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Capítulo 14. A Luz que Desperta 5
Com a banheira preenchida pela água quente, o vapor dominava o interior da cabana.
— Pronto, pode tomar seu banho tranquilamente — proclamou Bart.
Wood e o pai preparavam-se para deixar o cômodo, mas foram surpreendidos pela mulher que, tranquilamente, despia o vestido áureo como se estivesse na privacidade do próprio quarto. A peça caiu no chão, revelando as formas nuas do belo e esguio corpo da senhorita Medelin.
— R-Roset! — gaguejou Bart, engasgando com a surpresa. — Não saímos ainda!
Wood virou o rosto em respeito e fracassou em engolir a própria saliva.
Sem demonstrar qualquer sinal de embaraço, ela ergueu os braços para amarrar o cabelo no alto da cabeça. Sorriu com gentileza e, com a voz doce, acalmou os encabulados marmanjos.
— Não tem problema, podem ficar aqui. Eu não me importo — disse com sinceridade. — Somos uma família, não? Se quiserem, podemos tomar banho todos juntos — convidou, e com a ponta dos dedos do pé mediu a temperatura da água. — Acredito que a banheira não é grande o suficiente para três, mas cabem dois tranquilamente. E eu sou pequena — completou.
Imediatamente o lenhador cortou pela raiz o pensamento ou qualquer instinto que tentou penetrar na atordoada consciência.
— Fique à vontade — declarou Bart.
E Wood, seguindo o cavalheirismo que nunca lhe haviam ensinado, disse: — Com sua licença, Roset. — Inclinou-se respeitosamente e com a mão levemente trêmula, abriu a porta para retirar-se dali.
Roset balançou a cabeça em resposta, depositou a toalha à beira da banheira e consentiu.
— Uma pena — murmurou.
Do lado de fora, pai e filho respiraram fundo, fitando a escuridão que se adensava pela colina abaixo.
— Perdão, pai — desculpou-se o rapaz.
Bart bateu três vezes nas costas do filho sem nada dizer. Tateou em busca da cadeira mais próxima e sentou-se pesadamente.
O ruído cristalino da água reverberava baixinho pelo cômodo adentro.
…
Pai e filho acordaram cedo. As toras esperavam o convite das cordas; a encomenda necessitava de preparo.
Cavam foi convidado para auxiliar na tarefa. Enquanto a névoa respirava dentre a manhã gélida, a visibilidade era abraçada em orvalho.
Wood espreguiçou-se, despertando as fibras do corpo, agarrou o cabo do machado e, com dúbia curiosidade, perguntou: — Dormiu bem hoje, Pai?
Bart, imerso em pensamentos mais densos e difusos que a desconexa neblina que os circundava, confessou: — Tão bem quanto uma maldita coruja.
Roset cobriu o corpo que com a noite compartilhara a pele exposta. O vestido — em esmeralda resplandecente — adornou-lhe o corpo matutino.
A mulher seguiu os passos dos companheiros, adentrando a floresta pela trilha que ainda não conhecia.
— Dormiu bem, querido? — perguntou, provocando Bart e aproximando-se do homem até o limite do contato.
Uma expressão de melancolia constrangida tingiu-lhe o rosto ornado por profundas olheiras; no íntimo, o coração suspirava em agradecimento e blasfêmia. Os músculos de todo o corpo mal respondiam aos comandos, vítimas de uma noite aterrorizante, como se um marmanjo daquele tamanho fosse nada mais do que um simples homem, um frágil humano.
— Eu devia ter dormido no chão — reclamou, sem olhar para a mulher.
Medelin acelerou e ultrapassou o lenhador letárgico.
— Inaceitável — disse com completa autoridade. — Jamais, e se fosse o caso, quem deveria dormir no chão sou eu! — afirmou, aumentando o tom da voz.
Wood caminhava à frente, dividindo a concentração entre a trilha e a contenção da gargalhada. Seu esforço era tamanho que sentiu uma aguda pontada nas costelas.
— Nunca — respondeu Bart. — Que tipo de anfitrião oferece o chão ao hóspede? — argumentou, irritado.
— E que tipo de esposa oferece o chão ao marido? — contra-argumentou, resoluta.
O vermelho tomou a face por trás da espessa barba do lenhador, mas o impasse foi interrompido por um aviso do instinto. O Rubro parou. Bart focou os sentidos; Roset sentiu a textura dos sons que vagavam entre as indistintas árvores.
— Wood — chamou o pai.
— Espera — sussurrou em resposta.
Cavam relinchou apreensivo, eriçando a crina úmida. O casco elevou-se e colidiu contra o cascalho da estrada.
O lenhador apertou o cabo do machado e forçou a vista, tentando discernir qualquer alteração no véu denso que os circundava.
— Lobos? — perguntou.
— Sim — assentiu o filho, sondando os arredores.
— Quantos? — indagou o homem.
— Muitos — respondeu o rapaz, fortalecendo a sustentação dos pés.
Roset abaixou-se, tateou as folhas e as pedras, concentrando-se por um momento. Para a surpresa de Bart, ela estava calma.
— Roset — chamou o lenhador. — Não saia de perto de mim — orientou. — Wood, vamos voltar!
— Quinze — constatou a mulher.
— Quinze? — perguntou o Rubro.
Bart fitou brevemente os olhos da moça; as pupilas castanhas estavam dilatadas, observando o fluxo do ar e degustando as formas camufladas.
— Estamos cercados — disse ela, levantando-se lentamente. — Wood, Bart, prestem atenção.
Medelin esticou a mão e acariciou com afeto o braço do lenhador, olhou nos seus olhos e avisou: — Não se assustem. Fiquem calmos. Não reajam. Não gritem. Entendam.
— Como assim? O que está dizendo? — questionou o jovem à frente, ajeitando o machado nas mãos.
Roset ergueu um dos pés, descalçou o sapato e, em seguida, repetiu o ato com o outro. Tocando a superfície abaixo com as solas delicadas, caminhou até Wood e, com gentileza, recostou o corpo sobre as costas do rapaz. — Fique calmo — sussurrou.
Com um gesto hábil, elevou a barra do vestido, deslizando a peça corpo acima.
— O que está fazendo? — questionou Bart, arfando e completamente confuso.
Roset despiu-se do tecido, abandonando-o ao solo. — Confiem em mim — pediu aos companheiros. Em contato pleno com a natureza, caminhou até o equino que esbaforava apreensivo, acalmando-o com um tenro abraço.
Olhou para todos, compassiva pela completa consternação que demonstravam e confessou, mordendo os lábios:
— Eu não sou… normal.
Com agilidade calculada, a mulher, revestida apenas pela névoa cinzenta, adentrou a floresta sem dar tempo para a perplexidade demandar uma resposta dos presentes.
— O que foi isso, pai? O que diabos está acontecendo? — disse Wood, que sentia um gosto amargo na boca.
Bart respirou fundo e sentiu o cheiro do próprio suor que lhe encharcava a camisa.
— Não tenho a mínima ideia — respondeu, sem sanar qualquer dúvida.

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