Williams abriu os olhos em um susto, a sua respiração acelerada e seu coração palpitando só queriam dizer uma coisa: ele sobreviveu.

    Sua visão estava turva e ele apenas conseguia ver as partículas de poeira que dançavam de forma sobrenatural em pleno ar, ainda vibrando enquanto caíam. O alto som grave havia desaparecido, mas ele ainda conseguia o zunido em seus ouvidos e a dor pulsante em sua cabeça.

    Ele tentou falar, mas a única coisa que conseguia fazer era tossir, ao estender os dedos ele sentia o dano no chão rachado embaixo de si; ele fechou os olhos com força e murmurou ‘isso é um pesadelo, eu vou acordar’, mas quando ele quando os abriu, viu que ainda estava lá.

    Ele tentou se levantar, apoiando as mãos no chão com dificuldade, agora, ele já conseguia ver a figura trêmula de seu contratado, que estava à sua frente. A dor novamente pulsou em sua cabeça e ao passar a mão pela testa, ele sentiu o sangue escorrendo brevemente entre os dedos; então ele olhou para cima e notou que pequenos fios de areia que também caiam do teto danificado. 

    — Aju… me ajuda… — Williams tentava falar.

    Mas sua voz estava muito fraca para ser ouvida.

    O guarda-costas estava ofegante, com a cabeça abaixada e o corpo trêmulo e através da enorme cortina de poeira que vibrava e ocultava tudo ao redor, era possível ver conforme os flashes de luz piscante: a figura com olhos cintilavam na cor amarelo-claro a uma boa distância e quando a luz apagava, apenas dois brilhos se mantinham.

    — Impressionante — excitação era o que partia da voz exaltada de Koji através da cortina de poeira. — Foram poucos os que conseguiram sobreviver a um ataque direto meu…

    O andar inteiro passou a vibrar, enquanto os brilhos através da poeira cintilavam com mais intensidade, então novamente o poderoso som grave pôde ser ouvido, como o princípio de uma melodia mortal.

    *Drum*

    Mierda — o guarda-costas se esforçava para se manter de pé, ainda com mais dificuldade por conta do chão danificado aos seus pés. — Mejorado… hijo de puta…

    Ele olhou ansiosamente ao seu redor, cobrindo o ferimento no ombro com a mão e recuando lentamente. Ao dar um passo para trás, seu pé escorregou no chão danificado, fazendo-o brevemente perder o equilíbrio, mas ainda se mantendo de pé. 

    Por um segundo o guarda-costas parou e raciocinou, ouvindo aquele som grave aumentar aos poucos. Ele olhou para o chão abaixo de si, que estava repleto de rachaduras e então fechou rapidamente os dois punhos, e o brilho em suas pupilas surgiu novamente.

    Prepara-te! — o guarda-costas disse olhando para Williams por cima dos ombros.

    Este estava com uma mão na cabeça, tentando se levantar e não perder o equilíbrio.

    Diante de ambos os lados do guarda-costas, duas figuras de punhos translúcidos se formaram, desta vez aparecendo menos definidas.

    — O que você está fazendo…? — Williams murmurou ao se aproximar de seu contratado, mancando e desorientado.

    De repente, o andar inteiro parou de vibrar e por um momento o som grave também cessou.

    — Pronto para partir dessa para uma melhor…? — a voz de Koji foi proferida com um tom calmo e solene, porém em seguida com um tom odioso. — Espero que você sinta cada fibra do seu corpo despedaçar!

    Então a poeira começou a se afastar abruptamente com um som ensurdecedor à frente de Williams e do guarda-costas. O chão tremia mais conforme a onda de destruição se aproximava.

    No se mexe! — o guarda-costas gritou, cerrando os dentes por conta da pressão do som reverberando.

    — Jesus Cristo, por favor! — Williams tampava os ouvidos e fechava os olhos, sentindo a agonia do grave em seus tímpanos. 

    A onda de destruição se aproximava, carregando consigo uma vibração ensurdecedora e fazendo o andar inteiro tremer. O guarda-costas mantinha-se focado, levantando os dois punhos bem alto; então ao sentir o chão diante de seus pés oscilar, ele gritou e desceu os punhos com toda sua força, golpeando o chão com ambos os punhos translúcidos.

    Quando atingido, o chão já danificado cedeu, derrubando tanto Williams quanto o guarda-costas para o andar inferior, alguns instantes antes que o ataque de Koji os atingisse.

    O som de destruição ecoou e a onda foi tão forte que destruiu uma parede lateral do prédio, mostrando algumas luzes acesas em apartamentos próximos.

    A risada de Koji ecoou pelo andar após ouvir o barulho de seu golpe colidir contra as paredes e depois com o silêncio quando seu golpe passou por todo o andar. Ele levantou a mão direita e fechou o punho; então a poeira aos poucos foi se afastando enquanto ele caminhava, com cada onda leve de vibração que as atravessavam.

    Ele andou lentamente, retirando mais um cigarro da carteira e o colocando na boca. Seu lábio superior manchou o cigarro com sangue, a dor o deixou desconfortável, e isso o fez descartar o fumo com frustração. 

    — Ainda não, eu ainda quero ver o brilho nos seus olhos desaparecer — ele disse ao passar o dedo levemente pelo corte. — Vamos! Responda! Espero que ainda não tenha morrido… o que vou fazer com você vai te fazer implorar pelo fim.

    Quando se aproximou e presenciou, ele paralisou. Fechando os punhos com força ao notar um buraco no chão, exatamente onde estavam Williams e o guarda-costas deveriam estar.

    Koji negou com a cabeça, passando lentamente a mão direita pelo cabelo que caía sobre o seu rosto — sua expressão agora era de ódio genuíno.

    — Aquele mexicano… — a alteração na voz de Koji era perceptível, com seus lábios arqueados e trêmulos. — Não, isso não é possível…

    Suas pupilas gradualmente cintilavam, seus punhos se fecharam e era perceptível ao redor de suas mãos a energia de vibrações acumuladas.

    — Merda!

    Ele desferiu uma onda de vibração a direita, despedaçando o concreto, espalhando mais poeira naquela direção. 

    — Maldito!

    Mais uma onda, em outra direção aleatória, destroçando mais uma parede e demonstrando seus dentes como os de um animal faminto.

    Sombra apareceu da escuridão caminhando, guardando sua katana na bainha em sua cintura, porém mantendo uma lâmina em mãos.

    Koji olhou em direção dele, encarando-o com o nariz enrugado.

    — E você!? O que estava fazendo!? Por que os deixou fugir!?

    Sombra apenas o seguiu com os olhos, em seguida percebeu o buraco. Ele negou com a cabeça ao perceber toda a destruição que formou um caminho redondo entre as paredes até fora do prédio.

    — Ótima maneira de ser discreto, não é? — Sombra disse em tom reprovativo. 

     — Sabe Sombra — Koji disse ao levantar e apontar uma mão em direção das costas do homem negro. — Eu estou sinceramente cansado de estar rodeado de inúteis…

    — Você estaria morto se eu não estivesse aqui para salvar o seu rabo. — Sombra virou para Koji, encarando a mão levantada em sua direção. — Deveríamos ter convencido o homem a ir, agora temos que ser práticos, você já chamou muita atenção.

    — Ah, então está dizendo que a culpa é minha!? — a deformação no ar se tornou aparente na mão que Koji apontava.

    — Estou dizendo que temos que acabar com o 425 rápido. — Sombra se virou e encarou Koji enquanto firmava a lâmina em sua mão. — O aprimorado não deve durar mais que dez minutos.

    — O que quer dizer? — Koji questionou com o lábio superior levemente levantado, demonstrando seus dentes cerrados.

    Sombra demonstrou a lâmina que carregava; ela estava manchada de sangue, porém um líquido de coloração amarelo-pálida, quase translúcido, também escorria de sua extremidade.

    — Que o veneno foi aplicado. — Sombra guardou a lâmina no coldre. 

    A expressão de raiva de Koji lentamente se transformou em um sorriso perverso que tomou conta de seu rosto; então ele abaixou a mão.

    — Ah, seu sacaninha… — ele disse ao se aproximar do buraco feito no chão, observando apenas os destroços do andar inferior. — Então você anda com venenos também, finalmente interessante.

    Sombra não respondeu, mas não parecia ficar feliz com o comentário, na verdade, pareceu irritado.

    — Isso pode ser divertido; você os segue pelo buraco e eu vou pelas escadas, quem encontrar com eles primeiro, vai ganhar um belo prêmio… — Koji disse ao caminhar.

    Sombra apenas observou Koji com os olhos, este apressou os passos em direção de onde veio, com um misto de excitação e raiva em seu rosto enquanto ordenava.

    — Não demore! Mas caso os encontre antes de mim, deixe Williams em paz, ele é meu e eu o quero inteiro — Koji disse com um tom amigável olhando rapidamente em direção de Sombra. — Já o mexicano, se possível, degole-o e traga-me sua cabeça.

    Após sua fala, com um sorriso, Koji foi em direção às escadas. Sombra apenas manteve o semblante sério, virando e encarando o buraco no chão.

    Desembainhando sua katana, ele pulou no buraco com um brilho vermelho cintilando em suas pupilas. Antes de cair, a luz parecia não refletir mais o seu corpo e suas roupas; então, ele rapidamente se tornou um borrão que desapareceu em meio à escuridão.. Antes de cair, a luz parecia não refletir mais o seu corpo e suas roupas; então, ele rapidamente se tornou um borrão que desapareceu em meio à escuridão.quero inteiro. — Koji disse com um tom amigável olhando rapidamente em direção de Sombra. — Já o mexicano, se possível, degole-o e traga-me sua cabeça.

    Após sua fala, com um sorriso, Koji foi em direção às escadas. Sombra apenas manteve o semblante sério, virando e encarando o buraco no chão.

    Desembainhando sua catana, ele pulou no buraco com um brilho vermelho cintilando em suas pupilas. Antes de cair, a luz parecia não refletir mais o seu corpo e suas roupas; então, ele rapidamente se tornou um borrão que desapareceu em meio à escuridão.

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