Capítulo 9
As chamas dançavam impulsionando a figura flamejante para frente, cada vez mais se aproximando do ambiente escuro e finalmente a luz revelou um homem no chão sem um braço, ensanguentado e com sinais de luta e outro homem de pé próximo dele, com uma expressão dúbia de simpatia e raiva.
A jovem cujas chamas obedeciam arregalou os olhos; sua curiosidade foi brutalmente assassinada pelo seu senso de dever: aquilo não uma ocorrência comum.
— Afaste-se do homem no chão! — a voz feminina era firme e melodiosa.
— Quem você acha que é para mandar em mim!? — Koji murmurou consigo mesmo, abaixando a cabeça e tentando configurar um sorriso.
Seus olhos demonstravam ódio enquanto ele abaixava o rosto e então levantou com um sorriso e uma expressão amigável.
— Você é quem manda!
Quando se aproximou, a figura da jovem foi revelada — era ruiva e de pele clara e suave, vestia um colã justo e branco com detalhes vermelhos e pretos que realçavam as curvas de seu corpo. Seus olhos eram verdes com um brilho nas pupilas que cintilavam em azul-claro e seu rosto era fino, com lábios levemente carnudos que estavam levemente curvados.
— O que aconteceu aqui? — a jovem disse com certo receio.
Seu olhar se mantinha fixo em Koji, mas eles se arregalaram ao notar o estado de Williams.
— De joelhos e mãos onde eu possa ver!
A roupa não parecia ser afetada pelas chamas que a rodeavam e impulsionavam seus pés, impedindo que ela tocasse o chão, até que, finalmente, ela aterrissou.
— Primeiramente, boa noite, você é a senhorita Chama Escarlate, certo? — Koji realizou uma leve reverência com a cabeça. — Ao que devo o prazer de sua visita?
Ele levantou os olhos semicerrados que fitavam a garota, mantendo um sorriso torto em seu rosto, mas o canto de sua boca tremia para forçar essa expressão.
— Quem é você, e o que fez com o homem no chão!? De Joelhos! — Ao inquirir tal ação, as chamas no corpo da garota incandesceram ainda mais.
Ela fechou os punhos, apontando-os na direção de Koji. — Agora!
— Ah, Convergentes… Sempre buscando o caminho mais difícil. — Koji respondeu negando com a cabeça.
Seus lábios transformaram aquele sorriso em um sorriso invertido, curvando-se para baixo e revelando seu ódio.
— Não poderíamos simplesmente dialogar e resolver isso pacificamente!?
— Há um homem precisando de atendimento médico, e você é o único suspeito! — Chama Escarlate respondeu cerrando os dentes e mantendo sua postura firme. — E você ainda quer dialogar!?
— Você tem um ponto — disse Koji, suspirando em seguida enquanto olhava para ela com um sorriso de orelha a orelha. — Do seu jeito então!
Ele respondeu rapidamente, apontando suas mãos na direção da jovem, e então suas pupilas cintilaram intensamente. Ele disparou uma forte onda de vibração concentrada, que inicialmente era pequena, mas crescia conforme avançava.
A Chama Escarlate estava com os dois punhos fechados voltados para Koji, e o fogo que a rodeava se intensificou e se focou à frente deles, disparando uma enorme labareda de fogo.
Quando ambos os ataques colidiram, a onda ensurdecedora de vibração atravessou o ataque da Chama Escarlate, não sendo afetada pelo fogo — em vez disso, as chamas se distorceram e foram empurradas em todas as direções, espalhando-as rapidamente e iniciando um grande incêndio.
Percebendo o grave e a destruição a seu caminho, ela rapidamente adentrou em uma das salas que estava sem porta, usando as chamas como propulsores.
O ataque seguiu em direção às escadas, colidindo com a parede lateral do prédio. O andar tremeu brevemente com o ocorrido.
As chamas se espalhavam rapidamente, atingindo levemente Koji, que se afastou e apagou as fagulhas em sua roupa e colocou com um braço sobre o rosto devido ao calor que o rodeava. Ele gemeu de frustração e disparou rajadas de vibrações nas paredes das salas ao lado onde a jovem havia adentrado.
— Para de se esconder! — a voz de Koji ecoava pelo corredor enquanto ele continuava a dar passos para trás. — Por que não sai e vem se divertir comigo!?
Ele passou a atirar ondas de vibrações em direções aleatórias, espalhando poeira por praticamente todo o corredor.
Ele semicerrou brevemente os olhos por conta da poeira, não percebendo nada além de chamas.
— Onde é que você está, sua putinha maldita?
Koji sussurrou, parando em meio ao corredor, o calor ainda subia de sua roupa levemente chamuscada.
Ele olhou ao redor e viu uma forte luz em uma sala escura, de lá surgiu uma figura envolta em chamas — ela avançou em sua direção voando.
A poeira não o deixava ver tão bem, mas ele ficou seu olhar na figura em sua direção.
Ele apontou sua mão direita, semicerrando os olhos e virando na direção da figura flamejante, ofegante e com os dentes cerrados.
— Você se acha esperta…
Koji, porém, no último momento fechou a mão e rapidamente um campo de força de vibrações se formou ao seu redor.
A jovem surgiu de uma sala cuja parede havia sido derrubada, pulando em direção de Koji com um punho com chamas azuladas pronto para um golpe.
— Olá. — Koji disse com um sorriso.
A jovem arregalou os olhos quando o campo ao redor de Koji se expandiu, a atingindo e empurrando-a.
Koji então apontou a mão direita em direção da garota.
— Morra.
No exato momento em que o ataque de Koji se expandiu, a pupila da jovem cintilou com mais brilho e ela cerrou os dentes: o ar ao seu redor se aqueceu em uma temperatura enorme e em rápida velocidade, transformando-o em uma onda de choque expansiva de plasma invisível.
O corredor inteiro tremeu quando o ar rarefeito à frente dela se ionizou em uma parede de gás superaquecido, expandindo-se e criando uma barreira de vento flamejante.
A vibração de Koji colidiu contra essa frente térmica — o plasma absorveu e dissipou a energia cinética, convertendo parte dela em calor que se espalhou como uma lufada escaldante, empurrando poeira e detritos para longe sem a tocar diretamente e espalhando mais as chamas pelos corredores do prédio.
Ela deslizou para trás apenas alguns metros, os pés raspando o chão chamuscado, o brilho nas pupilas se apagando, enquanto ela encarava através da cortina de calor distorcido.
Ela estava ofegante agora, foi claro que a sua defesa se deu através de um custoso uso de suas habilidades.
— E eu pensei que Convergentes não lutavam sujo, achou que eu não olharia para a frente só porque eu acabei de atacar nesta direção?— Koji se expressou com o queixo levantado. — E ainda mandou uma distração de outro lugar, que truquezinho ridículo…
A jovem estava ofegante — boa parte das chamas que a rodeavam foram dissipadas, assim como a figura flamejante que avançou em Koji.
— Não me diga que você é tão estúpida e não percebeu que o ambiente deixa claro que aquele fogo não tinha nada de sólido!? — disse Koji com um tom arrogante, gesticulando com as mãos como se demonstrasse obviedade. — Tem certeza de que alguém como você tem capacidade mental para atuar como Convergente!?
A Chama Escarlate o encarou com os dentes cerrados, mas logo voltou sua atenção para o homem caído no chão. Ele estava perdendo sangue cada vez mais, enquanto as chamas ao seu redor se aproximavam dele.
As pupilas dela novamente cintilavam, e ela afastou as mãos rapidamente com um gesto, fazendo com que as chamas que estavam alcançando o homem recuassem.
Ela então apontou as duas mãos abertas em direção de Koji e as aproximou lentamente, então as chamas que estavam ao redor dele começaram a se aproximar, o rodeando e não deixando abertura para fuga, começando por queimar os fios de seu cabelo.
Ele olhou ao redor, colocando a mão sobre a boca por conta da fumaça, mas rapidamente a agonia tomou conta de seu ser e ele começou a gritar de forma contida enquanto tossia. A jovem percebeu que Koji estava recuando, se afastando cada vez mais para o centro, depois olhou para Williams ferido no chão.
— Agora você não escapa… — ela disse visivelmente tomando cuidado para apenas atingir Koji.
Porém, em meio a sua fala, seus olhos esverdeados rapidamente se arregalaram. Ela gemeu ao olhar para baixo, percebendo que uma lâmina atravessou seu abdômen. Lentamente, cerrou os dentes, enquanto girava a cabeça lentamente para olhar para as costas.
— O que…?
Atrás dela, dois pontos de coloração vermelha cintilante flutuavam no ar. Ela deixou escapar um grito, fechando os punhos e esticando-se, abrindo bem os cotovelos e os braços, enquanto suas pupilas brilhavam ainda mais. O ar ao seu redor rapidamente encandeceu, criando uma breve explosão de fogo enquanto ela gritou de dor.
Sombra estava prestes a desferir um segundo golpe, porém desta vez com o cabo da lâmina, quando foi parcialmente atingido, sendo arremessado para trás e desaparecendo novamente, a poeira indicou que ele adentrou uma das salas.
A jovem gemia e caiu de joelhos no chão; o sangue escorria por seu uniforme enquanto ela pressionava o ferimento. As chamas pararam de rodear Koji e voltaram a incendiar as paredes, subindo para o teto.
— Não temos tempo, temos que ir! — Sombra gritou, revelando-se em meio às chamas e avançando em direção a Koji.
Ele o agarrou pelo braço e o arrastou pelo corredor passando por Williams caído no chão.
— Ainda não! — Koji estava com as sobrancelhas levemente chamuscadas e um semblante de ódio.
Ele se desvencilhou de Sombras, mas ambos já estavam a uma boa distância dos dois.
— O que você…!?
— Eu vou matar essa vadia!
O grito de Koji ecoou no corredor, ele estava visivelmente cansado e levemente queimado, mas agora ele parecia transbordar ódio.
Suas pupilas cintilavam com intensidade, quase como um brilho contínuo; as vibrações que partiam de sua mão, agora afetavam completamente a estrutura do chão e seguiam para o prédio, criando rachaduras em todo o concreto à sua frente.
O chão começou a ceder, juntamente com o teto e as paredes — rapidamente o prédio começou a desabar. A jovem levantou a cabeça e olhou na direção da destruição a seu caminho.
Ela apenas conseguiu ver uma figura puxando Koji; então o teto acima dela cedeu, ela olhou para o homem no chão e sem pensar, avançou.
Suas pupilas cintilavam novamente, absorvendo algumas das chamas que incendiavam o corredor para próximo de seu corpo — essas chamas a rodearam e foram até as extremidades de suas mãos e pés, criando um impulso que a empurrou para frente.
Seus olhos tentavam acompanhar e criar um caminho em meio aos escombros que caíam. Ela se desviou de diversos destroços no trajeto, sendo até mesmo atingida por alguns e caindo no chão, ela gemeu, mas retomou sua trajetória em instantes, mesmo com a dor que sentia.
Quando finalmente alcançou Williams, ela o agarrou rapidamente por debaixo dos seus braços, gemendo enquanto mais sangue escorria pelo seu uniforme.
Com um impulso, ela avançou com as chamas em direção a uma sala à sua direita, já que o caminho à sua frente havia sido bloqueado por escombros.
Ela rangia os dentes enquanto concentrava e absorvia as chamas ao seu redor, rapidamente as deixando com um aspecto avermelhado; liberando uma enorme bola de fogo quase sólida ao redor de seu corpo.
Com um grito que misturava dor e desespero, ela se chocou contra a parede, destruindo-a para atravessá-la enquanto parte do prédio desmoronava detrás dela.
Uma nuvem de poeira se formou nas áreas próximas da construção, espalhando-se pelas ruas. Já havia pessoas observando as redondezas por conta dos barulhos, mas agora o pânico finalmente se instaurou, os moradores próximos olhavam pelas janelas de suas residências; alguns até se moviam para as ruas com seus celulares para registrar o ocorrido.
Então, em meio à fumaça, um brilho amarelo apareceu, voando de maneira inconstante, cada vez mais perdendo altitude até finalmente atingir o solo da construção.
A jovem conseguiu aterrissar com o homem em seus braços, caindo no chão da construção de maneira brusca e rolando para aliviar a queda — desfazendo boa parte das chamas que concentrava.
Ela gemia, colocando as mãos sobre o ferimento que já manchava boa parte de seu uniforme, o brilho em suas pupilas já brilhavam com pouca luz.
— Ah… Ah… Ah…
Ela se pôs de lado no chão e forçou as mãos, criando chamas que surgiram de pequenas faíscas em pleno ar, e com um gesto, dançaram em sua mão — centralizando o fogo na palma dela.
— Vamos… Vamos… — ela esfregou uma mão na outra rapidamente.
O fogo se espalhou por ambas as mãos, tomando um aspecto azulado. Então ela as colocou sobre o ferimento no abdômen e com a outra mão nas costas e, em vez de queimar a sua pele, as chamas começaram a regenerá-la lentamente, do interior para a superfície, parando o sangramento e fechando a ferida.
Ela então suspirou com os olhos fechados, respirando fundo enquanto estava deitada.
— Conseguimos! — ela disse com os olhos fechados, exausta.
Então virou a cabeça para o lado e rapidamente se levantou; dirigindo-se até o homem que estava a poucos metros, ajoelhando-se ao seu lado.
— Oh não… não!
Ela, primeiramente, checou a pulsação do homem através do pescoço: estava fraca, mas ainda existia.
— Ah, graças a Deus…
Por um momento, ela suspirou e fechou os olhos, mas logo observou o sangue escorrendo pelo braço do sujeito. Mordendo o lábio inferior, ela, com agilidade, procurou o cinto do homem, mas ao notar que o sangue não parava de escorrer, ela olhou para suas próprias mãos.
— Ah, droga… — disse ela com a voz cansada e fechando os punhos. — Sinto muito, mas é a única maneira.
Fazendo esforço enquanto suas pupilas cintilavam, chamas surgiram na palma de sua mão novamente, rodeando-a e juntando-se a ela até a deixar com um aspecto avermelhado e incandescente.
Então segurou rapidamente o braço decepado com a mão esquerda, respirando rapidamente enquanto algumas gotas de suor escorriam de sua testa e logo evaporaram.
— Me desculpe!
Em seguida, com a mão direita, segurou a extremidade do ferimento.
Quando entrou em contato com o calor da mão da jovem, uma fumaça formou-se rapidamente sobre o ferimento e este começou a ser cauterizado pelo calor.
O homem acordou gritando e tentando afastar a garota de si; porém, a jovem manteve-se firme segurando-o, mordendo os lábios e arqueando as sobrancelhas.
— Me perdoe! — ela dizia, segurando o homem e não o deixando se desvencilhar.
Cidadãos abriram o portão da construção e notaram o que ela estava fazendo. Alguns estavam gravando com smartphones e outros pareciam preocupados, procurando o que havia caído do prédio.
— O que ela está fazendo!? — um cidadão disse ao notar o homem gritando.
— Se afasta dele! — outro cidadão gritou.
— Saiam daqui! Pode haver divergentes! — a jovem gritou por cima dos ombros.
Uma pequena comoção se formou, mas a jovem manteve-se focada.
— Só mais um pouco… — ela murmurou e então o homem desmaiou novamente.
Ao afastar a sua mão da extremidade do ferimento, ela percebeu que ele foi finalmente cauterizado.
A jovem sentou-se sobre suas coxas e respirou fundo por um momento, tremendo e olhando para suas mãos ensanguentadas; ela apertou algo em seu ouvido direito enquanto relaxava as costas.
— Eu estou com uma vítima gravemente ferida, estou a caminho do hospital… — ela disse se levantando novamente e encarando o prédio cujos dois terços estava destruído. — Divergentes de nível “H-B” confirmada, envie reforços agora!
Ela observou o homem antes de agarrá-lo por debaixo dos braços novamente.
— O que vai fazer com ele!?
Alguns civis gritavam enquanto cada vez mais se aproximavam da cena.
Ela negou com a cabeça, retraiu os lábios e flexionou as pernas antes de realizar um salto, impulsionado pelas chamas geradas a partir de seus pés.
— Assassina! — uma mulher gritou ao arremessar um objeto.
— Calma, eu tô filmando tudo. — outro disse.
Alguns populares filmaram o ocorrido gritando palavras de ódio enquanto outros simplesmente fugiram do recinto. As sirenes ao longe indicavam que a polícia e os bombeiros estavam a caminho enquanto a poeira lentamente baixava e mais populares infestavam a região. estavam a caminho enquanto a poeira lentamente baixava e mais populares infestavam a região.

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