Índice de Capítulo


    ❖ ❖ ❖

    Matsuno replicou, com uma abordagem mais racional, se comparado com o homem-fera. 

    Contudo, sentiu a força de Kazuki ficar mais e mais forte ao ser forçado contra a parede, e isso estava começando a deixá-lo com raiva e irritado. 

    Era irônico pensar que o homem-fera agia de maneira tão gentil quando estava próximo de Rei, mas quando o garoto sumia por alguns instantes, o comportamento de Kazuki mudava como se fosse da água para o vinho.

    — Então é isso? Só desculpas. Você só sabe dar desculpas. Aposto que não teve forças, sequer tentou. Um general do reino humano, mas que piada. 

    Kazuki disse, com uma voz de desdém enquanto via os olhos rubis de Matsuno vibrando cada vez mais com aquelas palavras ofensivas.

    Para o homem-fera, aqueles olhos rubis davam raiva, não importava o quanto de tempo continuasse olhando. Era uma cor que remetia ao passado, tragédia, sangue e má sorte. 

    — Sua criançona. 

    Matsuno disse com um sorrisinho irônico no rosto.

    Kazuki franziu a testa violentamente, com as veias em seus braços aparecendo naquele mesmo momento como reação abrupta. 

    Aquele maldito sorriso irônico, e aquela forma de falar arrogante. Tudo naquele homem era irritante para Kazuki, — principalmente quando o homem em si estava tentando roubar algo que não lhe pertencia, e jamais iria pertencer. 

    — Cale a boca. 

    Kazuki disse, avançando no calor do momento.

    Pow! 

    Foi então que quase fora acertado um soco diretamente no rosto de Matsuno, mas por uma fração de segundos na reação do cavaleiro, aquele golpe de Kazuki foi impedido pelas mãos do cavaleiro. 

    Em consequência, a palma do rapaz ficou totalmente vermelha por conta do impacto, que por pouco não infligiu em sua pele.

    A velocidade de ambos era similar, estavam quase no mesmo nível de combate, visto a grande divergência em suas técnicas. 

    “Ele está rindo?” 

    Kazuki pensou, com os olhos, sem acreditar naquilo.

    — Terminou? 

    Assim que Matsuno disse isso, ele fechou o punho da mão, pegando então impulso do vento e acertando o rosto de Kazuki, que por sua vez, apenas desviou facilmente. 

    — … Ha…

    — … Você também não é grande coisa, bem fraco, eu diria. Parece que a única coisa que sabe fazer é dar em cima do meu namorado, senhor cavaleiro. 

    Kazuki comentou em seguida, rindo de ladinho, vendo como as sobrancelhas de Matsuno se estreitaram após ouvir aquelas palavras. 

    Aos olhos do homem-fera, era incrível como seu comentário tinha realmente tirado do sério Matsuno, que mesmo levemente, conseguiu demonstrar raiva em seu semblante.

    Matsuno respirou por um instante, e então comentou para após normalizar a sua expressão habitual: 

    — Você quis dizer nosso. Ou, talvez, você pudesse ser um pouco mais mente aberta. Não seria eu o futuro namorado do seu namorado?

    — Vai sonhando! 

    Kazuki simplesmente não conseguia engolir aquela afronta, então tentou resolver aquela discussão da maneira mais perfeita que podia imaginar: com os seus punhos.

    Socos voaram de um lado para o outro, e mesmo com as espadas de ambos guardadas e presas em suas cinturas, os dois rapazes se recusaram a usá-las.

    Era mais uma questão de orgulho, quem desembainhar a espada primeiro, perde. Essa ideia era simplesmente estúpida…

    E quando um conseguia acertar o rosto do outro, o mesmo era acertado momentos depois.

    Era como um empate, assim que Matsuno desviava, Kazuki bloqueava.

    — Esperava que alguém da raça dos homem-fera batesse mais forte. Precisa praticar mais, garoto. — Matsuno comentou, cuspindo sangue no chão. 

    — Você bate que nem uma mulher. — Kazuki respondeu, ajeitando o próprio rosto que estava uma bagunça por completo. 

    Quando o rosto de Kazuki era atingido, logo em seguida o rosto de Matsuno era acertado para equilibrar o placar de vitórias e derrotas. 

    A esse ponto, vendo de longe, aqueles dois homens mais pareciam dois adolescentes impulsivos do que homens adultos e maduros. 

    O sorriso habitual e arrogante no rosto de Matsuno não estava mais lá, enquanto o rosto de Kazuki estava sério, como se fosse uma batalha mortal. 

    Se não fosse pelas paredes reforçadas com mana, todo o local já teria sido reduzido a escombros, soterrando ambos sob uma infinidade de pedras.


    ❖ ❖ ❖

    Após horas de uma luta incessante, aquele conflito mais parecia simbolizar uma pequena guerra entre o reino humano e os homens-feras. E, no final, ambos estavam desabados no chão, exaustos e sem forças.

    Eles mal conseguiam levantar a mão, caídos no chão em uma posição que os possibilitava ver o teto incomum daquela ruína ancestral.

    Podia-se naquele pequeno espaço se ouvir as suas respirações alteradas e a forma como ofegavam a todo o tempo.

    O suor escorrendo de seus corpos até os pisos infinitos da escadaria do chão, — mesma escadaria essa que não importava o quanto eles tentassem correr, não conseguiriam sair daquele inferno. 

    Honestamente, nem os dois rapazes sabiam ao certo porque estavam brigando naquele momento delicado. A maior prioridade para eles era não encontrar Rei? 

    Mas essa ideia era simplesmente impossível, mesmo tentando destruir as paredes ou voltar para o caminho que estavam, nada funcionava. 

    Na pior das hipóteses, os dois ficariam naquele lugar para sempre. 

    — Nada mal, se você tivesse colocado um pouco mais de velocidade, eu teria caído naquela hora. 

    Matsuno comentou entrecortadamente em meio ao silêncio, sem conseguir mover um músculo do seu corpo dolorido. 

    Pela maneira como brigavam consecutivamente, a impressão que passava era de que estavam naquele lugar fazia dias. 

    — Você quase me derrubou. Mas estava mais focado em usar a sua velocidade do que a força, por isso não conseguiu me causar dano. 

    Kazuki respondeu-lhe com um sorriso, enquanto olhava para a mesma direção. A esse ponto, nem mesmo ele sabia o que fazer mais.

    — …… Ainda assim…

    — …… Sou o mais forte. 

    Os dois disseram ao mesmo tempo, e ficaram irritados à principio. No entanto, após o silêncio, eles começaram a rir.

    O tempo naquelas ruínas não parecia se comportar igual ao do lado de fora. O que seriam algumas horas do lado exterior, na realidade eram dias passados no interior das ruínas. 

    O que sustentava essa teoria era por conta das mudanças que ocorreram em Matsuno e Kazuki. 

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