Capítulo 141 - A grande cruzada dos Crek'Thra
Quando o sol raia sobre o acampamento, metade dos Crek’Thra está do lado da barreira de troncos.
Todos usam armaduras e proteções de couro, tingidas de marrom, prontas para protegê-los dos perigos da floresta.
A maioria carrega bolsas estufadas, lotadas de pertences, enquanto alguns, em duplas, sustentam padiolas com objetos e sacos maiores.
Nas portas, Brok e Midinho conversam com a Mãe Verde.
Diferente dos orcs do lado de fora, a anciã de cabelos negros não está com proteções ou armadura, ela usa apenas roupas de um pano espesso, semelhantes a um vestido.
“Quando as coisas… Estiverem mais arrumadas, mandarei alguém avisando para vocês virem”, orienta Brok.
“Ficaremos esperando prontos”, diz a velha Mãe Verde, com a voz tranquila e lenta.
“Se as coisas estiverem como Brok disse, não devemos demorar muito”, pontua Mindinho.
A anciã sorri, serena e sem nenhuma ruga de preocupações. “Todos aqui querem muito ver a capital. Incluindo eu”, diz ela.
Brok acena, firme como árvore, e parte para a floresta.
Os demais orcs erguem sua bagagem e seguem o chefe mata adentro, deixando a anciã e o restante da tribo no acampamento.
Do portão, a anciã e alguns outros observam silenciosamente a partida do grupo.
Que as batalhas de vocês sejam grandes e seus golpes pesados, roga Mãe Verde.
A cruzada dos orcs segue direta e compassada pela floresta. Em um ritmo constante, movem-se entre as árvores, já sabendo o caminho que devem trilhar.
O barulho de armas cortando as plantas e dos passos pesados esmagando folhas e galhos no chão os acompanha a cada metro de avanço.
Junto de Brok, guerreiros fortes vão à frente, usando machados e espadas para cortar moitas densas que atrapalham o caminho dos que vão atrás.
Na retaguarda, um grupo armado e liderado por Mindinho mantém a vigilância nos arredores e dá suporte aos que transportam a bagagem.
Até o final do primeiro dia da viagem, enquanto o sol começa a repousar no horizonte verde, o passo firme do grupo se mantém o mesmo da manhã.
Somente quando a luz deixa de iluminar o caminho e a visibilidade começa a cair nas sombras, os orcs param.
Em pouco tempo, um acampamento improvisado aparece na mata, com tochas acesas e cordas de tendas apoiadas nas árvores.
Lá eles revezam em turnos, nos quais alguns descansam, enquanto outros ficam de guarda.
Apesar de estarem no interior da floresta escura, quase sem visão dos arredores, não há sinal de perigo próximo.
Nos arredores, escutam apenas o ruído dos grilos, o canto das aves noturnas e o farfalhar das folhas na brisa fria da noite.
Tudo calmo e tranquilo o bastante para os roncos pesados dos que dormem se misturarem aos barulhos da mata.
Os que fazem guarda, acompanham os sinais da floresta sentados ou escorados nas árvores, com armas em prontidão.
À borda, o chefe e um pequeno número de guerreiros planejam a trilha do dia seguinte. Uma conversa baixa, quase feita inteiramente de murmúrios, com acenos constantes e dedos rabiscando a terra, desenhando o relevo abstrato de onde pretendem passar.
A noite passa calma, sem eventos, e, poucos momentos após o sol voltar a iluminar a região, as tendas já estão desmontadas e guardadas nos sacos.
Sem cerimônia, os orcs se organizam na formação do dia anterior e partem novamente, marchando pela floresta, como uma unidade de combate.
Nesse segundo dia de viagem, as feições na maior parte do grupo tornam-se mais cautelosas. A não ser por Brok, que segue à frente determinado, os orcs começam a ficar mais apreensivos.
A checagem visual dos arredores fica mais rigorosa, cada passo mais cauteloso e, até mesmo, o barulho das folhas ao vento causa um leve alarde.
Em algum momento, na metade do dia, Mindinho sai da retaguarda e vai até o chefe.
Quando Brok o percebe, para de andar e os guerreiros que o acompanham cortando a vegetação à frente fazem o mesmo.
“Algum problema?”, ele pergunta.
“Brok, não está tudo quieto demais?”, ele pergunta, olhando de um lado para o outro, desconfiado.
Outro orc também se aproxima. “É. Eu também acho”, ele comenta.
“Garras-brancas não atacam grupos grandes… como o nosso”, explica Brok.
“Mas devia estar cheio delas aqui”, diz Mindinho.
A apreensão dos dois fica clara ao líder. Além disso, agora, olhando para os outros ao fundo, ele vê que o sentimento também se estende a vários membros do grupo.
Os instintos deles não estão errados…, ele pensa.
“Vocês têm razão… mas, está tudo bem”, diz Brok, ao mesmo tempo em que acena, tentando confortá-los.
“Está mesmo?”, outro orc pergunta.
“Sim. Muitas das que estavam aqui… morreram. E como têm outros caçando mais à frente, há poucas aqui para nos caçar”, explica o líder. “Acham mesmo que… eu poderia ir de Cahjia até nossa tribo sozinho se elas estivessem aqui?”
Os dois orcs se entreolham. Diante do argumento, eles balançam a cabeça firmemente, concordando.
“Ótimo”, Brok comenta.
O chefe coloca a mão no ombro de Mindinho. “Vamos voltar a avançar. Diga aos outros que… está tudo bem e que só devemos encontrar sinais dos pássaros no final do dia ou amanhã cedo”, orienta ele. “Ainda temos muito chão pela frente.”
“Certo”, diz Mindinho, com a desconfiança suprida.
Ela começa a voltar para a retaguarda, mas vai devagar, pois vai conversando de orc em orc, passando o recado.
Brok, por alguns momentos, o observa atentamente, vendo alguns mais aflitos se reunindo ao redor de Mindinho para entender o que acontece por ali.
Até a calmaria na floresta é algo estranho para eles, constata ele. Se as coisas continuarem dando certo… eles vão ter que se acostumar com esse tipo de coisa.
Antes de voltar a liderar o avanço, o líder orc olha para o alto de uma árvore, de onde um corvo cinzento, empoleirado em um galho, o observa.
Espero que… tudo esteja indo do seu agrado. Tudo está indo muito bem para nós, Brok divaga e se vira para frente.
“Vamos continuar”, comanda ele, firme.
Os guerreiros próximos confirmam com um aceno firme e voltam a abrir caminho na vegetação.
“Ainda temos muito o que avançar hoje”, comenta Brok.
Amanhã é que as coisas… vão ficar turbulentas, constata ele.
Raça: [Zeladores][Guardiões silvestres]
Descrição: Os zeladores, ou guardiões silvestres, são pequenas criaturas feéricas que surgem em regiões onde há muita magia natural ou quando um animal recebe uma bênção de algum ser espiritual e ganha consciência. Por exemplo, um animal que frequenta bastante uma região com magia natural pode subitamente ganhar consciência e receber habilidades mágicas ligadas aos seres espirituais.
Com magia natural suficiente, qualquer animal pode se tornar um zelador. Por causa disso, as suas habilidades e a forma como as usam variam muito. Nas condições certas, um zelador também pode transcender ao plano físico e ter livre acesso ao plano espiritual.
A principal função dos zeladores, como o próprio nome diz, é zelar por algo. No caso dos zeladores que nascem naturalmente em regiões com muita magia natural, sua função normalmente é proteger o meio em que vivem de seres que possam prejudicá-lo de alguma forma. Seres espirituais também os criam para poderem servir como assistentes ou guardiões menores de algo importante, como uma árvore milenar ou um portal para o plano etéreo. Também é comum encontrá-los vagando ao lado de druidas ou espiritualistas, servindo como familiares.
São criaturas extremamente dependentes de uma fonte externa de mana ou de um ambiente com mana abundante no ar. Caso um zelador não consiga suprir a mana que seu corpo necessita, em uma semana definhará ou retornará a ser um animal comum.
Tamanho: Grande, Médio ou pequeno.
Atributos:
- Mente: ⏶⏶
- Carisma: ⏶⏶
- Magia:⏶⏶
Principais habilidades de Raça:
[Telepatia natural]: Os pensamentos aos quais você quer dar voz ecoam ao redor. Qualquer criatura que consiga compreender ao menos um idioma entende suas palavras, assim como você compreende as dela.
[Armas naturais]: Seus ataques físicos são fortalecidos (adicionando +10% do seu atributo Magia como dano adicional) e considerados mágicos. Você ativa essa habilidade com uma ação rápida, e ela pode permanecer ativa enquanto você possuir mana no corpo.
Alguns zeladores conhecidos: Yrah, Senhora Mãe(Mencionada) e Senhor Ootav(Mencionado).

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