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    Uma história em especial chama a atenção de Sarah, os pelos de seu braço se arrepiam só de ler “Hing Chi”.Seus olhos brilham enquanto se senta de pernas cruzadas e vai desenrolando o pergaminho por completo. Uma história que sua mãe tanto lhe contava. A lendária capitã da frota da Bandeira Vermelha, que ousou desafiar a realeza.

    Logo seu olhar começou a correr pelas letras e palavras.

    “Quando meu marido morreu, não pude deixar que seu legado fosse destruído por gananciosos e incompetentes. Busquei alianças entre a família de meu falecido marido, e alguns piratas de expressão da região. Eles ficaram fascinados com minha proposta.

     Ninguém nunca ousou reunir tamanho poder e prometer que a realeza se ajoelharia. Seus olhos brilhavam com a promessa de poder e ouro, foi fácil convencê-los. Difícil seria cumprir a promessa. E para isso, reuni em meu navio, os melhores conselheiros de batalha. Os contratei com ouro, todos se rendem ao ouro, e por isso não confiava em nenhum deles.

    Eles eram mais uma distração, para que quando todos olhassem para os nomes que me cercava, sentissem o peso de minha posição e meu nome”Hing Chi com uma pena dourada mergulhada em tinta dourada, relata sua ascensão ao poder.

    Ela continua…

    “Eu os escutava e os dizia que iria refletir sobre suas sabias palavras. Então entrava em meu quarto e voltava a ler os pergaminhos que meu marido reuniu sobre batalhas navais. Alguns vinham de lugares tão distantes que eu nem sei onde fica. Tinham os Nords, os preferidos de minha falecida filha Xi, lá até suas mulheres podiam ser guerreiras. Ela amava essa história. Até pediu para seu pai uma espada de duas mãos para treinar. Meu marido sempre foi um homem mais visionário e prontamente mandou lhe fazer uma. Graças a esse lado dele, que um terreno fértil para que uma mulher governasse sua frota se abriu.” — Algumas lagrimas caem no pergaminho enquanto ela escreve.

    “Minha filha foi levada quando tinha 13 anos em uma tempestade que abateu alguns de nossos navios. Ela estava do lado de fora quando ondas bateram no convés de nosso navio. Procuramos por vários dias e nada. Um pedaço de mim foi levado naquele dia. Por ela, eu prometi que seria forte como… Queria ser…

    Treinei a arte da espada em seu lugar. Não com uma grande como ela. Mas uma cimitarra, era mais leve e versátil. Cheguei ao ponto de ganhar de vários homens sob meu comando que ousavam se rebelar. Assim também mostrei poder perante a todos, graças a minha filha…

    Parece que tudo que aconteceu, me levou até aquele posto. Eu fui moldada, e estava pronta para marcar meu nome na história.”

    Os olhos de Sarah lacrimejaram. Ela os seca enquanto continua sua leitura…

    “Primeiro foram os nobres de Ônia que tentaram nos enfrentar. Aqueles cabelos loiros horríveis, e suas bochechas rosadas de raiva enquanto fugiam como cães covardes, era uma visão e tanto.

    Âmica que tanto se vangloriava de seus armamentos avançados. Sentiram na pele o terror das bandeiras vermelhas surgindo no horizonte do amanhecer. O equipamento deles era bom mesmo, mas suas habilidades e coragem… Dizimados!! Nunca mais os vi por essas redondezas.

    Soube um tempo depois que eles tentaram invadir as terras geladas, que outrora Khan desbravou. Olha a petulância desses insolentes em tentar se igualar ao maior líder Naval que esse mundo já viu. Se eles não tivessem sido escorraçados de lá pelos… Algo como guardiões de não sei o que, eu mesma iria atrás deles!”

    Hing Chi dá uma pausa para respirar, então volta a escrever.

    “Há. Tinha aqueles gananciosos de Úra. Quando vi as frotas deles no horizonte, mandei que meus homens retirassem todo o ouro de nossos navios e enterrassem em uma ilha qualquer. Eu sabia que eles tinham uma frota bem admirável, poderiam até abusar de mim, mas nunca veriam uma grama de meu ouro.

    Mas eles eram mais exploradores que guerreiros, foram facilmente derrotados. Pelo menos enquanto a frota vermelha governava nosso mar, eles nunca mais ousaram dar as caras por aqui. Soube que eles e Âmica estavam começando a navegar para novas terras, ricas em ouro madeira e criaturas para escravizar. Como se não bastasse escravizar os de sua própria espécie. Aqui não! Somos livres para ir onde quisermos.”

    Sarah não consegue parar de ler, é como se ela estivesse lá presenciando tudo.

    “Nossa maior batalha, e a mais importante de todas foi contra Aia. Eu evitava os enfrentar, e eles também nunca foram de nos ameaçar.” — Hing Chi dá uma pausa e olha pela janela de seu quarto, que fica sobre uma casa de jogos. Após vislumbrar a paisagem das montanhas ao fundo, volta para sua escrivaninha prontamente a escrever.

    “Quando finalmente chegou a hora de nossa batalha, foi algo surreal. Não tinha como evitar. Nós controlávamos um arquipélago que servia como rota comercial. Onde cobrávamos taxas em cada uma das cinco estações, e eles queriam essa rota para seus projetos de poder.

    Mal podia acreditar em meus olhos. Quando começamos a trocar tiros de canhões, sentimos na pele aquele poderio que se comparava e até superava um pouco o nosso. Precisávamos encurtar nossa distância e forçar o combate corpo a corpo. O tempo estava fechado, raios e ventania desestabilizavam a navegação.

    As ondas fortes e descontroladas faziam-nos parecer barris à deriva. Nos jogava para um lado e para o outro. Por sorte, uma grande rajada de vento atingiu nossas velas bem na direção certa. E então colidimos com a frota de Aia. Estava dada a largada para nossos homens, mulheres e até algumas crianças invadirem os navios.

    Pouco a pouco nós tomamos várias embarcações deles. Custou muito caro para nós. Muitas vidas se perderam nesse primeiro embate. Derrotamos trinta navios, e perdemos dez afundados. Mais de seiscentas vidas. Eles tinham uma segunda leva de navios, mais de sessenta surfavam as ondas nas alturas prontos para nos engolir.

    Os raios ao fundo daquele cenário pareciam anunciar o nosso fim. Então algo surreal aconteceu. Com meus próprios olhos, enquanto deslumbrava aqueles raios vi um vórtice de nuvens que começou a se formar bem em cima de nossas cabeças. Ele começou a se afunilar enquanto descia, estava ali nossa chance de reverter a tragédia.

    Mandei todos se prepararem para abrir todas as velas ao máximo que podiam. Quando o vórtice tocou a água, um furacão bruscamente se formou entre nós. Eles começaram a fechar as velas com medo de serem arrastados pelo vento, e esse foi o erro deles. Um furacão desses não arrasta só pelo vento, as correntezas também fazem esse trabalho.

    Não tinha como lutar contra a natureza, então eu pensei em aproveitar e usar a nosso favor aquele momento. Os mastros rangiam, e o leme precisava de três para movê-lo. Sinalizei para todos forçarem para estibordo, assim usamos a impulsão dos ventos para surfar pela lateral do furacão. Era a única saída que eu enxergava.

    E quando passamos para o lado de lá. Todos os navios recolheram as velas, e aproveitaram o embalo que ganhamos. Ao olhar para trás, vislumbrei navios sendo levantados juntos com a água que subia pelo furacão, destroçados eles caiam no mar. Vitória!!

    Era o sentimento. Mas ainda havia mais uma leva de navios de Áia a frente. Realmente suas forças se igualavam as nossas. Mais de cem navios apontavam no horizonte. Eles pretendiam nos minar aos poucos para dar um golpe devastador. Malditos!…

    Essa eu não previ. Mas a natureza das batalhas é imprevisível. E essa batalha já estava ganha em nossos corações. Perdemos vários navios avançando no furacão. Nossas forças eram próximo de cem navios. E mesmo assim, nossos homens gritavam loucamente enquanto navegavam a toda em direção aquela frota!

    A vitória era nossa!!! Então começamos a ver bandeiras brancas serem hasteadas nos navios deles. Nós paramos, e eu mesma fui até um ponto com um bote para encontrar o comandante deles. Ele estava desolado e com medo, então pediu paz. Aquele era o momento.” — Hing Chi dá uma pausa e olha as cicatrizes em sua pele já marcada pelo tempo. Abre um leve sorriso e volta a escrever.

    “A época de glória dos Bandeiras Vermelhas estava terminando. Eu sabia que se continuasse lutando, mais mortes viriam. E para que? Já tínhamos dado o recado. E pelo que eu vi naquele dia, Áia estava disposta a ter aqueles arquipélagos. Quanto tempo até reconstruírem uma frota 2x maior que aquela? Eu precisava me antecipar, então pedi uma audiência direta com a Realeza de deles.

    Prometi para eles, entregar todos os nossos navios e deixar a região em troca de terras, anistia e paz para os nossos. Eles aceitaram de imediato. Assim terminava a história da lendária frota da Bandeira Vermelha. Hoje nós vivemos em terras, cultivamos e vivemos em paz na medida do possível.

    Até tenho meu próprio negócio bem lucrativo. Só sinto pelos vários mapas de tesouros que se perderam. Bom. Pelo menos aqueles malditos de Úra não vão relar um dedo neles. Soube que eles voltaram a navegar essas águas recentemente. Insolentes! Espero que algum dia alguém leia essa história e saiba que esses mares já tiveram uma dona. E sua Bandeira era Vermelha.”

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