Capítulo 253: Dama de Ferro

— Entonces desistiu del ataque surpresa por eso?
Alex se jogou na cadeira e bufou, passando a mão pelo rosto.
— A velhice te deixou surda?
Um sorriso lento e afiado nasceu no rosto de Catarina. Ela se aproximou sem pressa, até que as respirações dos dois praticamente se misturassem.
— Surda? Talvez… porque yo escuché que mi primer capitán abandonó semanas de preparación por causa de una mujer cualquiera.
Alex não recuou.
— Família é família.
— Eso si la chica no está mintiendo solo pra ficar viva!
— Não tá. Disso tenho certeza.
Catarina sustentou o olhar por mais um segundo, então suspirou e se deixou cair ao lado dele. Puxou o cantil da cintura, deu um gole generoso… e cuspiu de volta dentro dele.
Alex fez uma careta.
— Isso é nojento.
— Sabe fazer cachaça?
— Não.
— Entonces cala la boca. Tengo que economizar.
Ela repetiu o processo descaradamente.
— Que sea — disse por fim, cruzando os braços. — Pelo menos ahora tenemos alguien de dentro pra entender mejor la ciudad. Tráela aquí.
Alex a encarou por alguns segundos. Então se levantou, tomou o cantil das mãos dela e virou metade do conteúdo garganta abaixo, sem hesitar.
Engoliu. Devolveu.
— Desgraciado…
— Não tanto quanto você.
O olhar dela ficou afiado o suficiente para cortar, mas logo se desfez em uma risada aberta. Catarina puxou Alex pelo colarinho e encostou seus lábios nos dele.
Um toque rápido.
Alex a empurrou com uma força claramente controlada.
— Já mandei parar com isso.
— No puedo. Tengo que aprovechar cuando no está ardiendo.
Alex desviou o olhar.
— Porcaria de barco…
Se virou e saiu da cabine.
O vento o recebeu como um tapa.
Frio.
Limpo demais para o que carregava.
Mas não tão frio quanto os olhares no convés.
Uma dúzia de mascarados cruzava o espaço de um lado ao outro, limpando frestas, ajustando peças, mantendo o navio funcional. Na proa, piratas de Mare Euphoria bebiam sem entusiasmo — parados, armados, atentos. Nem a bebida parecia suficiente para relaxar.
Corrompidos caribenhos, de formas e tamanhos variados, trabalhavam presos por grilhões no pescoço. Suas mãos puxavam cordas, ajustavam velas, mantinham o Collectio alinhado com o movimento das nuvens.
Era assim que se escondiam.
Abaixo do casco, o som constante da forja ecoava. Metal sendo moldado, munição sendo produzida, ideias sendo testadas rápido demais para serem seguras.
O navio não descansava.
Funcionava.
De canto de olho, Alex viu Miguel na proa, mexendo um pequeno caldeirão fumegante. O cheiro do ensopado era fraco demais para abrir o apetite, mas suficiente para enganar o corpo naquele frio.
Acenou.
Miguel respondeu.
Alex desviou o olhar quase no mesmo instante.
Ver Niala sendo alimentada sempre o incomodava.
Não havia muito o que fazer.
Desde que Catarina pregou as mãos dela ao leme, a antiga rainha corrompida não conseguia mais cuidar de si mesma. Tentara, claro. Mas os tentáculos que defendiam o navio não tinham precisão para tarefas delicadas.
Depois de alguns passos rápidos, Alex empurrou a porta de um pequeno depósito do navio.
O interior era mais quente. Mais silencioso. Menos honesto.
Ali, Lúcia estava sentada na beira de uma cama estreita, os dedos apoiados no colchão gasto.
O barulho da porta fez com que se levantasse num salto instintivo — corpo reagindo antes da cabeça — mas, ao reconhecer Alex, perdeu o impulso e voltou a se jogar na cama, sem cerimônia.
— Realmente não vai me deixar falar com a Ana?
A pergunta saiu mais direta do que ela pretendia. Ou talvez exatamente como pretendia. Difícil dizer.
Alex fechou a porta atrás de si com o pé. Cruzou os braços. Não respondeu de imediato. Respirou fundo e só então olhou para ela.
— Ela não tá aqui.
Lúcia soltou um riso curto, sem humor.
— Nem ferrando ela ia deixar os mascarados pra trás.
— Não deixou. — A resposta veio rápida. — Mas não tá aqui.
Um silêncio breve se instalou.
Alex inclinou levemente a cabeça na direção da porta.
— Agora levanta. Você vai falar com a Dama de Ferro.
Lúcia estreitou os olhos, ainda deitada.
— Dama de Ferro? — repetiu, testando o nome. — Dama de Ferro e… cachaça?
Alex foi pego desprevenido. O riso escapou antes que pudesse decidir se devia.
— Sim. E cachaça — passou a mão no rosto, retomando o controle — Mas não é um nome que você devia conhecer.
— Queria não conhecer. — ela torceu os lábios e virou o rosto para o teto por um instante. — Ouvi mais histórias do que gostaria sobre taverneiros nesse último ano.
A frase ficou no ar por um segundo. Então algo se encaixou.
Ela arregalou os olhos e se sentou de novo.
— Espera… — o tom mudou — é ela quem tá atacando a capital? Que doideira!
Alex a observou por um instante, avaliando.
— Não parece estar irritada com isso.
— Irritada? — Lúcia soltou um riso com vontade. — Você conhece aquela gente? São um bando de desgraçados!
Alex não acompanhou.
— Bom… isso facilita as coisas. Você só precisa cooperar.
O efeito foi imediato.
O riso desapareceu como se alguém tivesse puxado um fio invisível.
Lúcia virou o rosto para ele de novo. Séria.
— Nem todo mundo lá merece morrer.
A resposta veio sem hesitação.
— Isso não importa. Só queremos a cidade.
— Quem diria que Insídia se rebaixaria a um bando de saqueadores.
Alex abriu a boca para responder, mas parou antes da frase. No fim, apenas se virou e saiu da sala.
— Hoje não é dia pra essa conversa — puxou a maçaneta — Vem logo.
Lúcia soltou um resmungo baixo enquanto se levantava.
Não era exatamente obediência.
Mas também não era resistência.
Não é como se soubesse voar, então seguiu o meio-termo que a sobrevivência costuma impor.
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Ficaremos sem imagens por um tempo, mas logo volto a postar!
Estou meio sem tempo e não estão saindo resultados bons…

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