Índice de Capítulo

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    — Entonces desistiu del ataque surpresa por eso?

    Alex se jogou na cadeira e bufou, passando a mão pelo rosto.

    — A velhice te deixou surda?

    Um sorriso lento e afiado nasceu no rosto de Catarina. Ela se aproximou sem pressa, até que as respirações dos dois praticamente se misturassem.

    — Surda? Talvez… porque yo escuché que mi primer capitán abandonó semanas de preparación por causa de una mujer cualquiera.

    Alex não recuou.

    — Família é família.

    — Eso si la chica no está mintiendo solo pra ficar viva!

    — Não tá. Disso tenho certeza.

    Catarina sustentou o olhar por mais um segundo, então suspirou e se deixou cair ao lado dele. Puxou o cantil da cintura, deu um gole generoso… e cuspiu de volta dentro dele.

    Alex fez uma careta.

    — Isso é nojento.

    — Sabe fazer cachaça?

    — Não.

    — Entonces cala la boca. Tengo que economizar.

    Ela repetiu o processo descaradamente.

    — Que sea — disse por fim, cruzando os braços. — Pelo menos ahora tenemos alguien de dentro pra entender mejor la ciudad. Tráela aquí.

    Alex a encarou por alguns segundos. Então se levantou, tomou o cantil das mãos dela e virou metade do conteúdo garganta abaixo, sem hesitar.

    Engoliu. Devolveu.

    — Desgraciado…

    — Não tanto quanto você.

    O olhar dela ficou afiado o suficiente para cortar, mas logo se desfez em uma risada aberta. Catarina puxou Alex pelo colarinho e encostou seus lábios nos dele.

    Um toque rápido.

    Alex a empurrou com uma força claramente controlada.

    — Já mandei parar com isso.

    — No puedo. Tengo que aprovechar cuando no está ardiendo.

    Alex desviou o olhar.

    — Porcaria de barco…

    Se virou e saiu da cabine.

    O vento o recebeu como um tapa.

    Frio.

    Limpo demais para o que carregava.

    Mas não tão frio quanto os olhares no convés.

    Uma dúzia de mascarados cruzava o espaço de um lado ao outro, limpando frestas, ajustando peças, mantendo o navio funcional. Na proa, piratas de Mare Euphoria bebiam sem entusiasmo — parados, armados, atentos. Nem a bebida parecia suficiente para relaxar.

    Corrompidos caribenhos, de formas e tamanhos variados, trabalhavam presos por grilhões no pescoço. Suas mãos puxavam cordas, ajustavam velas, mantinham o Collectio alinhado com o movimento das nuvens.

    Era assim que se escondiam.

    Abaixo do casco, o som constante da forja ecoava. Metal sendo moldado, munição sendo produzida, ideias sendo testadas rápido demais para serem seguras.

    O navio não descansava.

    Funcionava.

    De canto de olho, Alex viu Miguel na proa, mexendo um pequeno caldeirão fumegante. O cheiro do ensopado era fraco demais para abrir o apetite, mas suficiente para enganar o corpo naquele frio.

    Acenou.

    Miguel respondeu.

    Alex desviou o olhar quase no mesmo instante.

    Ver Niala sendo alimentada sempre o incomodava.

    Não havia muito o que fazer.

    Desde que Catarina pregou as mãos dela ao leme, a antiga rainha corrompida não conseguia mais cuidar de si mesma. Tentara, claro. Mas os tentáculos que defendiam o navio não tinham precisão para tarefas delicadas.

    Depois de alguns passos rápidos, Alex empurrou a porta de um pequeno depósito do navio.

    O interior era mais quente. Mais silencioso. Menos honesto.

    Ali, Lúcia estava sentada na beira de uma cama estreita, os dedos apoiados no colchão gasto.

    O barulho da porta fez com que se levantasse num salto instintivo — corpo reagindo antes da cabeça — mas, ao reconhecer Alex, perdeu o impulso e voltou a se jogar na cama, sem cerimônia.

    — Realmente não vai me deixar falar com a Ana?

    A pergunta saiu mais direta do que ela pretendia. Ou talvez exatamente como pretendia. Difícil dizer.

    Alex fechou a porta atrás de si com o pé. Cruzou os braços. Não respondeu de imediato. Respirou fundo e só então olhou para ela.

    — Ela não tá aqui.

    Lúcia soltou um riso curto, sem humor.

    — Nem ferrando ela ia deixar os mascarados pra trás.

    — Não deixou. — A resposta veio rápida. — Mas não tá aqui.

    Um silêncio breve se instalou.

    Alex inclinou levemente a cabeça na direção da porta.

    — Agora levanta. Você vai falar com a Dama de Ferro.

    Lúcia estreitou os olhos, ainda deitada.

    — Dama de Ferro? — repetiu, testando o nome. — Dama de Ferro e… cachaça?

    Alex foi pego desprevenido. O riso escapou antes que pudesse decidir se devia.

    — Sim. E cachaça — passou a mão no rosto, retomando o controle — Mas não é um nome que você devia conhecer.

    — Queria não conhecer. — ela torceu os lábios e virou o rosto para o teto por um instante. — Ouvi mais histórias do que gostaria sobre taverneiros nesse último ano.

    A frase ficou no ar por um segundo. Então algo se encaixou.

    Ela arregalou os olhos e se sentou de novo.

    — Espera… — o tom mudou — é ela quem tá atacando a capital? Que doideira!

    Alex a observou por um instante, avaliando.

    — Não parece estar irritada com isso.

    — Irritada? — Lúcia soltou um riso com vontade. — Você conhece aquela gente? São um bando de desgraçados!

    Alex não acompanhou.

    — Bom… isso facilita as coisas. Você só precisa cooperar.

    O efeito foi imediato.

    O riso desapareceu como se alguém tivesse puxado um fio invisível.

    Lúcia virou o rosto para ele de novo. Séria.

    — Nem todo mundo lá merece morrer.

    A resposta veio sem hesitação.

    — Isso não importa. Só queremos a cidade.

    — Quem diria que Insídia se rebaixaria a um bando de saqueadores.

    Alex abriu a boca para responder, mas parou antes da frase. No fim, apenas se virou e saiu da sala.

    — Hoje não é dia pra essa conversa — puxou a maçaneta — Vem logo.

    Lúcia soltou um resmungo baixo enquanto se levantava.

    Não era exatamente obediência.

    Mas também não era resistência.

    Não é como se soubesse voar, então seguiu o meio-termo que a sobrevivência costuma impor.
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