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    — Daqui em diante. O que você presenciará e sentirá. São anos e anos de treino, para superar você e ela! — Shymphony finaliza sua sentença mostrando seu pequeno escudo para ele, e dando um soco no metal dourado, que o faz ressoar.

    Ela então desata o cinto que prende o escudo em seu braço. Revelando marcas do uso extensivo de tal aparato. O soltando no chão, ele repousa tranquilamente na areia que se molda ao seu redor. Ao impacto, Shymphony flexiona as pernas em um movimento preparatório para alcançar Adão, que por sua vez, já vai preparando o corpo para sair em disparada pelo franco.

    Porém, é pego de surpresa quando vira sua face para olhar o terreno adiante por onde irá correr. Seu coração para por um instante, e nem a respiração ousa continuar. Shymphony, de alguma forma, conseguiu não só encurtar a distância deles, como prever seu movimento. Ali está ela, a sua frente, com o punho direito fechado e vibrando em uma velocidade tão absurda, que está gerando um pequeno campo de energia fluorescente na cor azul ao redor.

    Ele consegue sentir a vibração passando por cada centímetro de seu corpo. Os pelos se arrepiam com a estática que toma conta do ar entre eles. Ela está levemente inclinada para frente, com seu olhar fixo e rosto sério. Suas sobrancelhas em forma de V, com a testa enrugada entre elas, passam a intenção de que devem passar. Seu punho vindo de baixo já está na metade do caminho entre eles.

    Adão até consegue brecar a movimentação do corpo e por alguns milímetros, fazer um contrapeso para trás. Mas não é o suficiente. O punho de Shymphony para bem na frente tórax dele. Na visão de Sarah, os dois estão parados, como se ela tivesse desistido de atacá-lo, e ele de se defender. Depois de um breve momento, Adão cai para o lado desmaiado, e Shymphony se coloca de pé em uma postura centrada enquanto observa o corpo dele caído em meio a areia.

    — Eu espero que você seja melhor que isso durante o torneio. — Com um ar de desdenho ela se vira e sai caminhando até seu escudo.

    Depois caminha calmamente até chegar no muro perto de onde Sarah está. E com um salto, alcança o topo dele, e depois se senta perto dela.

    — Não se preocupe. Ele só desmaiou. — Shymphony solta palavras ao ar enquanto volta a observar o corpo dele, agora de longe.

    — Você realmente perdeu para ele? — Sarah a indaga enquanto lança um rápido olhar de canto para ela e depois o retorna para a arena.

    — Ele sempre foi um dos mais instintivos. Com uma aura assustadora, e uma força absurda. Só a presença dele na arena já fazia seus adversários tremerem. — O olhar de Shymphony despenca para seus pés enquanto fala. — Mas o tempo passou, ele pelo visto, não procurou treinar e se aprimorar nem por uma noite. Não passa de um gatinho indefeso. — Ela para sua fala por um momento e se vira para Sarah. — Não se engane. Ele ainda é forte pra caramba, a queda de braço da noite passada me provou isso. Mas o mundo, ele evolui constantemente. E se você não evolui junto, é deixado para trás como uma presa indefesa de tudo, principalmente do tempo. — Ela vira sua cabeça a procura de observar Adão, que parece querer começar a se recompor. — Depois de escutar sua história, eu me pergunto se serei capaz de acompanhar a evolução também. Androides, humanos, guildas. Até mesmo masmorras com monstros e desafios. Escravidão e tudo mais. Mesmo minha mãe falando para não interferirmos no que está por vir. Eu já fui afetada, pelo simples pensamento que Atlântis não será mais o que trabalhamos tanto para alcançar. — Adão ainda meio atordoado, começa a caminhar em direção a elas. — Eu me recuso a se tornar uma mera espectadora da minha própria vida. Viverei como eu quero, de acordo com minhas convicções! E mesmo que Mãe seja contrária, eu não me importo. Vou evoluir cada vez mais e trilhar meu próprio caminho.  — Então ela fecha os olhos e levanta o rosto para sentir um pouco do sol que toca sua pele vindo do alto. — Já passo da ora de sair da sombra dela.

    Sarah observa a cena em silêncio enquanto contempla cada expressão e movimento dela. Enquanto ouve e reflete sobre cada palavra. Em sua visão periférica, o que era um ponto preto ao fundo, agora já é uma silhueta a poucos metros. Adão que acabou de chegar no muro, busca um salto ainda meio desengonçado e após alcançar o topo do muro, lança um olhar envergonhado para Shymphony e depois para Sarah.

    — Não pense que sou tão fraco assim. Só não esperava que você tivesse evoluído tanto. — Ele busca a para esfregar as pontas dos dedos em a fala. — E obrigado por ter me poupado. Em uma batalha real, eu sei que você não seria tão piedosa. — Adão com a face voltada para baixo, procura um lugar para se sentar ao lado delas.

    — Esse torneio… Pessoas morrem nele? — Sarah com o olhar voltado para o chão indaga ao vento com medo da resposta.

    — A maioria evita matar. Mas elas acontecem, infelizmente aqui não é um lugar para todos. Muitos até podem pensar que aqui é um espetáculo e tudo mais. Mas na verdade, aqui foi feito para os mais fortes. E para aqueles que querem ser os mais fortes. E o preço mínimo que alguém deve estar disposto a pagar por isso, é a própria vida. — Shymphony termina a fala enquanto observa a arena com um olhar longínquo. Então ela busca Sarah com um olhar mais sério. — Você ainda quer lutar em Atlás?

    O silêncio toma conta do ambiente. Sarah volta a observar a arena e a areia. Até consegue enxergar uma folha escarlate cair ali perto e repousar rumo ao fluxo inevitável de tudo. Até Adão aguarda ansiosamente por tal resposta. — Eu sou fraca, e perdi todas as vezes que precisei lutar. Ainda estou viva, mas aqueles que eram preciosos para mim não. Não vejo como qualquer outro tipo de derrota, não importa o que custe, possa ser pior. — Sarah se expressa enquanto olha para seus próprios pés. Adão, em seu âmago, começa a compreender aquele olhar que encarou sob a tempestade. — E também não é como se o futuro fosse menos ruim que aqui. Lá fora, não haverá piedade. Seja sob a luz ou na escuridão.  E agora que penso melhor. Tenho uma meta a cumprir. — Ela para sua fala por um momento enquanto busca a adaga em sua mochila. E depois de pegá-la, a aponta para frente. — Não sei como. Em um futuro distante. Derrotarei o Deus Rei Máquina, e colocarei um fim na opressão dos Androides.

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