O vento corria por entre as mexas de cabelo que caiam sobre o rosto que já deixava escapar algumas gotas de suor.

    O jovem percorria as ruas apressado em sua bicicleta, atravessando o bairro cuja as ruas estavam pouco movimentadas.

    Os prédios por onde ele passava eram majoritariamente domiciliados com pichações que partiam do chão até o topo; nas ruas, os sujeitos se agrupavam, mas não havia comunicação. Alguns vestiam roupas vermelhas, outros apenas roupas largas. Se colocavam em esquinas, escorados em muros e alguns vagavam.

    As pequenas lojas já estavam fechadas, um ou outro comércio se mantinha aberto, pequenos parques com figuras suspeitas, quadras de esportes vazias e vandalizadas e ruas escuras e amareladas.

    Mas também bares cheios, lanchonetes sob as calçadas com poucos clientes, o lixo jogado sob as calçadas e o neon que tentava imitar o holograma.

    Demian pedalava rapidamente, silencioso mas com os olhos arregalados como se tivesse visto um fantasma.

    Ele ignorava pessoas que o chamavam como tentando chamar sua atenção, cada pedalada era desesperada, como se sua vida dependesse daquilo.

    Havia uma vibração no seu bolso; seu celular estava tocando incessantemente mas ele não parecia perceber ou se importar.

    Até que finalmente ele chegou em uma construção que parecia estar abandonada, um espaço vazio em meio a uma grande comoção.

    Ele largou a bicicleta no chão de terra e adentrou o local com rapidez.

    Lá dentro, o chão de terra estava bastante lamacento, ele passou por paredes pretas que provavelmente foram chamuscada em um incêndio, subindo escadas que eram iluminadas pelas luzes exteriores que passavam por buracos nas paredes e por fim, se deparando com o céu cujo nenhuma estrela sequer aparecia.

    Ele pegou seu celular e não sequer se importou com as chamadas, apenas abriu um navegador e escreveu ‘Defensor Tyx’.

    As respostas da pesquisa demonstraram diversos resultados com matérias sobre a prisão de Tyx, vídeos e fóruns de notícias.

    Ele encarou a tela do celular ao abrir uma foto onde Tyx aparecia algemado e escoltado por vários agentes da Divisão Zero.

    — Não pode ser…

    A tela do seu celular rapidamente trocou para uma de chamada recebida de um número desconhecido.

    Ele estalou a língua e recusou a chamada, encarando as luzes a distância que pareciam subir até o céu: Tlamanalli.

    — O que diabos aconteceu Tyx…?

    De repente o som de uma propulsão e do ar queimado se aproximou, Demian olhou para cima e viu uma figura em chamas se aproximando do local pelos ares.

    — Por que você não atende a droga celular!? — Karoline aterrissou na construção, questionando indignada e com as pupilas cintilando.

    Ela vestia roupas casuais, um top branco, um short azul e sandálias.

    Demian encarou Karoline ainda com um olhar agitado.

    — O que faz aqui!? Como me achou? — o jovem perguntou olhando ao redor, ele parecia levemente desconfiado.

    — Tyx me deu isso. — ela mostrou seu EPIC que estava conectado com um pequeno chip. — Ele disse que eu conseguiria encontrar você com esse chip.

    Demian olhou para cima e para os prédios ao redor, depois retomou seu olhar para Karoline com desconfiança dando um passo para trás.

    — Ele te deu isso?

    Karoline acenou com a cabeça apagando as chamas por completo e então o brilho em seus olhos sumiu.

    — E por que ele está sendo preso? — Demian perguntou logo após seu primeiro questionamento.

    — Eu não sei… — Karoline respondeu, olhando em direção de Tlamanalli. — Eu também queria…

    Antes da jovem responder, ela foi interrompida por Demian que avançou em sua direção.

    — O que… está fazendo!? — a jovem levantou a voz enquanto os dedos de ambos se entrelaçam.

    Demian fazia força ao tentar sobrepujar a jovem, inicialmente parecia estar funcionando.

    — Você não sabe de nada!? Me poupe! — Demian parecia fazer o máximo de força possível, ele mantinha os dentes cerrados enquanto avançava. — Se você acha que vai me levar, está muito enganada!

    — Do que você… está falando!? — Karoline parecia genuinamente confusa ao encarar o jovem.

    Demian passou o pé direito por detrás do esquerdo de Karoline enquanto a empurrava, fazendo-a cair e ele caiu por cima dela naquele chão úmido e sujo.

    — Eu não vou me render! — Demian respondeu encarando a jovem nos olhos.

    Karoline rapidamente acertou as partes íntimas de Demian com o joelho, o que o fez perder todas as forças e acertou o rosto dele com uma cabeçada, o empurrando e passando para cima dele, prendendo suas mãos contra o chão e sobrepujando sua força ao colocar o seu peso sobre ele.

    — Você enlouqueceu!? — a jovem perguntou ao encarar Demian.

    — Eu me rendo, calma, espera! — Demian gemia de dor, com os olhos fechados e as pernas fechadas involuntariamente.

    — Do que você está falando? Se render? — Karoline encarou Demian com um olhar desconfiado. — Você sabe de algo sobre Tyx, não é?

    Demian tentou fazer força, mas Karoline o prendeu sobre o chão.

    — Nuh Huh! Primeiro você vai… — a jovem começou a falar mas rapidamente afastou as mãos de Demian. — O que isso!?

    Ela viu que as veias em sua pele começaram a aparecer e também seus vasos sanguíneos, sua pele ficou ressecada e suas mãos trêmulas. Seus olhos se arregalaram e ela instintivamente tentou limpar seus braços.

    Neste meio tempo, Demian a segurou pela cintura e a jogou para o lado, tirando-a de cima de si.

    A jovem rolou no chão, se mantendo de joelhos e apoiando-se com as mãos; o limo e a sujeira já haviam sujado praticamente todo seu corpo.

    Ela olhou novamente para as mãos, ainda estava com aquela aparência, mas além da leve fraqueza, ela não parecia sentir mais nada.

    Demian se levantou, quase escorregando, virou as costas e correu em direção da escada por onde subiu.

    A jovem comprimiu os lábios e suas pupilas cintilaram por apenas um segundo; ela se lançou com um impulso, atracando nas costas de Demian, fazendo-o cair e arrastar com o rosto no chão.

    Ela rapidamente trouxe os dois braços dele para trás, torcendo-os ao forçar ambos sob a costa do jovem que o fez gemer de dor.

    — Certo, você quer do jeito difícil!? — Karoline disse aproximando seu rosto da orelha de Demian.

    — Eu posso voltar para o jeito fácil? — Demian disse com dificuldade por conta do rosto próximo ao chão.

    Karoline comprimiu os lábios e forçou um pouco seu aperto, que fez Demian deixar escapar um gemido contido.

    — Tá certo, tá certo… — Demian respondeu forçando a testa sob o chão.

    O chão próximo ao rosto de Demian passou a tomar um tom acinzentado, criando rachaduras como se este fosse destruído pela erosão de milhares de anos.

    — Então, o que você tem a dizer? — Karoline perguntou ao aproximar o rosto de Demian para ouvir melhor.

    — Que eu prefiro… — Demian disse enquanto o chão a sua frente começou a ceder. — o jeito difícil!

    O chão cedeu, como se virasse pó em poucos instantes e ambos caíram gritando.Inicialmente as chamas que se formaram ao redor de Karoline iluminaram a queda, mas quando ambos atingiram a lama, tudo se apagou.

    — Demian que droga! — Karoline gritou em meio a escuridão.

    — Ouch, tá isso não foi uma boa ideia, dá pra sair de cima de mim!? — Demian respondeu com a voz fraca.

    — Podemos por favor conversar!?

    — Tá certo, tá certo…

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