Capítulo 12 - Escola Platus (I)
Ficamos por um bom tempo matando as criaturas. Provavelmente, mais de uma hora. Tony estava visivelmente cansado, parecia que iria desmaiar a qualquer instante. Ele mesmo já matou seis feras. Provavelmente graças aos núcleos absorvidos por nós, Milo e eu estamos aguentando bem. Todavia, Jacques estava em plena forma. Seu sorriso irradiava enquanto ele dilacerava as criaturas. Sequer pude ver o poder que havia recebido do Deus.
Uma hora, as criaturas pararam de vir. Por conta da grande quantia em massa, foi demorado para pouco resultado, mas, ao todo, foram:
- Seis criaturas mortas por Tony
- Oito criaturas mortas por mim
- Nove criaturas mortas por Milo
- Quinze criaturas mortas por Jacques
Os números de meu irmão, como sempre, eram surpreendentes. Antes de avançarmos, Jacques disse:
— Vamos coletar os núcleos antes de avançarmos. Poderemos distribuir entre as crianças para garantir-lhes a sobrevivência. O que sobrar, repartimos entre nós
Tony abriu um dos cadáveres e disse:
— Eu posso absorver um, pelo menos? Ainda não encontrei nenhum
Era nítida a disparidade de forças entre nós. Jacques sorriu e disse:
— Você merece absorver todos os que você matou, Tony
Vi um sorriso genuíno em seu rosto enquanto começava a dissecar os corpos. Passamos uma meia hora nisso enquanto via algumas vezes a aura púrpura percorrer o corpo de Tony. Jacques nos ensinou como coletar sem utilizá-los sem querer. Mesmo com um pouco de dificuldade, aprendemos. Isso era bom para o que meu irmão e Tony disseram também: Controle do Hao.
Ao total, coletamos 32 núcleos. Eram muitos, mas precisávamos guardar, mesmo que quisesse usar um no mínimo. Fomos aos poucos adentrando a porta principal. Fui o primeiro a pisar na porta. Desta vez, não haviam corpos aparentes no pátio principal da escola. Tendo em vista que era um prédio de cinco andares, seria normal de se esperar não terem tantos corpos reunidos no centro.
Contudo, a escola parecia diferente. Era como se ela tivesse ficado “antiquada” demais. Um lustre enorme descia do teto e mesas de madeira robustas com tinta e pena eram vistas sobre elas. Ao lado, livros com capa de couro, dos quais peguei um para mim e pinturas antigas. Algumas delas cobertas por panos brancos e empoeirados.
Me aproximei e notei uma escrita da qual eu desconhecia. Os três logo atrás pareciam tão curiosos quanto eu. Resolvemos vasculhar a sala, até que ouvimos uma voz vinda dos corredores escuros:
— Finalmente alguém chegou…
Virei meu rosto para a direção do som e me deparei com um jovem de uniforme escolar, cabelos castanhos de tamanho médio e sujos, olhos claros e uma espada fina na mão. Em suas costas, uma capa cinza com uma touca cobrindo uma parte de sua cabeça. Seu corpo estava cheio do que parecia ser sangue, semelhante ao que jorrou das feridas das feras do lado de fora.
O olhei com um olhar cuidadoso e perguntei:
— Quem é você?
— Só me digam que vieram matar o “chefe” e nos salvar…
— Salvar? O que está acontecendo? É só saírem pela porta
— Você não sabe? É impossível…
Sua figura se aproximava quase caindo de exaustão, se apoiando nas paredes. Jacques ficou alerta como Tony e Milo fizeram. Tornei a perguntar:
— Do que está dizendo?
— Vocês entraram numa Zona de Risco sem saber como isso funciona…? Haha! Só pode ser brincadeira! Nós vamos morrer!
Ele começou a gargalhar incessantemente enquanto seus olhos se abriam cada vez mais, revelando uma olheira enorme. Esperamos ele se acalmar enquanto Jacques tomava a frente e dizia:
— Fale direito!
Meu irmão o puxou pela gola até ouvi-lo gaguejar:
— N-Ninguém pode sair de uma Zona de Risco até concluir a Z-Zona… Vocês e-estão presos com a gente!
— E como concluímos a Zona de Risco?
— D-Derrotando o “chefe” da Zona…
— E onde podemos encontrar esse “chefe”?
— E-Ele t-tá no t-terraço… P-Por favor, me deixe ir! N-Não consigo… R-Respirar direito!
Jacques o soltou e se virou para nós:
— Antes de mais nada, Tony, verifique se podemos sair ou não
— Sim, Jacques
Se aproximando da porta, era como se Tony tivesse tocado numa barreira invisível. Ele arrepiou e voltou até nós dizendo:
-Realmente, não dá. Ouvi minha própria voz me falando que “ao entrar numa Zona de Risco, não se pode sair até concluir a Zona de Risco”
— Droga… Vamos procurar por eles primeiro e depois concluímos a Zona. Tudo bem?
Todos assentiram e Jacques se dirigiu até as escadas de madeira, com um tapete vermelho sujo e rasgado descendo pelos degraus que bifurcavam em dois caminhos na metade da escadaria. Enquanto subíamos, o rapaz logo atrás disse:
— Por favor, me levem com vocês… Eu não quero morrer!
— Você sabe como andar por aqui?
— Sei, sim…
— Ótimo. Você vai nos levar até esse “chefe”, mas não tente nenhuma gracinha…
Eu nunca vi Jacques assim. Sei que ele sempre foi rígido, mas isso é outra coisa. Ele estava diferente, mas seria necessário. Também achei o rapaz suspeito. É bom manter um olho nele. Sinalizei para Milo ficar esperto em relação ao garoto e ele assentiu com a cabeça.
Tony se virou para mim e me perguntou:
— Paul, posso ver esse livro?
— Ah, claro. Pega
O entreguei e vi Tony abrir e seus olhos começaram a brilhar em roxo, mas seu rosto mostrava não compreender o que estava escrito. Havíamos chegado no primeiro andar. O estudante conosco disse enquanto preparava para puxar sua lâmina:
— Tem bestas aqui… Tomem cuidado
— Nós sabemos
Confirmei enquanto sinalizava com a cabeça. Era um andar completamente diferente do que imaginaria para uma escola. Parecia como a nossa mansão, só que grande verticalmente. Fomos caminhando com calma e Jacques sinalizou para nos dividirmos em dois grupos: Ele, Tony e o rapaz e eu e Milo, cada grupo para um dos dois grandes corredores.
Tinha uma leve impressão de estar em um lugar ainda maior por dentro do que por fora, mas fui andando lado a lado com meu amigo. Ignorei meu pensamento enquanto caminhava. Haviam salas completamente escuras por dentro. Tentei abrir a primeira porta, mas parecia trancada.
Enquanto me aproximava da outra porta, ouvi um grunhido vindo dos fundos. Era óbvio que não teríamos paz aqui. Milo se preparou e me disse:
— Esse barulho é diferente da outra criatura
— Sim…
A besta foi se aproximando e nos deparamos com uma criatura de pelos rosados e juba púrpura. Seu rosto era assustador e seu corpo era ridiculamente alto. Rapidamente, ouvi uma voz vinda da minha mente enquanto meu cristal brilhava pelo meu bolso.
[Ameaça detectada. A ameaça deve ser exterminada assim que possível.]
Puxei minha lâmina enquanto ela avançava. Com um de seus braços, golpeou Milo, que pulou para trás, mas sofreu um corte em sua barriga. O vi segurando gritos de dor enquanto ela avançava em mim. Sequer tive tempo para me compadecer com meu amigo e defendi um golpe lateral com minha espada.
Milo começou a recuperar energias mais rápido que um humano normal e aproveitou que a criatura estava distraída para cortar o seu lado. O fio da lâmina fez um corte quase perfeito. Com ela se irritando com meu amigo, aproveitei a chance e desferi um corte lateral em sua perna, a desequilibrando.
Milo não perdeu a oportunidade. Aproveitou a chance e realizou um corte nas costas da criatura, seguido de outro, seguido de outro, de outro… Sequer tive algum trabalho nessa luta. Milo havia dilacerado a criatura sem piedade. Ela caía morta na minha frente enquanto jorrava sangue por todos os lados. De repente, ouvi novamente minha própria voz.
[Ameaça exterminada. Bom trabalho.]
Resolvemos esquartejar a fera, mas deixei a diversão para Milo. Rapidamente, buscou pelo cadáver o núcleo até encontrá-lo. Apenas sinalizei para ele ir em frente, afinal, ele merecia. O vi apertando a pedra brilhante e os mesmos efeitos se repetiram. Contudo, dessa vez, vi algo no buraco aperto por Milo na criatura. Com um pouco de ojeriza, coloquei a mão e puxei. Era uma chave prateada.
Nós dois nos olhamos e comentei:
— Quais as chances…?
— Não sei, mas testa!
Me levantei e me aproximei da primeira porta que tentei abrir. Cuidadosamente, limpei a chave ensanguentada e a coloquei na fechadura. Ela entrou e a girei, abrindo a porta e novamente, minha voz ecoou.
[Um quarto secreto foi encontrado. Recompensas à altura serão dadas.]
Me virei para Milo e perguntei:
— Ouviu algo…?
— Parece que eu mesmo disse algo…
— É um quarto secreto…!
— E com “recompensas à altura”!
— Isso vai ser bom, Milo!
— Com certeza, Paul!
Fomos adentrar enquanto ouvíamos alguns grunhidos lá dentro. Independente do que fossem os sons na escuridão, nós poderíamos tirar uma sorte grande lá dentro. Tudo dependia de nos livrarmos do que quer que seja. Olhei para Milo com um sorriso e entramos na sala.

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