05 Meu jogo do desespero
Autor: Kail
Quando você vê alguém cair na rua, o que você pensa?
Você sente pena da pessoa e tenta ajudá-la?
Você finge que nunca viu?
Talvez você desdenhe do descuido daquela pessoa?
Ou você sente pena dela?
Não importa qual dessas ações você escolha, uma única coisa não muda:
Você agradece.
Agradece por não ser aquele que caiu, agradece por não ser aquele recebendo olhares de
pena ou desdém, agradece por não ser tão descuidado e promete a si mesmo que não vai
ser como ele.
Mas e o que a pessoa que caiu pensa?
Ela amaldiçoa sua falta de atenção?
Ela amaldiçoa aqueles que olham com desdém para ela?
Ela amaldiçoa aqueles que olham com pena para ela?
Ela amaldiçoa aquele quem parou para ajudá-la?
Ela se sente irritada por ter caído, se sente irritada por nem mesmo saber andar direito, se
sente irritada por ser olhada dessa forma, se sente irritada por precisar de ajuda com isso e
promete a si mesma que nunca mais vai cair dessa forma.
O que isso tem a ver com minha história você pergunta? Bem, digamos que a pessoa que
caiu seja um jovem.
Um jovem como qualquer outro, nem muito bonito e nem muito feio, ele vivia sua vida
tranquilamente como qualquer outro com amigos normais, notas normais, hobbies normais,
uma família não tão normal assim, mas ele podia ignorar.
Seu tempo na escola era tranquilo, ele ficava em maioria com seus amigos, se divertindo,
brincando e conversando sobre coisas fúteis como qualquer adolescente comum.
Mas, ele pouco sabia que toda essa calmaria iria mudar…
Até que um dia ele tropeça e cai. Mas não foi uma queda normal, ele acidentalmente caiu
sobre a maior beleza da escola. Claro que ele se levantou tão rápido quanto se desculpou
com ela por seu descuido, o que ela prontamente aceitou com um sorriso “gentil”, mas isso
não acabaria por aí…
No próximo dia, o jovem percebe que seus “amigos” estão obviamente se esquivando e o
ignorando. E claro que o jovem ficou confuso, mas depois de mais algumas tentativas de
conversa ele decidiu desistir e tomar isso como algum tipo de brincadeira estúpida…
E isso durou por cinco dias completos, o jovem tentou e tentou durante esses dias, mas não
conseguiu descobrir o porquê de seus “amigos” estarem fazendo isso com ele. Será que ele
ofendeu eles? Mas como ele fez isso com todos eles ao mesmo tempo? Ele cometeu algum
tipo de erro sem perceber? O jovem não estava confuso.
No início do sexto dia, o jovem chegou em sua sala e se deparou com uma mesa cheia de
lixo e completamente rabiscada. Ele também notou que estava recebendo muitos olhares
estranhos dos seus colegas, alguns estavam cheios de desdém, outros cheios de ódio e
alguns de pena.
Irritado com esses olhares, o jovem gritou para que o culpado aparecesse, mas ninguém se
moveu enquanto os olhares só se intensificaram. Depois de gritar mais algumas vezes sem
receber nenhuma resposta, o jovem ficou confuso, ele teria ofendido não só seus amigos
mas também a sala inteira? Ele não conseguia lembrar de quando ou como ele fez isso, o
que o deixou ainda mais confuso.
Essa situação se repetiu durante os cinco dias seguintes, sem o jovem descobrir o porquê
nem quem fez isso. No décimo primeiro dia, o jovem entrou em uma briga, ou melhor, foi
brutalmente espancado por um grupo de pessoas. O motivo era que ele suspeitava que
uma delas poderia ser o culpado e, de alguma forma, uma conversa pacífica se tornou um
espancamento brutal. Essa foi a primeira vez que o jovem se meteu em uma briga, e como
consequência, ele passou a próxima semana completa no hospital.
No décimo oitavo dia o jovem voltou para escola, para descobrir que os olhares já não se
limitavam a sua sala, e que também já não haviam mais olhares de pena entre eles.
No décimo nono dia o jovem se meteu em outra briga, dessa vez resultou em seis dias no
hospital. Dessa vez o motivo foi pelo jovem ter sido acusado de roubar algo do grupo, mas
ele se recusou a deixá-los revistarem ele.
No vigésimo quinto dia o jovem mais uma vez em uma briga, dessa vez foram mais sete
dias no hospital. O motivo? Ele estava no caminho.
No trigésimo segundo dia… e no trigésimo sétimo… no sexagésimo quinto… o motivo? Ele
já não se lembrava mais… isso realmente importava?
No ducentésimo dia o jovem entendeu o porque de tudo isso estar acontecendo, tudo por
culpa de um maldito tropeço! O jovem começou a amaldiçoar o dia em que ele caiu sobre a
maior beleza da escola, amaldiçoar seus tão chamados amigos que o abandonaram sem
pensar duas vezes, amaldiçoar aquelas pessoas que batiam nele sem motivo, amaldiçoar
aqueles que observavam tudo sem fazer nada, a se amaldiçoar por não poder fazer nada.
Os dias se passaram e tudo só piorou, a melhor amiga daquela mulher e o namorado dela,
o comediante, o esportista, a jornalista, a corredora, o gênio, o festeiro e sua namorada… e
principalmente aquela mulher, o jovem jurou que todos eles pagariam!
Mas, com o tempo, todo ódio foi substituído por desespero, e quando ele se entregou ao
desespero…
[ Parabéns~ Graças a sua vida miserável, você foi escolhido para participar do meu
adorável joguinho, o que acha? Bem~ não é como se você pudesse recusar né~? ]
Algumas letras surgiram em sua frente, antes de tudo escurecer.

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