Capítulo 16
“Defensores, não é? Isso não parece certo.”
Black estava de pé em frente aos cinco Defensores. Encarando a forma como vestiam, agiam e se portavam.
“Eles não parecem militares, nem sequer se portam como soldados, como esses caras são a elite do exército?”
Tyx se levantou, assim como os outros Defensores; todos olharam para cima de Black — o jovem pareceu confuso, então ele também olhou para cima, notando uma plataforma de vidro refletivo.
“O que é isso? ”
Black observou seu próprio reflexo, em seguida voltando sua atenção para frente.
“Não parece ser um espelho qualquer…”
— Com a concordância de todos, será iniciada a sessão que discutirá a situação do Humano Biologicamente Aprimorado autodenominado de Black. — Tyx declarou, mantendo a postura corporal e seriedade na voz.
Os outros Defensores assentiram com a cabeça, todos olhando em direção da plataforma acima de Black.
— Esta reunião está sendo gravada e transmitida para a Divisão Zero conforme o Tratado de Evelyn, além de ser acompanhada por um representante. — A fala de Tyx foi proferida com um olhar prolongado para a estrutura de vidro, então todos os Defensores sentaram-se.
“Tratado de Evelyn…? Foi o que ouvi na televisão, mas o que a Divisão Zero tem a ver com isso?”
Black encarou a mesa com os cenhos levemente franzidos, alternando seu olhar entre os defensores.
“Então existe algum tipo de lei para aprimorados aqui? Eles não são integrados ao exército? Então…”
Tyx fez um movimento com ambas as mãos, afastando-as. Ao fazer isso, um aparelho metálico girou rapidamente, dividindo a luz de um laser em dois feixes; a interferência gerou um padrão complexo de luz, resultando em um holograma imenso que se formou diante de todos, fazendo Black recuar assustado em sua cadeira.
— Que merda é essa!? — exclamou Black, levantando-se da cadeira e recuando instintivamente, com os olhos arregalados.
Informações e uma foto dele flutuavam no ar, como em uma tela imensa quase transparente.
“Isso é…? Uma televisão?”
— Você nunca viu um holograma garoto? — o homem à extrema-esquerda questionou com uma voz calma e levemente aguda.
Ele mantinha uma mão no queixo, apoiando a cabeça.
— Não se preocupe, é apenas uma manipulação com a luz para criar imagens tridimensionais. Sente-se, por gentileza. — concluiu ele.
“Holograma? Luz? Do que esse cara está falando?”
— Nunca havia visto… — o jovem respondeu engolindo em seco.
Em seguida sentando-se lentamente enquanto observava o que estava sendo exibido à sua frente. O holograma mostrava seu tipo sanguíneo, suas medidas, resultados de exames médicos e uma representação do continente africano, com uma área no norte demarcada em vermelho.
— Isso é o que sabemos sobre você, que não explica muita coisa. E como não temos jurisdição sobre o continente africano… — o homem sentado no centro, disse com voz imponente, cruzando os braços e erguendo o queixo. — Informações sobre você são ainda mais escassas, principalmente devido aos conflitos que estão ocorrendo no momento.
“Conflitos? Eu ouvi soldados falando sobre isso; deserto vermelho…”
Os punhos de Black se fecharam em um espanto, como se imagens viessem em sua mente em um flash: um deserto, fumaça, ruínas e vermelho. Seus olhos se fecharam na tentativa de alcançar uma memória, mas sem sucesso.
— Está tudo bem? — a mulher perguntou.
Black abriu os olhos e apenas concordou com a cabeça.
“O que foi isso agora? O que é que eu não consigo lembrar?”
— Antes de começarmos, acredito que devemos apresentar nossa realidade, da qual o jovem não tem familiaridade. — Tyx olhou para o homem no centro, que fez um gesto com a mão e acenou com a cabeça.
— Prossiga.
Tyx moveu as mãos sobre a mesa, parecendo manipular um dispositivo. O holograma mudou, mostrando imagens de prédios espelhados, uma enorme ponte de concreto com cabos de ferro e, finalmente, a imagem real da estátua segurando uma espada que estava desenhada na porta.
— Você sabe onde estamos? — Tyx questionou.
— No edifício Iovem, na América, eu acho — Black respondeu encarando o holograma. — Pelo menos foi o que vi lá embaixo.
— América do Norte, para ser mais exato. Você está em Nova Atlântida, exatamente no distrito de Tlamanalli — Tyx explicou erguendo o braço em direção aos indivíduos sentados. — Estes são os Defensores dos Estados Unidos da América. O primeiro à sua esquerda é o Visionário; a segunda é a Amazona; o terceiro e nosso líder é o Dragão Vermelho; o quarto é Titan; e por fim eu que sou Tyx.
“Então ele realmente é um Defensor. É até difícil imaginar alguns destes caras são a força máxima do país.”
Black se ajeitou na cadeira enquanto observava a apresentação de todos ali, terminando com seu olhar sobre Tyx.
— Tudo bem, agora? — perguntou Black.
— Agora vamos às perguntas. — disse o homem do centro.
— Primeiramente é um prazer, como você está? — a mulher perguntou com um sorriso.
“Como você acha?”
Black a encarou, respirando fundo e suspirando.
— Vivo.
A mulher abriu um pouco a boca, mas ainda tentou manter uma boa expressão.
— Se importa se eu perguntar por que Black? — Amazona perguntou com uma postura amigável. — Você não sabe seu verdadeiro nome?
— É a minha cor, eles apenas me chamavam por números e letras — o jovem respondeu desviando o olhar. — Pelo menos meu nome eu deveria escolher…
— Lembra-se se tem família ou conhecidos? — Titan se projetou para a frente na cadeira e encarando os olhos amarelados, semelhantes aos seus.
— Não consigo lembrar de nada… Apenas borrões e flashes… — Black alternou o olhar entre Titan e seus punhos. — Posso perguntar algo a você?
— Somos nós que fazemos as perguntas. — disse o Dragão Vermelho, interrompendo Black. — Você apenas as responde.
Titan encarou o Defensor do centro, não discordando de sua postura, mas apenas suspirando.
— É claro que é assim… — Black arqueou os lábios, retraindo lentamente os punhos e olhando em direção de Tyx.
— Sim, e você irá obedecer. — respondeu o Dragão Vermelho de forma imponente.
Black apenas bufou, fechando o seu semblante.
— Em suas informações, está dito que sua possível terra natal é a Líbia. Mas pelo visto você consegue falar nossa língua fluentemente, sabe onde aprendeu o inglês? — perguntou o homem asiático, formal e direto.
— Não, eu apenas sei — explicou Black, abrindo as mãos e depois fechando-as com força, olhando para Tyx. — Convidado é uma ova, é obvio que eu não passo de um maldito prisioneiro!
— É melhor você mudar seu tom! — o Dragão Vermelho se exaltou, com uma voz imponente e distinta das demais. — Não esqueça que é por nossa causa que você está aqui sentado e não preso em uma jaula!
Apesar da imponência, Black franziu o cenho e forçou os punhos contra a mesa.
— Quer que eu agradeça!? Você só pode estar de brincadeira! — Black se exaltou, batendo com os punhos na mesa, afetando toda a sua estrutura. — O que faz vocês serem diferentes deles!?
O Dragão Vermelho fez menção de se levantar, mas a Amazona tocou em sua mão, acenando negativamente com a cabeça; ele ponderou por um momento, olhou em direção da plataforma reflexiva e então voltou a se sentar.
— Escute, Black, somos os Defensores. Estamos aqui para te ajudar; só precisamos entender melhor a sua situação — Amazona tomou a frente da conversação, tentando apaziguar a situação.
Ela gesticulava brevemente com as mãos, mantendo a voz em tom ameno, com uma expressão acolhedora. No entanto, foi interrompida por Black.
— Me ajudar!? Estou preso e nem sei o porquê! — Black respondeu, cerrando os dentes e se levantando da cadeira, respirando profundamente. — Não confio em vocês! Lembro de poucas coisas, e uma delas é sobre vocês! Abavikeli bangababulali!
Sua visão começou a turvar, os flashes de figurar piscaram em sua visão e o zunido voltou a ecoar em seus ouvidos. Ele notou que o Dragão Vermelho havia se levantado e apontou o dedo indicador em sua direção, como se lhe ordenasse.
— Eu… Não vou… Voltar para uma maldita cela…! — Black dizia, tentando recuar, com saliva escorrendo pela boca durante sua fala. — Não… de novo… !
Ele colocou a mão na cabeça; sua visão estava ficando tão turva que não conseguia ver nada além de silhuetas piscantes. Então, o zunido se transformou em dor, e ele cerrou os olhos com força, tentando conter o grito que brotava de seu corpo.
Era como se estivesse caindo profundamente em seu próprio subconsciente; então, de repente, tudo se tornou escuridão.
Sua cabeça latejava, como se seu cérebro fosse explodir a qualquer momento. O zunido lentamente desapareceu, e ele olhou para seus punhos, que estavam fechados firmemente enquanto ele despencou lentamente no chão, sem forças para manter seu corpo de pé.
“Onde você está…?”
Então, ele atingiu o chão e veio novamente a escuridão, mas desta vez não era aquela que o afogava; era apenas a quietude reconfortante de seus olhos fechados.

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