Histórias 7
Capítulos 176
Palavras 314,5 K
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Tempo de Leitura 17 horas, 28 minutos17 hrs, 28 m

por Hergê — O letreiro luminoso exibia o slogan da empresa: "Silco Co. há um ano em suas vidas, mas sempre em seu coração!". A imagem do diretor executivo Luno flutuava ao lado do texto. Uma placa de metal liso cobria metade do rosto do empresário. Um olho sintético brilhava, avermelhado por conta das lentes do policial, no centro da peça cibernética enquanto ele exibia um sorriso largo e artificial na publicidade. O inspetor checou o horário no painel de seu pulso e constatou que estava… 9,5 K Palavras • Oneshot

por Hergê — No interior da nave, Goliah encarava o telecomunicador com impaciência. David polia seu punho metálico ao fundo. O aparelho tocou e ele atendeu de imediato. O feixe de luz azul projetou o busto de Comodoro. Olheiras profundas e uma expressão de tédio. Três linhas finas de implantes de dados cruzavam cada uma de suas bochechas, brilhando em um tom tênue de verde. O anão imediatamente retorceu o nariz, irritado com a impecabilidade daquele cabelo social com uma mecha sobre a testa, óculos… 9,5 K Palavras • Oneshot

por Hergê — A bota de David arrombou a porta de metal do açougue no setor seis. A fechadura estourou e os pedaços de aço voaram pelo ambiente escuro. O interior do comércio cheirava a carne sintética e exibia vitrines vazias sob lâmpadas queimadas. Goliah e o parceiro cruzaram o salão em passos rápidos e seguiram direto para a porta dupla de isolamento térmico nos fundos do prédio. O gigante empurrou as travas pesadas e uma rajada de ar congelante atingiu os dois mafiosos. O… 9,5 K Palavras • Oneshot

por Hergê — — A Silco Co. reafirma o seu compromisso com o bem-estar de Selenópolis. O holograma azulado sobre o balcão exibia o rosto sorridente da jornalista enquanto sua voz soava como um chiado nos auto-falantes do bar. — A empresa liberou um novo lote de implantes respiratórios e ópticos para doação nesta manhã. Os operários dos níveis inferiores podem retirar as peças nos postos autorizados a partir da meia-noite. A saúde dos nossos trabalhadores constrói o futuro da nossa… 9,5 K Palavras • Oneshot

por Hergê — Vincent esfregou as têmporas por trás das lentes avermelhadas. A tela holográfica projetava linhas do tempo confusas sobre o caso do Açougueiro. Arquivos físicos se acumulavam sobre a mesa de metal chumbada ao chão, uma raridade burocrática mantida apenas para registros de alta segurança na colônia lunar. O inspetor digitou um comando e o sistema emitiu um bipe de erro. Um tapa estalado atingiu a nuca de Vincent. Ele girou a cadeira, irritado e com o xingamento já na ponta da língua. O… 9,5 K Palavras • Oneshot

por Hergê — Passos rápidos e pesados agitavam a entrada da cobertura. O Inspetor Vincent cruzou o batente de madeira destruído com a arma de serviço em punho. Dois guardas lunares saíram do elevador atrás e o acompanharam com fuzis de assalto erguidos. Vincent vestia o sobretudo escuro padrão da polícia investigativa que o diferenciava claramente dos dois agentes com coletes. Seu rosto, mesmo jovem, exibia linhas duras por trás de óculos com lentes grossas e avermelhadas. “Será que eu estou… 9,5 K Palavras • Oneshot

por Hergê — I Para Kenan, a rotina era a única âncora em um oceano de loucura iminente. Cada manhã, ele se agarrava a ela com a tenacidade de um homem que se afoga. Inspecionar as cordas, verificar a carga, polir o bronze do leme que ninguém tocava. Hoje, sua tarefa era a mais ingrata de todas: a distribuição da água. Ele limpou o suor do rosto com o dorso da mão. A madeira do convés queimava sob seus pés descalços. Destravou o cadeado do barril de água. O cheiro de água parada subiu. Com a concha… 5,5 K Palavras • Oneshot

por Hergê — Parte 1 | Observado Certo dia ou certa noite, após sonos bem tranquilos, Edgar Hussak suspirou e lamuriou pela aspereza do lugar onde repousava. Após um ou dois giros, contentou-se com a ideia de que não mais seria capaz de voltar a dormir e finalmente abriu os olhos. A visão que o aplacou, então, foi do mais completo absurdo. Onde deveria estar o céu, centenas de globos oculares do tamanho de luas vigiavam-no com constância e indelicadeza, encrustados firmemente num firmamento cárneo… 11,4 K Palavras • Oneshot

por Hergê — Magno rasgou uma tira da barra de sua túnica com os dentes e o som do tecido se partindo quebrou o silêncio tenso da cisterna por alguns instantes. Ele amarrou o pano ao redor do corte no antebraço, apertando o nó com uma careta, ignorando os quatro pares de olhos que o observavam como falcões. A sua versão jovem ainda segurava a adaga de obsidiana com força suficiente para embranquecer os nós dos dedos. — Você ainda está aqui — disse o garoto numa voz que oscilou entre a ameaça e a… 260,7 K Palavras • Ongoing

por Hergê — O cheiro de lavanda sumiu. O calor do sol na pele desapareceu. Num piscar de olhos, o quarto de mármore, a cama macia e o rosto de sua mãe deixaram de existir. Sêneca deu um passo à frente, mas seu pé não encontrou o mosaico frio da casa do Eupátrida. Encontrou algo sólido, liso e invisível. Não havia chão. Não havia teto. Não havia paredes. Havia apenas o escuro. Uma escuridão absoluta, densa, que parecia pressionar seus globos oculares. Sêneca estendeu as mãos, tateando o… 260,7 K Palavras • Ongoing