Índice de Capítulo

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    — Apenas fique aí, eu cuido disso. 

    As palavras que saíram da boca de Matsuno estavam envoltas em uma confiança imutável, era como se aquele homem tivesse plena confiança em seus talentos. 

    Ele deu alguns passos para frente e olhou em direção às escadas, inclinou seu olhar de um lado para o outro, não notando nada que pudesse considerar perigoso nos primeiros degraus. 

    — Ei, fala sério. Não está sendo imprudente? Você sabe que não precisa sempre tomar a frente. 

    O estudante comentou com um pouco de apreensão, após notar como os lances de escada estavam totalmente desordenados, com um ambiente repleto de escuridão.

    Era mais como um breu, mas sem dúvidas, bem melhor do que aquele local tenebroso onde só tinham estátuas e desenhos de demônios por todos os cantos. 

    — Hahaha! Alguém precisa ficar na frente, não é não? Fica tranquilo, não precisa ficar preocupado comigo, garoto. 

    — Por que acha que eu tô preocupado com você? Huh! Então vai logo, ao menos você é um escudo de carne — respondeu Rei, virando o seu rosto para o lado. 

    Assim que recebeu tal reação, o cavaleiro negro não ficou com raiva, pelo contrário, deu um sorrinho e avançou no primeiro degrau.

    Nada aconteceu a princípio. 

    Então ele seguiu para os degraus adiante, mas novamente nada parecia ter ocorrido, o que era de certa maneira estranho; pois todos esperavam que houvesse ao menos um tipo de armadilha escondida entre os pisos ou nas paredes.

    Era muito suspeito como cada piso dos degraus eram diferentes uns dos outros, tanto em material quanto em textura e qualidade. 

    Estava na cara como estavam alocados propositalmente em pontos específicos, mas Rei não entendeu o sentido por trás dessa organização estranha. 

    — Poxa, eu esperava mais — disse Matsuno em um tom entediado enquanto subia as escadas, sem se importar caso tivesse alguma armadilha ou não. 

    — Venham, está seguro — complementou em seguida. 

    Em resposta, Rei e Kazuki apenas assentiram com a cabeça e seguiram o mesmo caminho que Matsuno tinha feito, para que não houvesse algum risco de pisar nos lugares errados. 

    Quando estavam aproximando-se, Matsuno deu alguns passos adiante e ouviu um ruído estranho que parecia vir da parte superior, mais ou menos em cima de sua cabeça.

    Seguido do ruído, o teto se abriu e flechas voaram em sua direção rapidamente, uma seguida da outra. Das várias flechas lançadas em sua posição, nenhuma conseguiu acertar o corpo daquele homem.

    Ele desviou como se o seu reflexo fizesse simplesmente parte de seu próprio corpo, nem fez questão de andar para desviar, o seu corpo desviou automaticamente. 

    Duas flechas ficaram presas no chão próximo de seus pés, outra prendeu-se na parede, alguns centímetros próximo de sua cabeça. 

    Apesar dessas flechas passarem raspando de suas roupas, o restante seguiu caminhos aleatórios e foram lançadas em todas as direções possíveis.

    Por sorte, Kazuki havia sacado sua espada no momento em que percebeu um ruído estranho, destruindo algumas das flechas que voaram na sua direção e a de Rei.

    — Uau, não esperava por essa! Vocês estão bem? — questionou Matsuno, recuando para saber se algum dos rapazes tinha se ferido.

    — Está tudo… bem.

    Kazuki respondeu brevemente, mas estava mordendo o lábio com força, ao ponto de criar um pequeno ferimento ao redor. 

    Sua mão estava na cintura do estudante, enquanto olhava-o com ansiedade. Ele sabia mais do que ninguém que caso alguma dessas lanças tivesse chegado perto de Rei, o garoto não teria um tempo de reação como ele.

    Apenas a hipótese de Rei se ferir por conta da imprudência de Matsuno, deixava o homem-fera com raiva. Por conta disso, Kazuki inclinou seu olhar para Matsuno e disse: 

    — Você deveria prestar mais atenção, você não está sozinho! Tem outras pessoas atrás. Ainda que tenha treinado e seu tempo de reação impeça que seja atingido por flechas, a história é diferente com Rei.

    Após ouvir essas palavras, o cavaleiro negro olhou para o homem-fera, e em seguida para o estudante. Nesse momento ele se lembrou que Rei não podia usar suas habilidades mágicas por conta da interferência, então qualquer ferimento poderia ser fatal, ainda mais aqueles que estivessem carregados com algum tipo de veneno. 

    Além do mais, o garoto diante de seus olhos não tinha nenhum treinamento físico adequado, então seu tempo de reação ou stamina eram muito diferentes do que Matsuno estava acostumado.

    Devido a isso, Matsuno se sentiu culpado por colocar a vida de Rei em perigo.

    — Desculpa, eu não esperava que isso pudesse acontecer. Os pisos não seguem um padrão específico, essa é a primeira armadilha que apareceu, fui imprudente. Erro meu — disse ele, olhando para o rosto dos dois. 

    Nessa hora, o estudante, que estava com uma expressão séria no rosto, tirou a mão de Kazuki da cintura e dirigiu o olhar de volta para Matsuno, que parecia cabisbaixo. 

    — Ah, vocês caras. Essa não é a hora de brigar, beleza? Não tem como saber que tipo de armadilhas irão aparecer ou onde elas estarão, então você não foi imprudente! Como pode se culpar por algo que você nem sabe? Fala sério.

    O estudante comentou, ficando logo em seguida atrás de Kazuki.

    Na visão de Rei, aqueles dois mais pareciam um aluno valentão e um aluno modelo brigando entre si em um drama adolescente. 

    — Não me trate como um fardo, eu ainda posso usar algumas habilidades, embora não sejam totalmente perfeitas. Por que você está culpando ele, Kazuki? 

    Assim que recebeu este questionamento, ele não pôde responder de imediato. Somente olhou para o chão e apertou as mãos com força, pensando que talvez o estudante estivesse o odiando nesse instante.

    Quando sentiu sua mão sendo tirada da cintura de Rei, o homem-fera apenas achou que essa era uma clara evidência de que o garoto estava se afastando dele.

    — Olha, cara. Não sei o que você está pensando agora, mas você deveria parar de morder os lábios, você sempre faz esse tipo de coisa quando está nervoso, Kazuki.

    — Eu… eu faço isso? — perguntou de volta, com olhos brilhantes em cima do rosto de Rei.

    — Sim, você sempre faz esse tipo de coisa! Você nunca percebeu? Bem, enfim, você está perto de mim, por que eu deveria me preocupar com algum perigo? 

    Após ouvi-lo, a expressão 

    de Kazuki mudou rapidamente. Seus olhos brilharam e suas orelhas levantaram.

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