Capítulo 08
Bruno permanecia preso àquela rodovia, forçando os pulmões a trabalharem além do limite em uma respiração pesada e irregular. O ar que entrava parecia insuficiente, carregado de poeira e calor, dificultando ainda mais a oxigenação de um corpo já em colapso. Sua consciência retornava de forma gradual, como se cada fragmento de lucidez precisasse atravessar uma barreira de dor antes de se fixar, trazendo consigo a percepção crua do cenário ao redor.
Sua visão permanecia limitada pela cortina densa de poeira que dominava o ambiente, impedindo qualquer leitura clara do que acontecia além de poucos metros. Ainda assim, ele reuniu o pouco de força que lhe restava para direcionar o olhar ao motorhome, movendo o pescoço com dificuldade enquanto ignorava os sinais extremos de exaustão que seu corpo emitia.
O veículo, que antes servia como abrigo e ponto de estabilidade, havia sido completamente destruído. A estrutura estava deformada, comprimida sob o peso de um caminhão que o esmagava contra o asfalto, reduzindo o que antes era um espaço habitável a um amontoado de ferragens irreconhecíveis. O impacto havia comprometido completamente sua integridade, deixando evidente que não havia qualquer proteção restante ali.
Entre os destroços, Bruno conseguiu identificar o que restava do corpo de Vril. A figura estava irreconhecível, reduzida a fragmentos de carne e tecido espalhados entre o metal retorcido. Não havia traços que permitissem associar aquele cenário à autoridade que o homem representava momentos antes, apenas a evidência brutal de que havia sido eliminado sem qualquer possibilidade de reação.
A constatação não trouxe choque imediato, apenas um silêncio interno pesado, como se sua mente recusasse processar completamente o que via. A ausência de reação emocional era substituída por uma sensação de isolamento absoluto, como se todo o suporte externo tivesse sido removido de forma definitiva.
— P-puta que pariu… — a voz de Bruno saiu falha, carregada de dor e esforço, quebrando o silêncio ao seu redor de forma quase involuntária.
Ele desviou o olhar do cenário à frente e tentou avaliar o próprio corpo, movendo minimamente a cabeça para baixo. A visão era fragmentada, mas suficiente para revelar a gravidade de sua condição. Ainda assim, ele não se permitiu permanecer focado na própria situação por muito tempo, interrompendo o impulso natural de entrar em colapso mental.
O sangue se acumulava ao seu redor em uma quantidade crescente, espalhando-se entre as latarias e escorrendo pelo asfalto irregular. A visão de seu próprio braço decepado, distante poucos metros, permanecia presente em seu campo de visão periférico, mas era ignorada à força, como uma tentativa deliberada de preservar o mínimo de controle psicológico.
Em vez disso, sua atenção foi desviada para o ambiente ao redor, onde explosões e descargas de energia continuavam a ocorrer em intervalos irregulares. Os clarões atravessavam a poeira e os impactos reverberavam pelo solo, criando uma sequência de estímulos que tornava impossível ignorar a escala do confronto que se desenrolava próximo dali.
— E-Emma! — o chamado saiu com mais força, ainda que comprometido pela respiração falha.
Seu corpo reagiu ao impulso, tentando se mover mesmo sem condições físicas para isso. Ele forçou o olhar novamente em direção ao motorhome, buscando qualquer sinal de movimento que indicasse a presença da irmã entre os destroços.
A tentativa de identificação era prejudicada pela poeira e pela instabilidade visual causada pela perda de sangue, mas ele insistiu, mantendo o foco mesmo com a visão oscilando.
Bruno começou a pressionar o próprio corpo contra a estrutura metálica que o prendia, utilizando o peso que ainda conseguia mobilizar para tentar deslocar o veículo à sua frente. O movimento era limitado, mas constante, indicando uma tentativa deliberada de escapar daquela posição.
O contato com o metal agravava ainda mais seus ferimentos. As bordas irregulares atuavam como superfícies cortantes, rasgando o que restava de tecido e ampliando os danos a cada tentativa de movimento. Mesmo assim, ele continuou, ignorando completamente as consequências imediatas.
— Eu preciso sair daqui! — a frase saiu como um impulso bruto, mais próxima de um instinto do que de uma decisão racional.
Seu corpo já operava além de qualquer limite seguro, sustentado apenas por adrenalina e pela urgência da situação. Cada esforço exigia mais do que ele era capaz de fornecer, mas a alternativa — permanecer imóvel — era inaceitável.
Seus pensamentos se tornavam desordenados, dificultando qualquer construção lógica de ação. Ainda assim, havia uma única direção clara em sua mente: sair dali e alcançar o que restava do motorhome.
Antes que pudesse avançar em qualquer progresso significativo, o solo sob ele voltou a tremer. A vibração percorreu o asfalto e as estruturas metálicas ao redor, interrompendo completamente sua tentativa de fuga.
Uma nova explosão ocorreu a curta distância, iluminando o ambiente com um clarão intenso que atravessou a poeira. O impacto gerou uma nova onda de pressão, deslocando o ar e espalhando ainda mais detritos pelo cenário, enquanto o som reverberava com força suficiente para desorientar qualquer um próximo ao epicentro.
A poeira levantada pela explosão se espalhava rapidamente pelo campo de batalha, criando uma cobertura instável que limitava a visibilidade e distorcia a percepção de distância. Dentro daquele ambiente comprometido, Eleonor e Rover mantinham o confronto ativo, cada ação resultando em novos danos à estrutura já fragilizada da rodovia.
Eleonor iniciou um novo ataque ao elevar o braço direito, mantendo a palma aberta enquanto direcionava suas faixas metálicas em um movimento descendente. O golpe foi executado com precisão, utilizando a velocidade do material para reduzir o tempo de reação do oponente.
Rover respondeu de forma imediata, ativando sua manipulação de ondas de choque para impulsionar o próprio corpo para fora da trajetória do ataque. O movimento foi realizado em diagonal, permitindo que ele evitasse o impacto direto enquanto mantinha controle sobre a aterrissagem.
Seus pés tocaram o solo por um intervalo mínimo antes de gerar nova propulsão. A energia liberada sob seus pés foi suficiente para impulsioná-lo novamente, agora em avanço direto contra Eleonor, reduzindo rapidamente a distância entre ambos.
— Veio se vingar porque matei seus amigos semana passada? — questionou Eleonor, mantendo a postura defensiva enquanto reposicionava suas lâminas à frente do corpo.
As faixas metálicas foram organizadas em uma formação horizontal, funcionando como uma barreira entre ela e o avanço de Rover. Ao mesmo tempo, uma aura de coloração púrpura passou a envolver seu corpo, indicando uma intensificação de sua capacidade de combate.
O contato entre os dois gerou pressão suficiente para afetar o solo ao redor. O asfalto começou a ceder sob a força aplicada, evidenciando o nível de energia envolvido naquele ponto de colisão.
— Não fode. — respondeu Rover, mantendo o tom direto enquanto ajustava sua postura.
Ele posicionou a palma da mão direita à altura do abdômen de Eleonor, iniciando a concentração de energia necessária para um disparo à curta distância. A compressão do ar ao redor indicava que o ataque seria liberado em instantes.
Antes que a ação fosse concluída, uma nova presença interferiu no fluxo do combate. Indjaya surgiu no campo de visão de Rover, alterando sua prioridade imediata.
Rover redirecionou o ataque sem hesitação, disparando a onda de choque contra a nova ameaça. A ação criou uma abertura momentânea em sua defesa, alterando o equilíbrio do confronto.
O impacto atingiu diretamente a figura de Indjaya, dissipando sua forma de maneira instantânea. Não houve resistência ou reação prolongada, apenas a desintegração imediata do corpo atingido.
A ausência de dano real indicava que se tratava de um clone, utilizado como recurso estratégico para forçar a resposta de Rover. A verdadeira Indjaya permanecia oculta, utilizando o ambiente como cobertura enquanto analisava o andamento do combate.
A brecha criada foi utilizada por Eleonor sem atraso. Suas faixas metálicas avançaram novamente, agora direcionadas com precisão suficiente para atingir um ponto crítico.
O golpe resultou na separação completa do braço de Rover, removido de seu corpo em um único movimento. A resposta foi imediata.
— PORRA! — o grito veio acompanhado de uma liberação massiva de energia.
Rover converteu a dor em uma onda de choque expansiva, liberada a partir de seu próprio corpo. A pressão gerada se espalhou pelo ambiente, afetando tudo dentro do alcance imediato.
Sem interromper a sequência, ele uniu ambas as mãos acima da cabeça, entrelaçando os dedos enquanto concentrava energia de forma progressiva. O ar ao seu redor começou a apresentar distorções visíveis, indicando a preparação de uma técnica de maior escala.
Eleonor foi afetada pelo impacto anterior, apresentando sinais claros de desorientação. Sua percepção estava comprometida, dificultando a resposta imediata ao que estava sendo preparado.
Identificando a ameaça, Indjaya voltou a agir, surgindo novamente no campo de batalha. Desta vez, acompanhada por múltiplos clones, avançou diretamente contra Rover com o objetivo de interromper a execução da técnica.
— TÉCNICA DO MANTO AUROR! DISPERSÃO MOLECULAR! — declarou Rover, liberando a energia acumulada.
A ativação gerou uma onda de choque de grande escala, expandindo-se a partir de seu ponto de origem e varrendo toda a área ao redor. O impacto destruiu o que restava da estrutura da rodovia naquele perímetro.
Indjaya foi atingida diretamente no centro da liberação de energia, sofrendo o impacto total da técnica. Seu corpo foi lançado com força extrema, sem qualquer possibilidade de absorção ou desvio naquele momento.
Eleonor, posicionada a uma distância ligeiramente maior, também foi atingida pela pressão resultante. Seu corpo foi arremessado para trás, perdendo contato com o solo enquanto era deslocada pela força da explosão.

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