O vi num estado deplorável. Seu corpo estava cheio de feridas e sua roupa rasgada. Peter gritou ao vê-lo e correu até o mesmo. Dei os núcleos que coletei e o vi melhorar minimamente. Pelo menos, por enquanto, Caio não morreria graças aos ferimentos. Esperamos que ele estabilizasse enquanto Katia e Milo ajudavam a enfaixá-lo direito com o pano que o cobria.

    Passaram-se alguns minutos e o vi apagar. Estava vivo, porém cansado.

    — Podem cuidar do Caio? Já vou entrar no último cômodo

    — Ei, irmão! Não vai ir sozinho!

    — Só precisamos finalizar essa Zona de Risco de uma vez por todas

    — Mas fazer isso sozinho é suicídio, Paul

    Vi Katia falando enquanto colocava cuidadosamente Caio encostado sentado na parede.

    — Eu disse que faria isso sozinho?

    — O quê…?

    — Apenas disse que vou primeiro. Se puderem entrar depois, seria ótimo. Só peço para não deixarem Caio sozinho

    — Tem certeza disso, Paul?

    Milo perguntava e tornava a dizer:

    — Eu posso ir junto!

    — Você tá cansado, Milo. Vai acabar se esforçando mais do que deveria e tenho medo de que possa se machucar

    — Então, eu vou, Paul

    A moça prontamente sacou a lâmina e prendia o cabelo. Assenti enquanto olhava Milo cabisbaixo.

    — Saiba que não é por mal, Milo. Você já fez muito por hoje

    — Tudo bem, Paul…

    — Peter, quero que você procure os outros. Quando os achar, suba com todos eles e os traga até aqui. Se você não achar o Ferdinand… Apenas entre e me avise. Irei segurar até sua chegada, afinal, não sei se a Zona de Risco para de existir quando a concluirmos

    — Beleza, irmão!

    O vi partir enquanto saquei a lâmina em direção à porta de madeira enorme. Caio caiu ao lado, então, talvez seja perigoso ficar aqui. Contudo, não vi nenhuma criatura ou pessoa nas proximidades. Também, eu tive sorte. Meus irmãos estavam todos vivos. Ferdinand foi o único que não encontrei, mas ele pode estar vivo.

    Por que todos os meus irmãos estão vivos? Deve ser sorte. Ou…

    Com um barulho alto, a porta foi aberta por Katia. Parecia estar emperrada, mas ela resolveu isso com tranquilidade.

    — Vamos entrar, Paul?

    — Vamos! Voltaremos em poucos minutos, Milo!

    O vi gesticular uma despedida enquanto pisei primeiro na sala.

    [Você está adentrando o último cômodo da Zona de Risco “Escola Platus”. Este evento acionará, instantaneamente, a mudança temporal da área da Zona de Risco.

    Ao entrar no último cômodo, a saída não será permitida até que todos os requisitos sejam concluídos.

    Você deseja entrar?]

    Mudança temporal…?

    De todo modo…

    — Sim, eu desejo entrar

    Não houve nenhuma resposta. A única coisa que via era um terraço escolar comum, com uma pessoa aparentemente idosa de cabelos longos, dos quais lutam com a calvície. O topo da cabeça é completamente careca. Sua pele é levemente acinzentada e utiliza um manto marrom rasgado. Ele está de costas para mim e sentado com as pernas cruzadas enquanto um murmúrio vinha dele.

    Sinalizei para Katia fazer silêncio, até que ouvimos uma voz grossa:

    — Vocês… Sabem o que fizeram?

    Vi o senhor levantando e continuando:

    — A partir de agora, vocês me condenaram a atrasar vocês… Seus imbecis! Acham que eu queria isso?

    — Então… Nos deixe ir

    — Como se fosse fácil! Mesmo que eu deixe… A alteração temporal já começou. Vocês vão descobrir como o tempo é valioso…

    Ele avançou. Foi a coisa mais rápida que eu já vi.

    — Katia!

    Com um chute, arremessou Katia para a parede, a fazendo gritar de dor. Eu vou ser a próxima vítima. Não entendi o que quis dizer com todas as palavras e nem precisava. Pelo menos, não agora. Apontei minha lâmina em sua direção enquanto o via coçando sua longa barba e dizendo:

    — Presunçosos! Soberbos! Vocês, tolos… Me matem de uma vez!

    Em segundos, ele sumiu da minha vista e senti uma presença nas minhas costas. Me virei, mas fui golpeado e arremessado para a beira do telhado. Conseguia ver nitidamente a rua, até que notei algo estranho. Mesmo que não conseguíssemos ver o Sol, as árvores de fora eram visíveis. Um vento muito rápido batia nas folhas e tudo parecia mais acelerado.

    Isso é…?

    — Vejo que entendeu bem rápido, garoto

    — A mudança temporal…!

    — Bravo!

    Se o tempo passava mais rápido lá fora, passaria aqui dentro? Se demorarmos aqui, quanto tempo demorará lá fora? Qual é a proporção do tempo? E se as minhas irmãs e os gêmeos forem mortos pela nossa demora? Se não tiver ninguém para protegê-los… Mesmo que confie em Lilia, se um grupo ou algum Semideus ou Deus atacá-los, ninguém vai poder fazer nada!

    Droga…!

    — Qual é a proporção…?

    — Isso importa?

    O vi avançando enquanto me levantava e preparava um golpe. Nossos ataques se colidiram, mas vi um corte surgindo nas costas dele. Mesmo visivelmente machucada, Katia ainda desempenhava uma ótima função.

    — Insolente…! Deveria ter me dilacerado de uma vez!

    Vi seus olhos brilhando em amarelo e uma onda de Hao saiu dele, pulsando ao redor de seu corpo e o deixando mais alto e visivelmente mais forte. Começou a vomitar uma esfera amarela, com um formato de algum inseto voador gigantesco. Por mais nojento que fosse, essa coisa pulsava Hao de uma maneira que senti minha Rachadura tremer.

    — Exploda

    O verme voador começou a brilhar e corri enquanto gritava para Katia fazer o mesmo. Ouvi uma explosão vindo atrás de mim e senti um empurrão para frente. Me virei e notei a ausência do homem de seu local de origem e gelei. Não sabia de quem ele iria atrás primeiro, mas comecei a sentir os efeitos da adrenalina passando aos poucos.

    A dor do primeiro golpe que recebi veio com tudo após misturar-se com os outros cortes e feridas que adquiri hoje. Tossi enquanto sentia um terror lancinante percorrer meu corpo. Contudo, ouvia barulhos de impacto vindos na minha frente. Katia estava lutando contra ele de maneira invejável.

    Acertava cortes em sua pele enquanto começou a pegar o jeito para desviar de seus golpes velozes. Rapidamente, ele vomitou outra criatura amarelada, mas Katia aproveitou desse momento para desferir um corte profundo em sua barriga e correu para longe, atrasando o surgimento do inseto explosivo.

    Parecia que ela já estava se acostumando perfeitamente com esse novo mundo. Queria poder me adaptar tão bem assim. Contudo, após a explosão, a luta começou a apertar. A energia pulsando aumentou ao redor dele e Katia começou a apresentar cada vez mais dificuldades. Me levantei apoiando a espada no chão e senti uma mão segurando meu ombro. Com um golpe, Katia iria ser ferida fatalmente, mas um barulho estrondoso veio do meu ouvido, parando o golpe com um disparo que arrancou o dedão direito do homem.

    — Ora, mais insolentes…!

    — Foi mal, mas eu me cansei um pouco dessa galera estranha por hoje…

    O sabre real brilhando ao meu lado com uma pistola em suas mãos. Era óbvio quem era. Ao seu lado, aquele jovem que encontramos no começo sem o capuz, Tony e…

    — Paul!

    — Ferdinand! Você…!

    Realmente, talvez eu fosse muito sortudo.

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