Capítulo 402 - Padmara
O grupo de Burajianos seguiu caminho através do rio da vida, sendo levados pela correnteza forte daquele fluxo d’água. Kura, olhando para trás naquele rio, se encontrava verdadeiramente irritado com tudo que tinha acabado de viver, dizendo em voz alta:
— Que merda! Sério, aquele velho morto não quis vir conosco?!
Arold escutou aquilo, se mantendo deitado no chão daquele barco improvisada e respondendo ao seu irmão mais velho:
— Pô, mas é claro que ele não viria, cara! Décadas sem ver o próprio filho, não vai ser do dia para noite que a coragem de conversar com ele vai vir!
O irmão mais velho escutou aquilo com atenção, se escorando na parede de madeira da embarcação e se sentando no solo após aquilo, cruzando os seus braços e comentando após isso:
— Sabe… me pergunto se nosso pai vai ser desse jeito, quando acordar do coma…
Os dois irmãos ficaram em silêncio por algum tempo, até que o criador e manipulador de explosões decidiu dizer após aquilo:
— É… eu me pergunto a mesma coisa… faz tanto tempo que ele tá em coma, e mudamos tanto… tenho medo de ele não conseguir nos reconhecer!
O silêncio durou um tempo depois daquilo, com todos mantendo suas atenções nos arredores daquela embarcação improvisada. Gabriel Sariel, olhando na direção da direita do barco, logo conseguiu uma luz através da densa floresta, pegando rapidamente um mapa da região e começando a ler o mesmo. Em questão de instantes, o homem de cabelos dourados conseguiu se localizar, dizendo em um tom de voz carregado com um pouco de empolgação:
— Ei, o país de Padmara não está tão distante, é só mais algumas horas de caminhada!!
O grupo inteiro se animou ao escutar com aquilo, com os mesmos começando a se levantar e juntar as suas coisas. O lobo-guará, sorrindo, disse com animação evidente na voz:
— Caramba, caramba!! Finalmente vou poder comer algo de verdade, e não essa ração de missão!!
Sami, terminando de juntar suas coisas e se preparando para pular do barco, complementou:
— Já eu, quero tomar um banho logo, não aguento mais estar tão suja!!
O grupo inteiro abandonou o bote pelo rio abaixo, pulando para a margem daquele fluxo de água e caminhando pelo meio da mata. Os passos eram mais empolgados, mas conversas eram difíceis de acontecer, dada a pouca água deles. Mesmo assim, o Arold não se conteve, chamando seu irmão com algumas cutucadas e dizendo:
— Irmão… tá podendo conversar? Bem, pelo menos ouvir…
O Kura, virando seus olhos na direção do seu irmão mais novo, apenas acenou com sua cabeça em concordância, dizendo na sequência:
— Sim… vai falando, que tô escutando!
Recebendo a afirmativa positiva do seu irmão mais velho, o rapaz de roupas brancas coçou a garganta na sequência, começando a falar:
— Sabe, eu andei pensando… e ando inseguro com minha própria força, sabe? Tipo… cada oponente que enfrentamos, quem se bota em risco é você. Quem deveria te proteger sou eu, e não era para ser o contrário!
O Kura escutou aquilo, absorvendo com cuidado cada palavra dita pelo seu querido irmão mais novo, refletindo até finalmente ter uma resposta:
— Mas, qual o problema? Eu sou o seu irmão mais velho, quem deve te proteger sou eu! Se o inverso fosse feito, eu me sentiria bem incapaz, caso eu tivesse esse papel roubado!
Arold escutou aquilo, e coçando novamente a garganta devido a sede, ele retruca:
— É, mas você é o Houer! Se você for capturado, nós vamos dar mais passos largos na direção da derrota nessa guerra… e também, o Shiawase dizia as mesmas coisas… e ele acabou morrendo, pois não conseguimos ajudar ele quando ele mais precisava!
Escutando aquilo, o Kura se lembrou do irmão mais velho de ambos, ficando em silêncio por um tempo enquanto encarava a mata na sua frente. Depois de reviver essas memórias traumáticas, o rapaz suspirou, tecendo mais um comentário:
— É… mas, não se preocupe, Arold! Você ainda vai me salvar de alguma situação complicada… pode não ser agora, mas com certeza vai conseguir! No que ouvi, até o Giovanni teve seu momento de brilhar, então imagina você!
Giovanni, que escutava tudo mesmo que de relance, acabou ficando levemente irritado com aquele comentário do seu capitão de esquadrão, dizendo ao mesmo com irritação na voz:
— Ei, ei ouvi isso, seu baixinho idiota!!
O manipulador de raios, ao escutar aquele comentário infeliz sobre a sua altura, se virou cheio de irritação na sua face, retrucando para o mesmo:
— EI, DO QUE ME CHAMOU, SEU IMBECIL?!
Antes que aqueles dois tivessem a oportunidade de continuar aquela discussão fútil, o Gabriel surgiu entre eles, acertando um soco em cada um deles, atingindo com força o topo do crânio deles. Graças a habilidade e força do loiro, ele conseguiu deixar um galo grande no topo da cabeça dos jovens, gritando com eles na sequência:
— PAREM COM ISSO, E CONTINUEM ANDANDO!!
Os dois logo levaram suas mãos até o topo de suas cabeças, segurando o machucado e olhando com um olhar de coitadismo para o mais experiente deles. Alguns membros do grupo deram risadas daquela cena, com o homem-raio pensando consigo mesmo:
“Merda, isso doeu mesmo! As vezes eu me esqueço, que ele é forte e tem um poder chato de afetar as capacidades físicas dos outros!!”
O mais velho do grupo logo se virou na direção mato na frente deles, apontando com seu polegar esquerdo na direção dele e dizendo:
— A cidade está ali do outro lado! Vamos logo com isso, pois eu adoraria descansar um pouco, depois de todo esse estresse!
Ao ouvir a menção de que finalmente teriam chegado na nação mais próxima, o irmão mais velho do Arold não conseguiu se conter, correndo desesperadamente na direção daquela passagem. Em questão de instantes, o Houer do cão elétrico atravessou aquela moita, chegando finalmente na pequena colina que dava de cara com aquela cidade. Vindo logo atrás do mesmo, Sariel encostou em seu ombro, dizendo com um tom de voz tranquilo:
— Chegamos, pessoal! Padmara!! Tentem só não chamar muita atenção, para podermos relaxar!!
O grupo então seguiu caminhando, escalando a colina em pouco tempo e entrando aquela cidade, notando a grandiosidade da mesma. As pessoas caminhavam na rua tranquilamente, enquanto varias barracas de comida ficavam na beira das calçadas. O Kura, em instantes, conseguiu notar e comentar algo:
— Que cheiro de pimenta!
Gabriel, sorrindo aliviado, seguiu andando por aquela rua, falando:
— Sim, isso mesmo! Aqui é o país dos temperos… e onde passaremos a noite!
O grupo seguiu o homem, chegando finalmente a um hotel próximo dali. De longe, uma figura no meio das sombras os observava, com a mesma refletindo consigo mesmo:
“Que surpresa te ver aqui… Kura!!”

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