Índice de Capítulo

    Ao chegar ao solo, Sara se vira e olha para o topo da escadaria que dá ao portal um. Seus punhos se serram, e então se vira de volta para a porta de vidro. Saca uma pistola e a descarrega, fazendo com que a porta venha abaixo.

    Gritos agudos ecoam no salão branco.

    As recepcionistas se encolhem atrás do balcão.

    Soltando os tecidos das mãos, ela corre para dentro em direção a escada que leva ao salão cinco A. Vendo que estão sendo recolhidas, se joga na abertura, despencando e parando nos degraus que cada vez mais se estreitam. Aproveitando o embalo, desliza para baixo do corrimão e despenca por uma altura de seis metros.

    No impacto com o chão, ela efetua um rolamento. Pelas mãos que tocam o chão, uma sensação viscosa surge. Ao levanta-las para ver do que se trata, a textura e o odor não negam, o sangue se esparrama por toda parte. Após se levantar enquanto limpa a mão na calça, ela retira a máscara, conseguindo assim, enxergar com nitidez os corpos espalhados por todo o salão, mesmo em meio a escuridão.

    Após alguns segundos de busca entre as celas. O corpo da criança para quem pediu que se escondesse, se encontra sobre uma poça que aparenta ser seu próprio sangue. Sarah abaixa a cabeça com o olhar solto no chão enquanto solta a respiração.

    Um gemido ecoa não muito distante.

    Deixando a criança para trás com um último olhar de canto, ela caminha até o local de onde veio tal som.

    Ao chegar perto da grade branca, encontra a mesma senhora de antes, em uma de suas pernas, o sangue escorre mais rápido do que qualquer um gostaria.

    — Ei… — Sarah pensa em falar algo, mas desiste.

    — Humm. Ahhh. — Após alguns gemidos. — Se aproxime mais por favor. — Após passar a mão com força em sua roupa, a coloca no rosto de Sarah. — Eu queria saber como é seu rosto. — Um leve sorriso surge no rosto da senhora. — Mas não era para você voltar!

    Sarah então inspira e solta o ar.

    — Não se preocupe! — A voz dela sai serena e firme.

    Então ela se levanta, pega a máscara e a coloca novamente enquanto começa a correr para uma abertura circular no chão.

    Voltando um pouco no tempo.

    — Eu percebi que você é bem ágil e forte, acho que pode existir uma forma de você escapar daqui. — O senhor olha para Sarah por alguns segundos. — São três câmeras em cada andar, do um ao quatro. Cada uma fica na parede atrás de cada escada, e todas apontadas para o centro. Já nos três salões dos andares cinco e seis, não há câmeras, por isso, eles não devem saber o que está acontecendo aqui.

    Enquanto os dois conversam, alguns prisioneiros estão ao redor. Alguns apresentam olhares vazios e outros nem tanto. Um deles, é um homem jovem baixo e moreno, outro é alto magro e branco, outros dois são negros de tamanho médio. A senhora está encostada em uma grade, o garoto com a boca costurada, também está encostado em uma grade ali perto. Os demais, escondidos pelo salão, aparentam rejeitar a luz vem da cela branca. Seus olhos brilham em meio a escuridão.

    — No andar dois, onde ficam os suprimentos, existe uma corda comprida com um gancho de duas pontas. É usada para puxar uma cesta com materiais para perto do teto, assim eles fazem a manutenção dos núcleos das lâmpadas. Com a corda e mais algumas cápsulas de sono, talvez você consiga chegar ao andar zero, trancar o prédio com todos dentro e então fugir pela janela. — O senhor tenta traçar um plano de fuga para ela enquanto coloca a mão no queixo e olha para baixo.

    — Mas porque ela ia querer subir lá em cima? Não seria mais fácil fugir pelo salão quatro? — A voz do homem jovem ecoa pelo ambiente.

    — Não… espera. — Sarah ainda olhando para o chão, os interrompe. — É lá que os chefes ficam. — Então ela lança um olhar encarando o senhor.

    Todos ali olham para aquela jovem moça.

    — É… eu imaginei isso. — Ele retoma sua fala. — Nesse andar. Você vai encontrar um botão branco do lado direito de uma tela na parede. Com ele, você consegue se fechar lá dentro.

    Após uma nova pausa na fala, ele retoma enquanto dá uma rápida olhada para o topo de uma das escadas.

    — Provavelmente daqui a pouco, vai chover cápsulas de gás aqui. Os seguranças vão invadir com máscaras iguais essa que você tem. Ali na cela branca tem mais três iguais a ela. Agora o problema é como você vai sair daqui e chegar até lá. — O senhor se indaga por um momento.

    — Eu imaginei que eles iriam invadir. Vou usar os dois extintores ali. Quando um dos guardas descer, eu vou atacá-lo e pegar sua roupa. — Ela pausa por um instante sua fala enquanto volta o olhar para o chão. — Os guardas aqui, usam essas mesmas roupas vermelhas com coletes pretos. A máscara esconde todo o rosto. Depois eu improviso o resto.

    — Mas como você vai conseguir pegar o guarda no meio de toda fumaça? — O homem jovem a indaga.

    — A escada tem um barulho diferente do chão. Fica fácil perceber quando alguém vai descer. Ainda mais com aquelas botinas grandes. Mas parando para pensar, você disse que vai ser os seguranças que vão descer né? — Sarah indaga o senhor enquanto volta seu olhar para ele.

    — Sim, em situação de invasão, os seguranças dos portais assumem. Seja pela hierarquia ou porque eles são bem mais treinados. — Ele a responde.

    — O barulho do sapato deles vai ser diferente, não pensei nisso. — Sarah olha para o chão pensativa.

    — Ei, ei, ei… sua vida está em jogo e você se preocupando com barulho de sapato? — A voz firme do homem jovem a questiona. Por um instante passa a sensação de não querer tanto assim morrer.

    A voz do senhor se intromete no meio novamente.

    — Não! Ela está certa! Cada detalhe importa. — E por alguns segundos, olha novamente para Sarah enquanto se perde em pensamentos.

    — Bom, não faz diferença, os sapatos fazem barulhos também. — Sarah olha para uma das escadas enquanto fala. — Eles devem invadir a qualquer instante. — Ela observa a ausência de gás lá em cima.

    — Mais uma coisa. — O senhor volta a falar — No salão dos chefes, existe um botão vermelho na mesa. Fica bem à frente da cadeira do Lúcio. Ele é loiro de cabelo comprido. Ao acionar o botão, todas as escadas dos andares superiores a esse serão recolhidas, já as escadas desse andar para o sexto irão descer.

    Dando uma leve enrugada na testa, Sarah continua prestando atenção.

    — Uma vez por mês, o guarda chefe o aciona e fica preso lá em cima no andar zero. Enquanto isso, os três chefes ficam presos aqui embaixo. Após algumas horas o botão é novamente acionado, então o guarda volta para seu posto e os chefes vão para suas casas vestidos com uma roupa preta encapuzada.

    Ele pausa a explicação por um momento, lança um novo olhar para o topo da escada e retoma.

    — Ninguém sabe o que eles fazem nesse momento. Escuta, se você chegar lá em cima. Vai precisar fazer algo para chamar a atenção deles, até lá vamos tentar segurá-los aqui.

    Todos que estão por perto, se aproximam ainda mais e acenam positivamente com a cabeça. Sarah observa cada um deles por um momento.

    — É como já dissemos, estamos procurando um fim para esse sofrimento. Aquelas algemas, de alguma forma nos impedia morrer. Agora livres, e podendo fazer uma boa ação antes de partir… Moça, você é como se fosse um anjo enviado para esse inferno. Eu sei que nunca verei a luz novamente. — O senhor para pôr alguns segundos e lágrimas escorrem de seus olhos. — Pelo menos vou partir aceitando meus pecados.

    Quando Sarah olha ao seu redor novamente, sua testa franze por um momento ao ver que quase todos ali estão derramando lágrimas. Então ela se lembra do menino de agora pouco. Enquanto os prisioneiros se reúnem em um canto para terminarem de se abraçar e trocar suas últimas palavras, ela se direciona para ele.

    — Fique escondido na cela, vou voltar para te pegar. — Ela fala baixo para ninguém a escutar. Ele acena com a cabeça positivamente.

    Então uma cápsula de gás desce quicando as escadas vermelhas, outra, e outra e mais uma.

    Considere apoiar este projeto.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota