Capítulo 29 - Turbinado
Um som alto do gás vazando dos componentes da panturrilha da armadura do soldado pôde ser ouvido de longe, e ele disparou novamente em direção aos dois jovens, que pularam para lados opostos no último segundo, desviando novamente.
O soldado girou algumas vezes no ar e desacelerou, pousando perto deles enquanto deslizava de ré. Havia um sorriso enorme e sádico em seu rosto, reforçando seu semblante insano.
“Acham que podem matar um soldado radiante no nosso próprio território, e saírem ilesos? Vamos! O que estão esperando? Corram! Fujam! Eu quero me divertir caçando vocês. Vahahahaha!”
Luke engoliu seco e cerrou os dentes, dando passos para trás.
“Louco… esse cara é completamente insano, Sam, corre!”
Antes mesmo de Luke terminar de falar, Sam começou a correr. E então, ele fez a mesma coisa. Ambos correndo juntos, rumo ao acampamento – que ainda não era possível ser visto, mas devia estar cerca de dois quilômetros deles.
Sam, enquanto corria, lançou um olhar assustado para Luke.
“Nós vamos até o acampamento? Isso pode trazer problemas para o Damian e o grupo dele!”
“Não temos outra escolha! Você acha que podemos lutar contra esse cara, e vencer?”
Sam cerrou os dentes.
“Droga!”
O soldado estava parado, os observando, enquanto esperava ambos se distanciarem ainda mais. E então, quando os dois se tornaram tão pequenos quanto formigas em sua visão, ele colocou as mãos na boca e gritou:
“Aqui vou eu!”
E então, ele se preparou… apontou… e partiu. Como um foguete.
‘Não vai dar tempo de chegar ao acampamento…’ Luke pensou.
E então, ele rapidamente abriu o painel e invocou a serpente de prata, logo em seguida, se virou para Sam e disse:
“Não vai ter jeito, ou lutamos, ou já era.”
Sam o encarou e assentiu, e então, rapidamente a garra obscura apareceu em sua mão.
O soldado já havia disparado, e quando Luke e Sam se prepararam para desviar novamente… antes dele se chocar com os dois jovens, ele vôou para cima. E então, girou seu corpo inúmeras vezes. O gás azul liberado na turbina de sua armadura, deixava um rastro por onde suas pernas passavam, fazendo se parecer com longas fitas dançantes. E então, ele se posicionou de forma que sua cabeça estava diretamente apontada para o chão. Após mais uma gargalhada, ele gritou:
“Blue Comet!”
E ao mesmo tempo, disparou com toda a velocidade em direção ao solo.
Luke e Sam não tiveram tempo para desviar, e foram atingidos pela explosão do impacto que o homem foguete causou ao se chocar com o chão. Ambos foram jogados um pouco para trás, mas se equilibraram. Porém, a nuvem de poeira deixara a visão dos jovens levemente embaçada.
“Luke! Cuidado!” Sam gritou.
E ao mesmo tempo, Luke se recompôs e segurou firme sua espada com as duas mãos, evitando por uma fração de segundo, o soco que estava prestes a levar.
O soldado voador já estava na frente do garoto, seu punho chegaria em seu estômago em um segundo. E se não fosse pelo alerta de Sam, Luke teria levado o golpe.
O soldado parou rapidamente o soco, para que sua mão não colidisse com o fio da serpente de prata.
Quando Luke se preparou para desferir um ataque com sua espada, o som do gás pôde ser ouvido novamente, porém, vindo de uma só perna do soldado.
Antes que Luke conseguisse revidar, o soldado girou o corpo ativou o gás, fazendo sua perna esquerda disparar em alta velocidade contra a cabeça de Luke, desferindo um chute com o calcanhar. Ele havia ativado a turbina frontal de sua panturrilha, o fazendo dar um chute bem parecido com um chute de capoeira.
E então, não havia muito o que fazer… Luke apenas posicionou seu antebraço desajeitadamente em sua cabeça para defender-se do golpe, mas, o chute foi potente demais. Luke sentiu parte do antebraço da armadura rachando, e uma dor aguda em seu braço. E logo em seguida foi jogado para longe, rolando no chão.
“Vahaha! Lento, moleque! Lento demais!”
O soldado ria enquanto olhava para Luke no chão, se levantando lentamente. Porém, antes que fizesse qualquer outra coisa, ele se virou para trás rapidamente, e olhou para Sam, que estava prestes a lançar uma presa negra nele.
Sam já estava acabando de executar o movimento, então não teve como parar. Ela lançou a adaga, que girou no ar rapidamente em direção ao crânio do soldado. Mas, ele apenas jogou a cabeça para o lado, desviando facilmente.
“Tentando ser furtiva? Acha que sou trouxa? Que eu não me lembraria de você, pirralha? Vahaha!”
Sam estava com o semblante aflito, mas, sorriu de forma nervosa para o soldado.
“Não custa tentar, né?…”
Ela deu alguns passos para trás, enquanto o soldado se posicionava novamente…
“Espera aí! Não fomos nós que matamos aquele cara! É sério!” Luke gritou, enquanto estendia sua mão para o soldado.
O homem olhou para ele, com seu sorriso exagerado de sempre.
“Ah, é? Então por que vocês correram tanto, e não se explicaram de uma vez, hein?”
Luke engoliu seco.
“Apenas vimos a cena do crime enquanto passávamos por aqui, porém, seus colegas nos viram e começaram a correr atrás de nós. Do que adiantaria explicar alguma coisa? Vocês acreditariam?”
O soldado pensou por alguns segundos…
“É, você está certo… vocês dois… por mais que não tenham feito nada, ainda são suspeitos, né? Vahaha! Azar o de vocês, eu estou apenas cumprindo meu dever. Mas, ao invés de matá-los, apenas os levarei em custódia para a base. E lá, meus superiores decidem o que vão fazer. É uma boa, não acham?”
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para Luke através das duas lentes circulares implantada no lugar de seus olhos. E então soltou um sorriso desdenhoso.
Ele estralou o pescoço e se alongou ligeiramente, logo em seguida, começou a saltitar, como se estivesse se aquecendo.
“E sabe como é, né? Eu preciso ganhar uns créditos com o chefinho….”
E então, se preparou para avançar na direção de Luke novamente. Porém…
“Acho que você é um trouxa mesmo!”
CRACK!
um barulho de vidro se quebrando pode ser escutado. E então, se virando para Sam, o soldado a viu com a mão apontada em sua direção, como se tivesse acabado de jogar algo. E logo em seguida, sentiu uma dor entranha em sua perna…
Olhando para baixo, havia uma adaga negra cravada em sua armadura. E o componente de vidro que guardava o gás, quebrado.
“Sua… sua pirralha maldita!”
O soldado desfez seu sorriso, uma carranca tomando conta de seu rosto.
Ignorando o xingamento, Sam segurou a garra obscura e avançou em direção ao soldado, enquanto Luke já estava perto o suficiente, com sua serpente de prata.
Normalmente, Luke evitaria conversar com seu inimigo, ainda mais se fosse um humano. Porém, ele quebrou seu padrão, justamente para que o soldado se distraísse com a conversa, já que parecia gostar muito de conversar…
Dando tempo para Sam desconjurar a presa negra, conjurá-la novamente, e arremessar no ponto fraco do soldado. No ponto que o dava a vantagem sobre eles, suas pernas.
Luke e Sam trabalhavam muito bem juntos, às vezes, nem precisavam se comunicar para entender um ao outro.
Mesmo que ela tenha quebrado o componente de uma única perna, já era o suficiente para desequilibrar o homem foguete.
E agora, ambos entrariam em um combate de dois contra um, à curta distância.

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