Índice de Capítulo

    Casais uniam-se em harmonia, a dança estava prestes a começar. Akane tinha duas missões: manter o disfarce e vencer o nervosismo do noivo. Passos sutis, giros elegantes e ritmo impecável. Sua condução tornou tudo mais fácil. O semblante de Kamito mudava gradualmente, e em pouco tempo as preocupações deram lugar a um sorriso gentil. Estavam começando a se divertir de verdade.

    Em um breve instante, quando desviou o olhar, Kamito identificou uma ameaça. Uma figura familiar, que observava o salão do segundo andar. Roupas militares, um olhar analítico e uma taça de vinho em mãos. Haythan estava lá. Kamito trocou de lado rapidamente, ficando de costas para o Capitão. Akane ergueu as sobrancelhas.

    — O que foi? Esse giro foi bem brusco. Viu alguma coisa?

    — Aquele homem que destruiu nossa escola, Haythan. Ele está aqui. Tenha cuidado para ele não te ver. Precisamos avisar a Katharine e executar o plano agora mesmo. — ele apertou a mão dela. — Não tente procurar por ele. Olhe só para mim, Akane. Não podemos arruinar nossos disfarces. Precisamos capturar o Político. Se aquele homem nos reconhecer, não teremos outra chance.

    — Eu não vou fazer nada, Kamito. Sei quem é o nosso alvo. Eu é quem deveria estar tentando te acalmar, já que foi você quem foi atacado por ele lá na Terra. — ela riu e lhe deu um beijo na bochecha. Continuou conduzindo a dança com naturalidade, mas direcionando os passos para longe do centro do salão. — Essa foi por pouco. Por que esse homem está aqui? Será que fomos descobertos? Ou aquela nobre que a Camily abordou contou algo? Ela não deveria se lembrar do que aconteceu, então, como?

    — Eu não sei, mas não podemos mais ficar expostos. Precisamos ir até a Katharine. Eles já sabem quem nós somos e ela pode estar em perigo.

    Pararam de dançar sem chamar atenção e caminharam até a varanda lateral. O rapaz voltava a se preocupar. Se Haythan notasse sua energia, Akane, assim como todos os convidados, estaria em perigo. Manter a calma era quase impossível.

    — V-vai ficar tudo bem, Akane. Eu prometo, vai ficar tudo bem. Não olhe para trás. Estamos quase lá, estamos quase lá… — até respirar se tornava uma tarefa difícil.

    — Onde os dois pombinhos pensam que vão? — perguntou uma voz imponente, que com sucesso atraiu a atenção de todos para si; e também para seus alvos.

    Guardas cercaram o jovem casal num piscar de olhos.

    — Pretendem nos deixar logo na primeira dança? Por que a pressa? Kamito Takeda e Akane Yagami, vocês não aprendem. Pensei em me divertir vendo um bando de nobres se gabando enquanto apreciava um delicioso vinho, e de repente me deparo com dois ratos andando livremente pelo salão como se fossem nobres. — Haythan sorriu e, enquanto descia as escadas, pegou seis esferas no bolso. — Eu te disse uma vez para ser civilizado, Kamito, mas você não seguiu meu conselho. Sabe por quê? Porque você é um ser ignorante e inferior, uma falha, um erro. Vocês, rebeldes, decidem tudo na violência. Nunca dialogam. Se fossem civilizados e inteligentes, estariam de joelhos aos pés do Grande Impero implorando por piedade.

    — Engraçado ouvir isso de alguém que atacou uma escola lotada e quase matou vários inocentes! Não venha com sua falsa moralidade, Haythan. Você diz que eu me agarro à violência por não ser inteligente, mas quem deu o primeiro golpe foi você. Fui convidado para essa festa e aqui está você, me provocando. Isso é ser civilizado?

    Kamito o fitava com ódio. O sorriso prepotente do Capitão o deixava ainda mais irritado. Haythan jogava as esferas para cima repetidas vezes.

    — Vejo que você está prestes a dar o primeiro golpe, de novo. Vamos, faça como da outra vez e machuque mais inocentes. Eu juro que te matarei dessa vez, seu maldito!

    — Garoto presunçoso, uma vez mais você ousa me desafiar?! Terei que te dar outra lição, e vou garantir que não se esqueça dela.

    Sem hesitar, Haythan arremessou as esferas.

    Ninguém imaginava que ele faria isso com tantos nobres por perto. A comoção foi generalizada, e a única reação de Kamito foi empurrar Akane antes da explosão.

    As explosões puderam ser sentidas fora da mansão. A fumaça chamou atenção do grupo de Raya. Hora de agir. Capuz foi o responsável por avisar os outros, já Ruby foi de encontro ao grupo de apoio. Mais explosões começaram.

    Na varanda, Sora e Katharine se seguravam na sacada. Todo o local tremia.

    — Vamos sair daqui! Vocês foram descobertos! — ele a seguro pelo pulso.

    — Me larga! Eu não os deixarei para trás! — ela correu para o salão; Sora a seguiu.

    Nesse tempo, Capuz encontrou o grupo do Raishi.

    — Eles foram descobertos, Coelho. A mansão se tornou um caos.

    — Junte-se ao grupo de apoio e comece a retirada imediatamente. — ele levou a mão ao queixo, pensativo. — Parece que já estavam esperando por nós. Como?

    Noutro lugar, Ruby alertou o grupo do Coruja.

    — Temos que agir! Agora! Eles foram atacados!

    — Como é?! — sem esperar pelos companheiros, Lília liberou sua relíquia e correu até a mansão. Os demais a seguiam de perto, a preocupação era nítida.

    Enquanto eles se aproximavam da mansão, Coruja mandou uma de suas corujas até o grupo do Solum. A ordem exigia extração imediata dos aliados e do Político.

    Na mansão, nobres corriam com narizes e bocas tapados. Akane se levantou, suja e arranhada, e com o coração na boca começou a procurar pelo noivo.

    Kamito saiu debaixo de alguns escombros, o terno rasgado e sujo — uma pena, tinha gostado dele. Uma chama azul tomou seu corpo, suas Vestimentas Espirituais surgiram. Haythan sorriu e arremessou mais esferas contra o rapaz. Akane o protegeu com um escudo. Kamito logo se aproximou dela, mais preocupado em saber como ela estava do que com o inimigo à espreita.

    — Sabem, eu tinha ordens para capturá-los e levá-los ao Imperador. Mudei de ideia. Falhas não merecem perdão, merecem a morte! — Haythan invocou duas pistolas negras e as apontou contra o casal. O sorriso sádico acompanhou os disparos. — Gostaram da minha Relíquia?! Perfeita para acabar com vermes estúpidos!

    — Cale-se, desgraçado! O único estúpido aqui é você! Blue Sky Ripper!!!

    Uma imensa lâmina de fogo azul cortou a fumaça. Ótimo contra-ataque. Haythan gargalhou e atirou contra o golpe inimigo. A explosão anulou qualquer ameaça.

    — N-não pode ser, ele parou o meu golpe mais poderoso com algumas explosões?! Esse é o verdadeiro poder de um capitão do Império?

    — Kamito, Cuidado! Há guardas atrás de você!

    Akane invocou seu arco e disparou contra os guardas, impedindo a aproximação deles. Haythan disparou diversas vezes contra ela. Dessa vez, Kamito se moveu com extrema rapidez, fazendo as balas serem consumidas pelas chamas.

    — Não se esforce muito, Kamito! Eu vou ficar bem! Você não pode atingir seu limite!

    — E-eu sei, fique tranquila! Eu ainda consigo lutar, só estou um pouco ferido.

    Apesar das afirmações, ele sentia sua energia tremer, uma leve tontura e o corpo pesar. Não deu importância a isso no momento. Não pensava em nada além de lutar e tirá-los daquele lugar de alguma maneira.

    — Vocês são patéticos! Por que o líder da Ordem enviou dois fracotes?! Eu realmente queria entender o que o Grande Impero vê em vocês. Vocês não passam de um casal fraco, sem nobreza nem poder. O maior favor que eu faria para vocês seria matá-los.

    Dessa vez, o Capitão carregava dois disparos com enormes esferas explosivas.

    — Adeus, espero que em outra vida vocês não sejam tão patéticos, e que sejam mais civilizados do que eram aqui! Morram de uma vez!

    Talvez esse fosse o fim. Era impossível escapar sem danos. Akane engoliu seco e começou a criar uma barreira reforçada. Eles tinham tempo? O grupo de apoio ainda estava longe. Ambos estavam por conta própria.

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