Índice de Capítulo

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    A respiração já estava irregular antes mesmo do primeiro toque.

    Uma mão escorregou pela cintura. A outra subiu pelo abdômen e não demorou a encontrar um seio, apertando com curiosidade firme. A pele reagia — calor contra frio, frio contra algo mais profundo.

    O beijo começou contido. Depois afundou.

    Asha respondeu no mesmo ritmo, puxando o quadril da outra com força suficiente para deixar marcas que só seriam percebidas mais tarde. Seus dedos cravaram na pele escura, e Lina sorriu contra os lábios dela.

    Então estalou.

    Faíscas. Literais, para quem ainda tivesse dúvida.

    Uma rachadura de mana negra escapou entre os corpos, correndo pela pele como um relâmpago sujo, ramificando-se em veios breves antes de desaparecer. O ar vibrou com cheiro de ferro e ozônio.

    Asha recuou um palmo.

    A mão foi direto ao peito.

    — Droga…

    O metal sob a pele estava quente demais.

    Lina não soltou. Puxou-a de volta com firmeza quase possessiva e deslizou os dedos até o centro do calor. Ali, pequenas veias negras irradiavam como raízes expostas sob carne fina demais para contê-las.

    Quando tocou, o núcleo respondeu com um pulso.

    A pele de Asha se arrepiou inteira.

    — Você precisa gastar essa energia. Esse negócio vai explodir — Lina comentou, meio sorriso nos lábios, mas olhos sérios demais.

    — O velho me proibiu de usar as armas. — Asha deu de ombros, ainda ofegante.

    Lina aproximou o rosto devagar, roçando o nariz no dela antes de sussurrar. Os pequenos chifres arranharam a testa de Asha, e ela recuou um centímetro, num pedido de desculpas quase infantil.

    — Vou ter que te ajudar então.

    Asha revirou os olhos, exagerando uma risada falsa, e se jogou para trás na cama estreita.

    — Você tá longe de ser o suficiente.

    — Que cruel… — Lina murmurou, avançando de novo.

    Os lábios mal tinham se encontrado quando um som cortou o ar.

    A porta.

    O olho esquerdo de Asha foi o primeiro a reagir. Abriu e girou tão rápido que o tapa-olho já frouxo se soltou. 

    A pupila ali não era comum. Runas microscópicas pulsavam por toda a íris, círculos sobre círculos girando como engrenagens.

    Ela recolocou a tira de couro antes que Lina pudesse comentar.

    — Peguem os martelos. Temos uma entrega em três dias.

    A voz grave veio do corredor.

    Lina ergueu um dedo pedindo silêncio enquanto vestia as calças devagar demais para a urgência. Asha franziu o cenho e riu baixo, puxando o casaco sobre o torso ainda quente.

    — Vai você primeiro — Lina murmurou. — Fala que eu tô fazendo comida.

    — Você não sabe cozinhar.

    Lina só sorriu e escorregou pela janela como uma sombra.

    Asha respirou fundo. Bateu nas próprias bochechas duas vezes e abriu a porta.

    O cascudo veio de imediato.

    — Bom dia pra você também, mestre…

    Ela coçou o topo da cabeça, fazendo careta.

    O Ferreiro a encarou por um segundo longo demais. Não olhou para o rosto. Olhou para o peito.

    Estendeu a mão até poucos centímetros da pele dela.

    — Tá instável.

    — Eu sei…

    — Não mandei descarregar antes de entrar no Cinzel Silencioso?

    — E como você sugere que eu faça isso, velho?

    Outro cascudo, dessa vez mais forte. Asha se inclinou, esfregando o ponto de impacto.

    — Trabalhando — completou o homem enquanto já virava as costas.

    Ela bufou, mas o seguiu.

    Viraram um corredor à esquerda, dois à direita, e emergiram num salão amplo onde um forno solitário aguardava ao lado de uma pequena bigorna. Diferente da humildade que a taverna — se é que algum canto ainda mantinha esse propósito — exibia por fora, aquele espaço era grande o suficiente para que uma eventual explosão não encontrasse paredes facilmente.

    Ferreiro jogou o martelo para a mulher. O metal pesado girou no ar antes de cair firme em sua mão.

    Ele apontou para o brilho fumegante sob a pele dela.

    — Pode voltar quando isso parar de torrar sua pele. 

    — Mas eu nem tomei café!

    O homem apenas grunhiu e fechou a porta.

    O silêncio da forja ficou denso.

    Asha ouviu os passos pesados se afastarem antes de relaxar os ombros.

    Girou o martelo entre os dedos, testando o peso. Acendeu o fogo. As chamas subiram obedientes, lambendo o ar.

    Retirou um pequeno lingote de um cesto e o ergueu à altura dos olhos. Semicerrou as pálpebras. Aproximou-o do rosto e aspirou o cheiro metálico.

    Devagar, removeu a tira do olho esquerdo.

    — Você tem alma de faca.

    Sorriu. Esperou. Martelou.
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