Capítulo 33: O fôlego dos que ousam (Parte 2)
O segurança já tem na sua face, estampado a expressão de raiva enquanto inclina um pouco a sua cabeça para a direita. Depois a balança negativamente e se vira para a porta de vidro.
— Venham comigo! — Ele ordena a todos os seguranças e guardas ali.
— Ei? Por que estão abandonando as máscaras? — Um dos guardas os questiona. Três seguranças já entraram no pilar.
— Esse gás é de um extintor armado no pé da escada. — O último segurança se lança para dentro ao terminar a fala.
Os seis guardas olham um para o outro com olhares em transição da dúvida para convicção. Se inflamam de coragem e começam a entrar correndo com o último segurança. Eles se dividem pelas três escadas, e com as pistolas e fuzis preparados para atirar, iniciam a subida.
Ao chegarem no andar três, percebem que todos os seguranças de monitoramento estão desmaiados e rodeados de fumaça. Tampando a boca e o nariz com a camisa, recuam para o andar de baixo. Ao retornarem, observam que a fumaça que antes tomava conta do salão branco, já se foi quase que por completo pelas portas que ficaram abertas, então eles correm para o lado de fora em busca das máscaras novamente.
— Esperem! Vocês quatro! Peguem as máscaras e comecem a subir. Vão! Vão! Vão! — O segurança chefe grita para os guardas, que pegam as máscaras no chão e correm para dentro do salão as colocando nas suas cabeças.
— Senhor! Tem as máscaras que ficaram no salão de baixo, talvez dê para usá-las — Um dos guardas solta ideias no ar.
— Não! Elas estão furadas e ensanguentadas. Sem contar que ainda tem um pouco de gás de sono misturado lá em baixo.
Neste instante.
Partes de cápsulas de gás despencam sobre eles.
Quase no mesmo momento em que elas quicam no chão.
Uma grandiosa explosão surge dos anéis do lado de fora, que estremece tudo ali embaixo.
As recepcionistas gritam enquanto correm para dentro do pilar, os guardas e seguranças olham incrédulos e assustados para todo aquele fogo e destruição.
No pilar, os guardas que já estão subindo por uma das escadas, param por um instante, assustados com o tremor e a gritaria histérica das mulheres que chegam se jogando para trás do balcão.
Eles olham para as portas e veem uma intensa luz vindo do lado de lá, em seguida os guardas e seguranças chegam correndo por uma porta que já está sendo tomada pela fumaça do fogo.
— O que aconteceu? — Um dos guardas, em um dos degraus da escada pergunta para o segurança chefe que se aproxima.
— Eu não sei! Não estou entendendo mais nada! — Ele para pôr um segundo enquanto olha para as máscaras nas cabeças deles. — Vão! Vão! — Ele volta a ordená-los.
Ao chegarem no salão de monitoramento, o cenário ainda é o mesmo, continuam avançando para o andar dois. Chegando, seus olhares focam em três escadas brancas em espiral, estendidas e rodeadas de fumaça. Porém, não há ninguém há vista. Um dos guardas pega o rádio em sua cintura.
— Senhor… — Com a voz trêmula ele começa a falar — As escadas Brancas… elas estão abaixadas!
— … — O guarda chefe fica mais espantado ainda com o que ouve.
Coloca o rádio no balcão, pega seu celular no bolso direito da calça, e disca para um contato com nome de Lúcio. Várias chamadas e nada de retorno, pega o rádio, e engole a própria saliva antes de falar.
— Quem quer que seja que invadiu os andares de cima, deve ter chegado nos chefes. Subam as escadas, mas tenham muito cuidado para não ferirem ninguém destes andares. — O segurança desliga o rádio e o coloca sobre o balcão junto de suas duas mãos. De cabeça baixa, se perde em pensamentos e indagações.
Um dos guardas que se direciona para uma das escadas brancas, observa que o restante das cápsulas que eles abandonaram já não está mais ali. Ao terminarem de subir, se deparam com várias mulheres de vestidos sociais brancos e saltos altos vermelhos. Todas caídas e desmaiadas ao lado de grandes mesas compridas e brancas. Cédulas de dinheiro se amontoam sobre elas, também estão em contadoras vermelhas. Ao redor, há mais gás espalhado por toda sala.
— Alô? Chefe? — O guarda volta a chamar no rádio.
— Diga!
— No andar da administração, estão todas desmaiadas, mas é estranho… o dinheiro está todo no lugar. E as escadas brancas que dão para o andar zero estão erguidas. Quem quer que tenha invadido, está escondido em algum dos andares abaixo.
— Não, espera! — O segurança o interrompe. — Tem como recolher a escada pelo andar zero?
Após um momento de silêncio, o guarda com seus olhos arregalados atrás da máscara se prepara para responder enquanto observa atentamente no teto, os locais por onde as escadas descem.
— Tem sim! A chave única do andar zero, ela recolhe só as próprias escadas. Nesse caso, dá para abaixá-las pelo salão de monitoramento. Vou descer lá e acioná-las. — Desligando o rádio, ele corre para o andar três. Ao chegar, encontra em um dos painéis um botão branco, o aperta, e começa a voltar correndo.
Enquanto sobe uma das escadas que leva para o andar dois, escuta um tiro de pistola vindo de cima. Parando na metade da escada, pega seu rádio.
— O que foi isso? — Os seguranças e guardas também conseguiram ouvir do salão quatro, porém, como a pergunta já foi feita, todos ficam quietos esperando alguma resposta.
— Veio do andar zero senhor! — Um dos guardas no andar um, responde olhando para o alto. — A escada começou a descer e um tir…
Nesse momento um segundo barulho de tiro volta a ecoar do andar zero, e interrompe a fala do guarda.
— Estou subindo! — O segurança chefe grita no rádio enquanto pega sua pistola e começa a subir as escadas vermelhas. Os outros ali logo o seguem, só as recepcionistas ficam para trás.
No andar zero
Sarah está parada de pé enquanto olha para um grande monitor em uma parede.
Há dois corpos no local, cada um om um tiro na cabeça.
Ela segura uma máscara em sua mão direita, que curiosamente está toda enrolada com um tecido preto.
Em sua outra mão, o mesmo esquema de tecido enrolado, o terno preto que veste seu corpo, está sem as mangas. Seu olhar castanho se concentra no monitor e nas pequenas telas que o divide.
Cada tela mostra a visão de uma câmera dos andares abaixo. Enquanto observa, seu cabelo preto e comprido balança com a brisa quente que entra pela janela.
Uma mesa cinza-escura, de borda arredondada, preenche o cenário as costas dela. Em cima da mesa, existe uma abertura quadrada que é um pouco maior que uma mão. Dentro de tal abertura, há um botão vermelho.
Ao lado da mesa e perto do botão, em uma cadeira cinza, se encontra o corpo largado para trás de um homem. Ele está vestido com um terno todo branco, sua cabeça jogada para trás. Seu cabelo loiro e comprido está manchado com o líquido azul que sai de um buraco na testa e escorre pelos fios, terminando em gotas que despencam sobre o chão cinza.
Sarah olha especificamente para as câmeras do andar um e três. No momento em que os seguranças pisam no andar três e o guarda pisa no andar um, ela coloca a máscara e corre até a mesa. Sem parar, pressiona o botão vermelho que começa a brilhar. Correndo, pula pela janela e se segura firmemente em uma corda.
Pendurada, intercala a descida com algumas rápidas pausas enquanto olha para baixo. Tudo que se pode ver é a fumaça branca no chão e o fogo que tomou conta do local. Olhando para cima, vê uma fumaça escura se acumulando no alto.
Com cuidado, solta a mão esquerda da corda e começa a tirar o terno, troca a mão que segura a corda e tira o restante, sobrando só o top preto.
Ela pega o terno e enrola na corda entre as coxas, então começa a soltar a corda com mais velocidade, e usa suas pernas como um freio extra para controlar sua descida. Após alguns segundos, seus pés tocam o solo.
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