Cap 15 - Sir. Sorlot
— Uma espada! O que mais eu seria? — batendo contra a grade fazendo um barulho agudo, ele continuou — Você tem problemas de visão branquelo?
Miguel o encarou atônito, quase rindo.
“Será que estou alucinado?”
Balançando a cabeça, ele respondeu a espadinha.
— Isso eu sei, a questão é, por que você fala?
Se uma espada do tamanho de uma palma pudesse dar de ombros, foi exatamente o que ela fez.
— Uma maldição é claro — bufando ele disse com raiva — Malditas bruxas, tão lindas mas tão insidiosas!
Miguel deu uma risada curta, tampando a boca rapidamente. Não era educado rir da desgraça alheia, afinal.
— Legal, mas… O que você quer? — Miguel suspirou — Eu estou com pressa, então fale logo.
A espada o encarou, sua voz ranzinza sumiu rapidamente, se tornando bajulação pura! Tossindo rapidamente antes de dizer.
— Cavalheiro, por favor, permita-me se apresentar — a espada fez uma pequena reverência, abaixando seu cabo na direção de Miguel.
— Sou Sir. Sorlot, eu peço sua ajuda para sair daqui. Prometo ser um aliado útil.
“Por que ele começou a falar igual a um engomadinho do nada?”
Miguel deu-lhe um olhar desconfiado.
— E como eu faria isso?
— Me comprando. Que pergunta é essa? — a espada pigarreou antes de continuar — Se o senhor quiser, é claro!
Miguel estava pensativo, ele não tinha motivo para ajudar a espada… Mas por algum motivo, parecia muito legal ter uma espada falante! Então, ele seguiu seu coração.
— E quanto você custa, Sir. Sorlot? — Miguel devolveu a reverência, em pura zombaria.
— Bem… Eu não sei. Eu não me coloquei à venda, afinal! — a espada suspirou levemente — Acredito que você só precise perguntar para aquele saco de penas!
Os lábios de Miguel se curvaram em um sorriso, ele não conseguiu segurar a risada dessa vez.
— Tá legal… Vou ver isso, talvez eu volte aqui.
Assim ele virou de costas e foi até o caixa.
— Eii, você vai voltar né? — a voz da espada soava triste — Não vai?
Miguel não olhou para trás no entanto.
“Psicologia reversa que diz, né?”
Quando estava a alguns metros do balcão sua respiração falhou.
Tick.
Tack.
Olhando para o homem galinha, ele reparou algo de longe. Na parede atrás dele, um relógio de parede movia seus ponteiros. Foi a primeira vez que ele viu eletricidade nesse mundo.
Seus passos perderam a velocidade, até ele parar de frente ao atendente. Seu coração estava acelerado, ele tinha encontrado algo da terra.
Ele não acreditava ser da terra apenas por sentimentalismo. Era lógica. A maioria dos mundos tinha conhecimento sobre a vontade, menos a Terra… Assim Miguel passou a acreditar que a terra foi a única que precisou evoluir tecnologicamente.
Percebendo o sorriso esquisito no rosto de Miguel, o homem galinha falou.
— Có? Decidiu comprar algo, senhor? Pó.
Miguel não respondeu a pergunta do atendente.
— Onde conseguiu aquilo — Miguel apontava para o relógio, ele estava tenso.
Ao se virar para olhar o relógio, o homem galinha disse indiferente.
— Cócó… Um homem deu para meu pai, quando eu era apenas um pintinho — ele pareceu virar a cabeça levemente, com curiosidade.
— Desculpa a pergunta… Mas poderia me dizer qual era o nome do dono original? — sua voz continha uma mistura de sentimentos.
O atendente não pestanejou, respondendo rapidamente.
— Pó… Já faz bastante tempo, era… Eu não có lembro!
Os olhos de Miguel se estreiram. Maldita galinha falante! Miguel tinha quase certeza que era mentira!
“Maldição”
Miguel deu de ombros. De qualquer forma… Ele acharia um jeito de descobrir.
— Certo… E aquela espada falante? De onde ele veio?
O homem galinha pareceu vacilar por um momento!
— Có! Eu peguei ele tentando me roubar! Pó!
Miguel sorriu desajeitado… Ele não sabia se era uma boa ideia ter um ladrãozinho ao seu lado. Porém poderia ser útil…
— E qual é seu preço?
— Có? São 2 pedras de An, có — ele bateu as asas levemente — Mas tem certeza que quer comprar aquele rabugento? Pó!
Os lábios de Miguel se franziram.
— Bem… Tá barato? Não tá? — dando de ombros ele jogou 2 pedras para o homem galinha — Tanto faz, foi bom fazer negócios.
— Cocoricó!
Assim Miguel foi buscar sua nova aquisição.
— Ei! Sir. Sorlot, eu te comprei!
A espada estava deitada depressiva, quando ouviu a voz de Miguel, se levantou rapidamente.
— Sério? Inacreditável — ela pareceu tampar o rosto com vergonha
Miguel não se importou com a reação da espada, interrompendo-a.
— Eu tenho algumas condições para te libertar! — seus lábios se curvaram em um sorriso assustador.
A espada engoliu em seco ouvindo o garoto.
— Primeiro, você vai precisar me ajudar com meus objetivos! —contando nos dedos ele continuou — Segundo, você precisa jurar que não vai me abandonar.
Miguel pareceu pensar por alguns segundos.
— Bem… É só isso — sua voz soava estranhamente alegre.
Miguel não queria colocar uma coleira na espada… Tirando sua liberdade. Mas ele não queria gastar dinheiro à toa!
— Só isso? — a espada respondeu com um sorriso constrangido.
Tossindo momentaneamente, ele aceitou as condições de Miguel.
— Então tá né… Eu, Sir. Sorlot, amaldiçoado por uma linda dama. O maior guerreiro que o reino já viu! Juro, por todos meus ancestrais, que… — a espada pareceu pensar por um segundo.
— Qual é o seu nome mesmo?
Miguel suspirou, tentando não rir.
— É Miguel! É Miguel!
A espada pigarreou antes de continuar.
— Juro pelos meus ancestrais! Que seguirei Miguel em sua jornada! — ele bateu com a mão fechada onde deveria estar seu coração, se ele tivesse um, é claro.
— Tá né — Miguel deu de ombros abrindo a gaiola.
A espada saiu voando rapidamente, como um raio… Um mini raio.
Ele girou em volta de Miguel, tentando conhecer seus arredores.
Ele suspirou profundamente antes de falar.
— FINALMENTE! — ele respirou fundo, sentindo o ar livre entrar por suas narinas? Uma espada sequer tinha nariz?
Miguel suspirou… Era mais uma das bizarrices desse mundo.
— Ei, sorlot… Eu ainda tenho muito o que fazer hoje, então acelera aí! — Miguel já estava andando em direção a saída.
— Ei! Deixa eu comemorar primeiro! Maldição.
Quando passaram pelo caixa Miguel cumprimentou o homem galinha. Sorlot pairava sobre seu ombro… Sentindo o olhar do saco de penas ele estremeceu.
“Pelos Deuses!”
Sorlot virou o rosto, acelerando para sair da loja.
— Ei, Miguel, você tá andando ou rastejando? Tartaruga maldita!

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.