Capítulo 05
De repente, passos ecoaram pelo asfalto, rompendo o silêncio pesado que havia se instalado após o massacre inicial. Em meio à poeira e aos destroços ainda suspensos no ar, uma mulher surgiu da névoa com avanço firme e contínuo. Trajava vestes táticas e óculos escuros, com a postura alinhada e sem demonstrar hesitação. Era Indjaya Ribeiro, de estatura alta, pele parda e cabelos curtos castanho-claros, conhecida por sua periculosidade dentro das forças italianas. Ela não desviou o olhar para o motorhome destruído nem para Emma, ignorando completamente o entorno enquanto avançava. À medida que se aproximava, sua pele começou a mudar gradualmente, assumindo um tom azulado brilhante semelhante ao de Rover, indicando ativação de suas capacidades de combate.
No meio do caos, os sistemas de comunicação militar ainda funcionavam de forma instável. A voz de um soldado irrompeu pelo rádio em meio ao ruído de motores e movimentação desordenada. — Comando, aqui é a unidade de interceptação! Estamos recuando! Repito: recuo imediato! Não temos blindagem para isso! — gritou, deixando evidente o descontrole da situação.
A resposta veio logo em seguida, carregada de resistência em aceitar o cenário. — Unidade de interceptação, explique-se! Qual a natureza da ameaça? — questionou o superior, mantendo o tom formal, ainda tentando manter a cadeia de comando funcional.
A tensão aumentava rapidamente, e o retorno do soldado veio ainda mais desorganizado, refletindo o colapso do campo. — É um massacre! A calmaria acabou… estamos no olho do furacão e não temos como revidar! — respondeu, deixando claro que qualquer tentativa de enfrentamento direto já não era viável.
Os veículos militares começaram a se movimentar com maior intensidade, pneus arrastando no asfalto enquanto os condutores tentavam reorganizar a retirada. Soldados olhavam para trás com frequência, acompanhando o avanço de Indjaya e Rover através da poeira. A percepção geral era clara, mesmo que não fosse verbalizada: não havia preparo para lidar com aquele nível de poder, e a retirada se tornava a única alternativa possível.
Nesse contexto, um dos homens responsáveis pelo ataque inicial surgiu de trás de um veículo, empunhando uma espingarda. Ele disparou à queima-roupa contra Indjaya, atingindo diretamente sua cabeça. O impacto destruiu parte significativa do crânio, derrubando-a momentaneamente. No entanto, a resposta veio de forma imediata e fora do esperado. Em poucos segundos, a estrutura óssea e os tecidos começaram a se recompor, restaurando completamente a integridade de seu corpo. Antes que o atirador pudesse reagir, mãos azuladas surgiram ao redor de sua cabeça, forçando um movimento brusco para trás e quebrando seu pescoço de forma instantânea. O corpo caiu sem reação enquanto a verdadeira Indjaya se reposicionava.
Conhecida como “A Mulher dos Incontáveis Rastros”, Indjaya possuía a capacidade de gerar cópias físicas de si mesma, limitadas apenas por sua resistência. A figura que havia sido atingida não passava de uma dessas manifestações. Após o ataque, tanto o clone quanto a presença original desapareceram novamente na névoa, utilizando o ambiente como cobertura para movimentação e reposicionamento.
Bruno recuperou a consciência de forma instável, mas seu estado era crítico. Seu corpo apresentava múltiplas fraturas expostas, com parte da estrutura torácica visível, enquanto suas pernas permaneciam presas sob o peso do metal deformado. Ao mover o olhar, identificou sua própria mão esquerda decepada a poucos centímetros de distância. Sua respiração era irregular e superficial, indicando perda severa de sangue e colapso iminente, tornando sua sobrevivência improvável.
Os civis haviam sido evacuados por um corredor improvisado, restando apenas corpos no asfalto e alguns indivíduos inconscientes. As baixas militares aumentavam rapidamente, e o grupo de mercenários, agora reduzido, tentava recuar em formação. No entanto, o cenário sofreu uma alteração repentina. A percepção espacial dos homens foi distorcida, fazendo com que perdessem completamente a noção de posicionamento. Um deles tentou reagir, sem perceber que já estavam sob efeito de uma intervenção psíquica.
Eleonor Ribeiro, conhecida como “A Cigana”, observava o campo com postura controlada. Sua presença se destacava em meio à destruição, com cabelos ruivos longos e cacheados contrastando com o ambiente. Sua habilidade de manipulação psíquica através do próprio sangue estava ativa. Um fluido azul escorria por seu braço direito enquanto ela elevava a mão, iniciando a execução da técnica conhecida como Dança das Navalhas. Faixas metálicas emergiram de seu corpo com velocidade, avançando diretamente contra os mercenários e atravessando pontos vitais com precisão. O resultado foi imediato, com membros sendo decepados e corpos neutralizados sem possibilidade de reação.
O desfecho daquele confronto levantava uma questão inevitável: o que teria motivado uma ação daquele nível, com perdas humanas e destruição em larga escala. Os mercenários, agora reduzidos a vítimas de um conflito maior, tornavam-se apenas mais um registro dentro de uma guerra prolongada. Um deles, ainda consciente por poucos instantes, sucumbiu enquanto tentava compreender a dimensão do que havia acontecido.
Com a redução imediata das ameaças ao redor, Rover manteve-se atento, analisando o ambiente com foco total. — O plano foi concluído. Preparem a minha volta. — declarou pelo rádio, mantendo um tom direto e objetivo.
Nesse momento, Indjaya reapareceu atrás dele, executando um avanço furtivo com as mãos transformadas em lâminas voltadas para sua garganta. Rover reagiu por reflexo, convertendo o movimento em um impulso de onda de choque através da palma da mão, atingindo o rosto da adversária com força extrema e destruindo parte de sua mandíbula, obrigando-a a recuar.
Sem pausa, Rover girou o corpo para manter contato visual, mas Indjaya já havia desaparecido novamente, reposicionando-se em suas costas. Diante da repetição do padrão, ele executou uma resposta mais ampla, unindo as palmas e liberando uma onda expansiva que varreu a área ao redor.
Os corpos gerados por Indjaya foram atingidos diretamente pela pressão, sofrendo danos extremos e colapsando imediatamente, dissipando-se em partículas e fluido azul. Ainda assim, o efeito foi temporário. A verdadeira Indjaya reapareceu mais uma vez atrás dele, agora com leitura completa de seus movimentos anteriores, avançando com intenção de finalização.
Rover ajustou sua base defensiva, enquanto Indjaya iniciou uma sequência ofensiva estruturada. Um movimento inicial forçou reação, abrindo espaço para um ataque direto que atingiu parcialmente seu rosto. Em seguida, ela gerou uma nova cópia, criando vantagem numérica. Enquanto a original mantinha pressão com ataques contínuos, o clone explorou a abertura e desferiu um golpe no tronco de Rover, projetando-o para trás.
Mesmo sendo arremessado, Rover recuperou o equilíbrio no ar e estabilizou a aterrissagem. Sua resposta foi imediata e agressiva. Utilizando as ondas de choque como propulsão, avançou em linha reta com alta velocidade, gerando um impacto sonoro significativo. O ataque atingiu o clone diretamente, destruindo-o no momento do contato e encerrando sua existência de forma instantânea.

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