Os olhos azuis de Williams abriram abruptamente, e sua respiração ofegante foi interrompida pela tosse. Ele tentava respirar, mas sentia os escombros que cobriam seu corpo. Inicialmente, Seu braço direito se ergueu, agitado e trêmulo, tentando retirar os escombros de cima de si, revelando seu relógio de ouro que agora estava danificado e já não avançava as horas. 

    — Ajuda… — a voz fraca de Williams quase não sai de sua própria garganta. — Alguém me ajuda…

    Desesperado, Williams tentou agarrar em alguma coisa — balançando sua mão incessantemente. Enfim, uma mão ensanguentada a agarrou, retirando alguns escombros próximos e em seguida o puxando-o com força para fora.

    Williams foi retirado lentamente dos escombros pelo guarda-costas, que também tossia, mas de forma contida, enquanto olhava para o buraco acima deles, de onde caía uma chuva constante de poeira.

    Williams cerrou os dentes ao ser levantado — notou o sangue escorrendo pelo rosto e colocou a mão sobre o joelho esquerdo, sentindo a dor ecoar por todo o corpo.

    Consegues andar? — o guarda-costas estava com uma expressão de dor clara em seu rosto. — No temos tempo…

    Williams estava ofegante e desorientado, olhando para todos os lados daquela sala escura, porém, ele apenas conseguia notar o homem à sua frente, que estava suando bastante e com um olhar abatido. Ele agarrou os ombros do guarda-costas com os olhos arregalados, mas, ao fazer isso, este rapidamente o arremessou para trás de si, colocando uma mão próxima ao ferimento.

    Hijo de puta…! — o guarda-costas conteve sua voz com os dentes cerrados, fechando os olhos com força.

    Williams caiu no chão, tossindo e se arrastando lentamente.

    — O que…? — perguntou Williams, levantando-se com dificuldade. — O que aconteceu?

    Tenemos que sair daqui, agora! Ou estamos jodidos… — o guarda-costas se aproximou de Williams, agarrando por trás de seu terno para ajudá-lo a se erguer. 

    Este finalmente se pôs de pé, mancando devido à dor no joelho.

    — Caralho… então Koji é a porra de um aprimorado!? — Williams demonstrava pânico em sua voz. — O que merda está acontecendo aqui!?

    O guarda-costas tampou sua boca, agarrando seu rosto com força, sua mão era tão grande que encaixava perfeitamente no maxilar de Williams.

    Cállate! Eles podem ouvir… – ele murmurou, cerrando os dentes e olhando para cima, gesticulando com a cabeça. – Tenemos que sair… rápido!

    O medo estava claro nos olhos de Williams, mas ele rapidamente engoliu em seco e concordou com a cabeça — comprimindo os lábios e retirando um celular do bolso, acionando a função de lanterna que iluminou com dificuldade a escuridão.

    O local onde eles estavam parecia uma sala vazia com apenas uma porta que mostrava um corredor escuro em seu exterior; muitos detalhes ainda estavam ocultos por conta da baixa visibilidade do local e a poeira. 

    — Vamos por ali. — o guarda-costas apontou com o queixo para a porta. 

    Ambos seguiram para a saída da sala, mesmo mancando, Williams se manteve na dianteira. O guarda-costas, entretanto, seguiu com passos lentos, apoiando-se na saída da sala.

    Este andar, diferente do anterior, já estava mais reformado e contava com paredes bem-feitas, com espaços para as portas onde não havia nenhuma fixa. Porém, não havia nenhum tipo de iluminação, nem sequer exterior, pois o local era completamente fechado.

    Williams estava ofegante, olhando para os dois lados do corredor escuro, enquanto o guarda-costas saiu da sala, caminhando pelo corredor até se escorar em uma parede. Se apoiando com a mão, deixando um rastro de sangue; sua figura estava trêmula e ofegante.

    Carajo… ¿puedes ver la salida? — o guarda-costas questionou ao cair lentamente sentado no chão, escorando-se contra a parede.

    Ele limpava o suor do rosto com uma mão, mantendo os olhos perdidos na sala para de onde vieram.

    — O que… o que disse? — Williams olhou para trás e encarou seu contratado. — Precisamos sair daqui… Mas não consigo ver nada…

    O guarda-costas começou a tossir incessantemente, e ele colocou a mão sobre a boca para suprimir o barulho. Mas sentiu a umidade e a viscosidade em sua mão. Então, seus olhos se arregalaram — um sorriso se formou no canto da boca, que logo se transformou em uma gargalhada que alternava com a tosse.

    Ha ha ha ha… *cof* ¡puta madre! ¡No lo creo!

    O guarda-costas se exaltou, o suor escorria por todo o seu corpo e o sangue já manchava não somente sua blusa, mas também sua calça e agora o chão.

    — O que está fazendo!? Você vai chamar a atenção deles! — Williams abafou sua voz, aproximando-se de seu guarda-costas.

    Williams foi rapidamente empurrado por ele, caindo no chão com seu celular, que iluminou o teto e levemente a figura de ambos. 

    ¡Que se joda! 

    Vai se foder cara! Não temos tempo para descansar!

    Williams disse com a voz exausta, mas no fim ele também se apoiou na parede, sentando-se na parede oposta de frente para o seu contratado.

    Escucha, branquelo… acabou pra mim… — o guarda-costas, engoliu saliva e forçou um sorriso que logo era ocultado por sua expressão de dor. 

    — Seu desgraçado, você disse que me tiraria daqui, porra! — Williams disse de maneira frustrada. Mas o medo e a dor estavam presentes nessa mistura de sentimentos. — Eu preciso sair daqui… vivo!

    O guarda-costas olhou em direção de Williams, notando o brilho dourado da aliança que ele alisava quase que involuntariamente. 

    Créo que agora és apenas tu…

    Sua voz saiu de sua boca com agonia, ele colocou a mão no peito, sentindo seu crucifixo com os dedos. Em seguida, ele retirou uma pistola prateada de trás de sua calça com dificuldade, agarrando-a pelo cano e oferecendo-a a Williams.

    — Aqui… se encontrar com um de los hijos de puta… atira na cara… 

    — O que…? — Williams questionou com os olhos trêmulos. — Eu não vou conseguir! Eu nunca atirei em alguém, por que você acha que está aqui!?

    Boludo! — o guarda-costas disse agarrando firmemente o cano da arma. — Ahora… ou tu mata…, ou tu morre…

    Williams novamente engoliu em seco, levando suas mãos trêmulas lentamente em direção da arma prateada e a segurou lentamente, sujando também sua mão com sangue. O guarda-costas assentiu com a cabeça, com os olhos caídos e a respiração enfraquecendo.

    — Esta destravada… mira e puxa el gatilho…

    — Caralho! Eu não quero fazer isso! Porra!

    — Tu não eres um santo, então já matou… mas não com suas próprias mãos… — o guarda-costas respondeu fazendo força para se levantar. — Mas ahora só uma coisa importa…

    Os olhos de Williams estavam com lagrimas contidas, e sua boca com baba que se acumulava em seus lábios — observando a arma ensanguentada que segurava com ambas as mãos.

    — Tens que ser fuerte por ela…

    — O quê?

    Tu família, é o que importa…

    Williams olhou para a aliança em seu dedo, olhando para a arma ensanguentada.

    — Se estes putos seguirem pelo buraco… los detendré, nenhum vai passar por aqui… — o guarda-costas ao se pôs de pé, escorando-se na parede. — caso encontre com algum deles… sabes o que hacer

    Williams respirou fundo, firmando sua mão trêmula na arma, acenando positivamente com a cabeça com hesitação — agarrando o celular no chão e se pôs de pé em direção ao corredor.

    — Qual é o seu nome? — Williams questionou enquanto olhava para trás, o suor escorria e se misturava com a poeira em seu rosto.

    — Javier… El mesmo nome de meu padre… — Javier, respondeu com os dentes cerrados, acenando com a cabeça em direção ao corredor. — Ahora vete!

    — Javier, no instante que eu sair daqui, eu vou chamar ajuda! 

    Williams caminhou mancando em direção ao corredor, afastando-se com a luz em meio à escuridão. Javier tentava respirar fundo, mas sentia seu interior ferver com febre insuportável. 

    Ah mierda… Augusto… tu és un hijo de puta ha ha ha…

    O silêncio assolador o rodeava, junto à escuridão.

    Lo siento, hermanita, creo que lo arruiné todo esta vez… — ele sussurrou para si, retirando de dentro de suas vestes o cordão com o crucifixo e segurando-o firmemente. — És como siempre me decía, quien baila com lá muerte, al final se acuesta com ella… 

    Ele soltou o cordão que caiu sobre seu peito — o suor escorria pelo seu rosto enquanto seus olhos fechados tremeram. Ele olhou na direção da porta e, em frente dela, estavam dois pontos cintilantes vermelhos rodeados pela escuridão.

    — Se tu crees que voy morrer aqui… vai se foder! — Javier gritou em direção à porta, deixando de se escorar contra a parede e forçando um sorriso. — Ainda hoje, voy beber pra carajo… e depois comer una puta… como en todas las outras malditas noches!

    O silêncio se manteve, porém, os brilhos vermelhos se aproximavam dele cada vez mais.

    Heh, yo siempre respondía lo mismo, hermanita… — ele voltou a sussurrar consigo mesmo, fechando os olhos com força. — ¡La muerte puede llevarme… cuando ella merezca!

    Ele abriu os olhos; suas pupilas cintilavam de maneira inconstante e ele deixou escapar um rugido de fúria, correndo com seus punhos translúcidos que mal se formavam ao seu lado em direção à escuridão.

    Em instantes, o som de seu rugido foi rapidamente silenciado após o seu grito de dor, que desapareceu tão brevemente quanto surgiu; o silêncio voltou a assolar aquele lugar obscuro novamente.

    — Você não precisava ter morrido, — a voz grave de Sombra pôde ser ouvida ecoando na escuridão. — de qualquer forma, descanse em paz…

    Então surgiram de novo aqueles dois brilhos vermelhos que seguiam pelo corredor, deixando um leve rastro de sangue por onde passavam.

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