e seus colegas haviam testemunhado um dos dias mais sombrios da nação arteliana em sua história moderna. O forasteiro observava de braços cruzados o acampamento se preparando para recuar de forma definitiva do local.
— Lutamos uma batalha completamente diferente da maioria — comentou Michael a Ervirgius.
O instrutor mantinha uma expressão melancólica e séria, encarando o horizonte antes de responder:
— Outra derrota para meus registros.
— A mesma coisa aconteceu sete anos atrás?
— Sim. Foi o último ato do rei anterior: declarar guerra e perder — completou o mestre. — Não se preocupe, posso garantir que Vesangres foi bem pior.
— O que nos resta é seguir em frente, senhor Athabas. Fizemos mais do que deveríamos ter feito — disse Michael.
Michael já havia se virado para ir embora para sua tenda quando escutou Ervirgius chamá-lo:
— Michael.
— Sim, senhor?
— Quero que seja o meu vice. Depois de Calistus, não há ninguém mais capaz que você.
O veterano respondeu:
— Preciso pensar nisso, senhor.
— É claro.

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