20 Um simples e doce pudim
Autor: Nakarote
Em um simples escritório um homem se encontra teclando em um diminuto notebook, o teclado mal cabendo na mão do sujeito. Ele devia estar nos seus vinte, seus cabelos ainda se encontravam em um sadio tom escuro. Um ruidoso tec tec tec inundava a sala, caixas de papelão ocupavam o recinto, algumas empilhadas organizadamente enquanto outras se encontravam espalhadas aleatoriamente pelo aposento, um bocado delas ainda estavam cheias de tralhas aguardando ansiosamente para serem desocupadas Em uma das caixas que estava aberta podia-se enxergar um quadro emoldurado em branco perolado, no centro um casal de mão dadas, embaixo deles luxuosas letras formavam a frase: Recém-Casados. O pequeno monitor do notebook estampava tabelas com receitas e despesas a pagar. Seria um mês complicado, talvez terminariam o mês em vermelho caso não cuidassem da economia.
– Fazer o que – o jovem rapaz suspira enquanto ajeita os óculos de armação fina – O primeiro mês sempre é difícil
Pequenos feixes de luz entravam pela veneziana iluminando o recinto – vazio apenas com uma mesa central e as caixas que deixavam o ambiente não tão inânime. O sujeito quase terminando a somatória do mês quando um grito irrompe de algum lugar fora da sala.
– Quem?!! – uma cabeça ruiva surge pelo batente esquerdo da porta.
– Quem o que?- indaga o jovem virando-se na cadeira para encarar a garota.
Era uma mulher bonita, cabelos ruivos selvagens escorriam até a altura dos seios que contrastavam com os olhos verdes e as pintas que salpicavam seu rosto, vestia uma longa camisa branca com a logo de Zelda que ia até a metade da coxa – camisa dele – e provavelmente um short – que não dava pra enxergar por causa da camisa – ela ainda usava meias diferentes o que dava a impressão de que vestira qualquer roupa que enxergou no guarda roupa.
– Quem comeu o meu pudim?!!! – vocifera apontando com um olhar acusador para um prato em uma das suas mãos.
O homem olha para o prato melado do que seria o restos do pudim.
– Não sei – responde dando de ombros
– Matheus Santos de Andrade – começa a mulher tentando manter um tom calmo- Só tem eu e você nesse apartamento, e não foi eu que comi.
– Se sabe porque pergunta? – rebate o homem virando a cadeira novamente para encarar o notebook, em seu rosto um meio sorriso estampado – ele gostava de perturbar sua namorada, ou melhor, sua esposa.
Um olhar furioso cruzou a expressão da esposa, ela enrubesceu como se a cor do cabelo escorresse de uma vez para o rosto, levantando um pouco o prato a mulher imaginou qual seria o melhor ângulo para atingir em cheio a cabeça do cônjuge. O homem tornou a virar a cadeira impedindo assim da mulher escolher a posição do prato com melhor aproveitamento.
– Olha façamos assim – o homem levantou da cadeira retirando o prato das mãos da ruiva, desarmando-a – Eu faço a janta hoje, eu sei que gosta de comida casei-
– Eu recuso – a jovem rechaça enquanto vira a cabeça para o lado.
– Que tal um sorvete?
– Eu recuso
– Poema em sua homenagem?
A mulher pensa por um instante antes de soltar um sonoro:
– EU RECUSO!!
– Uma ida ao cinema? – Matheus tenta mais uma vez, imaginando se alguma hora a cabeça da ruiva iria cair de tanto balançar a cabeça
– Eu recuso – Seus cabelos já estavam bagunçados de tanto balançar a cabeça
– Ah qual é Sofia – o jovem responde já exasperado – É uma ida ao cinema, com cinema vem o shopping junt- o rapaz para de imediato pensando no que estava fazendo, recusando um pudim, para gastar em um shopping, era como se estivesse passando uma rasteira em si mesmo.
A jovem cruza os braços, pronta para alguma outra tentativa do marido.
– Vamos comprar um pudim – suspira o homem, perdera a guerra.
– Eu recus….pera, o que acabou de falar? – a ruiva pergunta incrédula – Desistiu?
– Sim, vamos logo antes que eu mude de ideia.
– Sério mesmo que desistiu? – Sofia pergunta mais uma vez para confirmar
– CLARO – responde ele trincando os dentes – Onde vamos comprar? Na padoca aqui do lado deve ser mais barat-
– Não vamos comprar – declara a jovem com um sorrisinho estampado no rosto
– Não vamos comprar?
– Não – responde ela, o sorriso no rosto crescendo a cada segundo que passa.
– Se não vamos comprar – reflete o homem coçando a barba rala – Então quer dizer que vamos faz-
– EXATO – revela ela, cortando a frase do cônjuge pela terceira vez em menos de uma hora, talvez fosse um passatempo dela.
– Ok, só deixa eu salvar a planilha – Matheus consente se encaminhando para o notebook. Em apenas alguns cliques volta para Sofia que o aguarda com um sorriso no rosto.
Ela enlaça os braços ao redor de sua cabeça.
– Obrigada Mat – fala ela, puxando a cabeça dele para um beijo – ela era uns bons dois palmos mais baixa, o que forçou-a ficar na ponta dos pés.
Ela se desvencilha dele, puxando o atordoado e rubro Matheus para uma lição de culinária na cozinha.

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