Índice de Capítulo

    Ele caía para um lugar onde ninguém poderia alcançá-lo. Grito. Choro. Pânico. A dor que Akane sentia ia muito além do que ela podia suportar. Se pudesse, pularia. Prometeu protegê-lo, e foi incapaz de cumprir sua promessa.

    — Me soltem! Precisamos salvá-lo! Eu não posso deixá-lo sozinho! Me deixem salvar o Kamito! Ele precisa de mim! Por favor! Por favor! — ela se debatia ferozmente, a garganta doía de tanto gritar. Às vezes quase escapava das mãos de Ruby e de Solum. — Se demoramos ele pode acabar morrendo! Por favor, vamos ajudá-lo!

    — Akane, já chega! Se você pular nesse desfiladeiro, vai morrer! — com a ajuda de Solum, Ruby conseguiu puxar a garota aflita para longe da beirada, apesar da forte resistência. — Recomponha-se, Akane! O Kamito não iria querer te ver assim, nem que você se jogasse atrás dele! Ele queria você bem, então mantenha a calma até darmos um jeito no nosso inimigo bem ali, entendeu?!

    — E se ele morrer?! Eu não posso perdê-lo! Por favor, Ruby! Eu te imploro! Ele não morreu, eu sei disso! — as lágrimas embaçavam a visão. Akane continuava tentando escapar, pois ainda nutria a esperança de que seu amado pudesse ser salvo. — Já temos o nosso alvo, então me deixem ir! Eu não sou importante! Eu vou encontrá-lo, eu sei que vou encontrá-lo! Meu Kamito não morreu!

    Era nítido que isso não terminaria tão cedo. Alguém precisava ir além. Assim, Lília invocou sua Relíquia, tragou bastante fumaça e a soprou no rosto da garota. Os gritos começaram a parar, os movimentos ficaram lentos, e Akane enfim desmaiou.

    — Não tinha outro jeito, ela estava transtornada. Me perdoe, Akane… — ela suspirou. — Eu usei um território de ilusão bem menor nela. Para ser mais específica, estabilizei a energia dela e a induzi a um sono profundo. Isso vai aliviar um pouco sua dor, mas ela vai nos odiar por isso quando acordar.

    — O-obrigada, Lília. Eu não sabia o que fazer… Eu entendo perfeitamente a dor dela, por isso fui incapaz de reagir. Ela o amava. — Ruby segurava Akane nos braços.

    Mesmo desacordada, ainda escorriam lágrimas de seus olhos. Ruby não suportou e a abraçou com força. De longe, Haythan gargalhava.

    — Qual a graça?! Isso tudo é culpa sua! Você é um covarde sujo e desprezível que atacou pessoas pelas costas! Você é muito baixo! Seu lixo!

    — Tanto drama pela morte do portador da Chama?! — ele gargalhou ainda mais alto, parecia ser de propósito. — Eu deveria matar mais alguns até devolverem o Político!

    Haythan avançou, já recarregando as armas. Não teve tempo para atacar — um feixe de luz disparou em sua direção e colidiu contra ele. O brandir entre metais ecoou pela ponte; Solum era quem o confrontava.

    — Você de novo?! O que foi? Não vai chorar pela morte do seu amigo? Você parecia muito mais ameaçador na Terra. Quem diria que matar um de vocês os fragilizaria tão facilmente. Vocês são mesmo patéticos!

    — Não, não, não. Você eliminou o meu alvo, e isso não se faz! Você vai pagar por ter jogado o Kamito dessa maldita ponte! Ele era o meu alvo, seu maldito! — Solum dava vários golpes, Haythan se defendia com dificuldades. Ele sorriu. — Qual o problema? Não somos patéticos? Por que está recuando? Você vai morrer aqui, Haythan!

    — Você é mais rápido do que eu pensei. A raiva está tomando conta de você? Vocês sempre apelam para a ignorância e para a violência. Eu avisei a ele para se entregar como uma pessoa civilizada, mas ele optou pela violência e pagou por isso! — com um saque rápido, Haythan atirou e acertou Solum em cheio. A ponte tremeu enquanto a fumaça se espalhava. — Eu matarei todos! Vocês farão companhia ao seu amigo!

    — Eu queria mesmo fazer companhia a ele. Prometi ajudá-lo com seu objetivo para ter minha revanche. Você matou o meu único amigo, e em nome dele eu, Solum, irei vingá-lo! Last Hunt!!!! — uma aura vermelha devorou a fumaça.

    Haythan ficou impressionado, e por isso não teve tempo para reagir e se esquivar do ataque inimigo. Duas lâminas de energia em formato de X cortaram a fumaça e rasgaram o peito do Capitão, que foi empurrado para trás.

    — Vamos nos divertir, Haythan! Você parecia tão animado agora há pouco! Me mostre a graça agora! Me mostre! Me mostre o motivo da sua alegria!

    — Isso é ruim, parece que o Solum está perdendo o controle! Katharine, vamos! — Lília olhou para trás, onde estava a aliada. — Katherine? Ei, está me ouvindo?

    Ela não dizia nada. Sequer reagia. Apenas encarava o precipício onde o sobrinho caiu. Lília se aproximou e a balançou pelos ombros.

    — Recobre a consciência! Eu preciso de você! Agora! Temos que deter o Solum antes que ele perca o controle de vez e se torne uma Fúria!

    Mais à frente, os outros observavam o embate.

    — Não deveríamos ajudar? Vamos ficar parados? — Tenebris fitou Coruja, que analisava os movimentos de Solum com atenção. — Já que quer ficar aqui, eu vou lá.

    — Não dê um só passo! Não estamos parados, estamos protegendo o Político. Essa é a prioridade da missão e eles sabem disso. Estamos sendo mais do que bondosos em esperá-los enquanto nos arriscamos com um alvo.

    Coruja invocou diversos olhos com asas e os espalhou por toda a região. Seriam cruciais para evitar possíveis ameaças e também para procurar pelo Kamito.

    — Isso é tudo que posso fazer agora. Temos ordens para seguir, Tenebris. Mantenha a guarda. Não sabemos se mais alguém pode aparecer para resgatar o Político.

    Do outro lado, Katharine não reagia e Ruby ainda segurava Akane. Lília precisou agir por conta própria. Solum golpeava Haythan sem piedade. Sangue inimigo jorrava, gritos de ódio acompanhavam cada ataque. Lília soprou uma imensa névoa, cobrindo metade da ponte. Várias cópias se aproximaram de Solum e conteram seus ataques. Ele ofegava bastante, o sangue de Haythan cobria quase todo o corpo.

    — Já chega, Solum! Não somos animais irracionais, muito menos sádicos. Não vou deixar você se tornar uma Fúria por causa desse pedaço de lixo. Eu sei que você e o Kamito eram amigos e que tinham um trato, mas não se perca por causa disso. — ela estendeu a mão para Solum enquanto outras cópias se aproximavam dele. — Eu também quero que ele pague pelo que fez. Passei vários meses treinando o Kamito para ele supostamente morrer assim? Isso foi injusto com todos nós.

    — Então me deixe matá-lo, Lília! Sei o quanto você se importava com o Kamito, não adianta negar! Esse desgraçado merece morrer! — ele tentava identificar qual era a verdadeira Lília. Sem sucesso, ele ignorou as imagens e se virou para atacar Haythan.

    Lília o segurou pelo pulso com força. Quando Solum se virou para confrontá-la, as cópias sopraram fumaça em seu rosto, o deixando fraco e tonto.

    — D-droga… Isso não se faz! Por que você ainda mantém a calma?!

    — Porque eu não sou tão vingativa assim, Solum. Ainda não quero acreditar que ele morreu, por isso que poupei você e a Akane. — Lília deu um sorriso fraco enquanto Solum caía desacordado. Ela o segurou e o deixou cuidadosamente no chão.

    Em seguida, ela olhou para Haythan, que se arrastava com dificuldades para longe. Lília então apontou para ele, fazendo suas cópias irem em sua direção.

    — Ou será que sou? Você pagará por ter machucado o Kamito. Se quer tanto resolver as coisas no diálogo, eu te mostrarei o meu diálogo.

    Apesar do discurso e de suas fortes convicções, os nervos estavam à flor da pele. Lilia queria punir aquele homem. Queria fazê-lo sofrer com suas próprias mãos. E a forte hipótese de seu amigo estar morto alimentava, e muito, sua vontade de matá-lo.

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