Autor: Isekaied

    Um spin-off da minha webnovel Crônicas de Poeira e Ferrugem, publicada aqui na Vulcan, e conta sobre um evento do passado de personagens secundários com importância nas tramas futuras, que servirá também para expandir o universo dessa minha obra que eu tenho tanto carinho.

    O cheiro do ferro se elevou entre as poeiras do deserto. Ahmed observou apreensivo a sublime dança da areia e tampou o rosto com o tecido de seu turbante para esconder-se da rajada que cortou o ar na sua direção.

    Suspirou, mas antes de retornar, analisou o campo de cima de um monte de pedra. Uma “savana” se formava com sua grama de mato seco e árvores de poucas folhas em intervalos distantes pela área. Nenhum animal parecia visível, pois a noite chegava e sua visão se tornava menos clara com a escuridão que se tomava.

    “Até os animais já parecem ter notado…”, pensou e acreditou que isso seria a pior coisa que poderia acontecer. Outra vez, suspirou por baixo do vestuário do tecido em sua face, enquanto retornava de onde saira.

    Uma tenda, não mais do que alguns passos de distância, erguia-se de maneira primitiva. Com as rajadas de vento, parecia ameaçar se desabar, mas Ahmed acreditava na sua capacidade de armar a barraca e mantê-la intacta.

    Adentrou o ambiente, revelando para si a cena que o preocupava. Um homem, idoso da cabeça aos pés, ajoelhava-se com dificuldade ao lado de uma mulher catatônica, não mais velha do que seus vinte e cinco anos.

    Podiam parecer pai e filha, mas o vínculo de ambos era muito além daquilo. Mesmo assim, Ahmed ainda não conseguia compreender exatamente a relação dos dois. Eles possuíam um respeito mútuo tão profundo, que superava qualquer relação mundana. Ou possuíam, tendo em vista que se encontrava incapacitada.

    — Temos pouco tempo… — Ahmed disse, quebrando o silêncio que predominava na tenda. — Uma tempestade se aproxima — revelou, fazendo com que o idoso o olhasse profundamente consternado.

    — Uma tempestade… — aquilo soou mais como uma pergunta do que uma afirmação.

    — Sinto o cheiro do ferro no ar — Ahmed respondeu incerto se o idoso estava em dúvida. — Estamos a três dias de vantagem — buscou acalmar os “ânimos”, enquanto liberava seu rosto jovial, mas marcado pelo sol, o que lhe concedia uma feição mais velha do que seus trinta anos.

    Mesmo estando três dias de vantagem em relação a tempestade, a precisão de seu cálculo não era absoluta e ele podia estar plenamente enganado. Ademais, três dias eram pouco tempo para se fugir de uma tempestade em meio ao deserto.

    Ninguém parecia disposto a falar, então Ahmed se acomodou onde podia e ficou com seus pensamentos por um momento. Questionou-se porque havia acompanhado aquele idoso, Elijah, mas sabia que lhe devia um favor; um favor que não podia ser pago, nem por dinheiro, nem por palavras — somente com ações.

    Sua mão ainda doía, sempre que pensava nisso. Olhou para ela e acreditou poder mexê-la, mas na verdade, onde havia sua mão esquerda, estava apenas uma réplica, um molde de ferro, que não podia se mover, mas que a simulava em aparência de uma maneira escultural. Elijah havia feito para que ele não ficasse plenamente aleijado de sua mão e braço; assim podia pelo menos fingir ser capaz de segurar as coisas quando as colocava na palma dos dedos levemente curvados.

    — Observei a área, a savana — Ahmed retomou a conversa. — Não havia nenhum animal, mas estamos no fim do dia. Certamente, retornaram pela manhã… precisam retornar — afirmou enquanto acariciava inconscientemente sua mão de metal.

    — A savana, sim — Elijah pareceu aliviado. Levantou-se, como se tivesse alguma ideia. — Estamos perto da fronteira com os semi-humanos, não!? — Ahmed assentiu a contragosto. — Eu conheço um vilarejo, não muito longe daqui, podemos ir para lá.

    — Um vilarejo?

    — É. Me lembrei deles, agora que falamos na savana — Elijah disse com um tom animado. — Eles ficam a sudoeste daqui.

    — Mais próximo ainda da fronteira com os semi-humanos, a caminho de Jahenna? — Ahmed perguntou em um tom indesejavelmente irritado. Ele suspirou quando o velho Elijah pareceu recuar, pois havia cometido um erro em sua entonação.

    Ahmed não se dava bem, como muitos outros humanos, com as outras raças. Por mais que usassem deliberadamente o termo “semi-humano”, para o homem, eles sempre foram nada mais do que “animais”, mesmo que conscientemente inteligentes. Saber que ficariam mais próximos da fronteira, alertava-o imediatamente, o que o deixava irritado.

    — Acredito que sei que vilarejo falas, velho Elijah — o homem comentou, assim que se acalmara. Queria se redimir pelo seu tom. — Não é aquele vilarejo que havia sido abandonado depois da queda de Jahenna há oitenta anos atrás?

    — É, sim… — o idoso confirmou, — mas soube que eles repovoaram a região com o crescimento de Jahal — pontuou. Ainda que não fosse tão velho para conhecer alguém por lá, Elijah tinha conhecimento do vilarejo, bem como do seu repovoamento.

    — A quantos dias estamos de distância do vilarejo?

    — Dois dias, talvez. Três, se tivermos mais problemas — Elijah olhou consternado para a mulher deitada no chão. Ela não falava, não comia nem bebia direito. Estava em estado quase vegetativo.

    — Não vamos sobreviver a essa viagem… — Ahmed comentou pessimista. — Precisamos aproveitar a savana para conseguir algum alimento. Caso contrário, será difícil continuar e a tempestade nos alcançará antes do que desejamos.

    O homem, com seus trinta anos, já havia enfrentado tempestade de areias algumas vezes, mas certamente, não acreditava ter a mínima segurança de que sobreviveria se fosse capturado por essa. Todas as vezes, ele possuía tendas melhores, suprimentos de sobra e etc.

    Desta vez, por outro lado, a água estava acabando, a comida não existia mais, e eles carregavam uma mulher, para cima e para baixo, que não se movia, não comia, nem bebia por si própria. Desanimou-se, inclusive, até o ponto de acreditar que caçar na savana não fosse ser produtivo.

    — Mas como caçaríamos? — o idoso o retirou de seu devaneio.

    Ahmed olhou para além de Elijah e encontrou um menino, de doze ou treze anos, ajoelhado perante a mulher. Ele havia se aproximado das sombras da tenda e, apesar de jovem, sempre tinha a mesma expressão em seu rosto; uma expressão melancolicamente séria.

    — Com aquela arma… — ele apontou para o equipamento que o jovem carregava aos ombros presa por uma bandoleira.

    — A carabina — Elijah revelou em crescente entristecer, observando o jovem, que até então não se pronunciara. — É uma arma poderosa, não sei se serve bem para caça, mas… seja como for, ela não está funcionando — o idoso complementou, mas seu tom parecia dizer que ele escondia algo e Ahmed podia lê-lo.

    Diferente do idoso, que Ahmed podia ler através das entrelinhas de suas expressões, ele não conseguia compreender aquele menino, ainda que fosse anos e anos mais novo tanto com ele quanto com Elijah.

    — Pai… — disse o jovem ao vento, enquanto segurava a bandoleira de sua arma com uma mão e a outra repousava no rosto da mulher, que porventura, era sua própria mãe. — Dê-me o núcleo que o senhor guarda e eu caçarei o animal que o senhor deseja.

    — Rasheed… — o idoso tentou falar, assim que o garoto, de doze ou treze anos, que não devia ter mais do que um metro e cinquenta e poucos de altura, ficou de pé.

    O garoto não disse mais nada, e ainda assim, Elijah suspirou cabisbaixo e aceitou o pedido. Ele se aproximou de sua bagagem e a revirou procurando por algo. Trouxe até o menino uma pedra que era impressionantemente arredonda, ainda que pequena, e brilhava com o toque da fraca iluminação que havia dentro da tenda.

    Ahmed observou a cena em silêncio. Depois de obter a pedra, Rasheed pegou um pano e estendeu sobre o solo arenoso; ajoelhado, removeu a carabina de seu ombro e a repousou sobre o chão. Lentamente, mas com uma habilidade impecável, ele foi removendo as peças da arma, desmontando-a por completo.

    O homem conhecia um pouco sobre aquelas armas e nunca teve a oportunidade de ver uma tão próxima de si. “Carabinas…”, lembrou-se quando tocou um de seus cartuchos, feito aparentemente de ferro ou algum outro metal. Eram poucos, não mais do que cinco.

    — Nunca tive a oportunidade de te perguntar diretamente, garoto… — Ahmed falou, enquanto o menino se mantinha plenamente focado na arma, — como você conseguiu a arma dos anciãos?

    — Eu não a consegui… — Rasheed o respondeu, sem tirar os olhos. — Ela sempre esteve lá por mim, eu apenas fui guiado até ela. — a resposta pareceu enigmática para os ouvidos de Ahmed.

    — Aonde?

    — Uhm… — o menino continuou focado, enquanto colocava o núcleo brilhoso dentro de um espaço específico. — Nas ruínas, onde mais?

    “Um majus?”, o homem se questionou, mas sabia que era improvável. Rasheed era muito novo para ser um explorador, um aventureiro, que persegue antigas relíquias da Era dos Anciãos. No entanto, Elijah havia sido um…, e disso ele tinha certeza.

    — Eu tinha sete anos — o menino comentou, como se houvesse lido sua mente. — E o pai me guiou até lá.

    Ahmed acreditou que fosse como ele havia imaginado e continuou observando Rasheed montar a arma com um conhecimento vasto. Era como se tivesse feito aquilo várias e várias vezes no passado.

    — Amanhã, eu caçarei a gazela… — o menino comentou, repousando a arma em seu ombro através da bandoleira.

    O homem desejou pedir a arma para o garoto, pois acreditava que ele não conseguiria caçar o animal com ela, mas sua fala soou inteiramente confiante, que ele quase acreditou que não deveria fazê-lo. Mesmo assim, Rasheed recusou o pedido e foi descansar para a manhã seguinte.

    Ahmed tentou insistir, mas Elijah o confiou que ele não precisava se preocupar. Disse que Rasheed possuía olhos de águia e que era um ótimo atirador, mesmo que tenha disparado pouquíssimas vezes. Ele ficou um pouco incerto, mas como nunca havia usado uma arma de longa distância, não sabia se seria melhor do que um moleque de doze anos.


    O sol raiou, mas a poeira continuava a subir. O vento parecia ter piorado e Ahmed foi o primeiro a sair da tenda. Naquela manhã, temeu que seus cálculos estivessem definitivamente errados quando sentiu a rajada de vento beijar-lhe a face com violência.

    Olhou para o horizonte, mas tudo que pôde ver, foi o céu do crepúsculo matinal com seu sol se elevando na distância. Naquela situação, acreditou que deveria esperar antes de iniciar a caçada. Muito dificilmente se teria uma ótima abertura para capturar uma presa.

    Retornou para a tenda, onde esperou que o vento diminuísse. Acompanhou Elijah e Rasheed na primeira oração do dia. Elijah era um ótimo pregador, mas sabia que nunca havia sido patriarca. Era um homem devoto ao Senhor, mas havia sido um majus no passado relativamente distante.

    — Por que você deixou de ser um majus? — Ahmed o questionou, uma vez.

    Mas Elijah apenas se esquivou da resposta, dizendo que estava cansado daquilo. No entanto, ele sempre acreditou que havia algo a mais. O homem, agora idoso, trabalhava como artesão, produzia mobílias e outros produtos, mas era, na realidade, um armeiro, ou melhor, um ex-armeiro.

    No entanto, não era como os armeiros que produziam armaduras, mas um que trabalhou sobre os conhecimentos dos Anciãos. Um homem de um conhecimento vasto sobre os mistérios do passado, mas sempre evitava falar sobre isso.

    De bom coração, porém, deu-se o trabalho de produzir uma mão de metal para Ahmed, cujo qual o homem acreditava ter que pagá-lo, de alguma forma. E por isso, aceitava suas esquivas em relação ao assunto. Se ele não pretendia falar, não podia pressioná-lo.

    Depois da oração, viu Rasheed em um manto bege-dourado, que lembrava vagamente as areias do deserto. O rapaz caminhou até sua arma, que tirava somente para dormir e rezar, e colocou-a sobre o ombro. Mesmo que fosse pequeno, ele parecia se agigantar sempre que tomava posse de sua carabina.

    — Podemos ir? — o menino o questionou com seus olhos castanhos-esverdeados melancolicamente sério como sua expressão facial.

    — Deixe-me ver…

    Ahmed saiu da tenda outra vez, tendo como seu primeiro contato o sol que já se erguia mais alto do que a linha do horizonte. O vento havia perdido força com o passar da manhã, mas aquilo era apenas um momento de respiro, de alívio, pois o cheiro do ferro mantinha-se difuso no ar.

    Ahmed confirmou e, sem esperar uma resposta mais aprofundada, Rasheed prosseguiu em sua tarefa. Caminhou até a beira do monte, onde pareceu analisar o campo à sua frente, que eles consistiam em chamar de “savana”. Percebendo sua posição, ele seguiu a beirada, acompanhando o movimento lento de um pequeno grupo de gazelas.

    Desceu um pouco em algumas pedras, aparentemente procurando por uma posição mais privilegiada. Rasheed parecia bastante determinado e continuou descendo. Ahmed, ainda que mais velho, temeu por um instante pela sua vida quando saltou em uma pedra à beira de um precipício, que ainda que não fosse realmente alto, seria capaz de matar uma pessoa, se de lá, despencasse.

    Foi naquela mesma pedra, no entanto, que Rasheed pareceu encontrar sua melhor posição. O sol batia na lateral direita do rosto de Ahmed, marcando sua pele com seu beijo quente, mesmo com um vento que podia chegar a alguns quilômetros por hora.

    Observou o rapaz que usava seu manto cobrindo-lhe o corpo todo e o disfarçando momentaneamente nos solos pedregosos e arenosos do deserto. Quando puxou o capuz e escondeu a sua face, deitou-se e camuflou-se com o chão na tentativa de se esconder da manada.

    Parecia indiferente, tendo em vista que Ahmed estava com ele e vestia-se como um guerreiro, um soldado, com seu colete de couro lhe servindo como armadura e seu turbante como proteção para a cabeça e pescoço. Então, em teoria, não parecia fazer tanta diferença que ele se escondesse.

    Mesmo assim, Rasheed o fez. Deitado sobre o solo, posicionou sua carabina junto sobre o braço. A ponta de ferro ultrapassava milimetricamente a delimitação da pedra, e com ela, o menino acompanhou o movimento de uma gazela, que parecia tranquila em sua alimentação.

    Ahmed duvidou momentaneamente que o rapaz teria êxito e acreditava que deveria, desde o início, tê-lo pego a arma. Não era um caçador, era verdade, mas era mais velho e possuía uma sabedoria que só vinha com o tempo.

    De qualquer modo, ajoelhado, ele deixou o garoto. Era tarde demais para exigir qualquer coisa e precisava confiar nele. Por um instante, enquanto o olhava tão focado, teve uma mudança repentina em sua sensação para com o garoto. Era como se um conflito entre o lógico e o emocional tomasse conta de sua pessoa.

    Por fim, acabou deitando-se de bruço ao lado do menino, que mesmo com todo seu movimento, não perdeu a atenção de sua tarefa em nenhum instante, como se não estivesse mentalmente ali. Ao seu lado, Ahmed percebeu que ele controlava a respiração e seus olhos pareciam afiados como uma águia.

    Lembrou-se do que o velho Elijah havia dito e acreditou que seu comentário havia sido bem pontual, ele realmente parecia ter uma visão de águia; olhos pequenos, aguçados e determinados. Achou graça aleatoriamente e, por um momento, quis rir, mas manteve-se em silêncio e voltou seu foco para as gazelas.

    Uma delas havia se afastado um pouco do seu grupo. Ela mordiscou um pedaço da grama seca e levantou a cabeça com seus dois chifres espiralados saindo do topo do crânio. Seus olhos negros pareceram momentaneamente analisar o ambiente ao seu redor em busca de qualquer um que pudesse ser um predador.

    Talvez, pressentindo o perigo ou não, ela retornou para manada em saltos curtos, distanciando-se dos caçadores. Ahmed acreditou que eles teriam que se aproximar, tendo em vista que estavam distantes novamente da presa. No entanto, escutou o barulho de ferro e, quando olhou para Rasheed, ele parecia armar a carabina.

    Ahmed não tinha muito conhecimento sobre armas dos Anciãos, mas tinha praticamente certeza que aquilo significava que o rapaz estava conscientemente escolhendo atirar. “Não…”, ele refletiu. Eles estavam há metros e metros de distância, ainda que fosse possível, seria um risco muito grande. “Errar, fará com que a manada entre em alerta”.

    Mas antes que pudesse tomar qualquer ação, seja para impedi-lo ou não, ele ouviu um barulho alto — o grasnado de uma águia nas alturas. Ahmed se distraiu momentaneamente, mas foi o suficiente para que o gatilho fosse puxado. Outro barulho, de uma estranha “combustão elétrica”; o tiro havia sido disparado.

    A gazela, que se alimentava de pescoço baixo, elevou a cabeça, como se tivesse ouvido ou pressentindo o disparo. O homem achou que ele havia errado, mas inesperadamente, a criatura caiu. De longe, ele não podia ter certeza, mas quando ela despencou, berrando de dor, com as patas sendo incapaz de segurar o peso do corpo e se movendo no ar em busca de refúgio, Ahmed deixou de acreditar.

    Rasheed não tinha apenas uma boa visão, mas pôde prever que a criatura ergueria a cabeça no momento do disparo. A bala voou mais rápido do que uma flecha, então o disparo havia perfeitamente engatilhado para acertar o crânio da gazela assim que ela o levantasse.

    Quando os dois se aproximaram da presa, ele ficou ainda mais impressionado. O tiro havia acertado o olho da criatura. “Isso… só pode ter sido sorte”, ponderou incrédulo, mas quando olhou para o garoto em busca de uma resposta, enxergou-o de maneira diferente.

    Não era só um garoto… Ajoelhado inconscientemente perante a figura, com o sol em suas costas contrastando sua aparência e o semblante da águia posicionada simetricamente sobre sua cabeça, Ahmed não acreditou no que podia ver, mas no fundo, ele soube a verdade. Repentinamente, soou-lhe em sua cabeça um antigo dito popular, atribuído ao Velho Patriarca, que subira ao monte.

    A águia que vos guia! — sussurrou embrenhado nos mais diversos sentimentos.

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